‘Here’s Johnny!”, diz um enlouquecido Jack Torrance à esposa, enquanto destrói a machadadas a porta que os separa — de olhos fechados, qualquer amante do cinema de terror pode reproduzir a cena em seu telão mental. É igualmente fácil evocar a voz de Ben E. King (“Stand by me! Oh, stand by me!”) ao imaginar Gordie Lachance e seus amigos cruzando as terras do Oregon em busca de um cadáver adolescente. De fato, devemos as duas memórias aos diretores Stanley Kubrick e Rob Reiner, ao sagaz improviso de Jack Nicholson e ao feliz supervisor musical de Conta comigo — mas, antes de outra coisa, nós as devemos a Stephen King.
Desde os anos 1970, os romances e contos de King têm sido transpostos para as telas com uma frequência admirável. Como resultado, hoje temos à disposição uma filmografia vasta, diversificada e, alguém deve admitir, irregular, em que obras-primas premiadas ladeiam telefilmes esquecidos e remakes amplamente criticados.
Este artigo reúne, em ordem cronológica, todos os filmes que adaptaram criações de King, indicando, para cada título, o diretor, a recepção crítica e a obra literária de origem (com seu ano de publicação). Ao avançar pela lista, você notará como diferentes épocas, linguagens e plataformas modelaram o imaginário kinguiano.
O artigo lista apenas longas-metragens, inclusive os produzidos para a TV ou serviços de streaming. Infelizmente, você não encontrará aqui seriados, curtas-metragens (numerosos, mas pouco influentes) nem continuações (que, especialmente no caso de King, tendem a ser de baixa qualidade e pouco fiéis ao material original). Como exceção à regra, ambos It: a Coisa (2017) e It: capítulo dois (2019) estão presentes, e ocupam uma única posição na lista pois, embora lançados em anos diferentes, compõem a mesma narrativa. Alguns dos tópicos a seguir fazem revelações importantes sobre o enredo das adaptações e das obras originais.
1. Carrie, a estranha (1976)
- Título original: Carrie
- Diretor: Brian De Palma
- Obra adaptada: Carrie, a estranha [Carrie] (1974)
Na primeira adaptação de uma obra de King para o cinema, Carrie White (Sissy Spacek) é uma adolescente tímida e reprimida, vítima do bullying das colegas de escola e, em casa, dos repetidos abusos da mãe, religiosa fanática. Cercada por eventos anormais desde a infância, Carrie dá vazão aos poderes telecinéticos depois de exposta a uma grande humilhação durante seu baile de formatura. Como o livro-base, o filme combina horror sobrenatural e críticas à crueldade adolescente e ao extremismo pseudorreligioso.
Crítica e público receberam muito bem o trabalho de De Palma, hoje tido como um clássico do terror. Estimada entre as melhores adaptações da obra de King por avaliadores da IMDb e Rotten Tomatoes, a produção também alavancou a carreira de Sissy Spacek, indicada ao Oscar (1977) pelo papel principal1.
Em 2022, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos incluiu Carrie na lista de preservação do National Film Registry — honra concedida apenas a produções cultural, histórica ou esteticamente relevantes2. Curiosamente, Carrie é a primeira adaptação do primeiro romance publicado (embora não o primeiro escrito3) por King.
2. O iluminado (1980)
- Título original: The Shining
- Diretor: Stanley Kubrick
- Obra adaptada: O iluminado [The Shining] (1977)
Naquele que Jack Nicholson e Shelley Duvall consideraram um dos filmes mais exigentes de suas carreiras4, Jack Torrance (Nicholson), zelador temporário do grandioso hotel Overlook, é confinado no lugar com a mulher e o filho por uma longa tempestade de neve. Em pouco tempo, forças sobrenaturais provocam a degradação mental de Jack, que, sem outra ocupação ou divertimento, se torna mais e mais alienado, paranoico e violento.
A princípio depreciado por fãs do livro (e especialmente pelo próprio King, um feroz crítico de Nicholson no papel do protagonista5), o filme é hoje tido como obra-prima do cinema de terror graças à estética deslumbrante e competência técnica da direção de Kubrick. É comum encontrá-lo nas mais altas posições em listas de “melhores adaptações de King”, como a de Rotten Tomatoes e da IMDb.
3. Creepshow: show de horrores (1982)
- Título original: Creepshow
- Diretor: George A. Romero
- Obra adaptada: Contos Weeds (1976; incluído em uma edição de luxo de Night Shift, em 2010) e The Crate (1979; publicado na revista Gallery e ainda não reunido em nenhuma coletânea oficial de King), ambos sem tradução para o português
Antologia em cinco segmentos (seis, se contarmos a história que serve de introdução e epílogo para as demais), Creepshow é um tributo aos quadrinhos de terror dos anos 1950. Intercaladas por vinhetas, as narrativas, todas da autoria de King, combinam humor negro e horror sensacionalista — “The most fun you’ll ever have being scared”, como anunciou seu trailer. O tom da produção é deliberadamente pulp e nostálgico.
Os segmentos Father’s Day, Something to Tide You Over e They’re Creeping up on You não adaptam nenhuma história pré-existente: foram escritos por King, então estreando como roteirista, exclusivamente para o filme. A obra veio a se tornar um clássico cult, exaltado pela mistura única de comédia e horror. Esta é a primeira grande colaboração entre King e Romero, bons amigos6 que há anos buscavam uma chance de trabalhar juntos7.
4. Cujo (1983)
- Diretor: Lewis Teague
- Obra adaptada: Cujo (1981)
Na pequena cidade fictícia de Castle Rock, Maine, um cão São Bernardo contrai raiva e passa a atacar quem quer que atravesse seu caminho. Donna Trenton (Dee Wallace) e o filho, Tad, ficam presos em um carro avariado, lutando para sobreviver cercados pela fera. O filme mantém o tom claustrofóbico e angustiante do livro, mas introduz mudanças relevantes — como o fato de que Cujo está apenas infectado com raiva, e não possuído por um demônio, como na história-base.
Ao contrário do que ocorre no romance, o pequeno Tad sobrevive no desfecho do filme. Quanto a isso, a atriz Dee Wallace mencionou, em um episódio do podcast Still Here Hollywood, o elogio de King à escolha da equipe. “Graças a Deus vocês não mataram o garoto no final”, teria dito ele. “Nunca recebi tantas mensagens de ódio por nada que eu tenha feito.”8 Apesar das críticas mistas, a adaptação está entre as favoritas de King, para quem, “dos filmes menores, o melhor provavelmente é Cujo […].”9
5. A hora da zona morta (1983)
- Título original: The Dead Zone
- Diretor: David Cronenberg
- Obra adaptada: A zona morta [The Dead Zone] (1979)
No resultado da única parceria entre King e David Cronenberg, Johnny Smith (Christopher Walken) descobre, após despertar de um coma, ter adquirido o poder de ver passado, presente e futuro de pessoas ou objetos. Por fim, sua habilidade o leva a confrontar um político cuja eleição poderia causar uma catástrofe mundial. Como o material base, o filme mistura suspense sobrenatural e drama ético entremeados por um conto de amor interrompido.
Uma das mais aclamadas adaptações de uma obra de King, A hora da zona morta recebeu muitos elogios quando lançado. Em uma resenha simpática, Roger Ebert declarou que, até então, nenhum romance do autor fora “tão bem filmado”10. Entre outros, o consenso crítico de Rotten Tomatoes exalta a “direção precisa” de Cronenberg e a “atuação marcante” de Walken11.
6. Christine, o carro assassino (1983)
- Título original: Christine
- Diretor: John Carpenter
- Obra adaptada: Christine (1983)
Na única adaptação de King por John Carpenter, o nerd Arnie Cunningham (Keith Gordon) compra “Christine”, um Plymouth Fury 1958 tomado por um espírito maligno. Ciumento e capaz de reparar a si mesmo, o automóvel não só passa a influenciar Arnie, como a matar quem quer que tente destruí-lo ou separá-lo do novo dono. O filme combina o horror sobrenatural à nostalgia automotiva típica da época.
Durante o auge do sucesso de King nos Estados Unidos, os direitos da adaptação foram vendidos ao produtor Richard Kobritz antes mesmo que o romance fosse publicado12. Elogiado por sua atmosfera e pela direção de Carpenter, o filme recebeu avaliações de moderadas a positivas — ainda que não de King, que o considerou “[…] meio chato”13. “Falando por mim”, destacou o autor, “prefiro algo ruim a algo chato.”14


7. Colheita maldita (1984)
- Título original: Children of the Corn
- Diretor: Fritz Kiersch
- Obra adaptada: Conto As crianças do milharal [Children of the Corn] (1977), mais tarde incluído em Sombras da noite [Night Shift] (1978)
De viagem pelo interior do estado de Nebraska, o casal Buck (Peter Horton) e Vicky (Linda Hamilton) se detém na pequena cidade de Gatlin, onde crianças integrantes de um culto sacrificam adultos para um sanguinário deus das plantações. No filme, como no conto original, o terror nasce da inversão da relação de poder criança-adulto e do cruel fanatismo infantil.
Colheita maldita recebeu críticas geralmente negativas, embora tenha se tornado um clássico cult, originado uma longa franquia e rendido dois remakes no século seguinte (de 2009 e 2020). Roger Ebert deu ao filme uma de cinco estrelas, declarando que, por fim, “a única coisa que se move entre as fileiras [um trocadilho com o nome da divindade cultuada pelas crianças] é o público, fugindo para as saídas [do cinema].”15
Até então, o consenso crítico de Rotten Tomatoes é de que “a premissa e o início promissor” do filme deram lugar a “um suspense infantil que acaba andando em círculos”16. “Eu poderia viver sem todas as sequências de Colheita maldita”, disse o próprio King, afinal. O autor confessou, contudo, ter gostado bastante deste primeiro filme de Kiersch17.
8. Chamas da vingança (1984)
- Título original: Firestarter
- Diretor: Mark L. Lester
- Obra adaptada: A incendiária [Firestarter] (1980)
Filha de pais também dotados de poderes especiais, a pequena Charlene (“Charlie”) McGee (Drew Barrymore) tem o dom da pirocinese. Alvo de uma agência governamental que deseja controlar seu poder, ela conta com a ajuda dos pais e outros aliados para despistar seus inimigos. Basicamente um thriller de perseguição, o filme concentra muitas cenas nos efeitos das habilidades de Charlie.
Chamas da vingança foi recebido sem grande entusiasmo. Apesar dos elogios à atuação de Barrymore (então com apenas oito anos), o enredo carente de tensão dramática e os efeitos práticos da produção receberam críticas frequentes18. O próprio King o considera uma das piores adaptações de uma obra sua, ainda que semelhante ao livro. “É insípido”, disse ele, “como um purê de batatas de cantina.”19
9. Olhos de gato (1985)
- Título original: Cat’s Eye
- Diretor: Lewis Teague
- Obra adaptada: Contos Ex-fumantes LTDA. [Quitters, Inc.] e O ressalto [The Ledge], de Sombras da noite (1978); King também contribuiu com um texto original (General) para o filme
Antológico, Olhos de gato é composto por três segmentos interligados pela história de um gato itinerante: do drama de um executivo viciado em cigarros (Quitters, Inc.), passamos ao de um homem obrigado por um chefão do crime a desfilar por um beiral (The Ledge). Na última vinheta, o gato (agora chamado General) tentará salvar a pequena Amanda (Drew Barrymore) do ataque de um troll. Do início ao fim, o tom do filme oscila entre o suspense e o humor negro, incluindo como easter eggs muitos elementos do universo kinguiano — de um São Bernardo agressivo a um charmoso Plymouth Fury vermelho cuja placa diz “Eu sou Christine”.
