As técnicas de estudo mais e menos eficazes, segundo a ciência — e como usar todas elas a seu favor

As técnicas de estudo mais e menos eficazes, segundo a ciência — e como usar todas elas a seu favor

Quais são as melhores e piores técnicas de estudo? Conheça os achados da neurociência sobre as atividades que realmente nos ajudam a aprender mais e melhor.
Neste artigo

‘Criem resumos do conteúdo das aulas, à mão”, sugere seu professor de Geografia à turma, que se prepara para o primeiro exame do bimestre. Esnobe, seu colega de classe que parece ter nascido para gabaritar provas defende a superioridade dos mapas mentais. Embora calado(a), você se lembra de que sempre preferiu explicar a matéria para si mesmo(a) e, até então, se saiu bem com essa.

E agora? Pensando em eficácia objetiva, há mesmo caminhos melhores e piores nessa encruzilhada de opiniões e preferências?

Felizmente, sim. Nas últimas décadas, a ciência cognitiva tem explorado o tema com mais e mais frequência, oferecendo respostas confiáveis sobre o que de fato ajuda a fixar o conhecimento e o que nos dá apenas a impressão de que aprendemos.

Em 2013, o professor John Dunlosky, da Universidade Estadual de Kent, Ohio, e seus colegas de pesquisa deram à luz um dos artigos mais populares de suas carreiras: uma minuciosa revisão das dez técnicas de estudo mais usadas por nós, alunos1. Cada uma delas foi avaliada como sendo pouco, moderadamente ou muito útil quando se trata de aumentar nosso desempenho. Desde então, estudiosos de todo o mundo continuaram a se debruçar sobre o assunto, e hoje ainda mais dados embasam nossa decisão de como estudar.

A seguir, você encontrará um resumo “didático” dos resultados de Dunlosky e sua equipe, enriquecido aqui e ali por achados mais recentes. Em relação a cada uma das técnicas, você descobrirá por que ela deveria funcionar, como beneficia diferentes tipos de estudantes (você está entre eles), como se sai em contextos educacionais reais — em salas de aula, e não no ambiente controlado dos laboratórios — e em que ela deixa a desejar.

Aplicar técnicas de estudo poderosas não é tudo o que importa para garantir notas mais altas ou um progresso mais rápido nos estudos autodidatas. Em um plano abrangente de aprendizagem, as técnicas de estudo (estratégias meramente cognitivas) devem ser combinadas com estratégias metacognitivas e de gerenciamento de recursos para gerar os melhores resultados. Este artigo oferece uma visão mais ampla do tema e pode ajudar você a cuidar de sua vida intelectual com mais autonomia. Considere lê-lo antes de seguir adiante.

Releitura

Querida por quase todos nós — inclusive por estudantes de alto desempenho2 —, a releitura consiste em ler mais de uma vez o mesmo texto, consecutivamente ou em sessões próximas umas das outras. O primeiro caso (em que outra leitura segue imediatamente a primeira) é a forma mais comum de releitura — a que os cientistas deram o nome de releitura massiva3. Leituras de um mesmo material separadas por dias ou meses são o que chamamos de releituras espaçadas4. Um estudante de Psicologia que, no mesmo dia, lê duas ou três vezes o primeiro capítulo de O homem e seus símbolos está, querendo ou não, empregando a releitura como técnica de estudo.

  • Por que a releitura deveria funcionar? Há duas explicações alternativas para os efeitos da releitura5. A hipótese quantitativa sugere que a técnica aumenta somente a quantidade de informação que codificamos, sem alterar sua qualidade. A hipótese qualitativa, por outro lado, supõe que a releitura melhora o processamento das informações mais relevantes — como as ideias centrais de um texto —, promovendo uma compreensão mais organizada do conteúdo. A evidência científica favorece a segunda hipótese. Em muitos estudos, a releitura demonstrou melhorar mais o aprendizado de ideias centrais do que de detalhes secundários6.
  • Você pode se beneficiar dos efeitos da releitura? Os efeitos da releitura são notáveis em diferentes condições de aprendizagem: eles se aplicam tanto à leitura silenciosa quanto a apresentações auditivas7, quando lemos um único ou muitos textos8. Seja como for, você deve levar em conta o intervalo entre leituras: a releitura espaçada tende a produzir melhores resultados do que a massiva9. No caso da última, além disso, os ganhos de aprendizado costumam ser maiores depois de uma segunda leitura, decrescendo à medida que lemos mais e mais vezes10. Uma vez que cada nova leitura aumenta nossa familiaridade com o material e a fluidez com que o processamos11, alunos que confiam exclusivamente na releitura costumam acreditar que dominaram o conteúdo muito antes de tê-lo feito de fato.
  • Quais são os efeitos da releitura em contextos educacionais reais? Apesar da popularidade da técnica, até a publicação do trabalho de Dunlosky nenhum estudo havia avaliado seus efeitos em contextos de ensino “realistas” — isto é, usando materiais de cursos “do mundo real” e testes relativos ao conteúdo de disciplinas aprendidas em sala de aula12; assim, pesquisadores dificilmente poderiam garantir que a releitura nos beneficia em situações autênticas de aprendizagem. Em 2019, dois cientistas alemães começaram a preencher essa lacuna, mas seus resultados também não foram animadores: em um teste aplicado em sala de aula, nem mesmo a releitura espaçada gerou efeitos positivos sobre as notas de alunos da sétima série do Ensino Fundamental13.
  • Quais são os maiores problemas ao implementar a releitura? Se tivéssemos de eleger o grande ponto fraco da releitura, seriam seus resultados pobres em relação aos de outras atividades simples, como responder a questões ou elaborar questões por conta própria14. Além disso, a maioria dos estudos sobre a técnica foi realizada com universitários — o que nos impede de generalizar seus efeitos para outras faixas etárias. A tarefa também parece favorecer mais a mera memorização do que a compreensão profunda, e não temos evidências consistentes do seu desempenho em exercícios complexos. Por fim, suas vantagens também dependem de um espaçamento adequado entre leituras — o qual, é claro, nem sempre podemos garantir.

Apesar de pouco exigente em termos de tempo e treinamento, a releitura foi considerada por Dunlosky e seus colegas uma técnica de estudo pouco útil15.

Como usar a releitura de modo eficaz? Se estivesse prestes a encarar uma prova de ciências humanas, por exemplo — um leque de disciplinas que costumam exigir extensa memorização de fatos —, você poderia se preparar para a batalha lendo o capítulo de um livro por vez e voltando a lê-lo após um intervalo de 1 a 7 dias (ou mais, a depender do tempo restante até a prova), assim exercitando a releitura espaçada. Você pode otimizar a atividade se fizer perguntas a si mesmo(a) antes de iniciar a releitura, usando-a apenas para obter feedback sobre suas respostas. Dando um passo adiante, também pode explicar trechos do texto a si mesmo(a) durante a releitura, refletindo sobre o material a fim de tornar seu estudo mais e mais “ativo”.

O mundo da cultura, na sua caixa de entrada

Novidades, reflexões e trechos de grandes obras da literatura, aprendizagem e escrita criativa, todos os meses, no seu e-mail.

Este site é protegido pelo Google reCAPTCHA; aplicam-se a Política de privacidade e os Termos de serviço do Google. Ao prosseguir, você também concorda com os Termos de uso e Política de privacidade do site.

Grifar e sublinhar

Grifar e sublinhar passagens de um texto, a lápis ou com canetas e marca-textos, é outro de nossos hábitos de estudo mais comuns16. Intuitiva, a tarefa não exige treinamento ou muito tempo adicional. Em regra, recorremos a ela para destacar conteúdos que julgamos importantes, a fim de facilitar revisões futuras ou reforçar a memorização.

Ao ler um trecho sobre o processo de fotossíntese, por exemplo, você poderia sublinhar a frase “A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas convertem luz solar em energia química”, por ver nela uma definição central — ou, mais econômico(a), grifaria apenas “fotossíntese”, para dar ao termo todo o destaque possível.

  • Por que grifar e sublinhar trechos de texto deveria funcionar? A técnica parece promover o que a ciência chama de efeito de isolamento, um fenômeno cognitivo em que, em um dado conjunto, os itens destacados ou distintos são mais lembrados17. Ao grifar o trecho de um texto, você o torna mais perceptível visualmente, o que permite memorizá-lo com menos esforço. Ao selecionar o que é ou não digno de marcação, você também precisa refletir sobre o conteúdo, o que envolve processar informações de modo organizado e, com isso, ativar mecanismos cognitivos que favorecem a retenção18. Beneficiadas pelo efeito geração19, as marcações que você mesmo(a) faz em seu material exigem o processamento ativo do texto, estimulando a atenção e o engajamento com o material20.
  • Você pode se beneficiar dos efeitos de “grifar e sublinhar”? Infelizmente, os efeitos positivos da técnica são limitados e não se estendem de forma consistente a muitos tipos de estudantes, textos ou tarefas. Em especial, ela parece não beneficiar crianças21, estudantes com baixo desempenho22 ou adultos em treinamento técnico23 — seu impacto é modesto mesmo entre universitários24. Das ciências da natureza à História, os textos empregados nos estudos variaram bastante — e, em todos, os resultados foram pobres25. Além disso, a técnica dificilmente melhoraria nosso desempenho em testes que exigem inferência, o que sugere que seus efeitos se limitam a informações factuais e não beneficiam habilidades cognitivas mais complexas26.
  • Quais são os efeitos de “grifar e sublinhar” em contextos educacionais reais? No “mundo real”, os efeitos da técnica são ambíguos. Em algumas situações (como quando professores sublinham previamente trechos relevantes nos materiais de leitura), o desempenho dos alunos em testes relativos àquelas informações melhora27. Esses efeitos, contudo, nem sempre se repetem quando são os próprios alunos a fazer as marcações; por sublinhar em excesso e sem critério, eles “diluem” o destaque das informações importantes28. Como a releitura, a técnica é amplamente usada, mas os estudos “em sala de aula” não nos dão evidências sólidas de que usá-la melhore a aprendizagem dos alunos29.
  • Em que a prática de grifar e sublinhar textos deixa a desejar? A maior desvantagem da técnica é que não sabemos usá-la muito bem. Muitos alunos destacam trechos demais, e, ao “igualar” o essencial e o supérfluo, prejudicam a própria retenção. A tarefa pode nos induzir à falsa sensação de que “aprendemos”, quando, na verdade, apenas relemos passivamente boa parte do material. A falta de instrução sobre como selecionar adequadamente o conteúdo também contribui para sua baixa ineficácia. Apesar disso, alguns trabalhos revelaram que é possível treinar alunos para grifar e sublinhar com destreza — o que gerou benefícios mensuráveis30. Ainda assim, dedicar tempo à atividade, escolhendo-a no lugar de técnicas vantajosas como a prática de recuperação ou a elaboração interrogativa, é uma aposta pouco sábia31.

Por fim, os revisores consideraram grifar e sublinhar textos uma técnica de baixa utilidade32. Na maioria dos estudos, ela não melhorou significativamente o desempenho dos estudantes em comparação com a simples leitura33. Com efeitos positivos ocasionais, muitas vezes restritos a casos em que o aluno já possui um conhecimento prévio valioso ou em que o material é particularmente difícil34, a prática pode até prejudicar nosso desempenho em tarefas que exigem integração de ideias ou inferência.

Como grifar e sublinhar textos de modo eficaz? Prefira recorrer aos grifos e anotações ao enfrentar textos desafiadores — como capítulos de manuais de Biologia ou Direito, por exemplo. Limite as marcações a uma palavra ou sentença por parágrafo e deixe-as para depois de uma leitura completa do texto. Identifique as ideias centrais do material e evite destacar detalhes triviais. Essa abordagem exigirá de você algum conhecimento prévio do assunto — afinal, não há muitos outros caminhos para aprender a discriminar o que é relevante. Ter um professor ou tutor particular para avaliar a qualidade das suas marcações pode melhorar seus resultados35.

Sumarização

Criar resumos (ou sumarizar, se você preferir) consiste em identificar e, com concisão, expressar as ideias centrais de um texto, descartando informações supérfluas ou repetitivas.

