Um dos poucos escritos publicados em vida por Franz Kafka, A metamorfose (Die Verwandlung, no original alemão) foi posta em circulação em outubro de 1915, na revista mensal Die weißen Blätter (“As folhas brancas”), da editora Kurt Wolff1. Popular tanto por sua premissa inusitada — um homem acorda e se vê transformado em um enorme inseto — como por seu tratamento simbólico de temas como a alienação, a identidade e o isolamento, a novela já foi traduzida para mais de quarenta idiomas2, e é, até então, a publicação mais vendida e debatida de Kafka3.
O vencedor do prêmio Nobel de literatura Elias Canetti a considerou “uma das poucas grandes, perfeitas obras poéticas” do século passado4. Vladimir Nabokov acreditava que, ao compô-la, Kafka articulara perfeitamente “estilo e assunto, método e trama”5. A história foi diretamente adaptada, parodiada ou ao menos referenciada por múltiplos trabalhos de literatura, cinema, teatro, televisão, música popular e erudita, por histórias em quadrinhos e mesmo videogames, além de inspirar numerosos ensaios acadêmicos6.
Um resumo de A metamorfose
O resumo a seguir contém revelações importantes sobre o enredo da obra.
Ao acordar em seu quarto, o caixeiro-viajante Gregor Samsa se percebe transformado em um grande inseto. Longe de se desesperar por isso, ele, “uma criatura do chefe”7, teme sobretudo perder o próximo trem e se atrasar para o trabalho. Enquanto tenta mover o novo corpo, sua família e, mais tarde, o próprio gerente da empresa que o emprega batem à porta e o chamam com insistência.
Quando Gregor por fim se põe diante deles, o caos se instaura: mal o tendo visto, o gerente foge, apavorado; sua mãe grita por socorro; e o pai, furioso, o conduz com pressa de volta ao quarto. Chutado pelo homem para atravessar a porta que o apertava, Gregor sofre seu primeiro grande ferimento. Com isso, o inferno familiar está estabelecido.
Agora confinado em seu quarto, Gregor passa a depender da irmã, Grete, que assume a tarefa de alimentá-lo e limpar o aposento. Solícita, ela a princípio oferece ao irmão diferentes pratos; ele, porém, passa a consumir apenas restos apodrecidos. Com o passar dos dias e notando a irreversibilidade de sua condição, mesmo Grete passa a evitar qualquer contato além do necessário com a nova criatura. Para não ofendê-la, o próprio Gregor se esconde sempre que a nota prestes a entrar no quarto.
Enquanto isso, o consenso familiar é de que, agora sem o suporte de Gregor — que custeava sozinho o aluguel do apartamento e as demais despesas familiares —, todos devem voltar (ou começar) a trabalhar. A essa altura, descobrimos que, embora Gregor guardasse muito pouco dele para si mesmo, o dinheiro que destinava à família na verdade fora poupado até formar uma reserva nada desprezível para o caso de uma emergência. Ainda assim, o “dinheiro para viver”, nas palavras do pai, “tinha de ser ganho”8. Dito e feito: o pai, recolhido em casa desde que falira, torna-se funcionário de um banco; a mãe costura peças íntimas para uma loja de roupas; e Grete, agora uma vendedora, também estuda estenografia e francês em busca de melhores oportunidades.
Para “facilitar a movimentação de Gregor”, Grete decide esvaziar seu quarto. A mãe, temendo que isso o faça se sentir abandonado e demonstre a “desesperança” da família em sua melhora, tenta dissuadi-la, mas a jovenzinha permanece firme e, com a ajuda da outra mulher, começa a mudança. Durante o processo, Gregor, desesperado para proteger um quadro que ainda o liga à antiga vida, escala a parede e o cobre com seu corpo. Assim que o flagra nessa posição, a mãe desmaia. Chegando à cena — e acreditando que o inseto atacara sua esposa —, o pai, em um acesso de fúria, põe-se a atirar maçãs no filho. Uma delas o atinge em cheio nas costas, de onde nunca será removida.
A partir de então, a debilidade física de Gregor se acentua rapidamente. Ao mesmo tempo, a família o negligencia sem maiores cerimônias. Aos poucos, ele e seu quarto são deixados sob os cuidados de uma nova faxineira, que, sem medo ou repulsa, trata-o com objetividade e indiferença. Tendo alugado o quarto vago do apartamento a três pensionistas (que levaram consigo a própria mobília), a família deixa que a faxineira atire todos os móveis agora inúteis da casa no quarto de Gregor, que recebe pouca ou nenhuma limpeza.
Certa noite, ao ouvir o violino da irmã na sala de estar, Gregor deixa o “esconderijo” e, encantado pela música, sai em sua direção. Sua figura, porém, causa escândalo: os hóspedes imediatamente ameaçam deixar o prédio sem pagar pela estadia, e, ofendidos, trancam-se no quarto. Exausta, Grete argumenta, em seguida, que a família deve aceitar que o “monstro” com o qual tem lidado não é Gregor. “Precisamos”, diz ela, “tentar nos livrar disso”9.
Derrotado, Gregor volta a se recolher. Na manhã seguinte, a faxineira o encontra morto, notícia que a família recebe com grande alívio. Faltando ao trabalho para passear pela cidade a fim de espairecer, pai, mãe e filha discutem as novas perspectivas de vida. À parte, o pai e a mãe discutem especialmente um possível casamento para Grete, que, com esperanças, veem se transformar em uma bela jovem.
Personagens de A metamorfose
Gregor Samsa
Protagonista da novela, Gregor é um sacrificado caixeiro-viajante que, desde o fracasso comercial do pai, sustenta sozinho toda a família. Embora deteste as condições de seu trabalho, ele o desempenha com afinco a fim de pagar a dívida do pai com o antigo chefe e, se possível, matricular a irmã em um elegante conservatório de música.
Uma vez transformado em inseto, Gregor rapidamente se torna motivo de violência, indiferença e repulsa por parte dos familiares, com os quais perde a capacidade de se comunicar. Apesar disso, mesmo antes de morrer ele pensa nos pais e na irmã “com emoção e amor”. Seu cadáver é objetivamente “despachado” pela nova faxineira: “A senhora não precisa se preocupar com o jeito de jogar fora a coisa aí do lado”, diz ela à mãe de Gregor. “Já está tudo em ordem”10.
Grete Samsa
De apenas dezessete anos, Grete é a querida irmã mais nova de Gregor. Pouco depois da transformação do irmão, é ela quem o alimenta, limpa seu quarto e tenta compreender suas necessidades. Com o passar do tempo e assim que assume o trabalho como vendedora, porém, seus cuidados se tornam cada vez mais raros e relapsos. Finalmente, depois de ter sua apresentação de violino arruinada pela aparição do inseto, é a própria Grete quem propõe à família que “se livre” de Gregor.
O pai
Tendo falido há cinco anos, o sedentário e abatido pai de Gregor também depende financeiramente do filho. Pouco depois da transformação do rapaz e a fim de incrementar a renda da família, ele volta ao trabalho como auxiliar de escriturários em um banco, função que lhe devolve a energia e o senso de autoridade.
Sua reação à metamorfose de Gregor é violenta: o velho homem o chuta e, em outra ocasião, o ataca com maçãs — uma das quais, alojada permanentemente no corpo do inseto, acelerará sua derrocada física e emocional. Com a morte de Gregor, o pai retoma o posto de “chefe da família”, despedindo secamente os inquilinos e monopolizando o carinho da esposa e da filha.
A mãe
Idosa e asmática, a mãe de Gregor oscila entre a compaixão e o horror pela nova condição do filho. Como o marido e Grete, ela também volta ao trabalho (agora, como costureira de roupas íntimas) assim que a transformação ocorre. Sensível e nervosa, ela desmaia ao ver o filho pousado na parede do quarto, mas é também ela quem, em respeito a Gregor, se opõe à retirada dos móveis daquele cômodo e, mais tarde, fará sozinha uma grande limpeza no aposento. Durante o “bombardeio de maçãs” do pai em direção a Gregor, ela intercede pela vida do filho.