A recepção de Olhos de gato foi de moderada a positiva. Satisfeito, Roger Ebert o considerou “um dos filmes mais eficazes” adaptados da obra de King20. Vincent Canby, do New York Times, chamou-o de “melhor adaptação para o cinema de qualquer obra de King desde Carrie”, além de “extremamente inteligente, estiloso e satisfatório”21. Segundo o consenso crítico de Rotten Tomatoes, embora “sabidamente absurda”, a antologia de comédia e terror é eficaz22.
10. A hora do lobisomem (1985)
- Título original: Silver Bullet
- Diretor: Daniel (Dan) Attias
- Obra adaptada: A hora do lobisomem [Cycle of the Werewolf] (1983)
No primeiro e único filme dirigido por Attias, mortes brutais que acompanham o calendário lunar assombram a pequena cidade rural de Tarker’s Mills, Maine. Aliados ao tio Red, os irmãos Marty e Jane Coslaw (Corey Haim e Megan Follows, respectivamente) tentarão derrotar a criatura responsável pelos crimes, que Marty descobre ser um lobisomem. O filme articula aventura juvenil e horror.
As resenhas de A hora do lobisomem tenderam a ser negativas. Roger Ebert opinou que essa havia sido “ou a pior ou a mais engraçada” das adaptações de King, e elogiou o que acreditou ser o tom paródico proposital do filme23. Em sua coluna no New York Times, Vincent Canby o chamou de “Stephen King da pior qualidade”24. Apesar das divergências com o estreante Attias, o próprio King escreveu o roteiro25. O escritor nunca se manifestou sobre o produto final.
11. Comboio do terror (1986)
- Título original: Maximum Overdrive
- Diretor: Stephen King
- Obra adaptada (vagamente): Conto Caminhões [Trucks] (1972), mais tarde incluído em Sombras da noite; em grande parte, o roteiro (também de King) é original
No único feito de King como diretor de cinema, caminhões e outras máquinas se rebelam e passam a atacar humanos assim que o cometa Rhea-M cruza o céu. O cozinheiro e ex-presidiário Bill Robinson (Emilio Estevez) lidera o pequeno grupo que tenta sobreviver à catástrofe. Do início ao fim, a produção combina horror e black comedy, e sua trilha sonora é inteiramente composta pela banda AC/DC, favorita de King.
Comboio do terror foi um fracasso comercial e, mais do que causar o desgosto, atraiu a zombaria dos críticos. O filme foi indicado a concorrer em duas categorias do prêmio Framboesa de Ouro (1987): Pior ator (Estevez) e Pior diretor (King), em nenhuma das quais saiu vencedor26. King mais tarde renegou o próprio trabalho, que chamou de “filme idiota”27. Ele alegou ter estado “com cocaína na cabeça” ao longo de toda a produção e, de fato, “não saber o que estava fazendo”28, mas admitiu ter aprendido com a experiência e cogitou voltar a dirigir em outra oportunidade29.
12. Conta comigo (1986)
- Título original: Stand by Me
- Diretor: Rob Reiner
- Obra adaptada: Conto O corpo [The Body], de Quatro estações [Different Seasons] (1982)
Em 1959, o garoto Gordon (“Gordie”) Lachance (Wil Wheaton) e outros três amigos percorrem o interior do Oregon a fim de encontrar o corpo do adolescente Ray Brower. Ao longo da jornada, o quarteto enfrenta perigos, discute conflitos familiares e lida com as próprias inseguranças, em um simbólico rito de passagem que marca o fim de sua inocência. Oscilando entre o bom humor e a melancolia, a narrativa é, na verdade, um longo flashback de Lachance, agora um escritor de meia-idade.
Aclamado por crítica e público, Conta comigo é considerado um dos melhores exemplares do gênero coming-of-age do cinema norte-americano (assim como o conto-base é tido como uma das melhores obras não sobrenaturais de King).
O consenso crítico de Rotten Tomatoes é de que, tendo capturado “tanto a essência de Stephen King quanto os desafios de amadurecer”, Conta comigo é um filme “sábio e nostálgico”30. Deslumbrado, o próprio autor admitiria a Gene Siskel, do Chicago Tribune, que esse fora “o melhor filme já feito com base em algo que escrevi.”31
13. O sobrevivente (1987)
- Título original: The Running Man
- Diretor: Paul Michael Glaser
- Obra adaptada: O concorrente [The Running Man] (1982), romance publicado sob o pseudônimo Richard Bachman
Nos totalitários Estados Unidos de 2017, o governo do país patrocina o reality show The Running Man, em que presidiários (os runners) podem ganhar a liberdade se sobreviverem à perseguição de assassinos profissionais (stalkers). Injustamente condenado, o ex-piloto aéreo Ben Richards (Arnold Schwarzenegger) torna-se um dos participantes do programa, em que também competem seus antigos colegas de profissão. O filme é repleto de “ação espetacular”, aliada a uma pesada crítica à mídia sensacionalista e aos regimes despóticos.
Muito menos sombria e pessimista do que o livro-base, a produção despertou opiniões mistas, mas por fim se tornou um clássico cult da ficção científica de ação dos anos 1980. Em 1996, depois de uma longa disputa nas cortes superiores, a justiça francesa declarou que O sobrevivente plagiara o filme Le prix du danger (“O prêmio do perigo”) (1983), do diretor francês Yves Boisset32. Anos mais tarde, Boisset receberia da Twentieth Century Fox a indenização devida de 1,5 milhão de francos33.


14. Cemitério maldito (1989)
- Título original: Pet Sematary
- Diretora: Mary Lambert
- Obra adaptada: O cemitério [Pet Sematary] (1983)
O médico Louis Creed (Dale Midkiff) se muda com a família para a cidade rural de Ludlow, Maine. Próximo à nova casa, os recém-chegados descobrem um antigo cemitério indígena cujo solo é capaz de trazer os mortos de volta à vida, e onde, contrariando o bom senso, Creed enterrará o filho mais novo. Sombrio como o romance original, o filme se concentra no luto familiar e na derrocada moral de um pai cada vez mais desesperado. A famosa canção Pet Sematary, dos Ramones, foi composta especialmente para a produção.
Apesar da recepção mista à época do lançamento, Cemitério maldito se tornou cult entre os fãs de horror dos anos 1980. King acompanhou de perto o trabalho de Lambert34 e, em relação a manter algumas cenas especialmente duras, teve, segundo a diretora, a palavra final contra os produtores35. Na cena do funeral do pequeno Gage Creed, o ministro que discursa para os presentes é King em pessoa.
15. Contos da escuridão (1990)
- Título original: Tales from the Darkside: The Movie
- Diretor: John Harrison
- Obra adaptada: Conto O gato dos infernos [The Cat from Hell] (1977), mais tarde incluído como história-bônus na edição em brochura de Duma Key (2008) e, no mesmo ano, em Ao cair da noite [Just After Sunset] (2008)
Para se vingar de colegas invejosos, um estudante de pós-graduação ressuscita uma múmia; Halston, um assassino profissional, é contratado para executar um maligno gato preto; por fim, um homem é obrigado por uma gárgula a jurar que nunca a viu: em Contos da escuridão, as três histórias são contadas pelo menino Timmy a uma bruxa moderna que planeja assá-lo para o jantar. A antologia mescla horror e humor negro, e culmina em uma reviravolta com a qual o pobre Timmy consegue escapar do forno36.
Nas bilheterias, o filme representou um sucesso moderado para a Paramount Pictures37; criticamente, porém, sua recepção foi de mista a negativa. Para a revista Slant, Odie Henderson afirmou que cada esquete de Contos… tivera a mesma porção de “momentos geniais, grotescos e tediosos, dando ao filme um tom equilibrado”38. O gato dos infernos, o segmento baseado no conto homônimo de King, é frequentemente apontado como o mais memorável da produção, hoje cult entre fãs de antologias de terror.
16. A criatura do cemitério (1990)
- Título original: Graveyard Shift
- Diretor: Ralph S. Singleton
- Obra adaptada: Conto Último turno [Graveyard Shift] (1970), mais tarde incluído em Sombras da noite
Sempre entre as 23h e as 7h, trabalhadores morrem de modo misterioso no interior de uma velha fábrica têxtil recém-reaberta. Incumbido de dar fim aos ratos que infestam o porão, um grupo de operários encontra uma rede de túneis que os leva a um cemitério e os põe ao alcance de uma criatura terrível. O filme amplia o conto-base de King e culmina em um confronto com o monstro subterrâneo.
A criatura do cemitério atraiu críticas negativas. Ironicamente, a produção alcançou o primeiro lugar em bilheterias no fim de semana de lançamento, mas o boca a boca desfavorável o fez afundar nas semanas seguintes39. Entre os detratores do filme, está o próprio King. “Acho que há alguns filmes [adaptados de obras suas] que me deixam meio… enojado. Um deles é A criatura do cemitério”, disse, em entrevista à Deadline, em 2016. Para o escritor, a coisa não passara de “um filminho exploitation feito às pressas”40.
17. Louca obsessão (1990)
- Título original: Misery
- Diretor: Rob Reiner
- Obra adaptada: Misery: louca obsessão [Misery] (1987)
Na segunda adaptação de King por Reiner, o famoso escritor Paul Sheldon (James Caan) é resgatado pela fã Annie Wilkes (Kathy Bates) dos destroços de um acidente de carro. Mostrando-se cada vez mais cruel, Wilkes mantém o homem aprisionado e o obriga a reescrever seu último romance enquanto o tortura física e psicologicamente. O suspense do filme se concentra na dinâmica vítima–sequestradora, e a trama se passa quase inteiramente em um quarto fechado.
Também aclamado pela crítica, Louca obsessão rendeu a Kathy Bates o Oscar de Melhor atriz (1991) pelo papel de Annie41, e, muitos anos mais tarde, a posição de 17ª vilã mais memorável do cinema na lista comemorativa 100 heróis e vilões, do American Film Institute42. O próprio King coloca a produção entre as dez melhores adaptações de uma obra sua43, e, em entrevista à Rolling Stone, já a chamou de “grande filme”44.
18. Às vezes eles voltam (1991)
- Título original: Sometimes They Come Back
- Diretor: Tom McLoughlin
- Obra adaptada: Conto Às vezes eles voltam [Sometimes They Come Back] (1974), incluído em Sombras da noite
Neste filme feito para a TV, o professor Jim Norman (Tim Matheson) volta (agora casado e pai) à cidade natal, onde, ainda jovem, havia presenciado o assassinato do irmão por um grupo de delinquentes. Quando três alunos idênticos aos falecidos assassinos aparecem em sala de aula, Norman compreende que forças sobrenaturais vieram até ele em busca de vingança.
A recepção de Às vezes eles voltam foi relativamente morna. Enquanto Roy Loynd, em resenha para o Los Angeles Times, o considerou um suspense psicológico “tenso e sombrio”45, o consenso crítico de Rotten Tomatoes foi de que o “tom intenso” e a “atuação envolvente” de Matheson tornaram a adaptação eficaz, mas não muito reveladora46. O filme gerou duas continuações, Às vezes eles voltam, 2 (1996) e Às vezes eles voltam… para sempre! (1998), ambas de qualidade muito inferior.
19. A metade negra (1993)
- Título original: The Dark Half
- Diretor: George A. Romero
- Obra adaptada: A metade sombria [The Dark Half] (1989)
Na segunda e última adaptação de King por Romero, o escritor de suspense Thad Beaumont (Timothy Hutton) decide “matar” seu pseudônimo literário George Stark, dando-lhe até mesmo uma sepultura no mundo real. Passando a existir fisicamente, contudo, Stark deixa a tumba e comete uma série de assassinatos. Além de explorar a figura do doppelganger, o filme satiriza a noção de identidade autoral47.