  • Por que a sumarização deveria funcionar? A técnica é eficaz porque nos obriga a um engajamento profundo com o conteúdo, promovendo uma operação cognitiva batizada pelos cientistas de processamento organizacional36. Ao selecionar, conectar e reestruturar informações, você não só compreenderá melhor o conteúdo, mas também estabelecerá conexões significativas entre ideias37. Escrever com suas próprias palavras ativa mecanismos de aprendizagem generativa38 que levam a um melhor desempenho em testes — especialmente os que, mais do que o mero reconhecimento de conceitos, exigem sua análise e aplicação39.
  • Você pode se beneficiar da criação de resumos? Os efeitos da sumarização variam conforme o tipo de tarefa, o perfil do estudante, o material estudado e o modo como a técnica é aplicada. Já em 1979, experimentos como o dos professores Burke Bretzing e Raymond Kulhavy mostravam que a prática pode ser tão eficaz quanto a tomada de notas, superando tarefas mais superficiais como copiar trechos de um texto ou apenas lê-lo40. Ela, por exemplo, privilegia estudantes mais em tarefas finais que exigem produção (como redações e resumos orais) do que em testes de múltipla escolha41. Universitários tendem a se beneficiar mais do seu uso do que crianças ou adolescentes sem treinamento prévio42, mas mesmo alunos do Ensino Fundamental podem se dar bem se forem ensinados a usá-la corretamente43. A técnica parece funcionar com textos diversos, que tratam de fictícias tribos antigas a conteúdos científicos44, ainda que fatores como a extensão e organização do texto influenciem sua eficácia45.
Embora talvez seja a mais popular entre estudantes, reler o material é uma das técnicas de estudo menos eficazes que conhecemos
Embora talvez seja a mais popular entre estudantes, reler o material é uma das técnicas de estudo menos eficazes que conhecemos — Foto: Reprodução de Zoran Zeremski via Adobe Stock
  • Quais são os efeitos da sumarização em contextos educacionais reais? A sumarização pode render bons frutos em sala de aula, contanto que os alunos tenham a habilidade necessária e recebam algum treinamento para praticá-la. Com a ajuda de programas implementados em sala de aula — que contaram com a participação ativa de professores —, alunos do Ensino Fundamental e Médio retiveram mais informações importantes a partir de textos46. Mesmo não sendo precedida por treinamento, a “tarefa de casa” de criar resumos trouxe benefícios aos alunos que produziram resumos de alta qualidade47. A efetividade da técnica, portanto, depende da competência do estudante em resumir bem.
  • Em que a sumarização deixa a desejar? Infelizmente, muitos de nós não sabem resumir com eficácia e precisam de treinamento intensivo na tarefa. Crianças, estudantes com dificuldades de aprendizagem e mesmo alguns universitários não treinados tendem a criar maus resumos, nos quais incluem informações incorretas ou irrelevantes48. Implementar programas de ensino da técnica exige tempo — tanto dos instrutores quanto dos alunos — e pode conflitar com outras demandas curriculares. Afinal, os efeitos da criação de resumos não são tão poderosos quanto os de outras técnicas de estudo, e sua eficácia pode ser superestimada se o treinamento for superficial ou mal conduzido49.

O grupo de Dunlosky viu na sumarização uma técnica de baixa utilidade50. Apesar de seus méritos, os resumos merecem dar lugar a técnicas mais robustas e menos exigentes em termos de habilidades prévias — especialmente se você precisa melhorar sua performance em tempo recorde.

Como resumir textos de modo eficaz? Como exemplo, imagine que você tenha de resumir cada conto da coletânea Um homem bom é difícil de encontrar, de Flannery O’Connor. Antes de mais nada, use as próprias palavras (como se quisesse explicar os textos a um colega) e evite copiar trechos da história. Limite seus resumos a três parágrafos: dedique o primeiro deles aos personagens e suas características, o segundo ao enredo, e o terceiro aos símbolos e significados profundos que encontrar na narrativa51. Tenha em mente que seu conhecimento prévio sobre O’Connor e sua escrita podem ampliar os benefícios da tarefa, assim como a companhia de um professor que ofereça feedback e proponha revisões.

Mnemônicos de palavras-chave

Criar imagens mentais para representar informações de forma vívida é um dos truques mnemônicos mais antigos da Humanidade — grandes oradores como Cícero e Quintiliano que o digam52. Originalmente usados para memorizar vocabulário de línguas estrangeiras, os “mnemônicos de palavra-chave” se valem de imagens mentais associativas. Para esse fim, a estratégia envolve escolher, na sua língua nativa, uma palavra familiar (a “palavra-chave”) que soe como a estrangeira que você quer memorizar, e, em seguida, criar uma imagem mental que relacione a palavra-chave ao seu significado. Um estudante americano a fim de memorizar que la dent significa “dente” (tooth) em francês, por exemplo, pode imaginar um dentista segurando um enorme molar com um alicate, se usar dentist como palavra-chave53.

  • Por que mnemônicos de palavra-chave deveriam funcionar? A técnica funciona pois combina dois princípios poderosos da cognição: a codificação dual 54 e a elaboração55. Ao criar uma imagem vívida que conecta a palavra-chave ao seu significado, formamos um vínculo mais robusto entre esses elementos56. Além disso, as imagens interativas tornam a lembrança mais destacada e discriminável, reduzindo a chance de nos confundirmos pensando em outras palavras. Ao ativar diversas vias de recuperação — sonora, visual e semântica —, os mnemônicos favorecem nosso acesso à informação quando tentamos trazer a memória à tona57.
  • Você pode se beneficiar dos mnemônicos de palavra-chave? Os mnemônicos podem nos ajudar a memorizar muitos tipos de conteúdo, desde o vocabulário de línguas estrangeiras (como espanhol, francês e russo) até termos técnicos de Medicina e Mineralogia, passando por nomes próprios e capitais de estados58. A técnica também se mostrou vantajosa para estudantes de diferentes faixas etárias, do Ensino Fundamental à universidade, e para aqueles com dificuldades de aprendizagem59. Ainda assim, estudantes mais jovens ou alunos com dificuldades para gerar imagens mentais podem precisar de suporte visual explícito (como ilustrações prontas)60. Além de na memorização, os mnemônicos nos auxiliam na aplicação prática do conteúdo, como ao usar o vocabulário aprendido em frases e adaptá-lo a novos contextos. Ainda assim, funcionam melhor se os materiais que estudamos forem “amigáveis” à sua aplicação — simples e “concretos”61.
  • Quais são os efeitos dos mnemônicos em contextos educacionais reais? Em sala de aula, os resultados da técnica são mistos. Universitários treinados para usar mnemônicos ganharam uma vantagem expressiva na memorização de vocabulário estrangeiro, especialmente quando as palavras eram “concretas” (relativas a entes do “mundo real”, como árvores, cadeiras ou bicicletas, ao invés de abstratas)62. Jovens estudantes com dificuldade para produzir as imagens por conta própria talvez só possam se beneficiar da técnica se elas lhes forem fornecidas pelos professores63. Entre alunos do Ensino Médio e universitários, os efeitos foram nulos, mesmo após treinamento individual ou em grupo64. Isso sugere que, embora a técnica funcione em contextos escolares, sua eficácia depende do tipo de conteúdo a memorizar, da idade dos alunos e da forma como são treinados65.
  • Em que os mnemônicos de palavra-chave deixam a desejar? Implementar o uso dos mnemônicos exige treinamento e tempo — eleger palavras-chave e formar imagens mentais adequadas não é exatamente um passeio no parque para todos. Muitos estudantes enfrentam problemas para gerar imagens satisfatórias, sobretudo quando lidam com termos abstratos ou complexos66. Quando os próprios estudantes precisam criar seus mnemônicos, os resultados da técnica são inconsistentes67. Outro desafio, a propósito, é que, a longo prazo, a retenção com base na técnica pode ser frágil: se não testarmos os novos conhecimentos regularmente, a vantagem inicial se dissipa com o tempo68. Comparado ao exigido por estratégias como a prática de recuperação, o esforço envolvido na aplicação da técnica pode não compensar.

Com isso em vista, a equipe de Dunlosky considerou os mnemônicos de palavra-chave de baixa utilidade69. Considerando seu desempenho inferior ou equivalente ao de outras estratégias mais fáceis e versáteis, usá-los para estudar toda e qualquer matéria não parece uma boa ideia — a menos que as condições para aplicá-los sejam as ideais.

Como usar mnemônicos de palavras-chave de modo eficaz? Suponha que, recém-matriculado(a) em uma escola de idiomas, você queira aumentar seu vocabulário de francês. À palavra office (“escritório”), por exemplo, você pode associar a portuguesa oficina (para nós, geralmente uma loja de consertos ou trabalhos manuais) e imaginar um advogado que atenda os clientes em uma oficina de lanternagem e pintura automotiva. A atividade funcionará melhor se você tiver alguma experiência ou recebido treinamento em criação de imagens mentais.

Aprenda

Leia, escreva e estude melhor. Sem sair de casa.

Aulas on-line, ao vivo e individuais ministradas pelo Felipe. Conheça os planos exclusivos da tutoria.
Galeria de capas de livros

Uso de imagens mentais para memorizar textos

Primo não muito distante dos mnemônicos de palavra-chave, esta estratégia consiste em formar imagens mentais claras e simples com base em um conteúdo lido — isto é, representar visualmente as informações que encontramos. Isso pode ser feito apenas mentalmente ou com o auxílio de desenhos. Ao ler sobre a estrutura da molécula de água, por exemplo, você pode imaginar duas esferas pequenas ligadas a uma maior, formando um ângulo que representa a polaridade do composto.

  • Por que o uso de imagens para memorizar texto deveria funcionar? A técnica pode facilitar a aprendizagem pois nos permite organizar as informações do texto de modo mais coerente e integrado70. Além disso, imagens únicas e pessoais, criadas por nós mesmos, podem tornar o conteúdo mais memorável71. A estratégia ativa nosso conhecimento prévio e ajuda na construção de uma representação mais coerente de narrativas, o que nos ajuda a compreendê-las72.
  • Você pode se beneficiar do uso de imagens para memorizar texto? Os efeitos do uso de imagens são inconsistentes e variam conforme o tipo de material, o perfil do estudante e o tipo de teste aplicado. Cientistas testaram o exercício para a memorização ora de frases e passagens breves, ora de textos mais longos e abstratos; em alguns desses casos a técnica se mostrou vantajosa; em outros, não. Segundo Dunlosky e seus coautores, há tantos fatores em jogo em tais estudos que eleger um tipo de material como mais beneficiado pela atividade é praticamente impossível73. De todo modo, os resultados são mais positivos quando os textos são fáceis de “visualizar mentalmente”, como narrativas ou descrições espaciais74. Embora testados em alunos de diversas faixas etárias e variados níveis de habilidade (da terceira série do Fundamental à universidade), os efeitos da estratégia foram irregulares demais para permitir um “veredito”75.
  • Quais são os efeitos do uso de imagens para memorizar texto em contextos educacionais reais? Nas salas de aula, os efeitos da estratégia variam bastante. Em estudos com textos reais de ciências sociais e da natureza, os estudantes se destacaram em testes de recordação livre, mas não em testes padronizados de compreensão76. Embora haja muitos experimentos sobre o tema, os materiais que empregaram foram frequentemente adaptados — e não podemos dizer que reflitam o conteúdo curricular típico “da vida real”77. Na prática, há pouca evidência de que o uso de imagens para memorizar texto leve a melhores notas ou desempenho em exames oficiais78.
  • Em que o uso de imagens para memorizar texto deixa a desejar? Um dos principais desafios na implementação da técnica é garantir que os alunos de fato recorram às imagens mentais. Muitos deles simplesmente não o fazem, enquanto outros as usam espontaneamente e sem instruções, o que dificulta a avaliação de sua eficácia79. Em todo caso, as imagens parecem nos beneficiar mais quando ouvimos do que quando lemos um texto80. Como você já sabe, a técnica funciona melhor com materiais que favorecem a visualização, o que nem sempre ocorre em disciplinas escolares. Para piorar o quadro, não sabemos quanto treinamento seria preciso para criarmos imagens de forma constante e bem-sucedida81. Além disso, atividades paralelas aparentemente inofensivas, como desenhar, podem restringir os benefícios da imaginação82.

Embora o uso de imagens para memorizar textos seja promissor em algumas situações, sua eficácia é limitada e muito variável. Não sem razão, o grupo de Dunlosky a classificou como de baixa utilidade em termos gerais83.

Como usar imagens mentais para memorizar texto de modo eficaz? Prefira recorrer à técnica quando estiver diante de textos curtos e “concretos”, como uma narrativa científica que explica o ciclo da água. Ao lê-lo, imagine vivamente cada etapa descrita (evaporação, condensação, precipitação etc.). Para se sair melhor, dê atenção aos detalhes ao conceber suas imagens mentais (visualize a água subindo ao céu como vapor e, lentamente, formando nuvens). A técnica provavelmente será mais vantajosa se você tiver alguma familiaridade com a matéria.

Elaboração interrogativa

Apesar do nome pomposo, a elaboração interrogativa consiste em simplesmente formular e responder a perguntas do tipo “por quê?” sempre que toparmos com um dado relevante durante os estudos. Em vez de apenas ler ou receber uma explicação pronta, você deve gerar uma justificativa adequada para a informação que encontrou. Diante da frase “Napoleão foi derrotado em Waterloo”, por exemplo, você pode se perguntar: “Por quê?” As respostas, é claro, devem ser geradas sem consultas e com suas próprias palavras.

