Um dos maiores nomes da literatura brasileira — senão o maior deles, segundo críticos de peso1 —, Machado de Assis nos legou uma obra rica e multifacetada, que atravessa os séculos com impressionante vitalidade. Nascido no Rio de Janeiro em 1839, Machado, um autodidata, ascendeu no cenário literário carioca apesar de sua origem humilde — tornando-se, no último quinto da vida, co-fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras2.
Versátil autor de romances, contos, crônicas, poesias, ensaios e peças teatrais, Machado é reconhecido não só por seu requinte estilístico, mas por sua profunda análise da alma humana e crítica social refinada e mordaz. Entre seus romances, ninguém nos deixaria esquecer Dom Casmurro, Memórias póstumas de Brás Cubas ou Quincas Borba, nos quais a ironia cínica e as investigações psicológicas já se consolidaram. Nos seus contos, encontramos a mesma agudeza em narrativas espirituosas como O alienista, Uns braços e Teoria do medalhão. Mas o Bruxo do Cosme Velho não para por aí, e o restante de sua criação também deve ser conhecido e valorizado. Neste artigo, você encontrará a relação da obra completa de Machado de Assis (incluídos os volumes póstumos), da poesia ao romance, em ordem cronológica.
Obra de Machado de Assis: do Romantismo ao Realismo?
A produção literária de Machado de Assis é tradicionalmente dividida em duas fases3. A primeira, de orientação romântica, desenvolve-se entre as décadas de 1850 e 1870, reproduzindo, embora durante o declínio do Romantismo no Brasil, traços típicos da escola literária (especialmente de tradição portuguesa e francesa)4, como o sentimentalismo. Ainda assim, faltam nos textos a carga melodramática e as loucas reviravoltas de enredo que encontraríamos em títulos românticos mais ortodoxos. As obras da fase incluem Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878).
Embora ainda não apresentasse, nesses primeiros romances, o mesmo olhar crítico e requinte irônico que marcariam sua produção posterior, Machado já demonstrara neles um amplo domínio da linguagem e uma sensibilidade aguçada para questões psicológicas — esboçando os elementos que aprofundaria em sua maturidade literária. Seu distanciamento — a princípio sutil, mas progressivamente mais marcado — das convenções românticas revela que, apesar de influenciado por elas, o Bruxo do Cosme Velho esteve mais próximo de uma lenta e constante evolução estilística do que de uma brusca ruptura de padrão criativo.5
A segunda fase de sua obra, pautada pela sutileza e ironia da maturidade literária e por uma visão mais crítica e psicologicamente nuançada da realidade, é considerada realista. Inaugurado por Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), esse período abrange os romances Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908), responsáveis por consolidar o lugar de Machado entre os mestres da língua portuguesa e os observadores mais argutos da alma humana. Assim como seu período romântico merece muitos parênteses, porém, a fase realista de sua criação também não é das mais “puras”. Para o estudioso da obra machadiana John Gledson, seu realismo é “amplo e antidogmático”6, avesso a rótulos perfeitos — assim como sua antiga prosa romântica.
Pouco a pouco o estilo de Machado de Assis atingiu a condição de instrumento afinadíssimo, capaz de entretons, de sugerir mais que dizer, dominando o leitor, com quem dialoga e discute os estados de alma dos personagens. E a quem transmite o ceticismo, a dúvida, a ironia melancólica das afirmações interrogativas, das perguntas que não pedem resposta.7
Poesia de Machado de Assis, em ordem cronológica
- Crisálidas (1864)8
- Falenas (1870)9
- Americanas (1875)10
- Ocidentais, em Poesias completas (1901)11
A poesia machadiana é valorizada pela crítica — especialmente sua última coletânea, em que o autor revela ter atingido a maturidade lírica12. Sobre seu volume Americanas, o crítico sergipano e crônico “desafeto literário” Sílvio Romero diria que “Machado de Assis não é um poeta”, no que seria desacompanhado pela maioria dos colegas de ofício13. No extremo oposto, a opinião do advogado, jornalista e crítico Alfredo Pujol é de que, no soneto A Carolina, Machado “rivaliza com os maiores poetas de todos os tempos, e ascende às alturas em que ressoava a lira sonora de Camões”14. A crítica, biógrafa e ensaísta Lúcia Miguel Pereira, por sua vez, admite que, embora não possa “pretender ao título de grande poeta, Machado de Assis foi inegavelmente um poeta”15.
Rica e nem um pouco envergonhada por revelar seus empréstimos e referências, a poesia de Machado dialoga não somente com a de autores há muito tidos como clássicos, como Dante e Shakespeare, mas também com a de seus contemporâneos como os estadunidenses Poe e Wadsworth Longfellow16. Dos greco-latinos aos parnasianos e simbolistas, a lista de influências dos versos machadianos é longa17.
Em carta a Franklin Dória18, Machado revela ter sido convidado pelo poeta francês Catulle Mendès a organizar, no Brasil, uma seção da Sociedade Internacional dos Poetas, entidade presidida por Victor e então já estabelecida em alguns países europeus. A iniciativa, contudo, parece não ter ido à frente. É o próprio Machado quem reúne o conjunto de sua obra poética no volume Poesias completas (1901), adicionando às anteriores — das quais removeu muitos poemas, conservando apenas os que julgou dignos da nova publicação19 — a coletânea Ocidentais.