A metade negra gerou avaliações mistas, com elogios à relativa fidelidade ao romance original e críticas ao ritmo oscilante e roteiro confuso. Para o Los Angeles Times, Michael Wilmington declarou que, embora violento e às vezes pouco crível, o filme “não é barato nem irrefletido”, e “captura a melhor parte do livro”.48 Não há opiniões conhecidas de King sobre a obra.
20. Trocas macabras (1993)
- Título original: Needful Things
- Diretor: Fraser Clarke Heston
- Obra adaptada: Trocas macabras [Needful Things] (1991)
Nesta adaptação de um dos mais longos romances de King, o misterioso Leland Gaunt (Max von Sydow) chega a Castle Rock e aí estabelece uma loja de antiguidades. Em troca dos produtos, muitos deles mágicos, Gaunt recebe dinheiro e exige dos clientes “pequenos favores”. Graças às bizarras peças que todos passam a pregar uns nos outros, a comunidade rapidamente mergulha em paranoia e violência.
A crítica em torno do filme foi pouco generosa. Espirituoso, Roger Ebert opinou que, entre as adaptações de King, Trocas macabras estava entre aquelas “que nos fazem questionar por que suas histórias não rendem filmes melhores”49. Em entrevista ao site de fãs Lilja’s Library, King lamentou que “Algumas [das adaptações de sua obra pelas quais esperava] foram decepções, sabe…”. E, por fim: “Trocas macabras, por exemplo […].”50


21. Um sonho de liberdade (1994)
- Título original: The Shawshank Redemption
- Diretor: Frank Darabont
- Obra adaptada: Conto Rita Hayworth e a redenção de Shawshank [Rita Hayworth and Shawshank Redemption], de Quatro estações (1982)
Na primeira adaptação de King a ser incluída na lista de preservação do National Film Registry (2015)51, o banqueiro Andy Dufresne, injustamente condenado, sobrevive a duras provações na prisão estadual de Shawshank. Fiel ao conto original, o filme explora a amizade travada entre Dufresne e o condenado “Red” Redding, a esperança inabalável do banqueiro e seu engenhoso plano de fuga.
Apesar da estreia modesta, Um sonho de liberdade tornou-se um dos filmes mais populares e admirados da carreira de Darabont, indicado ao Oscar (1995) em sete categorias e louvado por críticos do New York Times52, Washington Post53 e Los Angeles Times54. Em 2009, King já o incluíra entre suas 10 adaptações favoritas, embora sua lista não fosse ordenada como um ranking55. “Há muitas das quais eu gosto”, respondeu o escritor à Deadline, sobre ter uma adaptação favorita de sua obra, “mas adoro Um sonho de liberdade […].”56
22. Mangler: o grito de terror (1995)
- Título original: The Mangler
- Diretor: Tobe Hooper
- Obra adaptada: Conto A máquina de passar roupa [The Mangler], de Sombras da noite
Na lavanderia de Bill Gartley (Robert Englund), uma prensa de roupas (mangler) passa a atacar e matar trabalhadores. Investigando os incidentes com a ajuda do cunhado demonologista, o policial John Hunton descobre os pactos e sacrifícios humanos realizados em favor da máquina, agora supostamente tomada por um demônio. O filme expande o conto original para adequá-lo a fórmulas mais convencionais do cinema de horror.
Rotulado como exploitation e considerado pouco eficaz como adaptação de uma história tão breve, Mangler atraiu críticas duras. Em resenha para o Washington Post, Richard Harrington o chamou de “ridículo do começo ao fim”, igualmente mal dirigido e mal atuado57. “A versão cinematográfica de Mangler é enérgica e colorida”, diria o próprio King, em 2009, “mas também uma bagunça com […] Englund zanzando para lá e para cá por razões até hoje obscuras para mim.”58
23. Eclipse total (1995)
- Título original: Dolores Claiborne
- Diretor: Taylor Hackford
- Obra adaptada: Dolores Claiborne (1992)
Flagrada no lugar e hora errados, a empregada doméstica Dolores Claiborne (Kathy Bates) é acusada de assassinar a patroa idosa. Muitos flashbacks revelam os revezes do passado de Dolores, marcado pelos abusos do marido e pelos seus próprios métodos desesperados de sobrevivência. O filme examina a difícil relação entre Dolores e a filha Selena (Jennifer Jason Leigh) e, no geral, a postura feminina frente à violência.
Eclipse total gerou muitas críticas positivas, e rendeu a Bates e Leigh indicações ao Saturn Award (1996) de Melhor atriz e Melhor atriz coadjuvante, respectivamente59. Roger Ebert garantiu ter ficado “surpreso com o impacto do filme”, especialmente graças à dupla “tão convincente e bem combinada” formada pelas atrizes principais60. Para o próprio King, trata-se de “um filme muito, muito bom”61.
24. A maldição (1996)
- Título original: Thinner
- Diretor: Tom Holland
- Obra adaptada: A maldição [Thinner], como Richard Bachman (1984)
Depois de matar uma cigana ao atropelá-la, o advogado obeso Billy Halleck (Robert John Burke) é amaldiçoado pelo pai da vítima, que o condena a emagrecer indefinidamente. O filme retrata a degradação física e moral do protagonista, desesperado para reverter o feitiço.
A recepção do filme foi geralmente negativa, e sua maquiagem e tom quase autoparódico não foram poupados pela crítica. À Entertainment Weekly, o resenhista Owen Gleiberman declarou que, “como muitos filmes de Stephen King [sic], A maldição é pura ideia (fraca) e nenhuma execução.”62 Não há opiniões conhecidas de King sobre o filme.
25. A maldição de Quicksilver (1997)
- Título original: Quicksilver Highway
- Diretor: Mick Garris
- Obra adaptada: O primeiro segmento do filme adapta o conto A dentadura mecânica [Chattering Teeth] (1992), mais tarde incluído em Pesadelos e paisagens noturnas [Nightmares & Dreamscapes] (1993)
Neste filme antológico (de dois segmentos) para a TV, o estranho viajante Aaron Quicksilver (Christopher Lloyd) conta histórias àqueles que encontra pelo caminho. Na primeira delas (adaptada de King), um brinquedo de dentes mecânicos aparentemente possuído ajuda um vendedor ambulante a escapar do homem imprevisível a quem deu carona. A história mescla humor e horror sobrenatural em tom de “história de estrada”.
A maldição de Quicksilver foi recebido sem entusiasmo por público e crítica. Relativamente impopular já quando lançada em DVD, a adaptação está entre as menos conhecidas da obra de King63. O escritor nunca se manifestou sobre o filme.
26. Voo noturno (1997)
- Título original: Stephen King’s The Night Flier
- Diretor: Mark Pavia
- Obra adaptada: Conto O piloto da noite [The Night Flier] (1988), mais tarde incluído em Pesadelos e paisagens noturnas (1993)
O jornalista sensacionalista Richard Dees (Miguel Ferrer) persegue o piloto Dwight Renfield (uma homenagem de King ao Renfield de Drácula), que, supostamente dono de poderes vampíricos, frequenta pequenos aeroportos rurais para cometer assassinatos. O filme mantém um tom próximo do noir e lança uma crítica sutil à mídia sensacionalista.
A recepção do filme foi mista. Em resenha para o New York Times, Stephen Holden o chamou de “fábula moral contemporânea” por seu comentário sobre a amoralidade de muitos repórteres, mas “desprovida de inteligência e com apenas um mínimo de suspense”64. Para Holden, assim como para Lisa Schwarzbaum (Entertainment Weekly), o ponto alto da produção é a atuação “implacável” e “visceral” de Ferrer65.
27. O aprendiz (1998)
- Título original: Apt Pupil
- Diretor: Bryan Singer
- Obra adaptada: Conto Aluno inteligente [Apt Pupil], de Quatro estações
O estudante Todd Bowden (Brad Renfro) descobre que o vizinho idoso Arthur Denker (Ian McKellen) é, na verdade, Kurt Dussander, fugitivo de guerra nazista e ex-comandante de campos de concentração. A fascinação mútua os lança em uma espiral de manipulação e corrupção moral. O filme dá ênfase ao jogo psicológico entre ambos, e especialmente à degradação do ainda adolescente Todd.
A recepção de O aprendiz foi de mista a positiva. Embora tenha sofrido críticas quanto ao ritmo e às alterações do conto original, o filme chegou a vencer o Saturn Award (1999) na categoria Melhor filme de horror66. Em Stephen King Goes to the Movies (2009), King o incluiu na lista de suas dez adaptações favoritas67.
28. À espera de um milagre (1999)
- Título original: The Green Mile
- Diretor: Frank Darabont
- Obra adaptada: À espera de um milagre [The Green Mile] (1996)
Neste “drama carcerário de fantasia”, o agente Paul Edgecomb (Tom Hanks) e seus colegas de trabalho em uma seção do corredor da morte têm de lidar com o gigante gentil John Coffey (Michael Clarke Duncan), um prisioneiro provavelmente inocente que, com poderes milagrosos, revoluciona a dinâmica do presídio. No filme, narrativas paralelas de corrupção, justiça e cura se entrelaçam para dar forma a uma das adaptações mais comoventes de uma obra de King.
À espera de um milagre foi um enorme sucesso crítico e comercial. Roger Ebert garantiu ter apreciado a longa extensão do filme, que julgou justa e, aliás, responsável por render “uma história com começo, meio e fim, personagens vívidos, humor, indignação e catarse.”68 Apesar de reconhecê-lo “um pouco ‘sentimental’ em alguns aspectos”, King não disfarçou sua satisfação com o resultado. “Devo dizer”, admitiu ele, “que fiquei encantado com À espera de um milagre”69.


29. Lembranças de um verão (2001)
- Título original: Hearts in Atlantis
- Diretor: Scott Hicks
- Obra adaptada: Novela Homens inferiores de casacos amarelos [Low Men in Yellow Coats], da coletânea Corações na Atlântida [Hearts in Atlantis] (1999)
De volta à cidade natal para o enterro de um amigo, o fotógrafo Bobby Garfield (Anton Yelchin) recorda sua infância nos anos 1960 — especialmente o período em que conviveu com o gentil Ted Brautigan (Anthony Hopkins), idoso hospedado por sua mãe e dotado de poderes psíquicos. O filme adapta livremente a novela original, concentrando-se no arco emocional do pequeno Bobby.
Lembranças de um verão dividiu opiniões, embora hoje seja bem avaliado em portais como a IMDb. Seu tom nostálgico, ritmo e coesão narrativa (o filme condensa muitas histórias paralelas) talvez sejam os pontos de maior discordância entre críticos. Stephen Holden (New York Times) o chamou de “fiasco nostálgico […] descarado”70, enquanto Michael O’Sullivan (The Washington Post) o considerou “mágico” (não, segundo ele, graças aos elementos sobrenaturais de King, mas graças aos “encantos da infância”71). Não há uma opinião registrada do escritor sobre o filme.
30. Carrie, a estranha (2002)
- Título original: Carrie
- Diretor: David Carson
- Obra adaptada: Carrie, a estranha (1974)
Telefilme produzido para a emissora americana NBC, este é o primeiro e mais longo remake do filme homônimo de 1976. A versão moderniza o ambiente escolar de Carrie (Angela Bettis), deslocado dos anos 1970 para os anos 2000, e altera levemente o desfecho do enredo, sugerindo a sobrevivência da protagonista mesmo após sua explosão de fúria e destruição.