  • Por que a elaboração interrogativa deveria funcionar? O exercício nos obriga a conectar novas informações às que já conhecemos84 — ao ativar nossos esquemas mentais85 existentes, ele nos leva a organizar e recuperar o novo conteúdo com mais facilidade86. Fazendo-nos comparar fatos relacionados entre si, a técnica também favorece a distinção entre informações semelhantes, o que nos permite recuperar o conhecimento de modo mais preciso no futuro87. Estudos mostraram que respostas precisas e geradas pelos próprios alunos tendem a produzir melhores resultados88, embora os benefícios apareçam mesmo quando nossas explicações não são perfeitas89.
  • Você pode se beneficiar da elaboração interrogativa? Para nossa alegria, os efeitos da prática são vistos em diferentes condições de aprendizagem. A elaboração interrogativa já se mostrou vantajosa para uma faixa etária bastante ampla — que abrange do Ensino Fundamental90 ao Superior91 — e para estudantes com diferentes níveis de habilidade, incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem92. Os resultados, contudo, são mais consistentes quando os estudantes têm algum conhecimento prévio do tema, já que isso os ajuda a dar explicações mais precisas93. O exercício tende a favorecer tarefas de memória associativa, como a evocação com pistas (perguntas semelhantes a “Que personalidade histórica fez…?”) ou testes de correspondência (como nosso velho conhecido “Relacione as duas colunas”), e de reconhecimento de fatos94. Sua vantagem em relação a outros tipos de atividade ainda é duvidosa95.
  • Quais são os efeitos da elaboração interrogativa em contextos educacionais reais? Embora a maior parte das pesquisas tenha sido feita em laboratório, aquelas conduzidas em ambientes educacionais reais sugerem que a técnica também funciona em sala de aula. Em um experimento com universitários, aqueles que receberam perguntas do tipo “por que isso é verdade?” durante a leitura de um texto de Biologia se saíram melhor (com 76% de acerto) em testes sobre o conteúdo do que seus colegas que apenas leram o texto por conta própria (69%)96. A vantagem persistiu mesmo após o controle de variáveis como conhecimento prévio e habilidade verbal — indicando que a técnica pode ser poderosa por si só.
  • Em que a elaboração interrogativa deixa a desejar? Ainda que fácil de aplicar e pouco exigente em tempo e treinamento, a estratégia parece funcionar melhor com frases curtas ou listas, mas não é uma boa pedida quando precisamos lidar com textos longos ou sistemas e processos complexos97. Além disso, muitos textos exigem que identifiquemos sozinhos(as) os fatos que merecem ser “elaborados”, uma tarefa desafiadora se não tivermos a orientação adequada98. Outro problema é a dosagem: se não recorrermos a ela constantemente (muitas vezes durante a leitura de um texto longo, por exemplo), os efeitos positivos da técnica podem praticamente desaparecer99 ou até se inverter100. A elaboração também pode nos fazer perceber nossos materiais como mais difíceis do que parecem quando não a usamos101.
Por si só, grifar e sublinhar passagens de texto não é uma técnica de estudo particularmente útil
Por si só, grifar e sublinhar passagens de texto não é uma técnica de estudo particularmente útil — Foto: Reprodução de Avery Evans via Unsplash

Para os cientistas, a elaboração interrogativa é uma técnica de estudo de utilidade moderada102. Além de não termos certezas sobre quão eficaz ela é para gerar compreensão profunda e aprendizado duradouro, a técnica também privilegia quem já possui certo domínio do tema estudado — notícia não muito boa para iniciantes em uma matéria. Precisamos de mais estudos em ambientes educacionais reais (e que envolvam tarefas complexas) antes de recomendá-la para todos.

Como usar a elaboração interrogativa de modo eficaz? Prefira aplicar a elaboração interrogativa ao estudo de listas de fatos — em disciplinas como Biologia e Geografia, por exemplo. Enquanto revisa características de estados brasileiros, você pode, ao deparar com a frase “A vegetação predominante no estado de Goiás é de cerrado”, perguntar a si mesmo(a): “Por que isso é verdade?” A resposta pode ser algo como “porque Goiás pertence ao Planalto Central, região em que o clima e a topografia favorecem esse bioma”. Para tirar melhor proveito da técnica, você deve ter algum conhecimento básico do tema e tentar gerar explicações o mais plausíveis e específicas possível.

Autoexplicação

A autoexplicação requer que, enquanto estuda, você explique a si mesmo(a) — com as próprias palavras — algum aspecto do conteúdo, revelando os raciocínios que fizer durante a tarefa. Em vez de apenas executar um cálculo ou ler um texto, você deve verbalizar (ou registrar por escrito) por que tomou esta ou aquela decisão ou como a informação que você acaba de conhecer se relaciona com o que já sabia. Ao resolver um problema matemático, por exemplo, você pode dizer: “Isolei 𝑥 deste lado da equação pois mais tarde precisarei aplicar a propriedade distributiva”103.

  • Por que a autoexplicação deveria funcionar? Com a autoexplicação, integramos as novas informações ao nosso conhecimento prévio — o que nos permite construir mais facilmente representações mentais coerentes e profundas. Ao criar suas próprias “justificativas”, você organiza melhor o que está aprendendo e identifica suas lacunas de compreensão. Essa integração ativa também ajuda a fortalecer conexões conceituais — que o(a) ajudarão a aplicar o novo conhecimento no futuro, inclusive em contextos diferentes do original104.
  • Você pode se beneficiar dos efeitos da autoexplicação? A autoexplicação já se mostrou eficaz em muitas condições de ensino (da instrução direta à descoberta guiada)105, para diversas faixas etárias (de crianças pequenas a universitários)106 e materiais (de problemas lógicos107 a textos narrativos108). A técnica também já elevou o desempenho de estudantes em diversos tipos de avaliação — como as que testam memória, compreensão, transferência próxima e distante109.
  • Quais são os efeitos da autoexplicação em contextos educacionais reais? Em contextos próximos ao da sala de aula, os efeitos da atividade são positivos, mas sensíveis a algumas condições. Estudantes de licenciatura, por exemplo, se saíram melhor ao avaliar problemas instrucionais quando praticaram a técnica — mas só se não tivessem acesso prévio a explicações fornecidas pelos pesquisadores110. Isso sugere que, para surtir efeito, a autoexplicação deve ser um processo “ativo”, em que você e você somente elabora as justificativas111 — é melhor pôr os miolos para trabalhar. Além disso, a durabilidade dos efeitos do exercício a longo prazo ainda é pouco estudada112.
  • Em que a autoexplicação deixa a desejar? Embora promissora, a técnica oferece alguns desafios na prática. A autoexplicação pode demandar mais tempo do que outras estratégias de estudo — e os estudos nem sempre se atentam a controlar esse fator. Também não temos certeza sobre o quão influente é o domínio prévio de um tema sobre a eficácia da técnica113, ou, embora alunos treinados obtenham mais benefícios, se ensinar a estratégia é sempre necessário para usá-la bem114. Para alcançar seu potencial máximo, pode ser que você precise da orientação ou feedback de um especialista sobre como elaborar boas explicações115.

O grupo de Dunlosky considerou a autoexplicação uma técnica de estudo de utilidade moderada116. Seus benefícios não são nada desprezíveis, mas ainda precisamos de pesquisas que confirmem sua eficácia em salas de aula — e avaliem se os efeitos de fato se sustentam no longo prazo.

Como usar a autoexplicação de modo eficaz? Como você viu, a técnica é poderosa em relação a muitas disciplinas, mas, para “pôr os pés na água”, tente aplicá-la ao resolver problemas matemáticos e veja como você se sai. Procure explicar a si mesmo(a) cada passo da solução, respondendo a perguntas como: “Por que escolhi essa operação?” ou “Como este passo se conecta com o anterior?”. Evite espiar a solução correta do problema antes de resolvê-lo por conta própria. Os resultados provavelmente serão melhores se você já tiver algum conhecimento do conteúdo.

Prática intercalada

Mais uma forma de organizar nossos esforços do que em si uma técnica de estudo, a prática intercalada consiste em alternar diferentes tópicos ou diferentes problemas de uma disciplina enquanto a estudamos, ao invés de enfrentar um único tipo deles por vez. Para aplicar a técnica ao seu estudo de Geometria, por exemplo, você pode, no lugar de resolver todos os problemas que encontrar sobre prismas e só então se dedicar às esferas e outras formas, alternar entre problemas de prismas, esferas, cilindros e cones em uma mesma sessão de estudos.

  • Por que a prática intercalada deveria funcionar? A técnica é eficaz porque nos leva a dois tipos de processamento cognitivo: o organizacional (com o qual compararmos itens diferentes entre si) e o específico (que nos permite focar nas particularidades de cada item)117. Ao nos obrigar a distinguir problemas semelhantes, a técnica aumenta nossa capacidade de aplicar o “método” correto em situações novas118. Além disso, intercalar diferentes tipos de questões exige que recuperemos memórias de longo prazo, o que fortalece o aprendizado por meio do chamado “efeito da prática de recuperação” (retrieval practice, no original em inglês)119. Por fim, comparar diferentes conteúdos em sequência também nos ajuda a formar conceitos mais precisos120.
  • Você pode se beneficiar dos efeitos da prática intercalada? Os efeitos da estratégia variam — e dependem de fatores como o tipo de tarefa, nosso nível de habilidade e o momento em que a aplicamos. Embora seus benefícios sejam consistentes em relação à Matemática e a algumas tarefas conceituais, como classificar estilos de pintura121, eles são menos evidentes sobre conteúdos como vocabulário de línguas estrangeiras, por exemplo122. Embora promissora, portanto, a prática intercalada não é eficaz para todo e qualquer tipo de conteúdo, tarefa ou perfil de estudante.
Aprenda

Leia, escreva e estude melhor. Sem sair de casa.

Aulas on-line, ao vivo e individuais ministradas pelo Felipe. Conheça os planos exclusivos da tutoria.
Galeria de capas de livros
  • Quais são os efeitos da prática intercalada em contextos educacionais reais? Em sala de aula, a estratégia já mostrou efeitos positivos quando bem implementada. Um estudo com estudantes de Álgebra com baixo desempenho em Matemática mostrou que, após 25 sessões de estudo com prática intercalada (precedidas e seguidas por testes), os “intercaladores” se saíram bem melhor do que seus colegas que apostaram nos exercícios “em bloco” (não intercalados entre si): eles os superaram não só ao aplicar diretamente as regras que aprenderam, mas ao resolver problemas novos123. Esses resultados indicam que, mesmo em contextos desafiadores, alternar diferentes tipos de problema pode beneficiar a aprendizagem124.
  • Em que a prática intercalada deixa a desejar? Um dos principais desafios ao implementar a estratégia é saber quando começar a intercalar: se muito cedo — antes que você tenha entendido bem o bastante cada tipo de problema —, os benefícios podem não aparecer125. Além disso, a prática intercalada pode exigir mais tempo e mais esforço cognitivo126, o que alguns de nós podem encarar como uma dificuldade excessiva. Embora tenha crescido razoavelmente desde a publicação da revisão de Dunlosky e sua equipe127, a literatura científica sobre a técnica ainda não é das mais robustas — e, diante dos resultados mistos, ainda não sabemos perfeitamente como e quando aplicá-la da forma mais vantajosa128.

Pesquisadores consideraram a prática intercalada uma solução de utilidade moderada129. Embora recomendável em muitos casos, precisamos usá-la com critério, levando especialmente em conta o tipo de conteúdo que estudamos e nossa experiência prévia com o assunto.

Como usar a prática intercalada de modo eficaz? Enquanto estuda a história política do Brasil, por exemplo — digamos que você tenha concluído a parte de seu material que trata do Período Regencial, da República Velha e da Era Vargas —, considere, ao começar sua bateria de exercícios, intercalar perguntas sobre os três regimes. Garanta que cada novo problema exija de você domínio das particularidades de cada época. As perguntas, é claro, devem cobrir apenas os tópicos expostos no seu material — você deve ter o mínimo necessário de conhecimento para responder a elas.

Uma nota importante sobre a prática intercalada. Ao divulgar a estratégia, muitos artigos e vídeos on-line recomendam que, dentro de uma mesma sessão de estudos, revezemos disciplinas não relacionadas — como Língua Portuguesa, Física e Geografia. Essa é uma extrapolação indevida da prática tal como os cientistas a entendem. Originalmente, como vimos, a técnica envolve o estudo de tópicos de uma mesma matéria ou competências de uma mesma habilidade.

Em um dos estudos mais populares sobre o tema, por exemplo, os participantes são apresentados a pinturas de diferentes artistas — uma tarefa restrita ao mundo das Artes —130; em outro, são ensinados a calcular o volume de diferentes sólidos geométricos — um trabalho puramente matemático131. Até então, não há evidências de que alternar disciplinas ou habilidades distantes entre si num curto período de tempo seja proveitoso para o aprendizado. Como salienta a professora Pooja Agarwal neste vídeo, misturar “Biologia, Cálculo, Química e Inglês” não promove os benefícios da prática intercalada — e seria “como pôr brócolis na salada de frutas”.