A faxineira
Viúva grisalha e grosseirona, a faxineira finalmente contratada pela família é uma figura pragmática (e cômica) que lida com Gregor sem medo, nojo ou sentimentalismo. Enquanto limpa seu quarto, ela encara o inseto — que todos agora evitam — com curiosidade e uma atitude zombeteira (“Venha um pouco aqui, velho bicho sujo”, diz ela). Além de encontrar o cadáver de Gregor e anunciar sua morte à família, é a mulher quem “dá fim” (de um modo que não nos é revelado) aos restos da criatura.
Os inquilinos
Para resistir ao crescente aperto financeiro, a família Samsa loca um dos quartos do apartamento a três homens. Uma vez que, obcecados por ordem e limpeza, os inquilinos levaram consigo a própria mobília, muitos móveis agora inúteis da casa são lançados no quarto de Gregor, que vem a ser um “depósito de porcarias”.
Durante o número de violino de Grete, são os inquilinos os primeiros a ver o inseto (que deixara o quarto para ouvir a irmã) e se escandalizar com sua presença. Um dos homens imediatamente rescinde o contrato de locação e ameaça não pagar sequer pelo tempo já passado no local. No dia seguinte, contudo, os três, ironicamente ainda no prédio, são expulsos pelo velho Samsa. É em reação ao escândalo dos inquilinos que Grete sugere aos pais se livrarem de Gregor.
Trechos marcantes de A metamorfose
- “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.”11
- “[Gregor] era uma criatura do chefe, sem espinha dorsal nem discernimento. E se anunciasse que estava doente? Mas isso seria extremamente penoso e suspeito, pois durante os cinco anos de serviço Gregor ainda não tinha ficado doente uma única vez. Certamente o chefe viria com o médico do seguro de saúde, censuraria os pais por causa do filho preguiçoso e cercearia todas as objeções apoiado no médico, para quem só existem pessoas inteiramente sadias mas refratárias ao trabalho.”12
- “[Aqueles em que Gregor havia começado a ganhar dinheiro como caixeiro-viajante] tinham sido bons tempos e nunca se repetiram, pelo menos não com esse brilho, embora Gregor mais tarde ganhasse tanto dinheiro que era capaz de assumir — e de fato assumiu — as despesas de toda a família. Tanto a família como Gregor acostumaram-se a isso: aceitava-se com gratidão o dinheiro, ele o entregava com prazer, mas disso não resultou mais nenhum calor especial. Só a irmã ainda havia permanecido próxima a Gregor […].”13
- “— Deixem-me ver Gregor, ele é o meu filho infeliz! Vocês não entendem que eu preciso vê-lo?”14
- “O grave ferimento de Gregor, que o fez sofrer mais de um mês — a maçã ficou alojada na carne como uma recordação visível, já que ninguém ousou removê-la —, parecia ter lembrado ao pai que Gregor, a despeito de sua atual figura triste e repulsiva, era um membro da família que não podia ser tratado como um inimigo, mas diante do qual o mandamento do dever familiar impunha engolir a repugnância e suportar, suportar e nada mais.”15
- “Quem nessa família sobrecarregada e exausta tinha tempo para se ocupar de Gregor mais que o absolutamente necessário?”16
- “[Os novos inquilinos] Não suportavam tralha inútil, muito menos suja. Além disso haviam trazido, em sua maior parte, o próprio mobiliário. Por esse motivo tinham se tornado supérfluas muitas coisas que na verdade não se podia vender, mas que também não se queria jogar fora. Todas elas migraram para o quarto de Gregor — mesmo a lata de cinzas e a lata de lixo da cozinha.”17
- “— […] Não quero pronunciar o nome do meu irmão diante desse monstro e por isso digo apenas o seguinte: precisamos tentar nos livrar dele. Procuramos fazer o que é humanamente possível para tratá-lo e suportá-lo e acredito que ninguém pode nos fazer a menor censura.”18
- “— […] Você simplesmente precisa se livrar do pensamento de que [o inseto] é Gregor. Nossa verdadeira infelicidade é termos acreditado nisso até agora. Mas como é que pode ser Gregor? Se fosse Gregor, ele teria há muito tempo compreendido que o convívio de seres humanos com um bicho assim não é possível e teria ido embora voluntariamente. Nesse caso não teríamos irmão, mas poderíamos continuar vivendo e honrar a sua memória. Mas como está, esse bicho nos persegue, expulsa os inquilinos, quer certamente ocupar o apartamento todo e nos fazer pernoitar na rua.”19


Opiniões eruditas sobre a obra
- Albert Camus: “A metamorfose, por sua vez, representa certeiramente a terrível iconografia de uma ética da lucidez. Mas é também produto do assombro incalculável que o homem experimenta ao sentir o animal em que ele se transforma sem muito esforço. Nessa ambiguidade fundamental reside o segredo de Kafka.”20
- Elias Canetti: “Em A metamorfose, Kafka atingiu o auge de sua maestria: escreveu algo que jamais poderia superar, porque não há nada que possa superar A metamorfose — uma das poucas grandes, perfeitas obras poéticas deste século.”21
- Gabriel García Márquez: “— Não [foi minha avó quem me permitiu descobrir que seria um escritor], foi Kafka que, em alemão, contava as coisas da mesma maneira que a minha avó. Quando li aos dezessete anos A metamorfose, descobri que ia ser escritor. Ao ver que Gregor Samsa podia acordar uma manhã transformado num gigantesco escaravelho, disse para mim mesmo: ‘Eu não sabia que se podia fazer isso. Mas se é assim, escrever me interessa.’ § De repente compreendi que existiam na literatura outras possibilidades além das racionalistas e muito acadêmicas que tinha conhecido até então nos manuais do colégio. Era como se despojar de um cinto de castidade.”22
- Philip Roth: “‘Não era sonho’, escreve Kafka, referindo-se aos momentos que se seguem imediatamente ao despertar de Gregor Samsa, em que ele constata que não é mais um responsável arrimo de família, e sim um inseto repugnante. O que é sonho, segundo Kafka, é o mundo de probabilidades, de proporções, de estabilidade e ordem, de causa e efeito — é o mundo confiável de dignidade e justiça que lhe parece absolutamente fantástico. Como Kafka acharia graça da indignação daqueles sonhadores que nos dizem todos os dias: ‘Eu não vim aqui para ser insultado!’”23
- Harold Bloom: “A metamorfose, como todas as narrativas kafkianas cruciais, ocorre em algum lugar entre a verdade e o significado — um ‘lugar’ idêntico à ruptura moderna do judaísmo com a tradição normativa. A verdade está na esperança, e nenhuma das duas está disponível para nós, enquanto o significado está no futuro ou na era messiânica, e não alcançaremos nem um, nem a outra.”24
- Reiner Stach: “Quanto mais o degradado em inseto deixa a existência social para ser lançado a uma existência de criatura, mais amorosas são as luzes que iluminam a irmã. O que Gregor deseja dela não é exatamente compreensão […]. O que ele quer é a salvação da vida por meio da simbiose. A irmã, entretanto, se recusa e se bandeia para o lado do inimigo — uma ameaça que sempre fora presente para Kafka e que forneceu o ensejo para a escrita de A metamorfose.”25
- Theodor Adorno: “Se há esperança na obra de Kafka, ela se encontra nesses extremos, e não nas fases mais brandas: na capacidade de enfrentar o pior transformando-o em linguagem. […] Em A metamorfose, o percurso da experiência pode ser reconstruído a partir da literalidade, como uma extensão das linhas. ‘Esses caixeiros-viajantes são como insetos’ — essa é a expressão alemã que Kafka deve ter capturado, espetado como um inseto. Insetos — não como insetos. O que se torna um homem que é um inseto do tamanho de um homem? […] O momento crucial […] para o qual tudo em Kafka converge é aquele em que os homens se dão conta de que não são eles mesmos — de que são eles mesmos coisas.”26
- Vladimir Nabokov: “Vocês terão notado o estilo de Kafka [em A metamorfose]. Sua clareza, a entonação precisa e formal em notável contraste com a matéria de pesadelo do conto. Nenhuma metáfora poética ornamenta a história severamente simples em preto e branco. A limpidez de seu estilo realça a riqueza sombria da fantasia. Contraste e unidade, estilo e assunto, método e trama estão perfeitamente integrados [na novela].”27
- Walter Benjamin: “As ‘preocupações de um homem de família’, que ninguém consegue identificar, são distorcidas; o inseto, o qual sabemos muito bem que representa Gregor Samsa, é distorcido; o grande animal, metade cordeiro, metade gatinho [descrito no conto O cruzamento, de Kafka], para o qual ‘a faca do açougueiro’ poderia ser ‘uma libertação’, é distorcido. Essas figuras de Kafka estão conectadas por uma longa série de figuras com o protótipo da distorção, o corcunda. Entre as imagens nas histórias de Kafka, nenhuma é mais frequente do que a do homem que inclina a cabeça sobre o peito […].”28
Adaptações e influência cultural
Livros
- Em ‘I always wanted you to admire my fasting;’ or, Looking at Kafka (1973), conto-ensaio de Philip Roth, Franz Kafka sobrevive à tuberculose e, uma vez refugiado nos Estados Unidos, torna-se professor de hebraico em uma escola de Newark, Nova Jérsei. A frase-título é um excerto de Um artista da fome (1922), também de Kafka.