A recepção do filme de Carson (hoje considerado inferior ao de 1976 e ao também remake de 2013) foi mista. Depois de uma amarga decepção com A maldição de Carrie [The Rage: Carrie, 2] (1999), o próprio King se recusou a tomar parte nesta adaptação72.
31. O apanhador de sonhos (2003)
- Título original: Dreamcatcher
- Diretor: Lawrence Kasdan
- Obra adaptada: O apanhador de sonhos [Dreamcatcher] (2001)
Os amigos de infância Jonesy (Damian Lewis), Beaver (Jason Lee), Pete (Timothy Olyphant) e Henry (Thomas Jane) encontram na floresta um homem aparentemente doente e o acolhem em sua cabana. Pouco depois, eles se veem no centro de uma invasão de parasitas alienígenas que transformam e controlam corpos humanos. O filme mescla um retrato da amizade de longo prazo a traumas de guerra e horror corporal.
Como o romance-base, O apanhador de sonhos foi alvo de duras críticas. Já no início de sua resenha, Roger Ebert se perguntou como Kasdan, o bem-sucedido roteirista William Goldman (autor de A princesa prometida) e atores talentosos como Morgan Freeman se envolveram em algo tão “terrivelmente ruim”73. Num comentário en passant em entrevista à revista TIME (2007), King chamou o filme de “desastre completo” (“a train wreck”, no original)74.
32. A janela secreta (2004)
- Título original: Secret Window
- Diretor: David Koepp
- Obra adaptada: Novela Janela secreta, jardim secreto [Secret Window, Secret Garden], de Depois da meia-noite (1990)
Traído pela esposa e em meio a um bloqueio criativo, o escritor de suspense Mort Rainey (Johnny Depp) é acusado de plágio pelo desconhecido John Shooter (John Turturro). O acusador passa a perseguir Rainey, impedindo-o de provar sua inocência e se livrando de quem tenta ajudá-lo na tarefa. O filme enfatiza a paranoia crescente do protagonista, que por fim questiona sua sanidade e identidade.
A crítica foi inconsistente em relação A janela secreta. Elogios à atuação de Depp e Turturro dividiram espaço com críticas ao enredo e à previsibilidade do final do filme. Em resenha para a revista Empire, Ian Nathan opinou que “o roteiro precisava de muito mais vigor e sagacidade para empolgar” e que consistia em uma “repetição de de clichês”, apesar da presença do “sublime Depp” e “por melhor que John Turturro continue sendo”75. King não se manifestou sobre o filme.
33. Montado na bala (2004)
- Título original: Riding the Bullet
- Diretor: Mick Garris
- Obra adaptada: Conto Andando na bala [Riding the Bullet] (2002), mais tarde incluído em Tudo é eventual [Everything’s Eventual] (2002)
Resgatado de uma tentativa de suicídio, o estudante de arte Alan Parker (Jonathan Jackson) viaja de carona até Lewiston, Maine, a fim de visitar a mãe recém-hospitalizada. Em dado momento, ele aceita carona do sinistro George Staub, aparentemente uma figura sobrenatural ligada à Morte.
Fracasso de bilheteria76 e até hoje “obscuro” como adaptação, Montado na bala gerou muitas opiniões desfavoráveis. O consenso crítico de Rotten Tomatoes é de que os objetivos narrativos de Garris, talvez ambiciosos em excesso, “fracassaram e minaram o terror da história” de King77.
34. Desespero (2006)
- Título original: Stephen King’s Desperation
- Diretor: Mick Garris
- Obra adaptada: Desespero [Desperation] (1996)
Neste filme produzido pela emissora americana ABC para a TV, o xerife Collie Entragian (Ron Perlman), possuído pelo demônio Tak, faz de um casal, uma família, um famoso escritor e um homem idoso seus prisioneiros na delegacia da cidade de Desespero, Nevada. O filme se concentra na batalha física e espiritual dos sobreviventes contra a entidade demoníaca.
Até hoje pouco popular, Desespero atraiu críticas em geral negativas. Em resenha para a revista New York, John Leonard opinou que o roteiro, a atuação e a direção de Garris tornaram o filme “eficaz”78. Muito menos generoso, Brian Lowry (Variety) julgou que Desespero tivera a mesma sorte de muitos dos trabalhos de King adaptados para a TV — seguindo “a tendência de começarem com tudo e depois descambarem para o nonsense.”79
35. 1408 (2007)
- Diretor: Mikael Håfström
- Obra adaptada: Conto 1408, do audiolivro Blood and Smoke (1999), mais tarde incluído em Tudo é eventual (2002)
Mike Enslin (John Cusack), um cético autor de livros de horror, desafia a si mesmo a investigar o quarto 1408 do hotel Dolphin, em Nova York. Uma vez no lugar, famoso pelas mortes de hóspedes e outros eventos inexplicáveis, Enslin se vê preso em uma experiência psicológica e sobrenatural em que o tempo, o espaço e sua própria memória são manipulados para fazê-lo perder a razão.
1408 foi recebido com algum entusiasmo, elogiado pela atmosfera de terror psicológico e pela atuação de John Cusack. Em 2007, dias antes da bem-sucedida estreia do filme, King teria dito ao New York Post que poucas adaptações de sua obra satisfazem suas expectativas — uma das poucas exceções tendo sido 140880.
36. No Smoking (2007)
- Diretor: Anurag Kashyap
- Obra adaptada: Conto Ex-fumantes LTDA., de Sombras da noite
Viciado em cigarros, o arrogante publicitário K. (John Abraham) recorre a uma clínica de métodos extremos a fim de se reabilitar. O tratamento dado aos pacientes envolve punições psicológicas e físicas mais e mais severas a cada recaída registrada. À medida que tenta resistir ao vício, K. passa a experimentar a realidade como uma série de episódios surreais.
Fracasso de bilheteria, No Smoking desapontou grande parte da crítica, especialmente por seu enredo enigmático, considerado incoerente81 e ilógico82. Em resenha para a BBC Films, Tajpal Rathore o considerou “sem graça”, e suas situações, “risíveis”83. Apesar de tudo, o filme, hoje cult entre fãs do cinema experimental indiano, ostenta uma avaliação relativamente alta em agregadores como a IMDb.
37. O nevoeiro (2007)84
- Título original: The Mist
- Diretor: Frank Darabont
- Obra adaptada: Novela O nevoeiro [The Mist] (1980), mais tarde incluída em Tripulação de esqueletos [Skeleton Crew] (1985)
Em seguida a uma tempestade, um denso nevoeiro cobre a cidade de Bridgton, Maine. David Drayton (Thomas Jane), a esposa e o filho de oito anos veem-se presos em um supermercado enquanto, nas ruas, criaturas desconhecidas ocultas pela neblina atacam o que encontram. No supermercado, as tensões humanas (o medo, o fanatismo religioso, a disputa por liderança) se intensificam.


Em geral, O nevoeiro agradou ao público e à crítica, e foi indicado ao Saturn Award (2008) na categoria Melhor filme de terror85. Seu final (diferente do da novela original, relativamente aberto) gerou intenso debate e é considerado chocante e corajoso por muitos. “Frank escreveu um novo final”, disse King em uma coletiva de imprensa, sobre o desfecho escolhido por Darabont, “que eu adorei.”86
38. Sede de vingança (2009)
- Título original: Dolan’s Cadillac
- Diretor: Jeff Beesley
- Obra adaptada: Conto O Cadillac de Dolan [Dolan’s Cadillac] (1985), mais tarde incluído em Pesadelos e paisagens noturnas
O professor de história Tom Robinson (Wes Bentley) planeja uma meticulosa vingança contra o mafioso Jimmy Dolan (Christian Slater), responsável pela morte de sua esposa. Como no texto original, o modo como Robinson executa seu plano é inspirado na vingança do narrador-protagonista Montresor, do conto O barril de amontillado (1846), de Edgar Allan Poe.
De orçamento limitado e lançado diretamente em vídeo, Sede de vingança não atraiu muita atenção e gerou críticas mistas. Em resenha para o Arkansas Democrat-Gazette, Phillip Martin o definiu como “uma história de ação e vingança genérica” e “um fracasso”87. Para Harvey Chartrand (Ottawa Life), o filme “carece da emoção e do suspense que se esperaria de uma adaptação […] de […] Stephen King”88. King nunca opinou sobre a adaptação.
39. Colheita maldita (2009)
- Título original: Children of the Corn
- Diretor: Donald P. Borchers
- Obra adaptada: Conto As crianças do milharal (1977), incluído em Sombras da noite
Neste remake para a TV do filme homônimo de 1984, o casal Burt (David Anders) e Vicky (Kandyse McClure) também se vê preso na cidade rural de Gatlin, Nebraska, então tomada por um culto infantil que sacrifica adultos à entidade “que anda por entre as fileiras” dos campos de milho.
Mesmo mais fiel ao conto original do que seu antecessor, Colheita maldita foi alvo de muitas resenhas negativas, e é, até então, a adaptação de uma obra de King com nota mais baixa na IMDb. Considerado pouco inspirado mesmo em comparação ao de Kiersch, o filme foi criticado por seus protagonistas antipáticos, mau desempenho geral do elenco e enredo previsível. Curiosamente, Borchers, diretor e produtor da adaptação, havia enviado uma cópia de seu roteiro a King — cujo advogado lhe respondeu que o escritor “não leria seu texto e não participaria da produção”89.
40. Carrie, a estranha (2013)
- Título original: Carrie
- Diretor: Kimberly Peirce
- Obra adaptada: Carrie, a estranha
Segundo remake de Carrie (1976), o filme de Peirce transporta a história da jovem White (Chloë Grace Moretz) para a era digital. Desta vez, a ênfase está no cyberbullying sofrido pela protagonista e na sua estranha relação com a mãe. O clímax mantém a destruição telecinética vista no romance, agora com efeitos visuais muito mais avançados que os dos antecessores.
A recepção do filme foi morna (“justo”, “desnecessário mas não ruim” e “decente” é como alguns usuários do IMDb o qualificam). Embora contatado pelos produtores, King não tomou parte como consultor para o filme90. Ironicamente, esta é a primeira adaptação de Carrie em que a protagonista é realmente interpretada por uma adolescente (Moretz tinha 15 anos durante as gravações)91.
41. A Good Marriage (2014)
- Diretor: Peter Askin
- Obra adaptada: Conto Um bom casamento, de Escuridão total, sem estrelas [Full Dark, No Stars] (2010)
Aos 27 anos de um casamento frutuoso e feliz, Darcy Anderson (Joan Allen) descobre que o marido, Bob (Anthony LaPaglia), é um serial killer. O filme enfatiza o dilema moral da protagonista após a descoberta e exalta seu papel ativo na busca por justiça pelas vítimas do marido.
Lançado no formato video on demand (VOD) e ainda sem versão brasileira, A Good Marriage atraiu críticas mistas (com uma pequena vantagem para as negativas). Gary Goldstein (Los Angeles Times) o considerou um exemplo de “thriller tortuoso já fora de moda”, mas elogiou as atuações de Allen e LaPaglia92. Em uma colaboração há muito planejada com o diretor Peter Askin, o próprio King escreveu o roteiro93.
42. Pacto maligno (2014)
- Título original: Mercy
- Diretor: Peter Cornwell
- Obra adaptada: Conto Vovó [Gramma] (1984), mais tarde incluído em Tripulação de esqueletos (1985)
George (Chandler Riggs) e Buddy (Joel Courtney), filhos da solteira Rebecca McCoy (Frances O’Connor), acompanham a mãe na mudança para a casa de Mercy, sua avó então muito doente. Com o tempo, os dois descobrem que a idosa, praticante de feitiçaria, está ligada à entidade que assombra o lugar. O filme amplia o conto original, detalhando elementos da dinâmica familiar e introduzindo um ritual de exorcismo improvisado.