Testes práticos

O teste prático — você pode chamá-lo de autoavaliação ou autoteste, se quiser — envolve testar a si mesmo(a) sobre o conteúdo aprendido, em vez de apenas relê-lo ou resumi-lo. A prática, é claro, pode assumir muitas formas: responder a perguntas de múltipla escolha, escrever (sem consultá-lo) o que você lembra de um texto, ou mesmo ensinar o conteúdo de um futuro exame a outra pessoa. Tendo estudado um capítulo de Biologia, por exemplo, você pode tentar escrever de memória tudo o que aprendeu com ele. O que importa, nesse caso, é recuperar a informação sem nenhum material de estudo à sua frente.

  • Por que testes práticos deveriam funcionar? A teoria mais aceita sobre os testes é a de que, ao aumentar o esforço cognitivo envolvido na recuperação de uma informação, eles fortalecem as “conexões” da nossa memória132. Como consequência desse esforço, retemos mais e por mais tempo o que estudamos e organizamos nosso conhecimento com mais eficiência133. Testes, além disso, facilmente fornecem um diagnóstico do que já aprendemos e do que ainda devemos priorizar ao estudar, o que nos permite fazer ajustes estratégicos em nosso plano de estudos. Pesquisas também sugerem que o simples ato de recuperar uma informação, mesmo sem receber feedback imediato sobre nosso sucesso (sem que algo ou alguém nos diga se acertamos ou erramos), já gera benefícios mensuráveis para o aprendizado134.
  • Você pode se beneficiar dos testes práticos? Largamente estudados, os efeitos do teste são consistentes em relação a diferentes idades (de crianças no jardim da infância135 a jovens universitários136), tipos de conteúdo (fatos isolados, textos, videoaulas137), modalidades de atividade (provas escritas, orais e digitais138) e contextos de aprendizagem139. A técnica funciona mesmo quando não recebemos feedback sobre nosso desempenho, embora o retorno imediato sobre as respostas certas e erradas potencialize os ganhos140. Testes práticos são eficazes mesmo quando lidamos com materiais complexos141, e nos ajudam a recuperar informações em momentos críticos — evitando os “brancos” da memória que um temido exame final poderia causar142. Tenha em mente que os benefícios da tarefa serão maiores se você distribuir suas sessões de autoteste ao longo do tempo, e quanto maiores forem os intervalos entre elas143. Enquanto se prepara para uma prova da graduação ou concurso público, evite deixar seus próprios testes para uma data próxima da prova-alvo — prefira enfrentá-los regularmente durante todo o processo para obter o melhor da técnica144.
  • Quais são os efeitos dos testes práticos em contextos educacionais reais? Estudos realizados em ambiente escolar mostram que os testes melhoram significativamente o desempenho em provas e exames formais. Os ganhos são notáveis tanto ao lembrar curiosidades ou fatos de conhecimento geral145 quanto em tarefas que exigem aplicação das informações aprendidas146, inferência147 e raciocínio crítico148. A técnica também se mostrou eficaz em diversas disciplinas — de ciências exatas a humanas149 — e para estudantes de diferentes níveis, inclusive aqueles com dificuldades de aprendizagem150.
  • Em que os testes práticos deixam a desejar? Apesar de poderosos, os testes ainda são subutilizados. Acreditando que essas técnicas sejam mais confortáveis ou eficazes, muitos de nós preferem reler ou destacar trechos de texto a testar o próprio conhecimento151. De fato, testes exigem esforço ativo e um bom planejamento, o que pode nos incomodar a princípio. Eles também requerem tempo (embora não muito), seja nosso ou de nossos professores e corretores152. Ainda assim, as vantagens superam em muito as dores de cabeça que a prática pode causar. Em alguma medida, ainda acreditamos que testar a memória é apenas uma forma de avaliação, e não uma estratégia de aprendizagem153. O grande obstáculo para a implementação da técnica não está nela, portanto — mas em nós.

Uma das ferramentas mais endossadas pela ciência do aprendizado, o teste prático é um recurso de alta utilidade154 — e recomendado com entusiasmo por especialistas.

Como usar testes práticos de modo eficaz? Ao terminar de estudar um capítulo sobre a Revolução Francesa, por exemplo, você pode tentar elaborar, de memória — não trapaceie espiando o conteúdo do livro —, uma linha do tempo que destaque os principais episódios do evento. Depois, volte ao seu material e corrija sua criação com a ajuda do texto-base. Em vez disso, você também pode responder a um quiz on-line sobre a matéria ou gravar um áudio em que explica o conteúdo para si mesmo(a). Repita o processo ao longo da semana (e das seguintes, se houver um exame pela frente), com correções e espaçamento, para aumentar sua retenção e aprofundar sua compreensão do tema.

Mapa mental de Ettore Ferrusi sobre o conceito de solidariedade
Mapa mental de Ettore Ferrusi sobre o conceito de solidariedade — Foto: Reprodução de Wikimedia Commons

Prática distribuída

Para implementar a prática distribuída, você deve dividir seu tempo de estudo em muitas sessões ao longo de dias ou semanas — em vez de concentrá-lo em um bloco exaustivo de dedicação, como você e eu já fizemos incontáveis vezes em vésperas de prova. No lugar de estudar quatro horas seguidas de uma mesma disciplina na segunda-feira, por exemplo, você pode desdobrá-las em quatro sessões de uma hora, agora distribuídas entre a segunda, a quarta, a sexta-feira e o domingo.

  • Por que a prática distribuída deveria funcionar? Por entre outros motivos, o espaçamento nos ajuda pois “obriga” o cérebro a resgatar informações — já parcialmente esquecidas entre uma sessão de estudos e outra155. Como consequência do esforço, os caminhos neurais relacionados à memória são reforçados. Além disso, o intervalo entre uma e outra sessão permite a consolidação do aprendizado — processo em que o cérebro, sobretudo durante o sono, estabiliza o que aprendemos156.
  • Você pode se beneficiar dos efeitos da prática distribuída? Ao aplicar a prática distribuída à sua rotina, você estará nas mãos de uma das técnicas mais estudadas — e validadas — pela ciência cognitiva. Além de auxiliar no aprendizado de diversos tipos de conteúdo (como vocabulário estrangeiro, definições, imagens e textos157) em diversas disciplinas (da Biologia à Música158), ela beneficia estudantes de todas as faixas etárias, de crianças em fase pré-escolar a adultos mais velhos159. Eficaz em relação a tarefas simples (como lembrar curiosidades de conhecimento geral160) mas não àquelas muito complexas (como pilotar aviões161), ela parece, ao que tudo indica, capaz de nos favorecer também nas moderadamente complexas (como resolver problemas matemáticos ou aplicar conceitos de cirurgia vascular)162. Você pode obter as vantagens da prática distribuída mesmo se separar suas sessões de estudo por intervalos curtos163, e em relação a boa parte dos tipos de teste para os quais precisar se preparar164.
  • Quais são os efeitos da prática distribuída em contextos educacionais reais? Amplamente testada em sala de aula165, a prática distribuída é perfeitamente capaz de alavancar nosso desempenho em avaliações formais — sobretudo se o intervalo entre as sessões de estudo for bem planejado166. Especialmente quando lidamos com conteúdo extenso (pense na sua preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, ou para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil), espaçar revisões ao longo de semanas ou meses pode ser altamente vantajoso.
  • Em que a prática distribuída deixa a desejar? Os maiores obstáculos ao implementar a prática intercalada somos nós e nosso velho hábito de condensar os estudos em poucas horas de um único dia — especialmente quando algum prazo já nos apertou contra a parede167. Os próprios materiais didáticos refletem a prática comum do estudo “aglomerado”, e geralmente não organizam seu conteúdo de modo a prever revisões espaçadas168. A técnica, é claro, exige planejamento e disciplina, um desafio para nossas rotinas atribuladas. O pior, contudo, é que, ao parecer mais longa e custosa, ela frequentemente nos dá a falsa impressão de ser também menos eficaz — o que nos leva a abandoná-la antes de obtermos seus benefícios169.

A prática distribuída é uma técnica de estudo de alta utilidade170. Versátil e apoiada por incontáveis estudos, ela requer organização e persistência, mas seus benefícios fazem valer o esforço. A técnica se tornará especialmente útil se você a combinar a outras estratégias eficazes, como os testes práticos171.

Como usar a prática distribuída de modo eficaz? Suponha que você esteja se preparando para uma prova de Química orgânica a ser aplicada em duas semanas. Resista à tentação de enfrentar todo o material na véspera da prova e, em vez disso, distribua cinco sessões curtas de revisão a cada dois ou três dos próximos dias. Em cada sessão, recapitule os principais conceitos e responda a quantas perguntas puder de seu livro didático. Ao final do processo, você terá revisado a disciplina com tempo o bastante para consolidar a memória — e poderá alcançar uma boa nota sem o habitual desespero de última hora.

Técnicas de estudo são mais poderosas quanto mais ‘ativas’?

Boa pergunta — e, como você odiaria ouvir depois de fazer uma delas, a resposta é: “Depende”.

Se com “ativas” você se refere a tarefas que exigem de nós recuperar, organizar e integrar informações — operações cruciais para a consolidação do aprendizado —, então, em grande parte, sim. Em contraste com reler textos ou grifá-los (quando apenas nos reexpomos a um material), técnicas como a autoexplicação, os testes e a prática distribuída nos levam a construir (e reconstruir) conhecimento com base na memória — um tipo de esforço que aumenta a retenção de longo prazo e favorece a transferência do nosso aprendizado para outros cenários.

Se você entende por “mais ativas” as técnicas que “engajam outras partes do corpo” (como escrever ou desenhar) ou “exigem mais tempo sob concentração”, porém, a resposta pode ser um sonoro não.

Considere a sumarização, por exemplo. Antes de mais nada, ela requer que você esteja sentado à mesa — seria difícil escrever tanto em outra configuração, sabemos. Para o próprio ato de escrever, você também precisaria de lápis ou caneta, e, é claro, papel suficiente — além de mãos preparadas para o “trabalho pesado” à frente. Mesmo materialmente equipado, você ainda precisaria de uma boa dose de foco para persistir na tarefa até o fim. Imagine as inúmeras escolhas a fazer sobre a paragrafação e o que omitir ou incluir no texto, além dos cuidados para manter sua criação coesa (e compreensível para futuras revisões).

Estamos falando de um investimento considerável de tempo, atenção, adequação ambiental e habilidades de redação — tudo conjugado para implementar uma técnica pouco útil. Como outras atividades menos proveitosas, a sumarização é “exigente” em muitos aspectos, mas seus benefícios são um mau pagamento por todo o empenho. Tentar trazer à memória uma informação conhecida, sem consultar nosso material — um exercício que não nos pede nada além de um cérebro funcional e alguma boa vontade —, é, por outro lado, a melhor escolha se nossa intenção for memorizar algo por mais tempo. Nesse caso, ponto para a tarefa “menos ativa”.

A eficácia de uma técnica não depende, portanto, apenas de quão “ativa” ela é — especialmente se sua noção de “atividade” for inadequada. Exercícios “intensos” podem parecer produtivos, mas, se não movimentarem os mecanismos mais eficazes da aprendizagem, consumirão sua energia sem resultar em ganhos proporcionais. Mais do que a intensidade, o que realmente importa é a qualidade dos nossos esforços.

Aprenda

Leia, escreva e estude melhor. Sem sair de casa.

Aulas on-line, ao vivo e individuais ministradas pelo Felipe. Conheça os planos exclusivos da tutoria.
Galeria de capas de livros

Você talvez não saiba o que pensa que sabe

Tudo isso pode ser verdade — mas por que você ainda tem a impressão de que aprende mais quando relê seu material por completo ou cria resumos? Por que enfrentar simulados ou espaçar sessões de estudo ao longo da semana parece contraproducente?

A resposta está no modo como nosso cérebro opera. Em geral, obedecemos ao que, em Rápido e devagar: duas formas de pensar, Daniel Kahneman chama de “lei do menor esforço” cognitivo, um princípio de “economia mental” que nos faz preferir processos que requeiram menos energia172. Mesmo inconscientemente, levamos em conta a fluência cognitiva — o grau de facilidade com que lidamos com uma informação. Quase sempre nos obrigando a rever nosso material muitas vezes (até torná-lo cognitivamente fluente), técnicas de estudo passivas como reler apostilas não causam grande desconforto — um prazer para nossos miolos preguiçosos.

Ao aumentar rapidamente nossa familiaridade com o conteúdo, hábitos como a releitura e o estudo concentrado dão a impressão de que aprendemos mais ao mantê-los. A impressão, porém, não é confiável — trata-se de uma ilusão de competência173, como diriam cientistas, e das mais sedutoras.