Podia dizer, sem mentir, que me pediram a reunião de versos que andavam esparsos; mas, a verdade anterior é que era minha intenção dá-los um dia. Ao cuidar disto agora achei que seria melhor ligar o novo livro aos ires publicados, Chrysalidas, Phalonas, Americanas. Chamo ao último Occidentaes.20
Contos de Machado de Assis, em ordem cronológica
- Contos fluminenses (1870)21, estreia de Machado, até então autor apenas de poesia e teatro, no gênero narrativo
- Histórias da meia-noite (1873)22
- Papéis avulsos (1882)23, contendo os aclamados O alienista, Teoria do medalhão e O espelho
- Histórias sem data (1884)24, contendo A igreja do diabo
- Várias histórias (1896)25, contendo A cartomante e Uns braços
- Páginas recolhidas (1899)26, contendo Missa do Galo
- Relíquias de casa velha (1906)27, contendo Pai contra mãe e as peças Não consultes médico e Lição de botânica


John Gledson, professor aposentado da Universidade de Liverpool e conceituado especialista na obra machadiana, considera Papéis avulsos “a mais importante das coleções de contos de Machado de Assis”28. No volume, segundo ele, “sente-se o poder resultante de uma repentina libertação de energia”, por meio da qual o escritor fluminense teria rompido com o “bom-mocismo” das obras interiores e intensificado o tom satírico de suas criações. Agora também filosoficamente mais sofisticado, Machado havia, segundo Gledson, igualado “os grandes temas de um Erasmo ou um Swift”29. Sobre Histórias sem data, sua coletânea seguinte, Monteiro Lobato diria, em carta a Godofredo Rangel, que não poderia haver “língua mais pura, água mais bem filtrada” do que a prosa do escritor, “o pico solitário das nossas letras”30.
Ao todo, Machado escreveu algo em torno de duzentas histórias curtas31 — nas quais, conforme Lúcia Miguel Pereira, ele teria superado em qualidade sua produção como romancista32. A crítica pontua que, livres das “delongas e intromissões” do escritor — onipresentes na sua ficção longa —, alguns de seus contos atingiram o status de “verdadeiras obras-primas”33. Como os melhores deles, Pereira elege Evolução, Umas férias, Cantiga de esponsais, O espelho e Missa do Galo, mas garante poder “acrescentar muitas outras” à lista, que, na sua opinião, “é longa”34.
Teatro de Machado de Assis, em ordem cronológica
- Desencantos (1861)35
- Teatro (1863)36, composto por O caminho da porta e O protocolo (1863)
- Quase ministro (1864)37
- Os deuses de casaca (1866)38
- O bote de rapé (1878)39
- Tu, só tu, puro amor… (1880)40
- Não consultes médico (1896)41 e Lição de botânica42, em Relíquias de casa velha (1906)
- Hoje avental, amanhã luva (1939 [1860])43 póstumo
- As forcas caudinas (1956)44 póstumo
Embora tenha atuado longamente como crítico de teatro e publicado peças ao longo de toda a carreira, Machado ainda hoje recebe pouco reconhecimento como autor dramático45. Infelizmente, também não é incomum que a crítica deprecie o valor de suas peças.
O menosprezo à dramaturgia de Machado provavelmente se deve, como argumenta o doutor em Estudos Literários Nilton de Paiva Pinto, à conhecida resposta de Quintino Bocaiúva à carta em que o escritor lhe perguntava sobre suas últimas peças O caminho da porta e O protocolo. Na resposta, tornada pública pelo próprio Machado na primeira edição de Teatro (1863), Bocaiúva qualificava as criações como “frias e insensíveis”, próprias “para serem lidas e não representadas”46. Ao contrário do que se possa pensar, o tom geral da carta de Quintino é de elogio (sobretudo ao estilo do jovem dramaturgo) e incentivo — por fim, o jornalista e político exorta o escritor a produzir algo “mais sério, mais novo, mais original e mais completo”47. A opinião de Bocaiúva, apesar de referente apenas à segunda e terceira peças publicadas por Machado, foi pouco confrontada pelos críticos posteriores — e estigmatizou toda a produção teatral do autor48.
Para o também jornalista e contemporâneo de Machado Mário de Alencar, a produção teatral de Machado se juntou ao “esforço coletivo de criar um teatro genuinamente nacional”, causa da intensa produção dramática que se veria no Brasil nas décadas de 1860 e 187049. Em sua tese de doutoramento, Nilton Pinto une sua voz à dos estudiosos que saem em defesa do teatro machadiano, como João Roberto Faria:
[…] O teatro foi, para ele [Machado], na juventude e na maturidade, um gênero em que praticou a leveza, a concisão, a vivacidade do estilo e a poesia dos sentimentos. Daí o julgamento severo que essa parte da sua obra tem merecido dos estudiosos, principalmente quando comparada com os densos romances e contos que escreveu depois de 1880. Fique lavrado aqui o meu protesto contra esse tipo de abordagem.50
Romances de Machado de Assis, em ordem cronológica
Ressurreição (1872)51
Oitavo livro de Machado e seu romance de estreia, Ressurreição narra o sinuoso relacionamento entre o até então mulherengo Félix, médico ciumento e amargurado, e Lívia, uma viúva e mãe independente. A trama ganha ares mais folhetinescos quando a jovem Raquel também se apaixona por Félix, e Meneses, amigo do médico, por Lívia. O livro explora minuciosamente a psicologia das personagens e a instabilidade dos sentimentos amorosos, mas seu desfecho nega a idealização do amor romântico — frustrando as expectativas convencionais da crítica e do público da época52.
A mão e a luva (1874)53
No décimo livro de Machado, a jovem e ambiciosa Guiomar, de origem humilde, precisa escolher entre três pretendentes: o piegas e indeciso Estêvão, o bem-nascido Jorge e o equilibrado e também ambicioso Luís Alves. Contrapondo amor e conveniência, a obra penetra nas motivações sociais e sentimentais por trás de um casamento, revelando o quão influente sobre a conduta a disparidade de condições financeiras pode ser.