A recepção de Pacto maligno, lançado diretamente em vídeo, foi especialmente negativa. Seu roteiro foi considerado previsível, e as alterações da trama (em relação à do conto original), excessivas. Embora admitindo que “o uso de CGI é exagerado (às vezes […] caricato)” na produção, Staci Layne Wilson (Dread Central) recomendaria o filme a fãs de King94. Nat Brehmer (WickedHorror) também acredita que ao menos valha a pena assistir ao filme95.
43. Impulso de vingança (2014)
- Título original: Big Driver
- Diretor: Mikael Salomon
- Obra adaptada: Conto Gigante do volante [Big Driver], de Escuridão total, sem estrelas (2010)
Neste filme para a TV produzido pelo canal Lifetime, a autora de romances policiais Tess Thorne (Maria Bello), a caminho de uma reunião com fãs, é violentada por um caminhoneiro ao enveredar por um atalho na estrada. Sobrevivendo ao trauma, ela decide investigar e punir por conta própria o agressor, adotando métodos inspirados em sua própria ficção.
Com roteiro de Richard Christian Matheson, filho do autor de Eu sou a lenda (1954) Richard Matheson, o filme gerou opiniões conflitantes. Em resenha para a Variety, Brian Lowry o considerou “odioso”, “um exploitation batido e sem sentido na forma de uma trama simplista de vingança”96. King nunca opinou publicamente sobre a adaptação.
44. Conexão mortal (2016)
- Título original: Cell
- Diretor: Tod Williams
- Obra adaptada: Celular [Cell] (2014)
Um sinal transmitido por celulares transforma imediatamente a maioria dos humanos em criaturas irracionais e violentas (phoners, como são chamados). O artista Clay Riddell (John Cusack), então em um aeroporto, junta-se a outros sobreviventes para tentar encontrar o filho em meio ao caos. A adaptação se concentra no “horror de massa” e na sobrevivência do grupo em um cenário urbano pós-apocalíptico.
Assim como a do romance original, a recepção do filme foi largamente negativa. Na abertura de sua resenha para o New York Times, Jeannette Catsoulis o definiu como “datado, deprimente e basicamente um desastre”, baseado em um roteiro “incapaz de oferecer sequer um mínimo de nuance ou profundidade”97.
45. A Torre Negra (2017)
- Título original: The Dark Tower
- Criador: Nikolaj Arcel
- Obra adaptada: Série de romances A Torre Negra [The Dark Tower] (1982–2012)
Ao atravessar um portal tecnológico, o pequeno Jake Chambers (Tom Taylor) chega ao chamado Mundo-Médio, onde encontra o Pistoleiro Roland Deschain (Idris Elba). Em busca de vingança, Deschain persegue o Homem de Preto (Matthew McConaughey), feiticeiro que busca destruir a estrutura que sustenta o equilíbrio do universo.
Ao sintetizar décadas de material complexo em um filme relativamente breve, A Torre Negra atraiu críticas de todos os públicos. Ao Guardian, Charles Bramesco garantiu que, “assistindo a essa empreitada […] insípida, o espectador desperta de um sono profundo a cada cinco minutos […] para perceber que não absorveu absolutamente nada.”98 Em entrevista à Vulture, King reconheceu os desafios inevitáveis na adaptação de uma saga extensa, mas defendeu o roteirista Akiva Goldsman, que, a seu ver, “fez um trabalho incrível”99. Por fim, considerou o filme “muito bom”100.


46. It: a Coisa (2017) e It: capítulo dois (2019)
- Títulos originais: It: Chapter One e It: Chapter Two
- Diretor: Andrés (“Andy”) Muschietti
- Obra adaptada: It: a Coisa [It] (1986)
Na primeira adaptação de King por Muschietti, os amigos Bill, Beverly, Richie, Mike, Stanley, Ben e Eddie (membros do Clube dos Perdedores) enfrentam a entidade que frequentemente assume a forma do palhaço Pennywise (Bill Skarsgård). Por ora, o foco do enredo é a infância dos protagonistas, seus medos e inseguranças e a amizade que os une. No segundo filme, os agora adultos Perdedores voltam a Derry para confrontar a Coisa; suas memórias, traumas de longo prazo e conexões do passado convergem para a luta final em equipe contra a criatura.
It (2017) foi um grande sucesso de público e crítica, elogiado pelo talentoso elenco mirim e fidelidade ao tom do romance original. “Eu tinha esperanças, mas não estava preparado para quão bom […] realmente seria”, disse King, dias antes da estreia, em relação ao primeiro projeto de Muschietti101. A sequência de 2019 foi saudada com menos entusiasmo, e os elogios às performances adultas acompanharam críticas ao ritmo e à extensão (de quase 3h) do filme. De todo modo, o consenso crítico de Rotten Tomatoes foi de que o “elenco excelente” e a “abordagem fiel ao material original” mantiveram a adaptação atraente102.
47. Jogo perigoso (2017)
- Título original: Gerald’s Game
- Diretor: Mike Flanagan
- Obra adaptada: Jogo perigoso [Gerald’s Game] (1992)
Então em uma afastada casa do lago para reaquecer o casamento, Jessie Burlingame (Carla Gugino) se vê algemada a uma cama assim que o marido morre subitamente durante um jogo sexual. Isolada, ela enfrenta alucinações e memórias traumáticas enquanto reúne forças para sobreviver e reavaliar sua vida.
Jogo perigoso foi recebido muito positivamente, atraindo elogios por sua fidelidade ao romance-base e pela performance de Gugino. Joe Leydon (Variety) o considerou “um thriller psicológico envolvente e […] extremamente tenso, levemente adornado com toques de filme de terror”103. King, que teve a palavra final na escalação do elenco, disse à Vulture que “o roteiro abriu o livro para chegar ao âmago da história de uma forma que achei fantástica.”104
48. 1922 (2017)
- Título original: 1922
- Diretor: Zak Hilditch
- Obra adaptada: Conto 1922, de Escuridão total, sem estrelas
Com a ajuda do filho adolescente, o fazendeiro Wilfred James (Thomas Jane) assassina a esposa por dinheiro e lança seu cadáver em um poço. Anos mais tarde, confessando o crime em diário, James recorda como o remorso, a paranoia e temíveis manifestações sobrenaturais levaram à desintegração da sua família, saúde e sanidade mental. O filme preserva o tom sombrio e o desfecho trágico do conto original.
1922 causou reações em geral positivas. Benjamin Lee (The Guardian) enxergou no filme uma “força cruel própria” e exaltou a atuação de Jane, mas ficou levemente desapontado com o desfecho, “não […] tão impactante quanto poderia ser”105. No ano do lançamento, King garantiu à Vulture que o achou “um ótimo filme de suspense”, dotado de um efeito “meio tóxico” capaz de deixá-lo “gravado [na cabeça] […]”106.
49. Cemitério maldito (2019)
- Título original: Pet Sematary
- Diretores: Kevin Kölsch e Dennis Widmyer
- Obra adaptada: O cemitério (1983)
Neste remake do filme homônimo de 1989, a família Creed se muda para Ludlow, pequena cidade no Maine onde lhes é apresentado o “Cemitério de Animais”. É aí, no antigo território cujo solo é capaz de ressuscitar os mortos, que Louis (Jason Clarke) enterra a filha Ellie, sem imaginar que seu “retorno” trará consigo consequências devastadoras. O remake tenta modernizar o argumento do antecessor e intensificar seu impacto emocional.
Cemitério maldito gerou opiniões mistas, mas, de modo geral, foi considerado inferior ao filme de 1989. Segundo o consenso crítico de Rotten Tomatoes, o filme introduz mudanças importantes em relação ao livro-base, mas se parece “mais com uma exumação que com uma revitalização”107. Mark Kermode (The Observer) opinou que o filme oferecera suas emoções “de forma genérica”, embora acompanhadas de uma “cinematografia evocativa”, horror corporal e “momentos de gore impressionantemente pulsante”108.
50. Campo do medo (2019)
- Título original: In the Tall Grass
- Diretor: Vincenzo Natali
- Obra adaptada: Novela In the Tall Grass [sem tradução para o português], co-escrita com o filho Joe Hill e originalmente publicada na revista Esquire, mais tarde lançada como audiolivro e também incluída em Full Throttle [também sem tradução], de Hill (2019)
Atendendo aos gritos de socorro de um garoto perdido, os irmãos Becky (Laysla de Oliveira) e Cal (Avery Whitted) entram em um campo de grama alta à beira da estrada. Uma vez lá, os dois se dão conta de que estão em um labirinto onde todos se perdem, são inexplicavelmente separados e parecem presos em ciclos temporais. A adaptação faz o possível para ampliar o cenário e os paradoxos narrativos do conto original.
A reação geral a Campo do medo foi mista (ligeiramente negativa). O filme foi elogiado pela bem construída atmosfera de tensão, mas criticado pelo ritmo repetitivo e enredo confuso. Em resenha para o Hollywood Reporter, Frank Scheck o considerou tecnicamente impressionante, mas seus personagens “esquemáticos” desinteressantes, e o conjunto da obra, medíocre109.
51. Doutor Sono (2019)
- Título original: Doctor Sleep
- Diretor: Mike Flanagan
- Obra adaptada: Doutor Sono [Doctor Sleep] (2013)
Sequência de O iluminado (1980), Doutor Sono tem como protagonista o agora adulto (e, como o pai, alcoólatra em recuperação) Daniel Torrance (Ewan McGregor). Auxiliar de cuidados paliativos em um hospital, Danny encontra Abra Stone, garota iluminada como ele, e passa a protegê-la de uma seita que “se alimenta” de crianças com seu dom. Cauteloso, o filme conseguiu equilibrar a continuidade temática com referências constantes ao trabalho então já icônico de Kubrick.
Crítica e público consideraram a adaptação de regular a boa. Brian Tallerico, editor-chefe de RogerEbert.com, elogiou a habilidade do diretor Mike Flanagan para conciliar os legados às vezes incompatíveis de King e Kubrick110. Desgostoso com a ideia de que a produção continuaria o filme de 1980 e recriaria algumas de suas cenas, King teve de ser convencido por Flanagan de que o roteiro não feriria a obra original111. Satisfeito com os planos do diretor, King mais tarde disse à Entertainment Weekly que tudo o que “havia detestado” n’O iluminado de Kubrick “foi redimido aqui”112.
52. Colheita maldita (2020)
- Título original: Children of the Corn
- Diretor: Kurt Wimmer
- Obra adaptada: Conto As crianças do milharal, incluído em Sombras da noite
Releitura das adaptações de 1984 e 2009, Colheita maldita transporta a trama, agora ambientada nos anos 2020, para Rylstone, Nebraska. No povoado, a pequena Eden (Elena Kampouris) lidera uma sangrenta insurreição de crianças contra os adultos que planejam destruir suas plantações de milho a fim de receber subsídios do governo. Em relação aos seus precursores, esta versão se concentra na crítica ecológica e intensifica o conflito entre gerações.
Muito distante do material original, o filme foi duramente criticado. Tendo em conta seu enredo confuso, o desenvolvimento pobre das personagens113 e a vagueza das críticas sociopolíticas114, o consenso crítico de Rotten Tomatoes foi de que a produção era incapaz de provocar medo ou entusiasmo, e de que a franquia Colheita maldita está “irremediavelmente perdida num labirinto de sub-mediocridade”115.