- Em O falador (1987), de Mario Vargas Llosa, o estudante Saúl, grande admirador de A metamorfose, dá a seu papagaio de estimação o nome de Gregor Samsa.
- No primeiro capítulo de Only begotten daughter (1990), de James Morrow, o solitário Murray Katz se pergunta “que tipo de livro infantil Kafka teria escrito”: algo iniciado com “Gregor Samsa estava tendo uma manhã horrível…”, talvez?29
- Em Shoebag (1990), de Marijane Meaker (sob o pseudônimo “Mary James”), a jovem barata Shoebag acorda metamorfoseada em um menino humano e precisa aprender a lidar com sua nova condição. Entre os personagens do romance, o jovem Gregor Samsa é quem ensina o protagonista a conduzir interações sociais e lhe apresenta o “ritual” pelo qual Shoebag pode voltar à sua antiga forma.
- Em Bride of the rat god (1994), de Barbara Hambly, o caprichoso diretor de cinema Mikos Hraldy acredita, por um momento, que uma adaptação de sua autoria de A metamorfose seria, além de um sucesso estrondoso, capaz de dar “um novo significado para o cinema moderno”30.
- Em Insect dreams: the half life of Gregor Samsa (2002), romance de Marc Estrin, a “barata-Gregor”, inicialmente vendida a um circo vienense, atravessará a Europa e os Estados Unidos da primeira metade do século XX travando contato com grandes personalidades da filosofia, da política e da ciência.
- Anxious pleasures: a novel after Kafka (2007), de Lance Olsen, reconta o enredo da novela original do ponto de vista dos familiares de Gregor e de novos personagens, como um aspirante a escritor e uma jovem leitora londrina.
- “Parece algo saído de Kafka. Em vez de acordar uma barata gigante, acordei em uma colônia penal”31, diz o adolescente Garrett Durrell sobre o “acampamento correcional” em que acaba de passar cinco meses, em Boot camp (2007), de Todd Strasser.
- Em Kockroach (2007), de William Lashner (sob o pseudônimo “Tyler Knox”), uma barata acorda num quarto de hotel em Nova Iorque e se percebe transformada em um ser humano.
- Em The meowmorphosis (2011), releitura mash-up da novela de Kafka por Coleridge Cook, Samsa acorda de seus sonhos transformado não em um inseto monstruoso, mas em uma gatinha adorável.
- My first Kafka: runaways, rodents and giant bugs (2013), livro de Matthue Roth ilustrado por Rohan Daniel Eason, adapta A metamorfose e os contos Excursão às montanhas (1912) e Josephine, a cantora, ou O povo dos ratos (1924), ambos também de Kafka, para o público infantil.
- O conto Samsa apaixonado [Samsa in love], de Haruki Murakami, publicado na revista The New Yorker em outubro de 2013 e mais tarde na coletânea Homens sem mulheres (2017), abre com a frase: “Ele acordou e descobriu que, tendo passado por uma metamorfose, havia se tornado Gregor Samsa”32. A história se concentra no encontro de Gregor com a aprendiz corcunda de um serralheiro.
- No conto The vermin episode, da coletânea Scouting for the reaper (2014), de Jacob M. Appel, um rabino tenta providenciar um “enterro judaico adequado” para os restos mortais de Gregor.
- Kafka’s roach: the life and times of Gregor Samsa (2017), outro romance de Estrin baseado na novela de Kafka, leva Samsa a cruzar o Atlântico para desempenhar um papel central na história dos Estados Unidos das décadas de 1920, 1930 e 1940.
- Em A barata (2019) de Ian McEwan, o inseto Jim Sams acorda e se percebe metamorfoseado em um ser humano — especificamente, no primeiro-ministro da Grã-Bretanha.
Filmes
- La metamorfosis (1962), do venezuelano Ángel Hurtado, baseado na tradução de Jorge Luis Borges da novela de Kafka
- Die Verwandlung (1975), filme de Jan Němec para a televisão que adota exclusivamente o ponto de vista de Gregor, sem revelar sua aparência
- The metamorphosis of Mr. Samsa (1977), curta-metragem de animação de Caroline Leaf
- Metamorphosis (1989), episódio-filme do seriado televisivo Theatre Night, que reunia adaptações de peças teatrais clássicas e contemporâneas
- La metamorfosis de Franz Kafka (1993), curta-metragem de Carlos Atanes que adaptou “livremente” a novela original
- Prevrashchenie (2002), de Valeri Fokin
- Metamorphosis (2004), curta-metragem espanhol de Fran Estévez
- Metamorphosis (2012), de Chris Swanton, uma adaptação razoavelmente fiel à novela de Kafka
- Swaroopa (2017), do srilanquês Dharmasena Pathiraja, que transporta o enredo para o fim do período colonial e início do período pós-colonial do Sri Lanka
- Metamorphosis (2020), de Anna Rudichenko, curta-metragem de animação em que Samsa, agora um veterano da Segunda Guerra Mundial, vive apenas com o pai e a irmã mais nova
- Na comédia Kuthiraivaal (2022), de Manoj Leonel Jason e Shyam Sunder, o bancário alcoólatra Freud acorda não transformado em um inseto, mas possuindo um rabo de cavalo
Menções em filmes
- Em Primavera para Hitler [The producers] (1967), assim como em sua adaptação como musical para os palcos (2001) e para o cinema (2005), o produtor de teatro Max Bialystock lê para o parceiro de trabalho Leo Bloom a primeira frase de A metamorfose, que considera “boa demais”.
- Na paródia de ficção científica S.O.S.: Tem um louco solto no espaço [Spaceballs] (1987), quando o coronel Sandurz ordena “preparar a nave para a Metamorfose” (no caso, a transformação da nave Spaceball 1 no robô Mega Maid), o comandante Capacete Negro acrescenta: “Pronto, Kafka?”