Helena (1876)54
No mais folhetinesco dos romances da primeira fase machadiana, a jovem Helena é reconhecida, após a morte do abastado conselheiro Vale, como sua filha ilegítima. A reviravolta a leva à casa da família Vale, onde terá de conviver com Úrsula, irmã do falecido, e com o meio-irmão Estácio. À medida que sua estada no lugar se prolonga, Helena despertará tensões e trará à tona segredos do passado.
Iaiá Garcia (1878)55
Décimo terceiro livro publicado por Machado e a última ficção longa de sua fase romântica, Iaiá Garcia narra o intrincado romance entre Jorge, filho de um militar severo, e Lina Garcia, a mimada jovem Iaiá. Na narrativa, a multiplicidade de segredos e mal-entendidos resulta numa série de reviravoltas típicas da escola romântica. Repetindo algo das temáticas anteriores de Machado, a história também se centra nas complicações das relações de família e na transição da juventude à maturidade, com uma aguçada observação das convenções sociais.
Memórias póstumas de Brás Cubas (1881)56
Grande renovador da prosa machadiana, este romance inaugura a fase realista do escritor. Com ironia mordaz e abusando de digressões, o falecido Brás Cubas — primeira ocorrência de um “defunto autor” na literatura — nos apresenta sua vida medíocre e egoísta, da infância mimada à morte banal, sem poupar detalhes sobre seus amores — Marcela e Virgília —, suas ambições frustradas e sua visão cínica da pequena-burguesia carioca do século XIX.
Quincas Borba (1891)57
Sexto romance de Machado de Assis, o título narra a trajetória de Rubião, pobre e ingênuo professor de Barbacena que herda a fortuna de Quincas Borba, o excêntrico filósofo — criador do Humanitismo — do qual fora enfermeiro. Levando consigo o cachorro do falecido, também ele Quincas Borba, o subitamente rico Rubião parte para o Rio de Janeiro, onde será cativado e prejudicado pelas promessas dos novos amigos. O romance é um impiedoso retrato do egoísmo e da hipocrisia social.
Dom Casmurro (1899)58
Sétimo romance machadiano e um dos mais controversos da literatura nacional, Dom Casmurro é a tentativa de Bento Santiago, o narrador-protagonista, de reconstruir o período que vai de sua infância à destruição de seu casamento. Vizinhos desde os primeiros anos, Bentinho e Capitu se apaixonam, mas ele é forçado a deixá-la para entrar no seminário. Quando abandona a vida religiosa, os dois se casam, mas Santiago passa a suspeitar que a esposa o tenha traído com seu melhor amigo, Escobar. O romance é pontuado pelas constantes intromissões, ora filosóficas, ora puramente retóricas, do narrador — que, pouco confiável, nos faz suspeitar da dita “traição” de Capitu.


Esaú e Jacó (1904)59
Os gêmeos Pedro e Paulo, de temperamentos opostos e acostumados a disputar entre si, apaixonam-se pela mesma mulher, a indecisa e sonhadora Flora. O romance, narrado pelo distanciado e irônico Conselheiro Aires, simboliza, entre outros aspectos, os conflitos ideológicos — os contrastes entre ciência e religião, monarquia e república — do Brasil do século XIX, marcado por importantes transições políticas e sociais.
Memorial de Aires (1908)60
Nono e último romance de Machado, Memorial de Aires narra os últimos anos de vida do diplomata aposentado José da Costa Marcondes Aires, o Conselheiro Aires — nosso conhecido de seu romance anterior, Esaú e Jacó. Aires, que registra mais dos outros do que de si nas entradas do diário, observa com distanciamento e ironia a sociedade carioca do início da República. Por suas notas, no entanto, também conhecemos a jovem viúva Fidélia, que, cortejada por dois pretendentes, vem a despertar o interesse do próprio Aires. A narrativa, dotada de um tom sereno e melancólico, desperta reflexões sobre a velhice, o amor tardio e o desencanto com a vida.
Casa velha (1943–4 [1885–6])61 póstumo
Frequentando a casa de D. Antônia a fim de concluir sua pesquisa sobre o Primeiro Reinado, um cônego torna-se íntimo da família da viúva. Durante sua estada, ele acompanha o romance entre Félix, filho da mulher, e a jovem agregada Lalau. Contrária à união dos dois devido às suas diferenças sociais e decidida a separá-los, D. Antônia divulga a mentira de que os jovens são irmãos. Com um desfecho em que a honestidade dos personagens é posta em destaque, a obra explora a complexidade das relações familiares e os artifícios da elite da época. O romance foi originalmente publicado como folhetim entre os lançamentos de Memórias póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba.
Um parêntese sobre as crônicas de Machado de Assis
Embora sua incursão pelo gênero seja normalmente ofuscada pela fama de seus romances e contos, Machado também foi um cronista prolífico: de 1850 a 1900, publicou mais de seiscentos textos em múltiplos periódicos — entre eles O espelho, o Diário do Rio de Janeiro, O cruzeiro, a Gazeta de notícias (na qual publicou extensamente entre 1892 e 1900) e a Imprensa fluminense62. Publicadas desde seu completo desconhecimento pelo público até muito depois do estrelato literário, as crônicas machadianas são marcadas pela mesma verve, ampla cultura e capacidade de observação que acompanhariam o escritor em outros gêneros.
A coletânea Todas as crônicas (2021), da editora Nova Fronteira, reúne em três volumes todas as crônicas publicadas por Machado, inclusive aquelas assinadas com pseudônimos e as publicadas anonimamente.