53. Chamas da vingança (2022)
- Título original: Firestarter
- Diretor: Keith Thomas
- Obra adaptada: A incendiária (1980)
Neste remake do filme homônimo de 1984, a garota Charlie McGee (Ryan Kiera Armstrong) conta com a ajuda dos pais para escapar da perseguição do Departamento de Inteligência Científica dos Estados Unidos, que a quer morta antes que seus poderes pirocinéticos saiam de controle. Além de transportar o enredo para os anos 2000, o filme também atualiza a discussão sobre trauma familiar e experimentos com humanos.
A readaptação foi alvo de muitas resenhas negativas, especialmente pelo enredo (considerado insosso) e pelo mau desenvolvimento das personagens. Em sua coluna no Guardian, Benjamin Lee o chamou de “forte candidato a filme mais sem sentido de 2022”116. O consenso crítico de Rotten Tomatoes é de que, incapaz até mesmo de sanar as falhas de seu antecessor, o filme despencou “para o fim da longa lista de adaptações de Stephen King”117.


54. O telefone do sr. Harrigan (2022)
- Título original: Mr. Harrigan’s Phone
- Diretor: John Lee Hancock
- Obra adaptada: Novela O telefone do Sr. Harrigan [Mr. Harrigan’s Phone], de Com sangue [If it Bleeds] (2020)
Ainda adolescente, Craig Poole (Jaeden Martell) estreita laços com o idoso John Harrigan (Donald Sutherland), bilionário e amante de livros. Com a morte do homem, Craig passa a receber mensagens aparentemente enviadas de um smartphone enterrado com o velho amigo. Anos mais tarde, eventos perturbadores passam a ocorrer com aqueles que algum dia fizeram mal a Craig.
Elogiada pela sutileza e criticada pelo ritmo lento, a adaptação despertou pouco entusiasmo. Frank Scheck (The Hollywood Reporter) considerou sua premissa “intrigante”, mas pouco memorável: “uma das raras adaptações de King que se torna menos interessante quanto mais horripilante a história fica”118. Impedido de visitar os sets de filmagem pela pandemia, King recebeu do diretor fotos das locações e do elenco em ação, e evitou se intrometer em suas decisões criativas. Segundo Hancock, o escritor “realmente adorou” o corte do filme a que assistiu119.
55. Boogeyman: seu medo é real (2023)
- Título original: The Boogeyman
- Diretor: Rob Savage
- Obra adaptada: Conto O bicho-papão [The Boogeyman] (1973), mais tarde incluído em Sombras da noite
Lidando com o luto pela morte da esposa, o terapeuta Will Harper (Chris Messina) é visitado em seu consultório por um homem cujos filhos, segundo ele, foram mortos por uma entidade misteriosa. A partir daí, o próprio Will e as filhas Sadie (Sophie Thatcher) e Sawyer (Vivien Lyra Blair) passam a ser atormentados por uma figura sobrenatural (o Boogeyman) que se alimenta do seu trauma familiar.
A recepção do filme (elogiado pelos jump scares e atmosfera por alguns, criticado pela previsibilidade do enredo por outros) foi mista. “Boogeyman pode não alcançar o nível aterrorizante do material original”, diz o consenso crítico de Rotten Tomatoes, “mas a atmosfera sombria e algumas atuações convincentes ajudam a manter o clima de tensão”120.
56. A vida de Chuck (2024)
- Título original: The Life of Chuck
- Diretor: Mike Flanagan
- Obra adaptada: Novela A vida de Chuck [The Life of Chuck], de Com sangue (2020)
Nesta narrativa invertida em três atos, o aparente fim do mundo (primeiro ato) se desenrola enquanto mensagens misteriosas em outdoors agradecem a “Chuck” pelos “anos incríveis”. À medida que a história retrocede no tempo, descobre-se que esses eventos estão ligados à vida do contador Chuck Krantz (Tom Hiddleston). Nos atos seguintes (da vida adulta à infância), Chuck enfrenta perdas, faz descobertas e forma sua sensibilidade. Intimista, o filme elabora a ideia de que cada indivíduo contém em si um “universo próprio”, usando o mundo interior de Chuck como símbolo do mundo externo.
Vencedor do Festival Internacional de Cinema de Toronto (2024) na categoria People’s Choice Award, A vida de Chuck caiu nas graças de grande parte da crítica121. Embora Benjamin Lee (The Guardian) tenha visto nele o porta-voz de uma “filosofia rasa de legenda de Instagram”122, Ann Hornaday (The Washington Post) e Odie Henderson (Boston Globe) o consideraram o melhor filme de 2025123. King não se manifestou sobre a produção.
57. A hora do vampiro (2024)
- Título original: Salem’s Lot
- Diretor: Gary Dauberman
- Obra adaptada: ’Salem
Depois das minisséries de 1979 e 2004, este é o primeiro longa-metragem a adaptar o romance de King. Como esperado, a premissa original é mantida: o escritor Ben Mears (Lewis Pullman) volta à pequena cidade natal no Maine e descobre que um vampiro está vitimando seus habitantes. Desta vez, a razoavelmente extensa trama do romance foi condensada em um roteiro ágil, centrado no confronto direto com o mal.
Como opinou Josh Korngut (Dread Central), A hora do vampiro impressiona pela qualidade estética e atmosfera gótica, mas peca pela simplificação do enredo e falta de sutileza narrativa124. O consenso crítico de Rotten Tomatoes é de que a produção “não será a adaptação definitiva” do romance original, mas faz as vezes de “reintrodução aceitável para uma nova geração”125.
58. O macaco (2025)
- Título original: The Monkey
- Diretor: Osgood (Oz) Perkins
- Obra adaptada: Conto O macaco [The Monkey] (1980), mais tarde incluído em Tripulação de esqueletos
Na infância, os gêmeos Hal e Bill Shelburn (Theo James) encontram, entre os pertences do pai, um macaco de brinquedo — o qual, uma vez acionado, causa a morte violenta de alguém próximo. O trauma das mortes destrói a família e separa os irmãos, que tentam repetidamente se livrar do objeto. O filme explora os segredos familiares dos Shelburn e, é claro, a materialização do mal por meio de um objeto aparentemente inocente.
Indicado ao Saturn Award (2026) na categoria Melhor filme de terror126, O macaco atraiu opiniões mistas. Para Brian Tallerico (RogerEbert.com), o filme exibe as imagens mais marcantes da filmografia de Perkins e foi “perfeitamente montado” pelos editores127. Provavelmente admirado com a mescla de gore e humor sombrio na produção, King garantiu em uma publicação no Threads: “Você nunca viu nada parecido com O macaco. É uma piração completa.”128
59. A longa marcha (2025)
- Título original: The Long Walk
- Diretor: Francis Lawrence
- Obra adaptada: A longa marcha [The Long Walk], publicado como Richard Bachman (1979)
Nos Estados Unidos de um século XX alternativo, cem adolescentes participam de uma marcha televisionada durante a qual quem reduzir o passo abaixo de certo limite pode ser executado. O filme enfatiza os frágeis laços de amizade criados durante a jornada e o desgaste físico e mental dos competidores expostos à brutalidade estatal.
A longa marcha recebeu avaliações em sua maioria positivas, apesar das críticas às lacunas do enredo e ao final relativamente aberto. Siddhant Adlakha (Variety) o achou “intrigante, senão totalmente envolvente, durante a maior parte de sua duração”129. Em Stephen King Returns, episódio do podcast The Kingcast, o próprio King garantira ter lido o roteiro do filme, que achara “fantástico”130. Ainda não sabemos qual é sua opinião sobre o produto final.
60. O sobrevivente (2025)
- Título original: The Running Man
- Diretor: Edgar Wright
- Obra adaptada: O concorrente (1982)
Neste remake do filme homônimo de 1987, o operário Ben Richards (Glen Powell) é eleito participante do programa televisivo O sobrevivente, em que os competidores (runners) que sobreviverem à perseguição de assassinos e cidadãos comuns ganharão um bilhão de dólares. A narrativa recupera o tom de sátira política do romance original (ao qual é mais fiel do que o filme de Glaser), mas ainda suaviza seus aspectos mais sombrios.
O sobrevivente rendeu opiniões mistas. Elogiado por suas sequências de ação e relativa fidelidade ao livro de King, o filme foi criticado pelo ritmo problemático e superficialidade das personagens. Peter Bradshaw, do Guardian, o considerou “agradável e divertido do início ao fim”, embora manchado por um final “confuso e anticlimático”131. Para Matt Zoller Seitz (RogerEbert.com), O sobrevivente “deixa a impressão de ser menos uma sátira maluca de uma sociedade corrupta e mais um produto dela132.
Filmes adaptados da obra de King: curiosidades
Stephen King contra O passageiro do futuro
O cientista Lawrence Angelo (Pierce Brosnan) conduz experimentos com realidade virtual a fim de aumentar a inteligência de alguns animais. Com a morte de uma das cobaias, ele decide empregar Jobe (Jeff Fahey), um jardineiro com deficiência intelectual, como seu novo sujeito de testes. À medida que estes avançam, Jobe torna-se cada vez mais inteligente — e instável. Em dado momento, ele desenvolve poderes psíquicos, passa a existir como uma entidade digital e tenta dominar o mundo por meio de redes virtuais.
Essa é uma sinopse do filme O passageiro do futuro (1992), de Mick Garris, anunciado como adaptação do conto de King O homem do cortador de grama (1975)133. Para surpresa geral, contudo, o trabalho de Garris, lançado com o título Stephen King’s The Lawnmower Man para associá-lo ao escritor, não lembrava em nada o conto original134.
Aborrecido, King moveu um processo judicial contra a produtora e a distribuidora do filme135. Mesmo após condenadas a pagar 3,4 milhões de dólares ao autor em um acordo136, a Allied Vision e a New Line Cinema Corporation continuaram a exibir seu nome em vídeos e cartazes publicitários, além de mantê-lo na versão home video do filme. Em 1994, a New Line foi declarada culpada de desacato à ordem judicial e obrigada a remover a menção a King de embalagens e pôsteres das fitas VHS em até um mês, sob pena de uma multa de 10 mil dólares por dia de descumprimento137.
Apesar do fracasso crítico, O passageiro do futuro obteve um relativo sucesso comercial. O americano Farhad Mann veio a dirigir uma continuação do filme: O Passageiro do futuro, 2 (1995) [Lawnmower Man 2: Beyond Cyberspace], desta vez um fracasso de crítica e bilheteria.


Controle de qualidade
Durante uma entrevista à revista TIME, em 2007, o jornalista Gilbert Cruz fez a King uma pergunta indiscreta: considerando que certos filmes derivados da sua obra haviam sido porcarias138, ele, o autor, mantinha ou tentava manter algum controle de qualidade sobre adaptações?139
“Eu iria à loucura”, respondeu King, que admitiu não tentar manter controle algum da qualidade. Na opinião do escritor, dadas todas as variáveis implicadas na produção de um filme, o resultado final é sempre imprevisível. Sua filosofia em relação ao problema, no momento, era encarar cada transposição de suas histórias para o cinema “como um jogo de beisebol”: “você coloca o melhor time que pode em campo e sabe que, na maioria das vezes, vai ganhar”140.
Perguntas frequentes sobre adaptações da obra de King
- Qual é o melhor filme adaptado da obra de Stephen King? E o pior? As respostas são altamente discutíveis — mas, para satisfazer sua curiosidade, podemos considerar a avaliação geral consolidada em agregadores de opinião. Usuários da IMDb e Letterboxd elegeram Um sonho de liberdade (1994) como a melhor adaptação de uma obra de King. Para os críticos da Rotten Tomatoes, o posto pertence a Carrie, a estranha (1976). Como o pior filme, IMDb e Rotten Tomatoes indicam Colheita maldita (2009). Na Letterboxd, o título coube a Conexão mortal (2016). Consulte a seguir as listas de “melhores adaptações de Stephen King” diretamente em IMDb, Rotten Tomatoes e Letterboxd.