Pense, por exemplo, nas vezes em que, depois de algumas semanas relendo seu material ou criando belos resumos, você sofreu “um branco” durante um exame importante. Revoltante — mas agora totalmente compreensível. Como indica o efeito Dunning-Kruger, você talvez não seja o(a) melhor avaliador(a) da própria competência em uma área, especialmente se a “adquiriu” com técnicas de estudo duvidosas.

“O primeiro desafio ao estudar é ter uma boa noção do que você sabe e do que não sabe. A isso, cientistas cognitivos chamam de sensação de saber (SdS). Para cada aula, tarefa ou tópico, você tem uma SdS. Às vezes, a SdS é forte, e você realmente acredita que conhece o conteúdo do curso. A má notícia? Suas SdS costumam ser indicadores pouco confiáveis de que você realmente sabe algo.”174

Suas técnicas de estudo causam ‘desconforto’? Esse pode ser um bom sinal

Por outro lado, você já sentiu a cabeça “prestes a explodir” ao aplicar uma técnica de estudo elogiada por cientistas? Não seria para menos: elas são exigentes — no melhor sentido, como vimos. Os problemas surgem quando consideramos a dificuldade da nova prática um sinal de que não aprendemos nada ao adotá-la. Se desistirmos da tarefa, nossa saída será voltar a práticas “inferiores” — ou desistir dos estudos.

Não se espante se notar essa tendência em si mesmo(a). Muitos universitários preferem reler seu material a enfrentar testes, acreditando que a primeira tarefa seja mais vantajosa, por exemplo175. Também preferimos concentrar nossos estudos em sessões intensivas a distribuí-los ao longo de dias ou semanas176. A culpada por isso, você já sabe, é a “lei do menor esforço” à qual nosso cérebro obedece — causa do nosso apego à traiçoeira percepção de fluência durante os estudos.

“Nós temos todas as diversas pesquisas que mostram que a maioria das pessoas prefere os métodos tradicionais e pouco eficientes de aprendizagem. Então, os alunos certamente não ficarão nada felizes se tiverem que estudar por métodos alternativos, mesmo que a longo prazo eles sejam melhores.”177

Gostemos ou não, as técnicas que mais nos ajudam a obter conhecimento duradouro são as que, de certo modo, mais nos desafiam — fenômeno a que o psicólogo Robert Bjork deu o nome de dificuldades desejáveis178. Os testes práticos (que põem nossa memória em xeque forçando-a a produzir um acerto), assim como o estudo distribuído (que, ao afastar nossas sessões de estudo, dificulta a recordação do conteúdo), parecem ser as estrelas da lista de Dunlosky exatamente porque, se bem aplicados, garantem a espécie e o nível adequados de desafio.

Embora desagradável — e, quando praticada, aparentemente prejudicial —, essa musculação mental é a melhor solução para deixar seu cérebro em forma. Se estiver testando uma técnica que a ciência considera poderosa, sobretudo enquanto se prepara para uma prova “dura”, prefira abraçar o desconforto. Como você provavelmente ouviria servindo ao Exército, “treinamento difícil, combate fácil”.

Não, você não deveria desprezar técnicas de estudo ‘pouco eficazes’

Se interpretada às pressas, a pesquisa de Dunlosky e seus colegas induz a uma conclusão perigosa: a de que as técnicas consideradas pouco eficazes seriam “inúteis” ou mesmo “prejudiciais” para nosso desempenho nos estudos. Nitidamente, essa não é a mensagem que os pesquisadores queriam transmitir.

“Mesmo as técnicas de aprendizagem mais inferiores”, dizem John Hattie e Gregory Donoghue, professores da Universidade de Melbourne, Austrália, “são eficazes o bastante para serem incluídas no arsenal de técnicas de um aluno.”179

Imagine, por exemplo, quão custoso seria revisar um capítulo de livro cujas palavras-chave não foram destacadas numa primeira leitura — uma dor de cabeça da qual apenas a prática de grifar nos salvaria. Ou, então, que não pudéssemos resumir textos (ou peças de qualquer outra mídia) por nunca termos sido treinados a fazê-lo. Nesse cenário, difundir conhecimento seria um processo certamente horripilante. Leve em conta que, como parte de seu trabalho, os próprios cientistas cognitivos (e acadêmicos de todas as áreas) geralmente destacam e resumem informações todos os dias, a todo momento.

Vale lembrar que técnicas de “baixa utilidade” são ótimas auxiliares de suas irmãs mais sofisticadas. Você pode, por exemplo, reler rapidamente seu material depois de um teste prático, como forma de oferecer feedback a si mesmo(a). Se já criou resumos e não quer se desfazer deles, pode usá-los como base para perguntas elaborativas (e.g., “por que este conceito é importante?”) e revisá-los em sessões distribuídas ao longo do tempo. Ao formar imagens mentais, pode explicar para si mesmo(a) como cada uma delas representa um conceito-alvo. Use a imaginação.

“Alguns professores podem decidir”, diz a equipe de Dunlosky, “que os benefícios das técnicas com classificações de baixa utilidade correspondem a seus objetivos de ensino para os alunos”180. Em outras palavras, você pode não precisar, a depender da atividade que tem pela frente, de “toda a eficiência” que estratégias mais bem avaliadas garantem.

Se nossa tarefa-alvo for um exame difícil que exija domínio de muitas matérias — como o Enem ou um disputado concurso público da área jurídica —, podemos concordar que apenas reler apostilas não seria o melhor “carro-chefe” de nossas estratégias de estudo. Em outros casos, porém, como o de muitas pequenas tarefas intelectuais do dia a dia, ferramentas “menos nobres” nos servirão muito bem, obrigado.

Testar o conhecimento respondendo a exames é uma das técnicas de estudo mais poderosas para produzir conhecimento duradouro
Testar o conhecimento respondendo a exames é uma das técnicas de estudo mais poderosas para produzir conhecimento duradouro — Foto: Reprodução de Museums Victoria via Unsplash

Também na ciência cognitiva, nem tudo o que reluz é ouro

“As técnicas […] descritas nesta monografia”, alertam Dunlosky e os parceiros, “não serão uma panaceia para melhorar o desempenho de todos os alunos e, talvez obviamente, beneficiarão apenas os […] motivados e capazes de utilizá-las”181.

Para psicólogos cognitivos e professores forjados em sala de aula, essa não era nenhuma surpresa. Em Visible learning, de 2009, o neozelandês John Hattie já havia demonstrado, depois de avaliar mais de oitocentas meta-análises sobre a matéria, que muitos fatores impactam o desempenho estudantil além de nós mesmos e nossas escolhas: nosso ambiente doméstico, a própria escola, os professores, a grade curricular e as abordagens de ensino, por exemplo182.

O modelo “hierárquico” do estudo de Dunlosky e seus colegas — a classificação objetiva de técnicas como mais ou menos úteis — também parece não ser uma unanimidade entre especialistas. Hattie e Donoghue, por exemplo, acreditam que a eficácia de uma estratégia varia de acordo com o momento da aprendizagem em que nos achamos: é nosso primeiro contato com a matéria ou já somos aprendizes avançados? Para a dupla, nossa intenção ao estudar também é determinante: queremos aprender superficialmente, profundamente ou transferir nossas habilidades para novos contextos? Diferentes cenários, diferentes resultados.183

Até que novos estudos em sala de aula lancem mais luz sobre o caminho do sucesso acadêmico, as sugestões do grupo de Dunlosky seguem válidas — e amplamente respeitadas. “Quando usadas ​​corretamente”, encorajam os autores, “suspeitamos que elas produzirão ganhos significativos no desempenho em sala de aula, em testes de desempenho e em muitas tarefas a encarar ao longo da vida”184.

Perguntas frequentes sobre técnicas de estudo

  • O que são técnicas de estudo? Técnicas de estudo são estratégias cognitivas que permitem ao cérebro obter, compreender e reter informações com mais eficiência. Ao empregar técnicas de estudo realmente eficazes, você será capaz de aprimorar seu desempenho intelectual dedicando menos tempo e esforço aos estudos, e tornar sua jornada menos frustrante (e mais estimulante) ao compreender como a aprendizagem de fato funciona.
  • A técnica de estudo à qual eu estou mais habituado(a) não seria “a melhor”? As coisas não são tão simples. Neurocientistas já demonstraram que algumas atividades, como responder a testes e espaçar os estudos ao longo do tempo, tendem a ser consistentemente mais eficazes do que outras, como reler seu material ou sublinhá-lo. Ainda que sua técnica favorita seja cognitivamente mais confortável e pareça produtiva, ela pode estar levando a pouco resultado real. Para evitar esse cenário, avalie-se regularmente (encarando, de tempos em tempos, simulados do exame que você tem em vista, por exemplo). Ao notar que se apegou a uma técnica de estudo pouco útil, você pode tentar conjugá-la com outras mais poderosas ou até abandoná-la por completo, a depender do seu desempenho.
  • Posso confiar em uma técnica de estudo com base na sensação de que aprendi mais ao usá-la? Idealmente, não. Em muitos casos, confiar na sensação de que aprendeu mais ao recorrer a uma técnica de estudo é uma armadilha — a não ser que ela figure entre aquelas altamente eficazes que você conheceu acima. Quando um assunto parecer fácil de entender ou memorizar (um tópico que nos oferece o que os cientistas chamam de fluência cognitiva), você terá a impressão de que já o dominou, mesmo que isso não seja verdade. Essa ilusão de competência é exatamente o que leva muitos estudantes a preferirem exercícios cômodos e familiares, mas pouco eficazes, às suas contrapartes desafiadoras, mas poderosas. Tarefas mentalmente exigentes, como enfrentar questões de múltipla escolha ou recuperar um conceito da memória, podem parecer menos eficientes e até desanimadoras — mas são, segundo a ciência, as maiores responsáveis por promover aprendizado duradouro.
  • Quais são as técnicas de estudo mais eficazes, segundo a ciência? Suportadas por uma vasta literatura científica, as técnicas de estudo mais eficazes são os testes práticos (resolver questões de um exame simulado, por exemplo) e a prática distribuída (espaçar seções de estudo ao longo do tempo, em vez de concentrá-las).
  • Quais são as técnicas de estudo menos eficazes, segundo a ciência? Grifar e sublinhar, criar resumos, recorrer a mnemônicos de palavras-chave, reler textos e associar imagens a conceitos são técnicas de estudo pouco úteis. Apesar de ainda não figurarem no topo do ranking, a elaboração interrogativa, a autoexplicação e a prática intercalada, consideradas técnicas de utilidade moderada, são preferíveis às primeiras pois promovem mais aprendizado.
  • Usar técnicas de estudo eficazes pode realmente melhorar meu desempenho acadêmico? Muito provavelmente, sim. Já em 2011, pesquisadores da Universidade de Maastricht e da Universidade da Carolina do Norte (Chapel Hill) mostraram que o desempenho de estudantes de Farmácia em exames melhorou consideravelmente depois de um treinamento sobre “estudo inteligente”.185 Estudantes de Medicina e Odontologia com habilidades de estudo superiores alcançaram notas médias consistentemente mais altas do que seu colegas menos habilidosos186. Além disso, mesmo estudantes de diferentes cursos de graduação com bons hábitos de estudo se saíram melhor em exames de licenciatura do que seus pares menos comprometidos187. Para nos lembrar de que nem tudo são flores, porém, alguns trabalhos não identificaram nenhuma vantagem em ensinar estratégias de estudo a universitários188. Tenha em mente que o sucesso da empreitada é ditado não apenas pela sua capacidade de seguir regras e aplicar estratégias, mas também por seu conhecimento prévio de cada matéria estudada — quanto maior, maiores tendem a ser as suas conquistas189. Em todo caso, mesmo estudos com resultados positivos como os mencionados acima realçam a importância do planejamento e do aspecto motivacional de valorar as tarefas que temos pela frente190. Se você tiver dificuldades especiais para acompanhar seus colegas de turma ou atingir os próprios objetivos de estudo, buscar uma “rota de nivelamento” — oferecida pela instituição ou, em outro caso, elaborada por você — pode ser de grande ajuda191. Aprender a monitorar o próprio aprendizado (uma estratégia metacognitiva de aprendizagem) também pode aumentar a eficácia das técnicas que você acabou de conhecer192.