- Em Franz Kafka’s It’s a wonderful life (1993), curta-metragem cômico de Peter Capaldi, Kafka tenta escrever a frase de abertura de A metamorfose. Pouco inspirado e sofrendo muitas interrupções durante a tarefa, ele considera transformar Gregor inclusive em uma banana ou um canguru.
- Em Por água abaixo [Flushed away] (2006), assim que parte da cozinha do pai de Rita desaba (levando o fogão consigo), uma barata, até então escondida atrás do aparelho, é revelada fumando um cachimbo e lendo uma edição francesa de A metamorfose. “A new stove might be nice” (“Um fogão novo seria bom”), diz ela. Clique aqui para assistir à cena.
Seriados
- No tokusatsu Kamen Rider (1971–73), o bordão “Henshin!”, usado por quase todos os Kamen Riders antes de sua transformação, coincide com o título que a novela de Kafka recebeu no Japão: “変身” (henshin, isto é, “transformação” ou “metamorfose”). Especula-se que Toru Hirayama, um produtor do seriado, tenha sugerido a palavra ao considerar que os Kamen Riders, homens transformados em super-heróis insetoides, faziam lembrar a premissa central de A metamorfose33.
- No episódio Deal me out (1973), da segunda temporada do seriado de humor negro M*A*S*H, o psiquiatra Sidney Freedman conta ao cabo Klinger as tentativas mais criativas de outros soldados de sair do Exército. Ele menciona um homem que, insistindo ser uma barata, rastejava pelos rodapés. “Era o soldado Kafka, eu acho”, acrescenta o cirurgião Hawkeye.
- No episódio Cicely (1992), da terceira temporada de Northern Exposure, Franz Kafka chega a Cicely para se encontrar com Roslyn e, se possível, superar seu bloqueio criativo. Depois de conseguir conceber a premissa de A metamorfose com a ajuda de Maggie, o escritor e a nova parceira iniciam um longo relacionamento.
- No episódio Fight! Dyna vs. Dyna (1998), de Ultraman Dyna, Dyna enfrenta o guerreiro alienígena Gregore Man, nomeado em homenagem a Gregor Samsa por sua capacidade de se transformar em outros indivíduos.
- No episódio Metamorfose [Metamorphosis] (2001), da primeira temporada de Smallville, o aluno da Escola Secundária de Smallville Greg Arkin adquire “poderes” semelhantes aos de um inseto. “Se ele realmente deu uma de Kafka…”, diz a colega Chloe Sullivan a Clark, enquanto investigam o caso, “tomara que não esteja na fase de acasalamento”.
- No seriado tokusatsu Tokusou sentai Dekarenjâ (2004), o criminoso Zamuzan Sheik, que se apresenta como um “besouro”, é natural do planeta Zamuza (pronuncia-se Zam-za, como o sobrenome de Gregor), uma referência ao protagonista da novela de Kafka.
- No episódio Malte’s notebook, do seriado sul-coreano O inferno são os outros [Taineun jiokida] (2019), você verá o dentista Seo Moon-jo lendo a edição de A metamorfose que furtou do vizinho Yoon Jong-woo, protagonista da produção.
- No episódio Ex-libris (2022), da sexta temporada de Riverdale, Jughead Jones a princípio teme estar se transformando em um inseto depois de falhar em localizar, a mando do feiticeiro Percival Pickens, a edição de A metamorfose que se esqueceu de devolver à biblioteca local.
Televisão
- No game show infantil Where in the world Is Carmen Sandiego?, como no episódio The Blarney burglary (1992), o apresentador Greg Lee vez ou outra recebe informações privilegiadas da “barata” Kafka, uma hóspede do Roach Hotel — um hotel de baratas.


Desenhos animados e animes
- No episódio A lenda revive! Os antepassados de Goku (1989), de Dragon Ball Z, Gregory, mordomo do senhor Kaiô, é um grilo falante capaz de levitar que Goku deve atingir com uma marreta.
- No episódio La métamorphose (1998), da primeira temporada do desenho animado francês Oggy e as baratas tontas [Oggy et les cafards], o gato Oggy acorda transformado em barata depois de comer, antes de dormir, um pedaço de “chocolate brilhante”.
- No episódio Director’s cut (2001), da primeira temporada de Filmes caseiros [Home movies], Brendon a princípio se recusa a dirigir a Franz Kafka rock opera, musical baseado em A metamorfose.
- No episódio Arthur’s snow biz/Bugged (2003), de Arthur, Alan “Cérebro” Powers, temendo ser um estorvo para os amigos, tem um pesadelo em que, vendo-o transformado em um grande inseto, seus colegas mais próximos o perseguem e tentam esmagá-lo.
- No episódio Mid-life chrysalis (2004), da primeira temporada de Os irmãos Aventura [The Venture bros.], Rusty Venture se transforma em uma lagarta gigante, que ele mesmo descreve como “um pesadelo inexplicavelmente arrancado das páginas de Kafka”.
- No episódio Koi no kyupitto da yo! Dokuro-chan!, da primeira temporada do anime Bokusatsu tenshi Dokuro-chan (2007), Gregor Samsa é surpreendido não pela própria “metamorfose”, mas por uma sugestiva ereção matinal.
- No episódio Tormento [Manatsu oni matsuri], do anime Godzilla Ponto Singular [Gozilla Singular Point] (2021), a inteligência artificial Pelops II, “assistente virtual” da pós-graduanda Mei Kamino, pergunta à pesquisadora o que ela faria se acordasse transformada em um inseto monstruoso. “Gregor Samsa?”, Kamino pergunta de volta.
- Em A metamorfose, primeiro episódio de Parasita (2014), o ginasial Shinichi Izumi acorda em sua cama e imediatamente nota que, tomada por um parasita desconhecido, sua mão direita usava o computador enquanto ele, Shinichi, ainda dormia.
- Na websérie Humans-B-Gone! (2021–), o professor Gregorsa é uma barata gigantesca cujo nome homenageia Gregor Samsa.
Teatro, ópera e balé
- Metamorphosis (1969), de Steven Berkoff, alia a expressividade do teatro físico a uma montagem minimalista para comunicar o absurdo da desumanização de Gregor.
- Metamorphosis (1982), ópera de Brian Howard que usa o texto de Berkoff como libreto, foi encenada pela primeira vez pela Victoria State Opera em setembro de 1983, no St. Martin’s Theatre, Melbourne, Austrália
- Metamorphosis (1989), adaptação de Berkoff para a Broadway, foi encenada de março a julho de 1989, estrelada, na noite de estreia, por Mikhail Baryshnikov (como Gregor); a produção deu origem ao episódio-filme Metamorphosis (1989), do seriado britânico Theatre Night
- Metamorphosis (2006), coprodução entre a companhia islandesa Vesturport e o Teatro Lírico Hammersmith, de Londres, foi adaptada e dirigida por Gísli Örn Garðarsson e David Farr, com trilha sonora de Nick Cave e Warren Ellis; o número percorreu muitos países, da Coreia do Sul à Austrália
- The metamorphosis (2011), adaptação para balé com coreografia de Arthur Pita, estreou no Teatro de Estúdio Linbury da Royal Opera House, em Londres
Rádio
- The metamorphosis by Franz Kafka (1982), radionovela adaptada e dirigida por Erik Bauersfeld e produzida pela The Mind’s Eye, até então uma das maiores produtoras de radionovelas dos Estados Unidos.
- Franz Kafka: Metamorphosis (2006), série em quatro episódios produzida pela BBC Radio 4, adaptou a novela de Kafka para o rádio com narração de Benedict Cumberbatch.
- Help me, doctor (2007), um episódio do programa de rádio WireTap, da CBC Radio One, une o universo de A metamorfose ao da obra do Dr. Seuss. Em julho de 2012, o episódio foi retransmitido no episódio 470 de This American life.34
- Kafka’s Metamorphosis (2017), adaptação bem-humorada de Alan Harris dirigida por James Robinson para a BBC Radio 4, foi transmitida em junho de 2017, novembro de 2018 e novembro de 2020.