- Quais são os filmes favoritos de King adaptados da sua obra? Em Stephen King Goes to the Movies (2009), o escritor listou (fora de ordem) as 10 adaptações favoritas de seu próprio trabalho: 1408 (2007), À espera de um milagre (1999), Conta comigo (1986), Cujo (1983), Eclipse total (1995), Louca obsessão (1990), O aprendiz (1998), O nevoeiro (2007), a minissérie Tempestade do século (1999) e Um sonho de liberdade (1994)141. Pondo meu próprio favoritismo fora do caminho, a lista acima está em ordem alfabética.
- Quais são os livros de King mais adaptados para o cinema/TV? Depende do gênero de texto que você tem em mente (e se quer incluir minisséries e seriados no cômputo). Se considerarmos somente romances que geraram filmes, Carrie, a estranha é a obra mais adaptada de King (em 1976, 2002 e 2013), seguida dos empatados A incendiária, It: a Coisa, O cemitério e O concorrente, todos adaptados duas vezes até então. Considerando minisséries e seriados, o primeiro lugar pertenceria a It (uma minissérie, dois filmes, um seriado142) e o segundo, a ’Salem (duas minisséries, um filme). As coletâneas de contos do autor foram ainda mais longe: Sombras da noite motivou dez adaptações (doze, com seriados), e as empatadas Pesadelos e paisagens… e Tripulação de esqueletos, três (quatro, com seriados).
- É verdade que King aparece em todas as adaptações da sua obra? Não. O escritor assumiu pequenos papéis em algumas adaptações de seu trabalho, mas não em todas (de fato, em menos da metade delas). Uma lista dos filmes e seriados em que King atuou (e os papéis que desempenhou) está disponível no site oficial do escritor.
Referências
- The 49th Academy Awards (1977). Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Acesso em: 7 mar. 2026. ↩︎
- Pesquise por “Carrie” na página a seguir para encontrá-lo na lista completa de obras incluídas no National Film Registry. ↩︎
- Antes de Carrie, King já escrevera cinco romances, dois dos quais (A longa marcha e o rebatizado Fúria, que considerou “bastante bons”) veio a publicar nos anos 1970 como Richard Bachman. Ver Stephen King, Why I was Bachman [introdução], 5. In: ______, The Bachman Books: four early novels by Stephen King. New American Library, 1985. ↩︎
- O iluminado (1980) – Curiosidades. IMDb, [s. d.]. Acesso em: 10 mar. 2026. ↩︎
- Filippo Ulivieri, King vs. Kubrick: the origins of evil. Senses of Cinema (via Wayback Machine), jul. 2020. ↩︎
- Michael Kennedy, Every Stephen King & George Romero collaboration. ScreenRant, 30 ago. 2020. ↩︎
- Creepshow: arrepio do medo (1982) – Curiosidades. IMDb, [s. d.]. Acesso em: 10 mar. 2026. Antes de Creepshow, King já assumira um papel mínimo em Cavaleiros de aço [Knightriders] (1981), de Romero. Esta é a primeira grande parceria “roteiro–direção” entre os dois. ↩︎
- Assista no YouTube ao trecho do episódio (Dee Wallace “ET – The Extra Terrestrial”) em que Wallace faz a declaração em nome de King. A tradução para o português é minha, assim como (salvo indicação em contrário) as demais desta entrada em diante. ↩︎
- King, Stephen King on what Hollywood owes authors when their books become films: Q&A. [Entrevista cedida a] Mike Fleming Jr. Deadline, 2 fev. 2016. ↩︎
- Roger Ebert, The Dead Zone (1983). Chicago Sun-Times (via RogerEbert.com), 26 out. 1983. ↩︎
- The Dead Zone [1983]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 20 mar. 2026. ↩︎
- Richard Zoglin, Show business: Giving Hollywood the chills. TIME, 9 jan. 1984. ↩︎
- King, All story, no bacon. In: Dreamcatcher: The Shooting Script (Screenplay by William Goldman and Lawrence Kasdan; based on the book by Stephen King; introductions by Stephen King, William Goldman, and Lawrence Kasdan). Newmarket Press, 2003, p. viii. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ebert, Children of the Corn (1984). Chicago Sun-Times (via RogerEbert.com), 12 mar. 1984. ↩︎
- Children of the Corn [1984]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 24 mar. 2026. ↩︎
- King, Stephen King on what Hollywood owes authors. ↩︎
- Chamas da vingança (1984) – Avaliações de usuários. IMDb, [s. d.]. Acesso em: 24 mar. 2026. ↩︎
- King, King of the road. [Entrevista cedida a] Darrell Ewing e Dennis Myers. American Film (via Cult Oddities), jun. 1986. Veja também Aya Tsintziras, ‘Like cafeteria mashed potatoes’: Stephen King absolutely hated this movie adaptation that made Drew Barrymore a star. GameRant, 18 jul. 2025. ↩︎
- Ebert, Cat’s Eye (1985). Chicago Sun-Times (via RogerEbert.com), 16 abr. 1985. ↩︎
- Vincent Canby, The Screen, ‘Cat’s Eye’. The New York Times, 12 abr. 1985. ↩︎
- Cat’s Eye [1985]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 24 mar. 2026. ↩︎
- Ebert, Silver Bullet (1985). Chicago Sun-Times (via RogerEbert.com), 15 out. 1985. ↩︎
- Canby, Screen, ‘Silver Bullet’. The New York Times, 11 out. 1985. ↩︎
- Scott Von Doviak, Stephen King Films FAQ: all that’s left to know about the King of Horror on film. Applause Books, 2014, p. [?]. ↩︎
- John Wilson, 1986 archive. Razzies.com (via Wayback Machine), 23 ago. 2000. Criado pelo publicitário John Wilson em 1981, O Framboesa de Ouro [Golden Raspberry Awards] é um prêmio estadunidense de cinema que parodia o Oscar. São indicados a ele os piores filmes e atores (e outros aspectos e cargos da cinematografia) de Hollywood vistos no último ano. ↩︎
- Bob Thomas, ‘Selling’ his movie is a new chore for author Stephen King. Associated Press, 23 jul. 1986, p. 3C. ↩︎
- Tony Magistrale, Hollywood’s Stephen King. Palgrave Macmillan, 2003, p. 20. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Stand by Me [1986]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 27 mar. 2026. ↩︎
- Gene Siskel, ‘Meathead’ Rob Reiner meets and defeats his longtime demons. Chicago Tribune, 17 ago. 1986. ↩︎
- Baseado no conto homônimo (em tradução) The Prize of Peril (1958), de Robert Sheckley, de premissa idêntica. O próprio King nunca enfrentou acusações judiciais pela semelhança entre seu romance e a história de Sheckley. Para mais detalhes sobre o embate por direitos autorais, veja Matthieu Ruard, Le prix du danger / Running Man : plagier n’est pas jouer (Courte Focale, 24 fev. 2017) e Philippe Guedj, « Running Man » : quand le Français Yves Boisset attaquait Hollywood pour contrefaçon (Le Point, 31 mar. 2025). ↩︎
- Guedj, op. cit. ↩︎
- Frank Lovece, Stephen King’s reign of terror. Los Angeles Times, 4 mai. 1989. ↩︎
- King, 1989 ‘Pet Sematary’ director Mary Lambert on working with Stephen King, going dark, ‘Pet Sematary 2’ and more [interview]. [Entrevista cedida a] Chris Evangelista. SlashFilm, 1 abr. 2019. ↩︎
- Você pode assistir à cena final de Contos… no YouTube. ↩︎
- Domestic 1990 Weekend 18: May 4–6, 1990. Box Office Mojo. Acesso em: 31 mar. 2026. ↩︎
- Odie Henderson, Summer of ’90: John Harrison’s Tales from the Darkside: The Movie. Slant, 4 mai. 2015. ↩︎
- Domestic 1990 Weekend 43: October 26–28, 1990. Box Office Mojo. Acesso em: 4 abr. 2026. ↩︎
- King, Stephen King on what Hollywood owes authors. ↩︎
- The 63rd Academy Awards (1991). Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Acesso em: 7 abr. 2026. ↩︎
- AFI’s 100 greatest heroes & villains. American Film Institute. Acesso em: 7 abr. 2026. ↩︎
- King, Stephen King goes to the movies. Simon and Schuster, 2009, p. 627. ↩︎
- ______, The Rolling Stone interview. [Entrevista cedida a] Andy Greene. Rolling Stone, 31 out. 2014. ↩︎
- Ray Loynd, TV Reviews: teen-agers come back from the dead to torment History teacher. Los Angeles Times, 7 mai. 1991. ↩︎
- Sometimes They Come Back [1991]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 8 abr. 2026. ↩︎
- O romance original foi inspirado pela experiência do próprio King, que precisara “se livrar” do pseudônimo Richard Bachman anos antes. King admite o papel fundamental de Bachman na escrita do livro em King, Nota do autor (In: ______, A metade sombria. Tradução: Regiane Winarski. Objetiva, 2019). Sobre o processo de escrita e publicação do romance (e sobre como King foi desmascarado como Bachman), veja também Andy Hageman, A sojourn into the Stephen King archive: ‘The Dark Half’ (Los Angeles Review of Books, 23 fev. 2026). ↩︎
- Michael Wilmington, The evil within personified in ‘The Dark Half’. Los Angeles Times (via newspapers.com), 23 abr. 1993, p. F12. ↩︎
- Ebert, Needful Things (1993). Chicago Sun-Times (via RogerEbert.com), 27 ago. 1993. ↩︎
- King, Interview: Stephen King part 1. [Entrevista cedida a] Hans-Åke Lilja. Lilja’s Library (via Wayback Machine), 16 jan. 2007. ↩︎
- Mike Barnes, ‘Ghostbusters,’ ‘Top Gun,’ ‘Shawshank’ enter National Film Registry. The Hollywood Reporter, 16 dez. 2015. Pesquise por “Shawshank Redemption” ao acessar a página a seguir para encontrá-lo na lista completa de obras incluídas no National Film Registry. ↩︎
- Janet Maslin, Film review; prison tale by Stephen King told gently, believe it or not. The New York Times, 23 set. 1994. ↩︎
- Desson Howe, ‘The Shawshank Redemption’ ®. The Washington Post, 23 set. 1994. ↩︎
- Kenneth Turan, MOVIE REVIEW: ‘Shawshank’: solid portrayals but a dubious treatment. Los Angeles Times, 23 set. 1994. ↩︎
- King, Stephen King goes to the movies, p. 627. ↩︎
- ______, Stephen King on what Hollywood owes authors. ↩︎
- Richard Harrington, ‘The Mangler’ (R). The Washington Post, 6 mar. 1995. ↩︎
- King, Stephen King goes to the movies, p. 58. ↩︎
- Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA: Saturn Award (1996). IMDb, [s. d.]. Acesso em: 11 abr. 2026. ↩︎
- Ebert, Dolores Claiborne (1995). Chicago Sun-Times (via RogerEbert.com), 24 mar. 1995. ↩︎
- King, The Rolling Stone interview. ↩︎
- Owen Gleiberman, Movie review: ‘Stephen King’s Thinner’. Entertainment Weekly, 8 nov. 1996. ↩︎
- Witney Seibold, Stephen King and Clive Barker got a creepy (but hilarious) movie adaptation you forgot about. Slash↩︎
