A vida que consideramos ideal é mesmo a vida mais justa? Qual seria nossa opinião sobre como vivemos se, muito antes do esperado, a morte viesse ao nosso encontro? Essas são algumas das questões incômodas com que o russo Liev Tolstói nos confronta em A morte de Ivan Ilitch, novela em que testemunhamos o sofrimento de um homem acometido por uma doença terminal.
Embora breve, a narrativa retrata com delicadeza muitos aspectos da natureza humana, atraindo interpretações variadas da crítica. Publicada em 1886, a novela é considerada uma das obras-primas da literatura mundial, e já se tornou carta marcada em listas de leituras recomendadas, como a de Para ler como um escritor.
Resumo de ‘A morte de Ivan Ilitch’
O resumo a seguir contém revelações sobre o enredo da obra.
Na Rússia czarista, Ivan Ilitch construiu sua vida de maneira que ninguém pudesse acusá-lo de mau gosto ou falta de decência. Homem “inteligente, vivo, polido e agradável”, Ilitch concluiu a faculdade de Direito e, graças ao pai, logo assumiu o cargo de funcionário de serviços especiais. Anos mais tarde, tornou-se juiz de instrução e casou-se com Praskóvia Fiódorovna, jovem atraente e de boa família.
Vista de perto, porém, sua vida não parece tão afortunada. Embora procurador, Ivan se endivida para sustentar um estilo de vida luxuoso. Sua esposa, antes adorável, torna-se exigente e ranzinza. Além disso, a morte de três dos seus cinco filhos ainda na infância agrava as tensões entre o casal. Como saída, Ilitch se refugia no trabalho, o qual cumpre rigorosamente.
No tribunal, ele se empenha para manter todas as relações dentro dos limites da oficialidade, evitando criar conexões pessoais. Arredio com os familiares e burocrático na profissão, Ivan encontra a verdadeira alegria na mesa de vint, jogo de cartas preferido entre os colegas juízes. Ele faz o que pode para afastar o fracasso matrimonial dos olhos da comunidade e, em público, exibe sempre o máximo de decoro e elegância.
As coisas parecem mudar de figura quando, num golpe de sorte, Ilitch obtém, além do sonhado aumento de salário, a transferência para outra cidade. Eufórico, ele toma as rédeas da reforma e decoração da nova casa, em cujo salão sofre um acidente: ao cair de uma pequena escada, ele choca o flanco contra o fecho de uma janela. A equimose causada pelo trauma não o assusta e ele logo a esquece. Ainda exultante pelos últimos sucessos, aproveita o pequeno período de paz com a esposa, também satisfeita com a mudança e as novas condições de vida.
Com o tempo, no entanto, um gosto estranho na boca e o lado esquerdo do ventre começam a incomodá-lo. O último sintoma se transforma numa “sensação de peso constante”, que piora seu humor. Segundo o famoso médico que o atende, o diagnóstico é incerto: seu problema pode ser um rim solto, catarro crônico ou apendicite. Ilitch consulta novos médicos e fantasia com a cura da doença, mas o agravamento do quadro o força a admitir o pior: ele talvez esteja morrendo.
Sua primeira reação à aproximação da morte é a negação. Segundo ele, morrer seria algo aplicável aos outros, mas não a si mesmo1. Afligindo-se ainda mais, Ivan crê que a lesão sofrida ao cair no salão, durante a decoração da casa, seja a causa da doença. “Que coisa tão horrível e tão estúpida!”, pensa2. Não será a última vez que atribui sua ruína a uma futilidade.
Acamado e incapaz de cuidar de si mesmo, Ilitch tem os excrementos recolhidos por Guerássim, camponês jovem, alegre e de boa vontade, com quem o doente simpatiza. Na sua opinião, além do filho, Vássia, Guerássim é o único a ter pena dele. Praskóvia, a esposa, trata seu quadro como mero contratempo; Lisa, sua filha, vê no pai um obstáculo à própria felicidade. Segundo Ivan, nenhuma das duas o trata conforme a gravidade da sua condição; pelo contrário, forçam-no a participar da mentira segundo a qual ele não está morrendo, mas apenas doente.