Obra completa de Machado de Assis, em ordem cronológica
- Desencantos (1861), teatro
- Teatro (1863), contendo O caminho da porta e O protocolo (1863), teatro
- Quase ministro (1864), teatro
- Crisálidas (setembro de 1864), poesia
- Os deuses de casaca (1866)
- Falenas (1870), poesia
- Contos fluminenses (fevereiro de 1870), contos
- Ressurreição (1872), romance
- Histórias da meia-noite (1873), contos
- A mão e a luva (1874), romance
- Americanas (1875), poesia
- Helena (1876), romance
- O bote de rapé (1878), teatro em revista
- Iaiá Garcia (1878), romance
- Tu, só tu, puro amor… (1880), teatro em revista
- Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), romance
- Papéis avulsos (1882), contos
- Histórias sem data (1884), contos
- Quincas Borba (1891), romance
- Várias histórias (1896), contos
- Páginas recolhidas (1899), miscelânea
- Dom Casmurro (1889), romance
- Poesias completas (1901), contendo Ocidentais, poesia
- Esaú e Jacó (1904), romance
- Relíquias de casa velha (1906), contendo as peças Não consultes médico e Lição de botânica, miscelânea
- Memorial de Aires (1908), romance
- Hoje avental, amanhã luva (1939 [1860]), teatro póstumo
- Casa velha (1943 [1885–6]), romance póstumo
- As forcas caudinas (1956), teatro póstumo
Em parceria com o Instituto Itaú Cultural, a editora Todavia publicou a coleção Todos os livros de Machado de Assis, projeto idealizado pelo professor Hélio de Seixas Guimarães e levado a cabo por mais de vinte profissionais — distribuídos pelas áreas do design, leitura crítica, preparação e revisão técnica. Os títulos do projeto contam com textos introdutórios, abundantes notas explicativas e sugestões de leitura. Antes disponíveis apenas em conjunto, no box de tiragem limitada preparado pela editora, os livros avulsos da coleção estão agora disponíveis para compra.
A obra completa gratuita de Machado de Assis, em formato digital, pode ser encontrada na Coleção Digital Machado de Assis, disponível no website do projeto Machado de Assis: vida e obra. A iniciativa resultou da parceria entre o Portal Domínio Público — biblioteca digital do Ministério da Educação brasileiro, o MEC — e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Lingüística (NUPILL), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O objetivo do portal, segundo seu próprio “estatuto”, foi fazer com que a obra de Machado chegasse “a qualquer usuário da internet, em edições confiáveis e gratuitas”.
Quais são os melhores livros de Machado de Assis?
Considerando o grau de sofisticação que Machado atingiu na dita fase realista de sua obra, não é de estranhar que seus títulos preferidos pelos críticos e escritores pertençam a esse período. O pódio parece ser disputado por Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, mas outras obras da maturidade machadiana também são apreciadas:
- Lúcia Miguel Pereira reconhece a superioridade de Memórias póstumas de Brás Cubas sobre os demais romances do escritor, mas considera Dom Casmurro “o mais humano dos livros de Machado”, um drama “íntimo e pungente” que “quebra a monotonia” da literatura machadiana63.
- Para o posto de obra-prima de Machado, Harold Bloom nomeia o romance Memórias póstumas de Brás Cubas, cuja “atmosfera original” o crítico americano diz não poder comparar com a de nenhuma outra ficção64. No ensaio Vidas póstumas: o caso de Machado de Assis, Susan Sontag também demonstra particular admiração pelas Memórias póstumas65.
- Embora não eleja uma obra como favorita, o professor Luiz Augusto Fischer elenca Brás Cubas, Quincas Borba, Bento Santiago, os gêmeos Pedro e Paulo e o conselheiro Aires, respectivos protagonistas dos cinco últimos romances de Machado, como alguns de seus maiores personagens66.
É importante notar que a apreciação literária é subjetiva e outros grandes escritores e críticos certamente têm suas próprias obras favoritas de Machado de Assis. Em relação às suas preferências literárias, somente você pode descobrir qual obra do escritor carioca é a mais agradável — prepare-se para encará-las e formar uma opinião pessoal. As opiniões acima, contudo, ilustram o impacto duradouro e a admiração que o autor brasileiro desperta em diferentes gerações e culturas.
Por uma série de razões, Machado de Assis é um escritor conhecido por representar alguma dificuldade para os leitores — e fez muitos de nós tremermos durante aulas de Língua Portuguesa. Com uma série de conselhos universais para uma leitura de qualidade, este livro dos professores Mortimer Adler e Charles Van Doren pode ajudar você a compreender melhor as obras machadianas.