Música
- Em uma alusão à novela de Kafka, a arte de capa do álbum Metamorphosis (1975), da banda de rock britânica The Rolling Stones, substituiu a cabeça de cada um dos músicos pela de um inseto.
- Metamorphosis (1988), de Philip Glass, é um arranjo em cinco movimentos inspirado no romance de Kafka. Partes da composição já foram empregadas na trilha sonora dos seriados Battlestar Galactica e Person of interest, além de na do filme As horas [The hours] (2002), em que Metamorphosis II rendeu a Glass indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor trilha sonora (2003).
- Uma barata chamada Kafka (1989), canção cômica de pop rock da banda brasileira Inimigos do Rei
- Na letra da canção Imitation leather shoes, do álbum Don’t tell the band (2001), da banda de rock Widespread Panic, a condição do “inseto protagonista” — incapaz de falar, temido pela mãe, atormentado pela irmã — é muito semelhante à de Gregor Samsa.
- No sir, nihilism is not practical (2004), álbum da banda de metal cristão Showbread, faz algumas referências a A metamorfose. “Você trancou o bicho (ou inseto; vermin, no original) no outro quarto”, diz a letra de Mouth like a magazine. “Gregor morreu de fome, ninguém morre de solidão”, canta Sampsa meets Kafka (o erro em Sampsa é proposital).
- Na letra de Die Verwandlung, do álbum Coronachs of the Ω (2014), da banda de funeral doom metal Wijlen Wij, o eu lírico, transformado em um enorme inseto, acorda em seu quarto e estranha sua nova condição — uma adaptação direta dos primeiros parágrafos de A metamorfose.
- Insect (2017), do rapper sueco Bladee, faz alusão à novela de Kafka com o refrão “Na vida, perdi o interesse; agora sou um inseto”.
- Samsa (2023), do vocaloid japonês Teniwoha, foi escrita em referência a A metamorfose (como nos trechos “Não jogue a maçã em mim” e “Voe para longe”). O videoclipe da canção exibe muitas imagens de insetos.
- The roach (2023), do cantor ganês-australiano Genesis Owusu, faz referência direta à obra nos versos: “Me sentindo como Gregor Samsa, um inseto na engrenagem de um câncer de paredes cinzas”.
Quadrinhos
- Calvin e Haroldo [Calvin and Hobbes], tira de jornal da autoria de Bill Watterson, faz muitas referências a A metamorfose. Na tira de 8 de novembro de 1987, por exemplo, Haroldo diz a Calvin que, “se não ganhar um beijo de boa noite, você tem sonhos de Kafka”. Pouco depois, os dois descobrem um enorme percevejo sob a roupa de cama.35
- Em Good ol’ Gregor Brown (1990), uma tira mashup de A metamorfose e Peanuts criada por Robert Sikoryak, Charlie Brown — agora, Gregor Brown — é o inseto que desperta a ira da irmã e do pai. Nos últimos quadrinhos, a faxineira que o encontra morto é o cãozinho Snoopy.
- Kafka de Crumb [Introducing Kafka] (1993), biografia ilustrada do autor tcheco pelo cartunista Robert Crumb, inclui uma adaptação em quadrinhos de A metamorfose.
- Em uma clara referência à novela, na sexta edição de Bart Simpson’s Treehouse of horror (2000), da franquia Os Simpsons, Homer é transformado em um enorme inseto, evento que desafia a aceitação de sua família e amigos.
- Na tira de 14 de fevereiro de 2000 de FoxTrot, criação de Bill Amend, Peter Fox lê A metamorfose quando o irmão Jason o interpela sobre a história. Fascinado ao descobrir que Samsa simplesmente acorda em sua nova forma, Jason sugere que talvez deva tirar mais sonecas. “Acredite em mim”, retruca Peter, “você já é uma peste o bastante do jeito que está”.
- A metamorfose [The metamorphosis] (2003), do quadrinista americano Peter Kuper, é uma releitura cômica da obra de Kafka para graphic novel.
- Em Sayonara, Zetsubou-Sensei (2005–12), de Koji Kumeta, A metamorfose é a narrativa favorita da colegial Fuura Kafuka, que recebeu seu nome em homenagem ao autor tcheco.
- Em uma edição de domingo de Liō (2006–), tirinha de jornal criada por Mark Tatulli, Liō come Kafka Krunchies com metamorshmallows no café da manhã. Fazendo as vezes da “surpresa” prometida pela embalagem, uma barata rasteja para fora da caixa do cereal.
- The metamorphosis (2008), da editora japonesa East Press, é um dos volumes da linha Mangá de Dokuha (“Lendo com mangá”), coleção de adaptações de clássicos da literatura mundial para mangá.
- Em Johnny the homicidal maniac (2009), história em quadrinhos independente de Jhonen Vasquez, Johnny (Nny) acredita que as baratas de seu porão sejam uma única barata imortal que ele deve matar repetidamente, à qual dá o nome de “Sr. Samsa”.
- Em Tokyo Ghoul (2011–14), série de mangá de Sui Ishida, o jovem protagonista Ken Kaneki é transformado em meio-ghoul — criatura que, embora humanoide, se alimenta de carne humana. No segundo capítulo da obra, ao refletir sobre sua condição, Kaneki diz: “Em uma das histórias mais famosas de Franz Kafka, um jovem se transforma em um inseto gigante. Eu a li quando estava na 5ª série. Na época, imaginei como seria se me transformasse em um inseto gigante”.
- Em Deadpool Killustrated (2013), da Marvel Comics, Deadpool invade o apartamento de Samsa e o mata a tiros.
- No capítulo My life as a teenage squirrel (2020), de Housepets! (2008–23), série de quadrinhos de Rick Griffin, Marion Ward, que acaba de se ver transformada em esquilo, retoma a leitura de A metamorfose a fim de descobrir se e como Samsa “voltou ao normal”.
- Em Kaiju n.° 8 (2020–5), série de mangá com texto e ilustrações de Naoya Matsumoto, o protagonista Kafka Hibino é um homem capaz de se transformar em kaiju, um monstro cujo corpo é, no seu caso, coberto de escamas e placas.
Jogos de tabuleiro
- Em Werewolf: The apocalypse (1992), também um RPG de mesa de ficção científica, os Samsa são uma raça de metamorfos capazes de assumir a forma de baratas. Uma de suas aparências é chamada ungeziefer, mesmo termo usado por Kafka para nomear o animal em que Gregor se transforma.
- Eclipse phase (2009), RPG de mesa de ficção científica transumana, tem como personagens os samsas, insetos humanoides intimidadores, semelhantes a baratas, geralmente usados em combate.
Videogames
- Em Bad mojo: The roach game (1996), vagamente baseado em A metamorfose, o entomologista Roger Samms (cujo nome é um anagrama imperfeito de Gregor Samsa) planeja enriquecer desviando parte de uma verba de pesquisa. Antes disso, porém, o medalhão encantado de sua mãe acidentalmente o transforma em uma barata.
- Uma Pokédex oficial lançada apenas no Japão (1996) faz referência a The transformation, um conto vencedor do Prêmio Literário Pokémon. Parafraseando a da novela de Kafka, a frase de abertura da história seria “Ao acordar certa manhã, um garoto com poderes psíquicos se viu, em sua cama, transformado em um Kadabra”.36
- O RPG de luta Sonny: 2 (2009) inclui uma batalha no metrô contra a barata Gregor, capaz de atirar maçãs e usar a piedade dos adversários como arma.
- No jogo de luta Skullgirls (2012), a criatura metamorfa que parasita a lutadora Filia Medici se chama Samson. Um dos movimentos especiais de Filia durante o combate, o ataque “Gregor Samson”, permite a Samson gritar “Metamorfose!”