Superada a fase de negação, Ivan passa a questionar o papel de sua intensa dor física. Suas reflexões sobre o sofrimento o levam a relembrar a própria vida, que, vista de um novo ângulo, já não o agrada tanto. Estranhamente, tudo parecia haver piorado à medida que se afastava da infância, “como se descesse uma montanha imaginando que a subia”3. Ivan reconhece a artificialidade do casamento e seu desencanto com a esposa. E se, afinal, não tivesse vivido como deveria? A dúvida, que pela primeira vez atormenta Ilitch, é afastada pela certeza de que levara uma “vida justa”, agradável aos olhos do mundo.
A partir daí, a tensão entre aprovar e desprezar o próprio passado não lhe dará paz. Além de tudo, ele teme que a família siga o mesmo caminho enganoso no qual ele se perdera; em certo ponto, seus sofrimentos morais tornam-se piores do que os físicos. Depois de três dias de gritos ininterruptos, atingido por uma forte dor no peito, ele acolhe a verdade: sua vida não fora como deveria ter sido. No momento, Ilitch não se angustia, mas olha compassivamente para a esposa e o filho, então ao lado da cama, e lhes pede perdão (trocando as palavras e dizendo, no lugar, “permissão”). O medo da morte desaparece. Ivan vê uma luz, exulta de alegria num último grito, estremece e morre.
Curiosamente, Tolstói inicia a novela como Gabriel García Márquez faria cerca de 90 anos mais tarde, em Crônica de uma morte anunciada: revelando a morte do protagonista. A notícia do falecimento de Ivan é lida no jornal por um de seus colegas de profissão, no intervalo de um julgamento. Na ocasião, sem nenhuma mostra de pesar, os outros juristas pensam apenas em como a morte de Ivan os pode beneficiar na forma de promoções e transferências.
Personagens de ‘A morte de Ivan Ilitch’
Ivan Ilitch Golovin
Protagonista da novela. Desembargador, Ivan morre aos 45 anos, vítima de uma doença não diagnosticada. Os grandes motores de sua vida são o prestígio, a elegância e a aprovação social. Insatisfeito com o ambiente familiar, ele se refugia no trabalho e nas reuniões de jogo com amigos. Uma vez doente, seu sofrimento físico o lança numa jornada de introspecção durante a qual ele avalia e, finalmente, despreza a vida que levou.
Praskóvia Fiódorovna
Esposa de Ilitch. De família nobre e a princípio uma “jovem atraente, inteligente e brilhante”, depois de casada torna-se irritadiça e rabugenta. No velório do protagonista, ela lamenta menos o sofrimento do marido do que ter precisado acompanhá-lo. Sua maior preocupação é como obter mais dinheiro dos cofres públicos como pensão pela morte de Ivan. Certa noite, antes da morte do marido, Praskóvia deixa o doente sob o cuidado dos criados e leva os filhos ao teatro, para uma apresentação de Sarah Bernhardt. Semanas antes de morrer, Ilitch já havia reconhecido o desencanto com a esposa e a natureza “acidental” do próprio casamento.
Guerássim
“Limpo e fresco, alegre e sereno”, Guerássim é o jovem camponês responsável por descartar os excrementos de Ivan. Também é o único cuja saúde e vitalidade não ofendem o doente. Tocado por sua simplicidade e boa vontade, Ilitch passa a chamá-lo para conversar e, frequentemente, para que o rapaz segure suas pernas acima dos ombros, posição em que sente menos dor. Ivan acredita que, além do próprio filho, Guerássim seja o único a ter pena dele.
Lisa Ivánovna
Filha de Ivan, também chamada de Lisanka. Apaixonada e recentemente pedida em casamento por Fiódor Petrovitch, considera a doença e o sofrimento do pai empecilhos à sua felicidade. No velório de Ilitch, exibe um “ar sombrio, determinado, quase colérico”.
Vassíli Ivánovitch (Vássia)
Filho adolescente de Ivan. Sensível e quieto, é fisicamente muito semelhante ao pai. Na opinião de Ivan, apenas ele e Guerássim o entendem e sentem pena do seu estado. Pouco antes da morte de Ilitch, a mão do moribundo cai sobre sua cabeça; chorando, o garoto a agarra e a beija. Seu prenome é revelado somente no oitavo capítulo da novela4.