Opiniões eruditas sobre Machado de Assis e sua obra
- Antonio Candido: “[…] as sucessivas gerações de leitores e críticos brasileiros foram encontrando níveis diferentes em Machado de Assis, estimando-o por motivos diversos e vendo nele um grande escritor devido a qualidades por vezes contraditórias. O mais curioso é que provavelmente todas essas interpretações são justas, […]. § E o mais picante é o estilo guindado e algo precioso com que [Machado] trabalha e que se de um lado pode parecer academismo, de outro sem dúvida parece uma forma sutil de negaceio, como se o narrador estivesse rindo um pouco do leitor. Estilo que mantém uma espécie de imparcialidade, que é a marca pessoal de Machado, […]. § Talvez possamos dizer que um dos problemas fundamentais da sua obra é o da identidade. Quem sou eu? O que sou eu? Em que medida eu só existo por meio dos outros? […] § Isso é dito para justificar um conselho final: não procuremos na sua obra uma coleção de apólogos nem uma galeria de tipos singulares. Procuremos sobretudo as situações ficcionais que ele inventou. […] A visão resultante é poderosa, como esta palestra não seria capaz sequer de sugerir.”67
- Carlos Fuentes: “Machado é um milagre. […] § […] e esse é o milagre — o Brasil dá sua nacionalidade, sua imaginação, sua língua ao mais importante — para não dizer o único — romancista ibero-americano do século passado: Joaquim Maria Machado de Assis.”68
- Flora Thomson-DeVeaux: “[…] a [prosa] de Machado permanece estranhamente fresca. ‘A morte não envelhece’, como Brás nos lembra, exasperado, no Capítulo CXXXVIII; o sorriso de um esqueleto é eterno, e o estilo de Machado, embora intrincado, é tudo menos excessivamente carnudo. […] § Não é um milagre, não é um mago: meu Machado de Assis é um ilusionista. Há magia no efeito final, sem dúvida. Mas por trás disso há puro engenho e habilidade, bem como a manipulação do comportamento humano — desorientação, brincadeiras com nossas suposições, nossa vaidade, nossa tolice. Esses últimos anos traduzindo sua obra foram um aprendizado, passado observando um mestre de dedos hábeis e fazendo o meu melhor para replicar seus truques para um novo público.”69
- Harold Bloom: “Machado de Assis, o principal discípulo de Laurence Sterne no Novo Mundo, escreve sua obra-prima [Memórias póstumas de Brás Cubas] em 1880, num Brasil escravista, sendo ele próprio neto de libertos. Mas Machado, um ironista de gênio, nunca ataca sua sociedade diretamente e trabalha contra ela com comédia astuta e um niilismo fulminante. […] § O gênio da ironia nos deu poucos iguais ao afro-brasileiro Machado de Assis, que me parece o maior artista literário negro até hoje.”70
- Lúcia Miguel Pereira: “Machado de Assis não foi, como pareceu, um puro intelectual, fazendo da vida duas partes bem distintas: uma para a existência quotidiana, insípida e vaga, outra para as elucubrações do raciocínio. […] Não foi apenas um esteta — mas um homem. E o maior valor da sua obra reside no fato de ter sido uma experiência, um modo de interrogar a vida. Interrogação que ficou sem resposta porque não ousou — ou não pôde — ir até o fundo dos problemas. Ou talvez porque tais perguntas não possam mesmo ser satisfeitas pelo engenho humano… § Há um gosto de cinza nos seus livros, as cinzas da inanidade de tudo, mas há também o sal das lágrimas e do sangue, o sangue do homem sofredor, as lágrimas do desespero que se sabe inútil.”71
- Monteiro Lobato: “[…] ninguém maneja melhor [do que Machado] tudo quanto é cambiante. A gama inteira dos semitons da alma humana. É grande, é imenso, o Machado. É o pico solitário das nossas letras. Os demais nem lhe dão pela cintura.”72
- Otto Maria Carpeaux: “[…] Machado de Assis, o maior escritor da literatura brasileira, não é exótico em relação à Inglaterra, e sim em relação ao Brasil. O caso é enigmático: um mulato de origens proletárias, autodidata, torna-se o escritor mais requintado da sua literatura, espírito cheio de arrière-pensées, que exprimiu menos em versos parnasianos do que em romances meio satíricos à maneira de Thackeray. Em Machado de Assis havia várias influências estrangeiras, e são justamente as influências inglesas que o distinguem dos seus patrícios, em geral afrancesados: Swift e Sterne, sobretudo. Mas influências não explicam o gênio. Machado de Assis também tem algo em comum com Jane Austen, que não conhecia, provavelmente. […] Machado de Assis, proletário e “half-breed”, alto funcionário e presidente de uma Academia de Letras, é um grande escritor vitoriano. As Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro não têm que recear a comparação com Thackeray […]. O sentido de forma latino do mulato latinizado revelou-se melhor nos contos. “O alienista”, “Noite de almirante”, “Missa do galo”, “O espelho” são espécimes magníficos de um gênero que esteve, aliás, mal representado na literatura inglesa do século XIX.73
- Philip Roth: “Ele [Machado] é um grande irônico, é um comediante trágico. Em seus livros, nos momentos mais cômicos, ele representa o sofrimento fazendo-nos rir. Como Beckett, que é irônico com o sofrimento. Ele provoca compaixão no leitor, mas seu corte é duro e preciso.”74
- Susan Sontag: “Imaginem um escritor que, no curso de uma vida moderadamente longa, durante a qual nunca viajou mais que 120 quilômetros além da capital onde nasceu, criou uma obra vasta… um escritor do século XIX, me interromperão vocês; e estarão certos: autor de uma profusão de romances, novelas, contos, peças, ensaios, poemas, resenhas, crônicas políticas, bem como repórter, editor de revista, burocrata do governo, candidato a um cargo público, fundador e presidente da Academia de Letras do seu país; um prodígio de realizações, de superação da doença social e física (era mulato, filho de uma escrava num país onde a escravidão só foi abolida quando ele tinha quase cinquenta anos; era epiléptico); que, durante essa carreira intensamente prolífica, exuberantemente nacional, conseguiu escrever um número considerável de romances e contos, dignos de um lugar permanente na literatura mundial, e cujas obras-primas, fora do seu país natal, que o honra como seu maior escritor, são pouco conhecidas, raras vezes mencionadas.”75
Quem foi Machado de Assis?