- Em Bayonetta: 2 (2014), uma das armas de Bayonetta é o arco Kafka, cujos adornos remetem ao mundo dos insetos. O arco foi feito a partir de um homem que, tendo amaldiçoado outro, foi transformado em um inseto. Ainda “vivo” dentro de parte da arma, ele dispara flechas venenosas contra os adversários. Jeanne, melhor amiga da protagonista, é dona de Samsa, uma imitação do arco de Bayonetta.
- Resident evil: Revelations 2 (2015) faz referências frequentes à obra de Kafka — o título de seu quarto episódio é, por exemplo, Metamorfose. Algumas “telas de carregamento” do jogo também exibem citações de Kafka, entre elas trechos de A metamorfose. Aficionada pelo escritor, a antagonista Alex Wesker chega a se comparar com ele e com o personagem Gregor Samsa.
- Segundo a descrição de Bug Birdie, microjogo da coletânea WarioWare Gold (2018), Wario descobriu, ao acordar, que havia se transformado em um inseto (no seu caso, um besouro rola-bosta).
- Metamorphosis (2020), do estúdio polonês Ovid Works, é um jogo de aventura em primeira pessoa em que Gregor Samsa, repentinamente transformado em inseto, tenta recuperar sua forma humana. Em outra referência à obra de Kafka — desta vez ao romance O processo — Samsa descobre, com o desenrolar da trama, que o amigo Joseph foi preso sem razão aparente.
- O jogo Honkai: Star rail (2023) permite aos jogadores controlar a personagem Kafka. Sua aparência incorpora traços de aracnídeos (uma referência, embora não exata, à transformação de Gregor). Assim como Grete Samsa, irmã de Gregor, Kafka toca violino durante a introdução do jogo e em uma de suas “animações ociosas” (movimentos das personagens de um videogame enquanto estão sendo mostrados em tela, mas ainda não controlados por nós).
- Em Limbus Company (2023), o “pecador” Gregor é uma referência direta a Gregor Samsa. O personagem tem a palavra alemã ungeziefer (a mesma usada por Kafka para se referir à criatura em que Samsa se transformou) tatuada no braço esquerdo, e seu braço direito foi substituído por uma imensa “perna de barata”.


A metamorfose (1979?), de Luis Fernando Verissimo
O conto-crônica A metamorfose (1979?37), do gaúcho Luis Fernando Verissimo, inverte a premissa da obra de Kafka ao narrar a história de uma barata que se vê, da noite para o dia, transformada em um ser humano. Diferentemente do que vemos na novela original, a então milionária Vandirene volta, muitos anos mais tarde, à forma de inseto.
Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: ‘Que horror… Preciso acabar com essas baratas…’
Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?… Tinha educação?…. Referências?… Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira.
Difícil era ser gente… Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregado… Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica.
Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: ‘Meu Deus!… A casa foi dedetizada há dois dias!…’. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida.
Kafka não significa nada para as baratas…
Os temas de Kafka e Verissimo não estão muito distantes entre si. Em ambas as histórias topamos, por exemplo, com personagens que desprezam e procuram exterminar uma forma de vida que consideram inferior, não importa quão próximos dela sejam ou tenham sido. Em conjunto, a irmã, o pai e a mãe de Gregor se convencem de que Samsa, seu irmão e filho, deve ser eliminado. No texto de Verissimo, o caso é mais grave: é a própria recém-humana Vandirene quem pensa em “acabar com as baratas” das quais era colega de espécie há poucos segundos.
Gregor e Vandirene têm, aliás, um traço em comum: alienados a tal ponto por seus estilos de vida, os dois ignoram por completo o absurdo que os atingiu e se deixam absorver por questões práticas como o trabalho ou o patrimônio. Embora acabe de se descobrir transformado em um inseto, por exemplo, Samsa não se preocupa com a nova condição, mas com a chance de se atrasar para o próximo trem que o levaria ao trabalho. Enquanto volta ao corpo de barata, por sua vez, Vandirene dedica o último pensamento a suas aplicações financeiras, que acredita que o marido, em breve viúvo, esbanjará.
Metamorfose (2001), outro conto de Veríssimo
Verissimo voltou a parodiar a obra kafkiana com Metamorfose, conto publicado pelo jornal O Globo em 9 de setembro de 2001. Desta vez, é Gregório Souza quem, depois de uma noite de sonhos intranquilos, acorda e se vê transformado no próprio Franz Kafka. Atordoado, Souza percorre as ruas de uma cidade tcheca “em busca de justiça” por sua nova condição.
Quando Gregório Souza acordou certa manhã de uma noite mal dormida cheia de sonhos perturbadores, olhou seus pés que emergiam da outra extremidade da coberta curta e viu que tinha se transformado em Franz Kafka. Na verdade, levou algum tempo para descobrir quem era. Começou certificando-se que aqueles pés, decididamente, não eram os dele. Examinou-os com interesse e deduziu que eram pés da Europa Central, possivelmente checos. Mas só quando sua mãe entrou no quarto e ele respondeu ao seu ‘bom-dia!’ em checo, espantando-se tanto quanto a ela, deu-se conta de quem era.
Não sabia explicar como acontecera aquilo. Não só ele era Kafka como toda a situação era puro Kafka. Sua mãe gritando, perguntando quem ele era e o que estava fazendo na cama do seu filho — pelo menos ele imaginava que era isto que ela dizia, pois não conseguia entendê-la — e ele, apalpando-se, ao mesmo tempo assustado e maravilhado, eu Franz Kafka!
Levantou-se da cama e foi se olhar no espelho, enquanto sua mãe corria do quarto para chamar seu pai, que chamou a polícia, que veio e cercou o prédio errado, causando uma enorme confusão no trânsito e ferimentos a bala em três pessoas, e viu que era mesmo Franz Kafka, com as olheiras e tudo. Foi preso. Tentou inutilmente se comunicar com os policiais mas nenhum falava checo ou alemão. Tentaram levá-lo para a delegacia no carro da polícia, mas nada se mexia no trânsito engarrafado e um camelô meteu a cabeça para dentro do carro e ofereceu ‘Saquinho de limão, doutor? Limpador de pára-brisa? Assistência legal?’, que Kafka aceitou, tanto que quando os policiais decidiram bater nele ali mesmo e jogá-lo na calçada foi seu advogado que o levou a um hospital, onde ele esperou uma hora na fila de um guichê só para dizer se era conveniado ou se era pelo SUS.
Em seguida, foram à repartição competente para regularizar sua situação como estrangeiro no país e quando Kafka indicou, com gestos, que não tinha dinheiro para pagar seus serviços, já que a carteira de Gregório Souza estava vazia, o advogado sorriu, levantou a palma da mão e disse ‘Xacomigo’.
Com a situação de Kafka regularizada por meio de uma propina e um documento de identidade provisório para seu cliente comprado de outro camelô, o advogado daria entrada com um pedido de pensão da Previdência Social, pois o fato de ter-se transformado em checo da noite para o dia o abalara psiquicamente, e os dois ganhariam uma fortuna, ainda mais que o advogado tinha um cúmplice na previdência que acrescentava zeros às guias de pagamento, quanto zeros se quisesse. A todas estas Kafka tomava notas, maravilhado.
Em casa, Kafka conseguiu acalmar os pais de Gregório e, com paciência, recorrendo a algumas palavras em inglês que sabia, explicou o que tinha acontecido. Para sua sorte — e para a sua surpresa, pois antes de morrer dera ordens para que toda sua obra fosse queimada — havia um livro de Kafka numa prateleira do quarto de Gregório, com sua fotografia na capa, e os pais acabaram compreendendo que aquilo tudo era um tipo de acontecimento literário, talvez uma parábola, e que Gregório não corria perigo, salvo o de perder seu emprego na companhia de seguros.