Leituras recomendadas sobre técnicas de estudo

Referências

  1. John Dunlosky et al., Improving students’ learning with effective learning techniques: promising directions from Cognitive and Educational Psychology. Psychological Science in the Public Interest (PSPI), v. 14, n. 1, p. 5 [4–58], jan. 2013. ↩︎
  2. Jeffrey D. Karpicke, Andrew C. Butler e Henry L. Roediger III, Metacognitive strategies in student learning: do students practice retrieval when they study on their own? Memory, v. 17, n. 4, p. 474 [471–9], abr. 2009. ↩︎
  3. Dunlosky et al., op. cit., p. 27. ↩︎
  4. Ibid. ↩︎
  5. Richard E. Mayer, Can you repeat that? Qualitative effects of repetition and advance organizers on learning from science prose. Journal of Educational Psychology (JEP), v. 75, n. 1, p. 40–9, 1983. Veja também Bruce K. Bromage e Mayer, Quantitative and qualitative effects of repetition on learning from technical text. JEP, v. 78, n. 4, p. 271–8, 1986. ↩︎
  6. Como Bromage e Mayer, op. cit.; Kenneth A. Kiewra et al., Effects of repetition on recall and note-taking: strategies for learning from lectures (JEP, v. 83, n. 1, p. 120–3, 1991); e Katherine A. Rawson e Walter Kintsch, Rereading effects depend on time of test. JEP, v. 97, n. 1, p. 70–80, 2005. ↩︎
  7. Mayer, op. cit., e Bromage e Mayer, op. cit. ↩︎
  8. Dunlosky et al., op. cit., p. 28. ↩︎
  9. Ibid. ↩︎
  10. Ibid. ↩︎
  11. Sarah L. Dowhower, Repeated reading revisited: research into practice. Reading & Writing Quarterly, v. 10, n. 4, p. 343–58, out. 1994. ↩︎
  12. Dunlosky et al., op. cit., p. 29. ↩︎
  13. Carla E. Greving e Tobias Richter, Distributed learning in the classroom: effects of rereading schedules depend on time of test. Frontiers in Psychology, v. 9, jan. 2019. ↩︎
  14. Yana Weinstein, Kathleen B. McDermott e Roediger III, A comparison of study strategies for passages: rereading, answering questions, and generating questions. Journal of Experimental Psychology: Applied (JEP:A), v. 16, n. 3, p. 308–16, 2010. ↩︎
  15. Dunlosky et al., op. cit., p. 29. ↩︎
  16. Como visto em Kenneth E. Bell e John E. Limber, Reading skill, textbook marking, and course performance. Literacy Research and Instruction, v. 49, n. 1, p. 56–67, 2010. Veja também Kirsti Lonka, Sari Lindblom-Ylänne e Sini Maury, The effect of study strategies on learning from text (Learning and Instruction [LI], v. 4, n. 3, p. 253–71, jan. 1994) e Sherrie L. Nist e Katie Kirby, The text marking patterns of college students (Reading Psychology: An International Quarterly, v. 10, n. 4, p. 321–38, set. 1989). ↩︎
  17. R. Reed Hunt, The subtlety of distinctiveness: what von Restorff really did. Psychonomic Bulletin & Review (PB&R), v. 2, n. 1, p. 105–12, mar. 1995. ↩︎
  18. Hunt e J. B. Worthen (eds.), Distinctiveness and memory. Oxford University Press, 2006. ↩︎
  19. O efeito geração é o que faz você se lembrar mais de itens gerados por sua própria mente do que daqueles que recebeu passivamente (como por meio da leitura). Em essência, recordar ou produzir informações de forma ativa cria traços de memória mais fortes e duradouros do que apenas ler ou ouvir, por exemplo. ↩︎
  20. Norman J. Slamecka e Peter Graf, The generation effect: delineation of a phenomenon. Journal of Experimental Psychology: Human Learning and Memory, v. 4, n. 6, p. 592–604, 1978. Veja também Harold W. Faw e T. Gary Waller, Mathemagenic behaviours and efficiency in learning from prose materials: review, critique and recommendations. Review of Educational Research, v. 46, n. 4, p. 691–720, dez. 1976. ↩︎
  21. John P. Rickards e Peter R. Denner, Depressive effects of underlining and adjunct questions on children’s recall of text. Instructional Science (IS), v. 8, n. 1, p. 81–90, jan. 1979. ↩︎
  22. Sherrie L. Nist e Mark C. Hogrebe, The role of underlining and annotating in remembering textual information. Reading Research and Instruction (RRI), v. 27, n. 1, p. 12–25, set. 1987. ↩︎
  23. Kalmer E. Stordahl e Clifford M. Christensen, The effect of study techniques on comprehension and retention. The Journal of Educational Research (JER), v. 49, p. 561–70, 1956. ↩︎
  24. William B. Todd e Clemm C. Kessler III, Influence of response mode, sex, reading ability, and level of difficulty on four measures of recall of meaningful written material. JEP, v. 62, n. 3, p. 229–34, 1971. ↩︎
  25. Warren Fass e Gary M. Schumacher, Effects of motivation, subject activity, and readability on the retention of prose materials. JEP, v. 70, n. 5, p. 803–7, 1978. Veja também Todd e Kessler III, op. cit. ↩︎
  26. Sarah E. Peterson, The cognitive functions of underlining as a study technique. RRI, v. 31, n. 2, p. 49–56, 1992. ↩︎
  27. Valjean M. Cashen e Kenneth L. Leicht, Role of the isolation effect in a formal educational setting. JEP, v. 61, n. 6, pt. 1, p. 484–6, 1970. Veja também Leicht e Cashen, Type of highlighted material and examination performance. JER, v. 65, n. 7, p. 315–6, mar. 1972. ↩︎
  28. Robert F. Lorch Jr., Elizabeth Pugzles Lorch e Madeline A. Klusewitz, Effects of typographical cues on reading and recall of text. Contemporary Educational Psychology (CEP), v. 20, n. 1, p. 51–64, jan. 1995. ↩︎
  29. Dunlosky et al., op. cit., p. 20–1. ↩︎
  30. Aly Anwar Amer, The effect of knowledge-map and underlining training on the reading comprehension of scientific texts. English for Specific Purposes, v. 13, n. 1, p. 35–45, jan. 1994. Veja também A. Majid Hayati e Sadegh Shariatifar, Mapping strategies (Journal of College Reading and Learning, v. 39, n. 2, p. 53–67, mar. 2009) e John A. Glover et al., Effects of training students to identify the semantic base of prose materials. Journal of Applied Behavior Analysis (JABA), v. 13, n. 4, p. 655–67, 1980. ↩︎
  31. Dunlosky et al., op. cit., p. 21. ↩︎
  32. Ibid. ↩︎
  33. Ibid., p. 19–20. ↩︎
  34. Fass e Schumacher, op. cit. ↩︎
  35. Amer, op. cit.; Hayati e Shariatifar, op. cit.; e Glover et al., op. cit. ↩︎
  36. Gilles O. Einstein, Joy Morris e Susan Smith, Note-taking, individual differences, and memory for lecture information. JEP, v. 77, n. 5, p. 522–32, 1985. ↩︎
  37. Dunlosky et al., op. cit., p. 14. ↩︎
  38. Merlin C. Wittrock, Generative processes of comprehension. Educational Psychologist, v. 24, n. 4, p. 345–76, 1989. Veja também Michelene T. H. Chi, Active-constructive-interactive: a conceptual framework for differentiating learning activities. Topics in Cognitive Science, v. 1, n. 1, p. 73–105, 2009. ↩︎
  39. Linda F. Annis, Student-generated paragraph summaries and the information-processing theory of prose learning. Journal of Experimental Education, v. 54, n. 1, p. 4–10, 1985 — embora, segundo Dunlosky et al. (op. cit.), a evidência precise ser replicada. ↩︎
  40. Burke H. Bretzing e Raymond W. Kulhavy, Notetaking and depth of processing. CEP, v. 4, n. 2, p. 145–53, abr. 1979. ↩︎
  41. A esse respeito, Dunlosky et al. (op. cit.) indicam a leitura de Timothy C. Bednall e E. James Kehoe, Effects of self-regulatory instructional aids on self-directed study. IS, v. 39, n. 2, p. 205–26, mar. 2011. Ver também Larry W. Brooks et al., Generation of descriptive text headings (CEP, v. 8, n. 2, p. 103–8, 1983) e James R. King, Shirley Biggs e Sally Lipsky, Students’ self-questioning and summarizing as reading study strategies (Journal of Reading Behavior [JRB], v. 16, n. 3, p. 205–18, set. 1984). ↩︎
  42. Dunlosky et al., op. cit., p. 16. ↩︎
  43. Steven D. Rinehart, Steven A. Stahl e Lawrence G. Erickson, Some effects of summarization training on reading and studying. Reading Research Quarterly (RRQ), v. 21, n. 4, p. 422–38, 1986. ↩︎
  44. Dunlosky et al., op. cit., p. 17. ↩︎
  45. Guoxing Yu, The shifting sands in the effects of source text summarizability on summary writing. Assessing Writing, v. 14, n. 2, p. 116–37, jan. 2009. ↩︎
  46. M. Gajria e J. Salvia, The effects of summarization instruction on text comprehension of students with learning disabilities. Exceptional Children (EC), v. 58, n. 6, p. 508–16, maio 1992. Ver também L. D. Malone e M. A. Mastropieri, Reading comprehension instruction: summarization and self-monitoring training for students with learning disabilities (EC, v. 58, n. 3, p. 270–9, jan. 1991), Victoria C. Hare e Kathleen M. Borchardt, Direct instruction of summarization skills (RRQ, v. 20, n. 1, p. 62–78, 1984) e Rinehart, Stahl e Erickson, op. cit. ↩︎
  47. Bednall e Kehoe, op. cit. ↩︎
  48. Dunlosky et al., op. cit., p. 18. ↩︎
  49. Ibid. ↩︎
  50. Ibid. ↩︎
  51. As instruções, é claro, são apenas exemplos do que você pode fazer ao resumir um conto. Fique à vontade para criar os próprios comandos, mas não se esqueça de que instruções claras tendem a tornar a sumarização mais eficaz. ↩︎
  52. No clássico A arte da memória, a historiadora inglesa Frances A. Yates investiga a tradição da mnemotécnica — a “arte da memória” — da Antiguidade clássica ao Renascimento. Mencionados na obra, Cícero e Quintiliano são, com o perdão do trocadilho, grandes advogados do uso das imagens mentais com o fim de memorizar discursos e outras informações. ↩︎
  53. O exemplo é de Dunlosky et al., op. cit., p. 22. ↩︎
  54. Proposta pelo professor de Psicologia Allan Paivio, a teoria da codificação dupla (ou dual) sugere que processamos e recordamos melhor informações representadas ao mesmo tempo verbal e visualmente — isto é, combinando texto e imagens. ↩︎
  55. Na Psicologia Cognitiva, a elaboração é o processo de refletir mais profundamente sobre o material que estudamos, conectando-o à nossa rede de conhecimento prévio. ↩︎
  56. Dunlosky et al., op. cit., p. 22. ↩︎
  57. Ibid. ↩︎
  58. Ibid. ↩︎
  59. Ibid. ↩︎
  60. Michael Pressley e Joel R. Levin, Developmental constraints associated with children’s use of the keyword method of foreign language vocabulary learning. Journal of Experimental Child Psychology (JECP), v. 26, n. 2, p. 359–72, out. 1978. ↩︎
  61. Dunlosky et al., op. cit., p. 22. ↩︎
  62. James W. Hall, On the utility of the keyword mnemonic for vocabulary learning. JEP, v. 80, n. 4, p. 554–62, 1988. ↩︎
  63. Pressley e Levin, op. cit. ↩︎
  64. Levin et al., Assessing the classroom potential of the keyword method. JEP, v. 71, n. 5, p. 583–94, 1979. Veja também Benné Willerman e Bernice Melvin, Reservations about the keyword mnemonic. The Canadian Modern Language Review, v. 35, n. 3, p. 443–53, mar. 1979. ↩︎
  65. Dunlosky et al., op. cit., p. 23. ↩︎
  66. Ibid., p. 22. ↩︎
  67. Amy M. Shapiro e Dusty L. Waters, An investigation of the cognitive processes underlying the keyword method of foreign vocabulary learning. Language Teaching Research, v. 9, n. 2, p. 129–46, abr. 2005. Ver também Linda K. Shriberg et al., Learning about “famous” people via the keyword method (JEP, v. 74, n. 2, p. 238–47, 1982) e Margaret H. Thomas e Alvin Y. Wang, Learning by the keyword mnemonic: looking for long-term benefits (JEP:A, v. 2, n. 4, p. 330–42, 1996). ↩︎
  68. Alvin Y. Wang, Margaret H. Thomas e Judith A. Ouellette, Keyword mnemonic and retention of second-language vocabulary words. JEP, v. 84, n. 4, p. 520–8, 1992. Veja também Alvin Y. Wang e Margaret H. Thomas, Effects of keyword on long-term retention: help or hindrance? JEP, v. 87, n. 3, p. 468–75, 1995. ↩︎