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, Rio de Janeiro. Filho de um pintor de paredes mestiço e de uma lavadeira portuguesa, enfrentou desde cedo as dificuldades impostas pela origem humilde e pela epilepsia, condição que o acompanharia por toda a vida. Órfão de mãe ainda criança, foi criado por uma madrasta e recebeu instrução formal mínima. Embora as informações sobre sua infância sejam escassas, sabemos que sua inclinação à vida intelectual e autodidatismo persistente o levaram a aprender francês e latim, aproximando-o da literatura e da cultura clássica disponíveis. Ainda adolescente, trabalhou como tipógrafo e revisor — o que lhe proporcionou amplo contato com o mundo das letras.76
Na juventude, Machado começou a se destacar como colaborador em jornais e revistas do Rio de Janeiro, nos quais publicava poemas, crônicas, contos e artigos de crítica teatral e literária. Ao longo da década de 1860, consolidou-se como um nome importante na imprensa e passou a transitar por gêneros diversos — da poesia romântica ao teatro e, por fim, ao romance. Em 1881, já autor de quatro deles (considerados integrantes de uma “primeira fase” criativa, de inspiração romântica), viu a grande guinada de sua carreira trazida pela publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881). A obra, marcada por um ponto de vista inédito — o de um “autor defunto” — e um estilo cáustico, irônico e introspectivo, atordoou crítica e público e renovou a literatura nacional.77


No auge de sua carreira, Machado de Assis publicou outras obras-primas como Quincas Borba (1891) e o emblemático Dom Casmurro (1899), consolidando-se como o maior nome da literatura brasileira do século XIX. Em 1897, foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, cargo que manteve até a morte. Faleceu em 29 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro, vítima de um câncer de boca. Amplamente reconhecido como o maior escritor brasileiro, sua obra continua a deslumbrar estudiosos e outros ficcionistas pela sofisticação linguística e pela diversidade de dramas humanos que retratou.78
Perguntas frequentes sobre as obras de Machado de Assis
- Quais são os melhores livros de Machado de Assis? Embora a opinião dos críticos varie, como é de se esperar, o pódio da obra machadiana é geralmente composto por Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba — obras de sua maturidade literária —, com grande parte das opiniões tendendo a eleger o primeiro como a obra-prima do escritor fluminense.
- Quais são os livros mais famosos de Machado de Assis? Em 2025, Memórias póstumas de Brás Cubas segue sendo a obra machadiana mais popular, nacional e internacionalmente. Em 2020, após o lançamento pela Penguin Classics da tradução americana do romance (com o título The posthumous memoirs of Brás Cubas), assinada por Flora Thomson-DeVeaux, a edição, alvo de múltiplos elogios, foi rapidamente esgotada no site da Amazon e nas livrarias Barnes & Noble nos Estados Unidos. Em 2024, a mesma edição voltou ao estrelato com a viralização da resenha positiva publicada no TikTok pela influenciadora Courtney Henning Novak. O conto O alienista, leitura obrigatória frequente em vestibulares nacionais, também tem se mostrado especialmente popular entre os leitores.
- Quantos livros Machado de Assis publicou? Transitando entre a poesia, o teatro, a crônica, o conto e o romance, além de suas incursões pela tradução e pela crítica literária, Machado publicou 26 títulos entre 1861 e 1908, ano de seu falecimento.
- Quais livros de Machado de Assis foram publicados postumamente? As peças Hoje avental, amanhã luva (1939) e As forcas caudinas (1956), ao lado do romance Casa velha (1943–4), são títulos de Machado publicados apenas depois de sua morte. Considere, contudo, que, antes de sua edição em livro, Hoje avental, amanhã luva e Casa velha já haviam sido publicados por outros meios, respectivamente o jornal A Marmota (1860) e a revista A Estação (1885–6). As forcas caudinas é a única obra de Machado que permaneceu inédita ao longo de toda a sua vida, embora tenha sido adaptada pelo autor para a criação do conto Linha reta e linha curva, de Contos fluminenses.
- Onde acessar a obra de Machado de Assis gratuitamente? A obra completa de Machado de Assis está disponível gratuitamente e em formato digital na Coleção Digital Machado de Assis, disponível no website do projeto Machado de Assis: vida e obra, mantido pelo MEC.