Adotaram o filho substituto. E com sua situação doméstica resolvida, o português que aprendeu ouvindo as novelas e lendo as traduções dos seus próprios livros e o dinheiro que o advogado conseguiu da Previdência — R$ 500 milhões — Kafka se sentiu em condições de recomeçar a carreira literária interrompida com sua morte. Comprou um computador e preparou-se para escrever o seu primeiro livro brasileiro, apenas duvidando que estivesse à altura da tarefa.
Ainda em 2001, o conto foi incluído pelo escritor Flávio Moreira da Costa na coletânea Os 100 melhores contos de humor da literatura universal38.
Curiosidades sobre A metamorfose
‘Transformação’, não ‘metamorfose’
“[…] nunca soube por que todos decidiram chamá-lo [ao “conto” de Kafka] de A metamorfose. É um disparate”, resmungou Jorge Luis Borges na entrevista que daria origem ao artigo Um sonho eterno, de 2015. “Eu não sei quem teve a ideia”, prosseguiu ele, “de traduzir assim essa palavra do mais simples alemão.”39
Borges se referia ao título da novela — que, se traduzido ao pé da letra do alemão Die Verwandlung, deveria chegar a nós como A transformação, e não A metamorfose. Considerando o preciosismo vocabular de Kafka, podemos supor que o autor torceria o nariz para o termo que, na maioria dos países, hoje estampa a capa de sua obra mais popular. Embora exista no alemão o substantivo Metamorphose (mais usado para nomear o processo da mudança de aparência pelo qual passam alguns insetos e anfíbios), Kafka preferiu o genérico Verwandlung — que diz respeito a qualquer transformação.
Kafka escreveu a novela em menos de três semanas
Então com 29 anos, Kafka escreveu A metamorfose de 17 de novembro a 7 de dezembro de 1912, e a leu para os amigos mais próximos em duas oportunidades: em dezembro daquele ano e em março de 191340.
“Quase publicada” pelas importantes editoras Kurt Wolff e S. Ficher, com cujas promessas Kafka ficara esperançoso, a novela finalmente veio a público na revista Die weißen Blätter (“As folhas brancas”, uma importante publicação expressionista do período) em outubro de 1915, cerca de dois anos e dez meses depois de escrita41.
O escritor não se orgulhava do fim da história
Em outubro de 1913, Franz Kafka registrou em seu diário que, relendo A metamorfose, considerara o texto “ruim”42. Em janeiro de 1914, suas palavras se tornariam mais duras: “Grande aversão à Metamorfose. Final ilegível. Imperfeito quase até a medula. Teria ficado muito melhor se, na época, a viagem de trabalho não houvesse me perturbado.”43
O desprezo pela própria obra, contudo, não era absoluto. Melancólico e atormentado, alguns dias mais tarde o escritor diria que a revisão da novela é um dos poucos elementos da rotina que lhe dão “solidez e certa esperança” em meio aos desafios que precisa enfrentar44.
Em que inseto Gregor Samsa se transformou? Seria uma barata?
Não — ou não necessariamente. No texto alemão original, Kafka usa a expressão “ungeheuren Ungeziefer” para descrever o que Gregor se tornou45. Se a tradução de ungeheuren não é um desafio, porém (“enorme”, “tremendo” e “monstruoso” são suas acepções mais comuns), Ungeziefer é, por outro lado, um termo problemático. Podemos traduzi-lo por “bicho” ou “praga”, por exemplo — um substantivo vago que se refere a pequenos animais “repulsivos” como alguns insetos.
A indefinição, é claro, foi proposital. Seriamente empenhado em “esconder” do público sua criatura, Kafka rogou a Georg Meyer, gerente da editora que publicaria a novela, que não houvesse nenhum inseto na capa do livro. “Isso não, isso não, por favor! […] O inseto não pode ser desenhado. Ele não pode nem ser mostrado de longe”, apelara46. Seus pedidos felizmente chegaram ao ilustrador Ottomar Starke, que não o contrariou.
Seja como for, “barata” não parece ser a aposta mais sensata para quem quiser especular sobre a nova forma de Samsa. “Alguns estudiosos dizem ser uma barata, o que obviamente não faz sentido”, opinou Vladimir Nabokov, em defesa do Gregor-besouro, em Lições de literatura. “Uma barata é um inseto com formato chato e pernas grandes, e o corpo de Gregor nada tem de achatado: é convexo nos dois lados, ventre e dorso, e as pernas são pequenas.”47
“Sua única semelhança com uma barata”, arrematou o escritor, “está na cor marrom. Isso é tudo.”48
Quem foi Franz Kafka?
Franz Kafka nasceu em 3 de julho de 1883, em Praga (na atual República Tcheca, então parte do Império Austro-Húngaro), em uma família judaica de classe média. Filho de Julie Löwy e do severo comerciante Hermann Kafka, teve a infância marcada pela austeridade opressiva do pai, que mais tarde ecoaria em sua literatura. Kafka estudou Direito na Universidade Carolina de Praga, onde se graduou em 1906. Trabalhou, a princípio, na Assicurazioni Generali de Praga e, em seguida, no Instituto de Seguros contra Acidentes de Trabalho do Reino da Boêmia, na mesma cidade. “Sufocado” pelo trabalho apesar do sucesso como burocrata, reservava as madrugadas para escrever, por mais que isso o esgotasse física e mentalmente.49


Kafka publicou poucas obras em vida, entre elas O veredicto (1913), A metamorfose (1915) e Na colônia penal (1919). Embora admirado por um pequeno círculo de leitores, não alcançou reconhecimento internacional ou muito significativo. Afável e bem-humorado, ele levava, entretanto, uma vida íntima turbulenta, dominada pela angústia e, frequentemente, pelo desespero em relação ao futuro. Minadas por sua indecisão, suas relações amorosas nunca terminaram em casamento. Aos 34 anos, foi diagnosticado com tuberculose, doença então incurável.
Kafka morreu em 1924, aos 40 anos. Desobedecendo ao pedido expresso do autor, seu amigo e testamenteiro Max Brod recusou-se a destruir os manuscritos que ele deixara inacabados. É graças a Brod que conhecemos O processo (1925), O castelo (1926) e Amérika (ou O desaparecido, de 1927), por exemplo — todas obras de valor literário inquestionável. A obra de Kafka inspiraria escritores como Albert Camus, Jean-Paul Sartre e Jorge Luis Borges, que o consideraram um mestre na representação do absurdo. O adjetivo kafkiano, cunhado em sua homenagem, qualifica situações de opressão, estranhamento e “burocracia enlouquecedora”.
Perguntas frequentes sobre A metamorfose
- Quem escreveu A metamorfose? A novela A metamorfose foi escrita pelo tcheco Franz Kafka (1883–1924), então com 29 anos de idade, de 17 de novembro a 7 de dezembro de 1912.
- Em que ano foi publicada A metamorfose? A metamorfose foi originalmente publicada em outubro de 1915 pela revista mensal alemã Die weißen Blätter (“As folhas brancas”).
- Quantas páginas tem A metamorfose? A metamorfose é um livro breve: suas edições brasileiras mais populares têm entre 96 (extensão mais comum) a 232 páginas (extensão mais rara), incluindo textos complementares.
- Qual é a melhor tradução brasileira de A metamorfose? Há muitas traduções brasileiras da novela em circulação. Entre elas, merecem destaque as de Modesto Carone, professor da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e tradutor da obra completa de Kafka (Companhia das Letras); a de Petê Rissatti, professor do curso de Formação de Tradutores de Livros da Faculdade LabPUB, de São Paulo (Antofágica); a de Marcelo Backes, vencedor do Prêmio Paulo Rónai da Biblioteca Nacional pela tradução de Michael Kohlhaas e do Prêmio Nacional da Áustria pelo conjunto da obra (L&PM); e a de Marlene Holzhausen, doutora em Língua e Literatura Alemã pela USP e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA (Martin Claret). Sem exceção, todas as traduções são diretas do original alemão.