- Stephen Holden, ‘Stephen King’s The Night Flier’: Draculian gore, sound and fury. The New York Times, 6 fev. 1998. ↩︎
- Ibid. Veja também Lisa Schwarzbaum, ‘Stephen King’s The Nite Flier’. Entertainment Weekly (via Wayback Machine), 20 fev. 1998. ↩︎
- O aprendiz (1998) – Prêmios. IMDb, [s. d.]. Acesso em: 14 abr. 2026. ↩︎
- King, Stephen King goes to the movies, p. 627. ↩︎
- Curiosamente, Ebert aproveitou sua resenha para sair em defesa do que acredita ser a melhor porção da obra de King. Em sua opinião, “em seus melhores trabalhos, [King] é um contador de histórias que provavelmente sobreviverá, assim como Dickens, apesar do menosprezo do establishment da crítica literária”. Veja Ebert, The Green Mile (1999). Chicago Sun-Times (via RogerEbert.com), 10 dez. 1999. ↩︎
- Magistrale, op. cit., p. 13. ↩︎
- Holden, FILM REVIEW; when a surrogate father is a mind reader in trouble. The New York Times, 28 set. 2001. ↩︎
- Michael O’Sullivan, ‘Atlantis’: heartwarming, not hair-raising. The Washington Post, 27 set. 2001. ↩︎
- Carrie, a estranha (2002) – Curiosidades. IMDb, [s. d.]. Acesso em: 7 mar. 2026. ↩︎
- Ebert, Dreamcatcher (2003). Chicago Sun-Times (via RogerEbert.com), 22 mar. 2003. ↩︎
- King, Q&A: Talking with Stephen King. [Entrevista cedida a] Gilbert Cruz. TIME, 23 nov. 2007. ↩︎
- Ian Nathan, Secret Window review. Empire, 1 jan. 2000. ↩︎
- Riding the Bullet [2004]: Domestic. Box Office Mojo. Acesso em: 7 mai. 2026. ↩︎
- Riding the Bullet [2004]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 16 abr. 2026. ↩︎
- John Leonard, Avian flu season. New York Magazine, 3 mai. 2006. ↩︎
- Brian Lowry, Stephen King’s Desperation. Variety, 22 mai. 2006. ↩︎
- Não consegui encontrar, nos arquivos do New York Post, a entrevista original em que King supostamente disse a frase. Minha fonte (que não indica um possível endereço virtual para sua fonte) foi Stephen King praises ‘1408’ (United Press International, 18 jun. 2007). ↩︎
- Veja Rajeev Masand, Review: No Smoking is a colossal disappointment. IBN Live (via Wayback Machine), 26 out. 2007. ↩︎
- Como visto em Phelim O’Neill, No Smoking (The Guardian, 26 out. 2007) e No Smoking movie review (The Times of India, 6 abr. 2016). ↩︎
- Tajpal Rathore, No Smoking (2007). BBC, 22 out. 2007. ↩︎
- O nevoeiro estreou em 18 outubro de 2007 na ShowEast, uma prestigiada convenção de negócios da indústria cinematográfica, mais de uma semana antes que No Smoking chegasse aos cinemas indianos, no dia 26 do mesmo mês. Ao elaborar esta lista, porém, considerei apenas as datas de “lançamento amplo” de cada produção, ignorando exibições em feiras e eventos privados. Assim, O nevoeiro segue No Smoking (e não o contrário) pois sua estreia ampla nos Estados Unidos ocorreu apenas em 21 de novembro de 2007. ↩︎
- Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA: Saturn Award (2008). IMDb, [s. d.]. Acesso em: 18 abr. 2026. ↩︎
- Josh Tyler, Stephen King loves The Mist’s new ending. Cinemablend, 12 nov. 2007. ↩︎
- Phillip Martin, Home movies. Arkansas Democrat-Gazette, 9 abr. 2010. ↩︎
- Harvey Chartrand, DVD Review: Dolan’s Cadillac. Ottawa Life, 4 jan. 2012. ↩︎
- Borchers publicou em seu canal no YouTube parte do material extra da edição DVD do filme, Rough cuts: remaking ‘Children of the Corn’, em que compartilha a história (acessado em 25 mar. 2026). ↩︎
- Carrie, a estranha (2013) – Curiosidades. IMDb, [s. d.]. Acesso em: 10 mar. 2026. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Gary Goldstein, Review: ‘A Good Marriage’ a wry, old-fashioned game of cat and mouse. Los Angeles Times, 2 out. 2014. ↩︎
- Clark Collis, How Stephen King adapted ‘A Good Marriage’ for film: ‘fearlessly’. Entertainment Weekly, 18 ago. 2014. ↩︎
- Staci Layne Wilson, Mercy (DVD). Dread Central, 26 nov. 2014. ↩︎
- Nat Brehmer, Review: Mercy. WickedHorror, 18 nov. 2014. ↩︎
- Lowry, TV review: Stephen King’s ‘Big Driver’. Variety, 16 out. 2014. ↩︎
- Jeannette Catsoulis, Review: ‘Cell’ offers zombified victims and an unfocused narrative. The New York Times, 7 jul. 2016. ↩︎
- Charles Bramesco, The Dark Tower review – interminable Stephen King adaptation a [sic] uniquely flavorless slog. The Guardian, 3 ago. 2017. ↩︎
- King, Stephen King on his new Netflix movies, It, and his big year. [Entrevista cedida a] Kyle Buchanan. Vulture, 19 out. 2017. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- O trecho de vídeo em que King faz a declaração, incorporado em John Squires, [Video] Stephen King reviews ‘IT’; “I was not prepared for how good it was” (Bloody Disgusting, 30 ago. 2017) se perdeu. Felizmente, a passagem foi transcrita por Amanda Hayman em Hayman, Stephen King wasn’t prepared for how good IT is (ScreenRant, 30 ago. 2017). ↩︎
- It: Chapter Two [2019]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 6 abr. 2026. ↩︎
- Joe Leydon, Film review: ‘Gerald’s Game’. Variety, 25 set. 2017. ↩︎
- King, Stephen King on his new Netflix movies, It, and his big year. ↩︎
- Benjamin Lee, 1922 review – bleak, slow-burn Stephen King adaptation burrows under the skin. The Guardian, 19 out. 2017. ↩︎
- King, Stephen King on his new Netflix movies, It, and his big year. ↩︎
- Pet Sematary [2019]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 30 mar. 2026. ↩︎
- Mark Kermode, Pet Sematary review – disinterred and definitely shaken. The Observer (via The Guardian), 7 abr. 2019. ↩︎
- Frank Scheck, ‘In the Tall Grass’: film review. The Hollywood Reporter, 2 out. 2019. ↩︎
- Brian Tallerico, Doctor Sleep (2019). RogerEbert.com, 8 nov. 2019. ↩︎
- Collis, Stephen King says Doctor Sleep film ‘redeems’ Stanley Kubrick’s The Shining. Entertainment Weekly, 5 nov. 2019. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Meagan Navarro, ‘Children of the Corn’ review – eleventh entry pleads a strong case to let the franchise die. Bloody Disgusting, 22 mar. 2023. ↩︎
- Katie Rife, Apparently no one can get Stephen King’s Children of the Corn right. Polygon, 3 mar. 2023. ↩︎
- Children of the Corn [2020]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 24 mar. 2026. ↩︎
- Lee, Firestarter review – soggy Stephen King remake struggles to ignite. The Guardian, 13 mai. 2022. ↩︎
- Firestarter [2022]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 27 mar. 2026. ↩︎
- Scheck, ‘Mr. Harrigan’s Phone’ review: Donald Sutherland in a Netflix Stephen King adaptation that lacks chills. The Hollywood Reporter, 3 out. 2022. ↩︎
- King, How ‘Mr. Harrigan’s Phone’ writer-director John Lee Hancock invented Stephen King’s favorite scene. [Entrevista cedida a] Drew Taylor. TheWrap, 12 out. 2022. ↩︎
- The Boogeyman [2023]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 25 abr. 2026. ↩︎
- Rebecca Rubin, Tom Hiddleston’s ‘The Life of Chuck’ wins Toronto Film Festival’s People’s Choice Award. Variety, 15 set. 2024. ↩︎
- Lee, The Life of Chuck review – unmoving Stephen King schmaltz. The Guardian, 5 jun. 2025. ↩︎
- Veja Ann Hornaday, The 10 best movies of 2025 (The Washington Post, 12 dez. 2025) e Henderson, Odie Henderson’s 10 best movies of 2025 (The Boston Globe, 17 dez. 2025). ↩︎
- Josh Korngut, ‘Salem’s Lot’ review: was the long-delayed Stephen King reboot worth the wait? Dread Central, 25 set. 2024. ↩︎
- Salem’s Lot [2024]. Rotten Tomatoes. Acesso em: 13 mar. 2026. ↩︎
- Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA: Saturn Award (2026). IMDb, [s. d.]. Acesso em: 14 abr. 2026. ↩︎
- Tallerico, The Monkey (2025). RogerEbert.com, 21 fev. 2025. ↩︎
- “It’s batshit insane”, no original inglês. ↩︎
- Siddhant Adlakha, ‘The Long Walk’ review: a tightly wound dystopian thriller with an excellent cast. Variety, 12 set. 2025. ↩︎
- Saiba mais sobre Stephen King returns, 265º episódio do podcast The Kingcast, nesta página do portal de filmes de horror Fangoria. ↩︎
- Peter Bradshaw, The Running Man review – Glen Powell sprints through fun update of Stephen King future-shock sci-fi satire. The Guardian, 11 nov. 2025. ↩︎
- Matt Zoller Seitz, The Running Man (2025). RogerEbert.com, 14 nov. 2025. ↩︎
- A história foi publicada pela primeira vez na revista Cavalier (maio de 1975), e mais tarde incluída na coletânea Sombras da noite. ↩︎
- A não ser por uma única cena, em que um homem chamado Harold Parkette é morto por um cortador de grama. Embora Parkette seja o protagonista do conto de King, o personagem homônimo do filme não está relacionado a ele de nenhuma maneira. ↩︎
- Stephen King suing producers. The Prescott Courier (via Google News), 29 mai. 1992. ↩︎
- Robert Welkos, Koontz tries to hide from ‘Hideaway’: Movies: The author has tried and failed to get his name removed from the film’s credits. The director defends his work: The film ‘follows the main plot of the novel.’ Los Angeles Times, 3 mar. 1995. ↩︎
- Dan Cox, New Line raked for ‘Lawn’. Variety, 29 mar. 1994. Para mais detalhes, leia na íntegra as decisões 976 F.2d 824 (2d Cir. 1992) (1992) e 65 F.3d 1051 (1995), relativas às apelações interpostas ao longo do caso, respectivamente por Allied Vision e New Line (em conjunto) e New Line. ↩︎
- “Stinkers”, no original. Cruz introduz a própria opinião com uma concessão conveniente: “sem querer ser desrespeitoso…”. Para ler toda a entrevista, veja King, Q&A: Talking with Stephen King. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- King, Stephen King goes to the movies, p. 627. ↩︎
- A contagem também pode incluir o seriado de televisão indiano Woh (1998), criação de Ankush Mohla e Glen Barreto, considerado por alguns uma adaptação de It. Ainda assim, as semelhanças com a obra original (que Mohla e Barreto nunca chegaram a ler) são vagas, e toda a trama foi transposta da fictícia Derry para as montanhas de Panchgani, Índia. Para mais sobre essa curiosa “adaptação”, leia Gayle Sequeira, How two men pulled off a 52-episode Indian adaptation of Stephen King’s It… without reading a single page. Film Companion, 16 set. 2019. ↩︎