Referências
- É o caso de, no Brasil, José Veríssimo (em História da literatura brasileira: de Bento Teixeira (1601) a Machado de Assis (1909). 4. ed. UnB, 1963, p. 304.) — um dos primeiros críticos da obra de Machado —, Alfredo Bosi (em História concisa da literatura brasileira. 50. ed. Cultrix, 2015) e da especialista na obra machadiana Lúcia Granja (em entrevista à Global Literature in Libraries Initiative). No exterior, Machado já foi considerado por Susan Sontag “o maior escritor produzido na América Latina”, e, por Harold Bloom, “o maior artista literário negro até hoje”. ↩︎
- Machado de Assis: biografia. Academia Brasileira de Letras, [s. d.]. Acesso em 24 abr. 2025. ↩︎
- A “divisão” da obra de Machado em duas fases foi originalmente proposta pelo crítico literário José Veríssimo — amigo pessoal do escritor —, embora considerando muito mais nuances do que a crítica posterior. Curiosamente, o próprio Machado se referiria ao primeiro romance, Ressurreição, como pertencente à “primeira fase de sua vida literária” (como vemos em Advertência da nova edição [1905]. Ressurreição. 2. ed. Todavia, 2025). A classificação, no entanto, não é unânime e, nos últimos anos, tem atraído comentários mais sofisticados dos pesquisadores. Sobre a controvérsia das fases romântica e realista da obra machadiana, ver Áriston Moraes Rodrigues, O romantismo revisitado: Machado de Assis, primeiros romances. 2018. Tese (Doutorado em Letras/Études du monde lusophone) – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, em cotutela com a Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3, p. 11–7). ↩︎
- Sílvia Maria Azevedo, Machado de Assis sob o prisma da intertextualidade. Cadernos de Estudos Culturais: Literatura Comparada hoje, v. 1, n. 2, 2009. ↩︎
- Rodrigues, op. cit. ↩︎
- John Gledson, Introdução. In: Machado de Assis, Quincas Borba. Penguin–Companhia das Letras, 2012, p. 13. ↩︎
- Manuel Cavalcanti Proença, [Opinião]. In: Assis, Todos os romances e contos consagrados de Machado de Assis. 2. ed. Nova Fronteira, 2016. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro por B.-L. Garnier, em setembro de 1864. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro por B.-L. Garnier, em 1870. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro por B.-L. Garnier, em 1875. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro pela Editora Garnier, em 1901. ↩︎
- Fabiana Gonçalves, De poeta a editor de poesia: a trajetória de Machado de Assis para a formação de suas Poesias completas. Editora UNESP, Cultura Acadêmica, 2015, p. 133. ↩︎
- Sílvio Romero, Machado de Assis: estudo comparativo de literatura brasileira. Laemmert C. Editores, 1897, p. 20. ↩︎
- Alfredo Pujol, Machado de Assis: curso literário em sete conferências na Sociedade de Cultura Artística de São Paulo. 2. ed. Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007, p. 289–90. ↩︎
- Lúcia Miguel Pereira, Machado de Assis: estudo crítico e biográfico. Companhia Editora Nacional, 1936, p. 137. ↩︎
- Gonçalves, op. cit., p. 133. ↩︎
- Ibid., p. 111–2. ↩︎
- Assis, [Correspondência]. Destinatário: Franklin Távora. Rio de Janeiro, 28 mar. 1874. In: Sérgio Paulo Rouanet (coord.), Irene Moutinho e Sílvia Eleutério (orgs.), Correspondência de Machado de Assis: tomo II, 1870-1889. Academia Brasileira de Letras, 2009, p. 90. ↩︎
- Ibid., p. 129. ↩︎
- Assis, Advertência [1900]. In: ______, Poesias completas. 2. ed. Todavia, 2025. ↩︎
- Publicado pela primeira vez no Rio de Janeiro, pelo editor B.-L. Garnier. Há alguma controvérsia sobre a data de publicação de Contos fluminenses. Segundo Marta de Senna e Ana Maria Vasconcelos Martins Castro, o pesquisador José Galante de Sousa estabelece o texto como publicado em 1870 — no que é acompanhado pela maioria das fontes. Outros autores situam o lançamento em 1869. Para mais, veja Contos fluminenses (In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. Itaú Cultural, 2025; verbete da Enciclopédia) e Valdiney Valente Castro, Da produção à recepção: histórias de leitura de Contos Fluminenses, de Machado de Assis (Revista Moara, n. 56, p. 70, ago.–dez. 2020). ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro pela Editora Garnier, em 1873. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro por Lombaerts & Cia, em 1882. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro pela Editora Garnier, em 1884. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro por Laemmert & C. Editores, em 1896. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro pela Editora Garnier, em 1899. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro pela Editora Garnier, em 1906. ↩︎
- Gledson, A história do Brasil em Papéis avulsos, de Machado de Assis. In: ______, Por um novo Machado de Assis: ensaios. Companhia das Letras, 2006. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Monteiro Lobato, [Correspondência]. Destinatário: Godofredo Rangel. [São Paulo?], 3 jun. 1915. In: ______, A barca de Gleyre. Biblioteca Azul, 2010. ↩︎
- Gledson, Uma breve introdução aos contos de Machado de Assis [introdução]. In: ______ (org.), 50 contos de Machado de Assis. Companhia das Letras, 2007. ↩︎
- Pereira, op. cit., p. 255–6. ↩︎
- Ibid., p. 256. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Originalmente publicada no Rio de Janeiro por Paula Brito (Francisco de Paula Brito), em 1861. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro pela Tipografia do Diário do Rio de Janeiro, com o título Teatro de Machado de Assis, v. I, em 1863. Curiosamente, a pretensa coleção Teatro não teve outros volumes. ↩︎
- Originalmente publicada pela revista carioca Semana Ilustrada, em 1864. ↩︎
- Originalmente publicada no Rio de Janeiro pela Tipografia do Imperial Instituto Artístico, em 1866. ↩︎