Leituras recomendadas sobre Franz Kafka e A metamorfose
- Diários: 1909–1923, de Kafka
- Kafka: os anos de discernimento, de Reiner Stach
- Kafka: os anos decisivos, também de Stach
- O último processo de Kafka: a disputa por um legado literário, de Benjamin Balint
- Lições de literatura, de Vladimir Nabokov
Referências
- De Leipzig, Alemanha. Veja Modesto Carone, A mais célebre novela de Kafka [posfácio]. In: Franz Kafka, A metamorfose. Tradução: Modesto Carone. Companhia das Letras, 1997. ↩︎
- Para uma consideração sobre o número de traduções da novela, confira Helmut Paul Erich Galle, Metamorfose à brasileira: sobre 22 traduções da novela Die Verwandlung, de Franz Kafka. Matraga – Revista do programa de pós-graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, v. 30, n. 60, p. 584 [583–604], 2023. ↩︎
- Carone, A mais célebre novela. Quando este artigo foi publicado (em dezembro de 2025), A metamorfose ainda figurava entre os dez livros mais vendidos da Amazon brasileira. ↩︎
- Elias Canetti apud Stanley Corngold, The metamorphosis: metamorphosis of the metaphor. In: Corngold, Franz Kafka: the necessity of form. Cornell University Press, 1988, p. 47 [47–89]. A tradução para o português é minha. ↩︎
- Vladimir Nabokov, Lições de literatura. Tradução: Jorio Dauster. Fósforo, 2021, cap. “Franz Kafka (1883–1924): A metamorfose (1915)”. ↩︎
- Para um comentário (de 1992) sobre a abundância de ensaios acadêmicos sobre A metamorfose, veja também Carone, O parasita da família: sobre A metamorfose de Kafka (Psicologia USP, São Paulo, v. 3, n. 1–2, p. 131 [131-41], 1992). ↩︎
- Kafka, A metamorfose, cap. 1. ↩︎
- Ibid., cap. 2. ↩︎
- Ibid., cap. 3. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid., cap. 1. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid., cap. 2. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid., cap. 3. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Albert Camus, A esperança e o absurdo na obra de Franz Kafka [anexo]. In: ______, O mito de Sísifo. 37. ed. Tradução: Ari Roitman e Paulina Watch. Record, 2018. ↩︎
- Canetti apud Corngold, op. cit. ↩︎
- Gabriel García Márquez, Cheio de goiaba. Tradução: Eliane Zagury. 12. ed. Record, 2020, cap. “O ofício”. ↩︎
- Ivan Klíma, Ivan Klíma [1990]. [Entrevista cedida a] Philip Roth. In: Roth, Entre nós: um escritor e seus colegas falam de trabalho. Tradução: Paulo Henriques Britto. Companhia das Letras, 2008. ↩︎
- Harold Bloom, Introduction. In: ______ (ed.), Franz Kafka’s The metamorphosis. Ed. rev. Infobase Publishing, 2008, p. 2. ↩︎
- Reiner Stach, Kafka: os anos de discernimento. Tradução: Claudia Abeling. Todavia, 2024, cap. 1. ↩︎
- Theodor Adorno, Notes on Kafka. In: ______, Prisms. MIT Press, 1982. A tradução para o português é minha. ↩︎
- Nabokov, op. cit. ↩︎
- Walter Benjamin, Franz Kafka: on the tenth anniversary of his death. In: ______, Illuminations: essays and reflections. Tradução para o inglês: Harry Zohn. Schocken Books, 2007, p. 133. A tradução para o português é minha. ↩︎
- James Morrow, Only begotten daughter. Gateway, 2013 [1990], cap. 1. ↩︎
- Barbara Hambly, Bride of the rat god. Open Road Media, 2011, cap. 14. A tradução é minha. ↩︎
- Todd Strasser, Boot camp. Simon & Schuster, 2007, p. 103. A tradução é minha. ↩︎
- Haruki Murakami, Samsa in love. The New Yorker, 21 out. 2013. A tradução para o português é minha. ↩︎
- Este tópico de uma wiki de Kamen Rider e este tópico de discussão no Reddit exploram o tema com detalhes. ↩︎
- Os episódios originais de WireTap infelizmente não estão disponíveis no site da CBC Podcasts, mas você pode encontrar quase todos eles nesta playlist não oficial criada no Spotify. ↩︎
- “If you don’t have a good night kiss, you get Kafka dreams”, no original inglês. A tradução é minha. ↩︎
- “As a psychic boy awoke one morning, he found himself transformed in his bed into a Kadabra”, no original. A tradução é minha. O conto mencionado na Pokédex é fictício e existe somente no universo Pokémon. Um Kadabra é um pokémon do tipo psíquico vagamente semelhante a uma raposa. ↩︎
- Identificar o meio e a data da publicação original é uma tarefa ingrata. Em sua tese de doutorado, Rogério Crizel afirma que, “escrito em 1982”, o conto foi publicado no jornal O Globo — mas não indica o ano ou o número da edição a que se refere. Também não fui capaz de encontrar o texto no acervo digitalizado d’O Globo. Para mais detalhes, leia Rogério de Lima Crizel, Herdeiros de Kafka: metamorfoses d’A metamorfose na literatura (2024; tese [Doutorado em Letras] – Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Rio Grande, 2024, p. 130). Neste documento do I Encontro da República Tcheca no Espírito Santo, o professor Wilberth Salgueiro cita o conto como integrante da coletânea Ed Mort e outras histórias, de 1979. O doutor em Estudos Literários Daniel Aparecido Burgos de Araújo faz o mesmo neste artigo para a revista Athena. ↩︎
- Veja Flávio Moreira da Costa (org.), Os 100 melhores contos de humor da literatura universal. 5. ed. Ediouro, 2001. ↩︎
- Jorge Luis Borges, Um sonho eterno. EL PAÍS, 11 abr. 2015. ↩︎
- Carone, A mais célebre novela. ↩︎
- Ibid. Por fim, Kafka foi publicado pela editora de Wolff (responsável pela Die weißen Blätter, que revelou a novela ao mundo), mas não como imaginava. As primeiras tratativas com Wolff criaram no escritor a expectativa de ver histórias suas reunidas em uma coletânea particular — algo muito distante do que veio a acontecer: em 1915, sem ter recebido sequer uma prova da edição, Kafka foi realmente surpreendido ao ver A metamorfose publicada na íntegra pela revista. Ver Stach, Kafka: os anos de discernimento, cap. 2. ↩︎
- Kafka, [Entrada de diário, 20 out. 1913]. In: ______, Diários: 1909–1923. Tradução: Sergio Tellaroli. Todavia, 2021. ↩︎
- ______, [Entrada de diário, 19 jan. 1914]. In: ______, Diários: 1909–1923. ↩︎
- ______, [Entrada de diário, 23 jan. 1914]. In: ______, Diários: 1909–1923. ↩︎
- Kafka, Die Verwandlung. 4. ed. Reclam Verlag, 2013, cap. 1. ↩︎
- ______, [Correspondência]. Destinatário: Georg Heinrich Meyer. Praga, 25 out. 1915 [B3 145]. In: Stach, Kafka: os anos de discernimento, cap. 2. ↩︎
- Nabokov, op. cit. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Esta minibiografia de Kafka se baseia em Carone, Sobre o autor (In: Kafka, A metamorfose); os editores da Encyclopædia Britannica, Franz Kafka (Encyclopedia Britannica, 19 dez. 2025); e Stach, Kafka: os anos de discernimento. ↩︎