  69. Dunlosky et al., op. cit., p. 24. ↩︎
  70. Ibid. ↩︎
  71. Hunt e Worthen, op. cit. ↩︎
  72. Dunlosky et al., op. cit., p. 24. ↩︎
  73. Ibid., p. 25. ↩︎
  74. Rossana De Beni e Angelica Moè, Presentation modality effects in studying passages. Are mental images always effective? Applied Cognitive Psychology (ACP), v. 17, n. 3, p. 309–24, 2003. ↩︎
  75. Dunlosky et al., op. cit., p. 25. ↩︎
  76. Carol L. Hodes, The effectiveness of mental imagery and visual illustrations: a comparison of two instructional variables. Journal of Research & Development in Education (JR&DE), v. 26, n. 1, p. 46–56, 1992. Veja também Ellen D. Gagné e David Memory, Instructional events and comprehension: generalization across passages (JRB, v. 10, n. 4, p. 321–35, 1978) e Jeannette L. Miccinati, The influence of a six-week imagery training program on children’s reading comprehension (JRB, v. 14, n. 2, p. 197–203, jun. 1982). ↩︎
  77. Dunlosky et al., op. cit., p. 26. ↩︎
  78. Ibid. ↩︎
  79. Richard C. Anderson e Kulhavy, Imagery and prose learning. JEP, v. 63, n. 3, p. 242–3, 1972. ↩︎
  80. De Beni e Moè, op. cit.; veja também Levin e Patricia Divine-Hawkins, Visual imagery as a prose-learning process. JRB, v. 6, n. 1, p. 23–30, mar. 1974. ↩︎
  81. Dunlosky et al., op. cit., p. 26. ↩︎
  82. Detlev Leutner, Claudia Leopold e Elke Sumfleth, Cognitive load and Science text comprehension: effects of drawing and mentally imagining text content. Computers in Human Behavior (including the special issue State of the Art Research into Cognitive Load Theory). v. 25, n. 2, p. 284–9, mar. 2009. ↩︎
  83. Dunlosky et al., op. cit., p. 26. ↩︎
  84. Ibid., p. 8. ↩︎
  85. Termo da Psicologia e da Ciência Cognitiva, o esquema mental corresponde a um padrão de pensamento ou comportamento que organiza e articula categorias de informação. Construídos por meio da nossa experiência, aprendizado e interação com o ambiente, esquemas mentais nos permitem imaginar, compreender e assimilar informações e resolver problemas. Para mais definições de esquema, consiste este verbete do Dicionário de Psicologia da Associação Americana de Psicologia. ↩︎
  86. Teena Willoughby e Eileen Wood, Elaborative interrogation examined at encoding and retrieval. LI, v. 4, n. 2, p. 139–49, 1 jan 1994. 1994. ↩︎
  87. Dunlosky et al., op. cit., p. 8. Veja Rawson e James P. Van Overschelde, How does knowledge promote memory? The distinctiveness theory of skilled memory. Journal of Memory and Language (JML), v. 58, n. 3, p. 646–68, abr. 2008. ↩︎
  88. Dunlosky et al., op. cit., p. 8. ↩︎
  89. Ibid., p. 9. ↩︎
  90. Ibid., p. 8. ↩︎
  91. Betty Lou Smith, William G. Holliday e Homer W. Austin, Students’ comprehension of science textbooks using a question-based reading strategy. Journal of Research in Science Teaching, v. 47, n. 4, p. 363–79, 2010. ↩︎
  92. Thomas E. Scruggs et al., Improving reasoning and recall: the differential effects of elaborative interrogation and mnemonic elaboration. Learning Disability Quarterly, v. 16, n. 3, p. 233–40, 1993. O trabalho de Wood et al. (Effectiveness of elaboration strategies for grade school children as a function of academic achievement; JECP, v. 56, n. 2, p. 240–53, out. 1993), no entanto, não notou os mesmos efeitos entre estudantes com dificuldades. ↩︎
  93. Dunlosky et al., op. cit., p. 9. ↩︎
  94. Ibid., p. 10. ↩︎
  95. Ibid. ↩︎
  96. Smith, Holliday e Austin, op. cit. ↩︎
  97. Dunlosky et al., op. cit., p. 10. ↩︎
  98. Ibid. ↩︎
  99. Aimee A. Callender e Mark A. McDaniel, The benefits of embedded question adjuncts for low and high structure builders. JEP, v. 99, n. 2, p. 339–48, 2007. ↩︎
  100. Crystal M. Ramsay, Rayne A. Sperling e Michele M. Dornisch, A comparison of the effects of students’ expository text comprehension strategies. IS, v. 38, n. 6, p. 551–70, 2010. ↩︎
  101. Sabrina D. Navratil e Tim Kühl, Learning with elaborative interrogations and the impact of learners’ emotional states. Journal of Computer Assisted Learning, v. 35, n. 2, p. 218–27. ↩︎
  102. Dunlosky et al., op. cit., p. 11. ↩︎
  103. Não se lembra da propriedade distributiva da multiplicação? Refresque sua memória com este artigo da Khan Academy. ↩︎
  104. Dunlosky et al., op. cit., p. 13. ↩︎
  105. Bethany Rittle-Johnson, Promoting transfer: effects of self-explanation and direct instruction. Child Development, v. 77, n. 1, p. 1–15, 2006. ↩︎
  106. Dunlosky et al., op. cit., p. 12. ↩︎
  107. Dianne C. Berry, Metacognitive experience and transfer of logical reasoning. The Quarterly Journal of Experimental Psychology (QJEP), Seção A, v. 35, n. 1, p. 39–49, fev. 1983. ↩︎
  108. Dunlosky et al., op. cit., p. 12. ↩︎
  109. Testamos a transferência próxima ao aplicar, em um contexto semelhante ao de estudo, o que acabamos de aprender — como ao ler um artigo em inglês depois de “praticar vocabulário” idêntico ao do texto. A transferência distante, por sua vez, pode ser avaliada quando aplicamos nossos novos conhecimentos em contextos bem diferentes daquele em que estudamos, como ao usar o raciocínio lógico treinado em Matemática para resolver um problema de programação. Veja Dunlosky et al., op. cit., p. 12–3. ↩︎
  110. Silke Schworm e Alexander Renkl, Computer-supported example-based learning: when instructional explanations reduce self-explanations. Computers & Education, v. 46, n. 4, p. 426–45, mai. 2006. Veja também Vincent A. W. M. M. Aleven e Kenneth R. Koedinger, An effective metacognitive strategy: learning by doing and explaining with a computer-based cognitive tutor. Cognitive Science (CS), v. 26, n. 2, p. 147–79, mar. 2002. ↩︎
  111. Ibid. ↩︎
  112. Dunlosky et al., op. cit., p. 13. ↩︎
  113. Ibid. ↩︎
  114. Ibid. ↩︎
  115. Shaaron Ainsworth e Sarah Burcham, The impact of text coherence on learning by self-explanation. LI, v. 17, n. 3, p. 286–303, jun. 2007. Veja também Regina M. F. Wong, Michael J. Lawson e John Keeves, The effects of self-explanation training on students’ problem solving in high-school mathematics. LI, v. 12, n. 2, p. 233–62, abr. 2002. ↩︎
  116. Dunlosky et al., op. cit., p. 14. ↩︎
  117. Ibid., p. 41. ↩︎
  118. Doug Rohrer e Kelli Taylor, The effects of overlearning and distributed practise on the retention of mathematics knowledge. ACP, v. 20, n. 9, p. 1209–24, 2006. ↩︎
  119. Dunlosky et al., op. cit., p. 41. ↩︎
  120. Ibid., p. 42. Veja, originalmente, Sean H. K. Kang e Harold Pashler, Learning painting styles: spacing is advantageous when it promotes discriminative contrast. ACP, v. 26, n. 1, p. 97–103, 2012. ↩︎
  121. Kang e Pashler, op. cit. ↩︎
  122. Vivian I. Schneider, Alice F. Healy e Lyle E. Bourne Jr., Contexual interference effects in foreign language vocabulary acquisition and retention. In: Healy e Bourne Jr. (eds.), Foreign language learning: Psycholinguistic studies on training and retention. Lawrence Erlbaum Associates Publishers, 1998, p. 77–90. Veja também Schneider, Healy e Bourne Jr., What is learned under difficult conditions is hard to forget: contextual interference effects in foreign vocabulary acquisition, retention, and transfer. JML, v. 46, n. 2, p. 419–40, 2002. ↩︎
  123. Kristin H. Mayfield e Philip N. Chase, The effects of cumulative practice on mathematics problem solving. JABA, v. 35, n. 2, p. 105–23, 2002. ↩︎
  124. Dunlosky et al., op. cit., p. 44. ↩︎
  125. Ibid. ↩︎
  126. Ibid. ↩︎
  127. Gregory M. Donoghue e John A. C. Hattie, A meta-analysis of ten learning techniques. Frontiers in Education: Educational Psychology, v. 6, Discussion and conclusion, mar. 2021. ↩︎
  128. Dunlosky et al., op. cit., p. 44. ↩︎
  129. Ibid., p. 44. ↩︎
  130. Kang e Pashler, op. cit. ↩︎
  131. Rohrer e Taylor, The shuffling of mathematics problems improves learning. IS, v. 35, n. 6, p. 481–98, out. 2007. ↩︎
  132. Shana K. Carpenter, Cue strength as a moderator of the testing effect: the benefits of elaborative retrieval. Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition (JEP:LMC), v. 35, n. 6, p. 1563–9, nov. 2009. Veja também Carpenter, Semantic information activated during retrieval contributes to later retention: support for the mediator effectiveness hypothesis of the testing effect. JEP:LMC, v. 37, n. 6, p. 1547–52, nov. 2011. ↩︎
  133. Veja Hunt (op. cit.); Hunt, The concept of distinctiveness in memory research (In: Hunt e Worthen [eds.], op. cit., p. 3–25); e Franklin M. Zaromb e Roediger III, The testing effect in free recall is associated with enhanced organizational processes. Memory & Cognition (M&C), v. 38, n. 8, p. 995–1008, dez. 2010. ↩︎
  134. Janet Metcalfe, Nate Kornell e Bridgid Finn, Delayed versus immediate feedback in children’s and adults’ vocabulary learning. M&C, v. 37, n. 8, p. 1077–87, dez. 2009. ↩︎
  135. Catherine O. Fritz et al., Expanding retrieval practice: an effective aid to preschool children’s learning. QJEP, v. 60, n. 7, p. 991–1004, 2007. Veja também Thomas R. Kratochwill, Dennis M. DeMuth e William C. Conzemius, The effects of overlearning on preschool children’s retention of sight vocabulary words. Reading Improvement, v. 14, n. 4, p. 223–8, 1977. ↩︎
  136. Charles B. Kromann, Morten L. Jensen e Charlotte Ringsted, The effect of testing on skills learning. Medical Education (ME), v. 43, n. 1, p. 21–7, jan. 2009. Veja também P. J. Rees, Do medical students learn from multiple choice examinations? (ME, v. 20, n. 2, p. 123–5, mar. 1986) e Ralf Schmidmaier et al., Using electronic flashcards to promote learning in medical students: retesting versus restudying (ME, v. 45, n. 11, p. 1101–10, nov. 2011). ↩︎
  137. Dunlosky et al., op. cit., p. 32–3. Veja, por exemplo, Butler, Karpicke e Roediger III, Correcting a metacognitive error: feedback increases retention of low-confidence correct responses (JEP:LMC, v. 34, n. 4, p. 918–28, 2008); Troy A. Smith e Daniel R. Kimball, Learning from feedback: spacing and the delay-retention effect (JEP:LMC, v. 36, n. 1, p. 80–95, jan. 2010); Butler e Roediger III, Testing improves long-term retention in a simulated classroom setting (European Journal of Cognitive Psychology [EJCP], v. 19, n. 4–5, p. 514–27, 2007); Jacquelyn Cranney et al., The testing effect, collaborative learning, and retrieval-induced facilitation in a classroom setting (EJCP, v. 21, n. 6, p. 919–40, 2009); e Marija Vojdanoska, Cranney e Ben R. Newell, The testing effect: the role of feedback and collaboration in a tertiary classroom setting (ACP, v. 24, n. 8, p. 1183–95, 2010). ↩︎
  138. Dunlosky et al., op. cit., p. 33–4. Para mais sobre o efeito dos testes sobre o desempenho de universitários em um curso on-line de Psicologia, veja McDaniel, Kathleen M. Wildman e Janis L. Anderson, Using quizzes to enhance summative-assessment performance in a web-based class: an experimental study. Journal of Applied Research in Memory and Cognition (JARMC), v. 1, n. 1, p. 18–26, 2012. ↩︎
  139. Dunlosky et al., op. cit., p. 30–1. ↩︎
  140. Ibid., p. 35. ↩︎
  141. Você encontrará uma extensa lista de evidências que sustentam essa afirmação em Dunlosky et al., op. cit., p. 33. ↩︎
  142. Pooja K. Agarwal et al., Classroom-based programs of retrieval practice reduce middle school and high school students’ test anxiety. JARMC, v. 3, n. 3, p. 131–9, set. 2014. ↩︎