- Originalmente publicada pela revista semanal carioca O Cruzeiro, em 1878. ↩︎
- Originalmente publicada no Rio de Janeiro pela Revista Brasileira, em 1880. ↩︎
- Comédia originalmente publicada pela Revista Brasileira em dezembro de 1896, mais tarde incluída em Relíquias de casa velha (1906). ↩︎
- Originalmente publicada em Relíquias de casa velha (1906). ↩︎
- A obra, originalmente publicada no jornal de variedades A marmota, Rio de Janeiro, em março de 1860, é uma adaptação da peça de Gustave Vattier e Émile de Najac Chasse au lion: comédie en un acte en prose (1852). Sua primeira aparição em livro se dará somente em Páginas esquecidas (1939), coletânea editada pela Casa Mandarino. ↩︎
- Inédita durante toda a vida de Machado, a comédia As forcas caudinas foi adaptada pelo escritor para a publicação seriada, na forma de conto, no Jornal das Famílias, entre outubro de 1865 e janeiro de 1866. Mais tarde, a narrativa seria readaptada para integrar, agora com o título Linha reta e linha curva, os Contos fluminenses (1870). A peça original, contudo, foi publicada apenas postumamente, na coletânea organizada por Raimundo Magalhães Jr. Contos sem data (1956). Sobre a concepção de Linha reta e linha curva e sua relação com As forcas caudinas, ver Ana Cláudia Suriani da Silva, A gênese de um conto machadiano: implicações… 1998. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas. ↩︎
- Nilton de Paiva Pinto, O teatro de Machado de Assis – 1860–1870: uma alternativa na dramaturgia brasileira. 2020. Tese (Doutorado em Letras) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, p. 13–5). ↩︎
- Assis, [Correspondência]. Destinatário: Quintino Bocaiúva. Rio de Janeiro, [1863?]. In: João Roberto Faria (org.), Teatro de Machado de Assis. WMF Martins Fontes, 2003. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Pinto, op. cit., p. 30. ↩︎
- Mário de Alencar apud Assis, Teatro completo. Editora Mérito, 1961, p. 18. ↩︎
- Faria, Machado de Assis, leitor de Musset. Teresa: Revista de Literatura Brasileira, n. 6-7, p. 383 [364–84], 2006. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro por B.-L. Garnier, em 1872. ↩︎
- Ressurreição. In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. Itaú Cultural, 2025. Verbete da Enciclopédia. ↩︎
- Originalmente publicado capítulo a capítulo no jornal carioca O Globo, entre setembro e novembro de 1874. Naquele mesmo ano, a narrativa foi reunida em livro publicado por B.-L. Garnier. ↩︎
- Originalmente publicado em folhetim no jornal carioca O Globo, entre agosto e setembro de 1876, e reunido em livro publicado por B.-L. Garnier no mesmo ano. ↩︎
- Originalmente publicado em folhetim no jornal carioca O Cruzeiro, entre janeiro e março de 1878, e reunido em livro publicado por G. Vianna & C. (Typographia do Cruzeiro) no mesmo ano. ↩︎
- Originalmente publicado em folhetim nas páginas da Revista Brasileira, entre março e dezembro de 1880. Em 1891, foi publicado em livro no Rio de Janeiro pela Typographia Nacional. ↩︎
- Originalmente publicado em folhetim, de 1886 a 1891, no jornal carioca A Estação. Ainda em 1891, foi publicado em livro por B.-L. Garnier, com alterações significativas. ↩︎
- Após um longo atraso no processo de impressão, o romance foi originalmente publicado no Rio de Janeiro por H. Garnier, em 1899. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro por H. Garnier, em 1904. ↩︎
- Originalmente publicado no Rio de Janeiro pela Livraria Garnier, em 1908, ano da morte de Machado. ↩︎
- Originalmente publicada entre janeiro de 1885 e fevereiro de 1886 na revista A Estação, a narrativa, redescoberta décadas mais tarde por Lúcia Miguel Pereira, foi publicada em livro pela Martins Editora, em São Paulo. As fontes divergem sobre a data dessa edição. A maioria delas — inclusive a Wikipédia — a situa em 1943, mas não indica nenhuma fonte primária — como uma reprodução da folha de rosto ou colofão — que corrobore a data. Esta página de Vera Nunes Leilões, em que um dos exemplares da edição foi exposto para lances, indica o ano de 1944. Até onde minha pesquisa me levou, também não há versões digitalizadas do título, que poderiam resolver o impasse, disponíveis on-line. ↩︎
- Henrique Marques Samyn, Machado, o cronista [prefácio]. In: Assis, Todas as crônicas. Nova Fronteira, 2021, v. 1. ↩︎
- Pereira, op. cit., p. 273–4. ↩︎
- Harold Bloom, Joaquim Maria Machado de Assis. In: ______, Genius: a mosaic of one hundred exemplary creative minds. Grand Central Publishing, 2002, p. 674. ↩︎
- Susan Sontag, Vidas póstumas: o caso de Machado de Assis. In: ______, Questão de ênfase: ensaios. Companhia das Letras, 2020. ↩︎
- Luís Augusto Fischer, Pequena biografia de Machado de Assis. In: Assis, Dom Casmurro. L&PM, 1997. ↩︎
- Antonio Candido, Esquema de Machado de Assis. In: ______, Vários escritos. Todavia, 2023. ↩︎
- Carlos Fuentes, O milagre de Machado de Assis. Folha de São Paulo, ano 80, n. 26.114, 01 out. 2000. ↩︎
- Flora Thomson-DeVeaux, Introduction. In: Assis, The posthumous memoirs of Brás Cubas. Penguin Books, 2020. A tradução para o português é minha. ↩︎
- Bloom, op. cit. A tradução é minha. ↩︎
- Pereira, op. cit., p. 18–9. ↩︎
- Lobato, op. cit. ↩︎
- Otto Maria Carpeaux, História da literatura ocidental. 3. ed. Senado Federal, Conselho Editorial, 2008, v. 3, p. 1735–7. ↩︎
- Philip Roth, Para Roth, escrever é uma questão de invenção, não de sentimento. [Entrevista cedida a] Noemi Jaffe. Folha de São Paulo, ano 88, n. 28.995, 21 ago. 2008. ↩︎
- Sontag, op. cit. ↩︎
- Fischer, Uma história inesgotável [introdução]. In: Assis, Dom Casmurro. Penguin–Companhia das Letras, 2016. ↩︎
- Roberto Schwarz, Ao vencedor as batatas: forma literária e processo social nos inícios do romance brasileiro. 6. ed. Editora 34, 2012. ↩︎
- Candido et al., A personagem de ficção. Perspectiva, 1995. ↩︎