  143. Sobre as vantagens estendidas de distribuir seus testes ao longo do tempo, veja Glover, The “testing” phenomenon: not gone but nearly forgotten (JEP, v. 81, n. 3, p. 392–9, 1989); Carpenter e Edward L. DeLosh, Application of the testing and spacing effects to name learning (ACP, v. 19, n. 5, p. 619–36, 2005); William L. Cull, Untangling the benefits of multiple study opportunities and repeated testing for cued recall (ACP, v. 14, n. 3, p. 215–35, 2000); Karpicke e Althea Bauernschmidt, Spaced retrieval: absolute spacing enhances learning regardless of relative spacing (JEP:LMC, v. 37, n. 5, p. 1250–7, set. 2011). Sobre o fato de espaçamentos maiores entre os testes aumentarem os benefícios da prática, veja Pashler, Gregory Zarow e Baylor Triplett, Is temporal spacing of tests helpful even when it inflates error rates? (JEP:LMC, v. 29, n. 6, p. 1051–7, nov. 2003); Philip I. Pavlik e John R. Anderson, Practice and forgetting effects on vocabulary memory: an activation-based model of the spacing effect (CS, v. 29, n. 4, p. 559–86, jul. 2005); Mary A. Pyc e Rawson, Testing the retrieval effort hypothesis: does greater difficulty correctly recalling information lead to higher levels of memory? (JML, v. 60, n. 4, p. 437–47, mai. 2009); e Pyc e Rawson, Why is test-restudy practice beneficial for memory? An evaluation of the mediator shift hypothesis (JEP:LMC, v. 38, n. 3, p. 737–46, mai. 2012). ↩︎
  144. Donoghue e Hattie, op. cit., Introduction. ↩︎
  145. Butler, Karpicke e Roediger III, op. cit. Veja também Smith e Kimball, op. cit. ↩︎
  146. Sobre essas vantagens, veja Paul W. Foos e Ronald P. Fisher, Using tests as learning opportunities (JEP, v. 80, n. 2, p. 179–83, 1988); Cheryl I. Johnson e Mayer, A testing effect with multimedia learning (JEP, v. 101, n. 3, p. 621–9, 2009); McDaniel, Daniel C. Howard e Einstein, The read-recite-review study strategy: effective and portable (Psychological Science [PS], v. 20, n. 4, p. 516–22, abr. 2009); Butler, Repeated testing produces superior transfer of learning relative to repeated studying (JEP:LMC, v. 36, n. 5, p. 1118–33, set. 2010); Agarwal e Roediger III, Expectancy of an open-book test decreases performance on a delayed closed-book test (Memory, v. 19, n. 8, p. 836–52, nov. 2011); e Karpicke e Janell R. Blunt, Retrieval practice produces more learning than elaborative studying with concept mapping (Science, v. 331, n. 6.018, p. 772–5, fev. 2011). ↩︎
  147. Karpicke e Blunt, op. cit. Veja também Butler, op. cit. ↩︎
  148. Larry L. Jacoby, Christopher N. Wahlheim e Jennifer H. Coane, Test-enhanced learning of natural concepts: effects on recognition memory, classification, and metacognition. JEP:LMC, v. 36, n. 6, p. 1441–51, nov. 2010. Veja também Kang, McDaniel e Pashler, Effects of testing on learning of functions. PB&R, v. 18, n. 5, p. 998–1005, out. 2011. ↩︎
  149. Dunlosky et al., op. cit., p. 32–3. ↩︎
  150. David A. Balota et al., Does expanded retrieval produce benefits over equal-interval spacing? Explorations of spacing effects in healthy aging and early stage Alzheimer’s disease. Psychology and Aging (PA), v. 21, n. 1, p. 19–31, mar. 2006. Veja também James F. Sumowski, Nancy Chiaravalloti e John Deluca, Retrieval practice improves memory in multiple sclerosis: clinical application of the testing effect. Neuropsychology, v. 24, n. 2, p. 267–72, mar. 2010. ↩︎
  151. Karpicke, Butler e Roediger III, op. cit., p. 473. ↩︎
  152. Dunlosky et al., op. cit., p. 34. ↩︎
  153. Ibid., p. 29. ↩︎
  154. Ibid., p. 35. ↩︎
  155. Ibid., p. 36. ↩︎
  156. Ibid. ↩︎
  157. Veja Harry P. Bahrick e Lynda K. Hall, The importance of retrieval failures to long-term retention: a metacognitive explanation of the spacing effect (JML, special issue on Metamemory. v. 52, n. 4, p. 566–77, mai. 2005); Frank N. Dempster, Effects of variable encoding and spaced presentations on vocabulary learning (JEP, v. 79, n. 2, p. 162–70, 1987); Douglas L. Hintzman e M. K. Rogers, Spacing effects in picture memory (M&C, v. 1, n. 4, p. 430–4, dez. 1973); e Rawson e Kintsch, op. cit. ↩︎
  158. Veja James H. Reynolds e Robert Glaser, Effects of repetition and spaced review upon retention of a complex learning task (JEP, v. 55, n. 5, p. 297–308, 1964), e Amy L. Simmons, Distributed practice and procedural memory consolidation in musicians’ skill learning. Journal of Research in Music Education, v. 59, n. 4, p. 357–68, jan. 2012. ↩︎
  159. Veja Thomas C. Toppino, The spacing effect in young children’s free recall: support for automatic-process explanations (M&C, v. 19, n. 2, p. 159–67, mar. 1991); Toppino, J. E. Kasserman e W. A. Mracek, The effect of spacing repetitions on the recognition memory of young children and adults (JECP, v. 51, n. 1, p. 123–38, fev. 1991); e Balota, Janet M. Duchek e Ronda Paullin, Age-related differences in the impact of spacing, lag, and retention interval (PA, v. 4, n. 1, p. 3–9, mar. 1989). ↩︎
  160. Nicholas J. Cepeda et al., Spacing effects in learning: a temporal ridgeline of optimal retention. PS, v. 19, n. 11, p. 1095–102, nov. 2008. ↩︎
  161. John J. Donovan e David J. Radosevich, A meta-analytic review of the distribution of practice effect: now you see it, now you don’t. Journal of Applied Psychology, v. 84, n. 5, p. 795–805, 1999. ↩︎
  162. Veja Timothy C. Rickard, Jonas Sin-Heng Lau e Pashler, Spacing and the transition from calculation to retrieval (PB&R, v. 15, n. 3, p. 656–61, jun. 2008); Rohrer, The effects of spacing and mixing practice problems (Journal for Research in Mathematics Education, v. 40, n. 1, p. 4–17, 2009); Carol-Anne E. Moulton et al., Teaching surgical skills: what kind of practice makes perfect? A randomized, controlled trial. Annals of Surgery, v. 244, n. 3, p. 400–9, set. 2006. ↩︎
  163. Como visto em Cepeda et al., Distributed practice in verbal recall tasks: a review and quantitative synthesis (Psychological Bulletin, v. 132, n. 3, p. 354–80, mai. 2006), embora, em uma parte considerável dos casos, intervalos mais longos gerem os melhores resultados (para uma discussão aprofundada do tópico, veja Dunlosky et al., op. cit., p. 37). ↩︎
  164. Dunlosky et al., op. cit., p. 38. ↩︎
  165. Ibid. ↩︎
  166. Para um parâmetro de quão longos devem ser os intervalos entre cada sessão de estudos, veja Cepeda et al., 2008, op. cit. Dunlosky et al. (2013, op. cit., p. 37) discutem a matéria com detalhes. ↩︎
  167. Jack Michael, A behavioral perspective on college teaching. The Behavior Analyst, v. 14, n. 2, p. 229–39, 1991. Veja também V. Thomas Mawhinney et al., A comparison of students studying-behavior produced by daily, weekly, and three-week testing schedules. JABA, v. 4, n. 4, p. 257–64, 1971. ↩︎
  168. Frank N. Dempster e Rebecca Farris, The spacing effect: research and practice. JR&DE, v. 23, n. 2, p. 97–101, 1990. Veja também James W. Stigler et al., An analysis of addition and subtraction word problems in American and Soviet elementary mathematics textbooks. Cognition and Instruction, v. 3, n. 3, p. 153–71, 1986. ↩︎
  169. Kornell e Robert A. Bjork, Learning concepts and categories: is spacing the “enemy of induction”? PS, v. 19, n. 6, p. 585–92, 2008. ↩︎
  170. Dunlosky et al., op. cit., p. 40. ↩︎
  171. Ibid., p. 37. Veja Carpenter, Pashler e Cepeda, Using tests to enhance 8th grade students’ retention of U.S. history facts. ACP, v. 23, n. 6, p. 760–71, 2009. ↩︎
  172. Daniel Kahneman, Rápido e devagar: duas formas de pensar. Objetiva, 2012, pt. 1, cap. 2. ↩︎
  173. Uma introdução bastante acessível às ilusões de competência está disponível em Barbara Oakley, Aprendendo a aprender: como ter sucesso em Matemática, Ciências e qualquer outra matéria (mesmo se você foi reprovado em Álgebra). Infopress Nova Mídia, 2015, p. 66–89. ↩︎
  174. Dunlosky e Regan A. R. Gurung, Study like a champ: the Psychology-based guide to “grade A” study habits. American Psychological Association, 2023, cap. 1. A tradução para o português é minha. ↩︎
  175. Karpicke, Butler e Roediger III, op. cit., p. 473. ↩︎
  176. Jennifer McCabe, Metacognitive awareness of learning strategies in undergraduates. M&C, v. 39, n. 3, p. 462–76, 16 abr. 2011. ↩︎
  177. Bjork apud David Robson, Por que pessoas inteligentes cometem erros idiotas? O que a Nasa, Thomas Edison, Benjamin Franklin e Daniel Kahneman nos ensinam sobre como tomar boas decisões. Sextante, 2021, cap. 8. ↩︎
  178. Bjork, Memory and metamemory: considerations in the training of human beings. In: Metcalfe e A. Shimamura (eds.), Metacognition: knowing about knowing. MIT Press, 1994, p. 185–205. ↩︎
  179. Donoghue e Hattie, op. cit., Discussion and conclusion. A tradução é minha. ↩︎
  180. Dunlosky et al., op. cit., p. 45. A tradução e o grifo são meus. ↩︎
  181. Ibid., p. 47. A tradução é minha. ↩︎
  182. Hattie, Visible learning: a synthesis of over 800 meta-analyses relating to achievement. Routledge, 2009. ↩︎
  183. Hattie e Donoghue, Learning strategies: a synthesis and conceptual model. npj Science of Learning, v. 1, 16013, ago. 2016. ↩︎
  184. Dunlosky et al., op. cit., p. 47. ↩︎
  185. Felicitas Biwer, Anique de Bruin e Adam Persky, Study smart — impact of a learning strategy training on students’ study behavior and academic performance. Advances in Health Sciences Education, v. 28, n. 1, p. 147–67, 2023. ↩︎
  186. Afsaneh Hassanbeigi et al., The relationship between study skills and academic performance of university students. Procedia — Social and Behavioral Sciences, 2nd World Conference on Psychology, Counselling and Guidance — 2011. v. 30, p. 1416–24, jan. 2011. ↩︎
  187. Marie Jean N. Mendezabal, Study habits and attitudes: the road to academic success. Open Science Repository Education, e70081928, fev. 2013. ↩︎
  188. Frank van Overwalle e Machteld De Metsenaere, The effects of attribution-based intervention and study strategy training on academic achievement in college freshmen. British Journal of Educational Psychology, v. 60, n. 3, p. 299–311, 1990. ↩︎
  189. Ann L. Brown, Joseph C. Campione e Jeanne D. Day, Learning to learn: on training students to learn from texts. Educational Researcher, v. 10, n. 2, p. 18 [14–21], 1981. ↩︎
  190. Anouk S. Donker et al., Effectiveness of learning strategy instruction on academic performance: a meta-analysis. Educational Research Review, v. 11, p. 1–26, jan. 2014. ↩︎
  191. Biwer, de Bruin e Persky, op. cit. ↩︎
  192. Donker et al., op. cit. ↩︎
Caricatura do escritor, professor e produtor de conteúdo digital Felipe Pardal

Felipe Pardal é um escritor de ficção, pesquisador, criador de conteúdo digital e tutor particular de Literatura e Escrita Criativa. Autor de Samuca (romance, agora em processo de reescrita), é pós-graduado lato sensu em Literatura, Artes e Filosofia (PUCRS, Brasil) e bacharel em Direito. Mais sobre o Felipe aqui.

Leia mais

Carteiro

Uma newsletter literária.

Um e-mail por mês para deixar você a par de tudo.
Este site é protegido pelo Google reCAPTCHA; aplicam-se a Política de privacidade e os Termos de serviço do Google. Ao prosseguir, você também concorda com os Termos de uso e Política de privacidade do site.

Compartilhe

Facebook
LinkedIn
X
Reddit
WhatsApp
Threads
Telegram
Imprimir

Link para este artigo