Piótr Ivánovitch
Colega de Ivan na faculdade de Direito e seu amigo próximo. É ele quem primeiro toma conhecimento da morte de Ilitch e anuncia a notícia aos colegas de trabalho. Dentre eles, é o único a ir ao velório de Ivan. Desprovida de qualquer pesar, sua ida à casa do falecido é cumprida como mera obrigação social. Logo depois da cerimônia, junta-se a outros amigos para jogar cartas.
Fiódor Petróvitch
Juiz de instrução e noivo de Lisa, único herdeiro da fortuna de Dmitri Ivánovitch Petríchev.
Temas centrais de ‘A morte de Ivan Ilitch’
Como toda grande obra literária, A morte de Ivan Ilitch é rica em possíveis significados. Por essa razão, a novela recebeu interpretações variadas e mesmo conflitantes da crítica: enquanto alguns a consideram um texto sobre a morte, outros veem nela um texto que nega a morte5. Apesar da controvérsia, podemos concordar que seus temas centrais, destacados por grande parte da crítica contemporânea, são:
- O modelo fútil e alienante de vida, marcado pela preocupação com a comodidade e as aparências sociais;
- a doença como catalisadora da mudança de mentalidade; e
- a inevitabilidade da morte.


Modelo fútil e alienante de vida
A futilidade da busca por aprovação social e conforto material é um tema dominante em A morte de Ivan Ilitch. A validação da alta sociedade, a eficiência no trabalho e a diversão entre amigos são os motores da vida de Ivan — que, antes de morrer, se arrependerá de suas escolhas.
Sabemos, por exemplo, que, em seu primeiro cargo público, Ilitch se engaja numa série de comportamentos questionáveis, como bebedeiras e favores possivelmente ilícitos ao chefe. Ainda jovem, porém, ele não acredita que seja digno de repreensão. Inserido na alta sociedade e com a aprovação desta, o juiz de instrução faz tudo “de mãos limpas, camisa lavada e com palavras francesas”.
Igualmente superficial, seu casamento não é celebrado por paixão ou amor, mas para “fazer um favor a si mesmo” e agir segundo a opinião da elite circundante. À medida que a esposa se torna ciumenta e explosiva, no entanto, Ilitch escapa mais e mais do ambiente familiar, transformando-se num marido e pai distante. Seus esforços se dedicam apenas a manter uma boa imagem pública. Outra vez, seu objetivo é preservar as aparências enquanto obtém conforto.
Seu entusiasmo com a decoração da nova casa marca o ápice de sua futilidade. É durante a empreitada que ele, ao sofrer uma queda, lesiona o flanco esquerdo — lesão que, mais tarde, reconhecerá como a provável causa de sua doença.
Ironicamente, a decoração da casa de Ilitch é descrita por Tolstói como impessoal, semelhante às das pessoas “que não são ricas mas querem parecer-se com os ricos e por isso são apenas parecidas umas com as outras”6. Aos olhos de Ivan, no entanto, o conjunto parece deslumbrante.
A ética de trabalho do protagonista não escapa da superficialidade. No tribunal, Ilitch não estreita laços com ninguém — na sua opinião, relações pessoais e oficiais não se misturam. Nem mesmo seus colegas de trabalho merecem exceções: ao conversar com os demais juízes, o homem trata sempre de amenidades e, especialmente, de “nomeações oficiais”7.
Dias antes de morrer, o desembargador reconhecerá que sua vida foi pautada no “horrível e enorme engano que oculta a vida e a morte”. Apesar disso, a “mentira” — o modelo de vida a que havia se dedicado com tanto afinco — ainda é visível na rotina de sua família, que, segundo Ivan, trilha o mesmo caminho que ele próprio.
O culto às aparências prevalece na narrativa mesmo após sua morte, dando mostras de que a reabilitação moral é para poucos e pode nunca vir a ocorrer. No funeral, sua esposa se esforça para convencer os presentes do próprio sofrimento quando, na verdade, preocupa-se apenas com a pensão pública que receberá pela morte do marido. Lisa e o noivo, embora também presentes, parecem ofendidos com o evento. Piotr Ivánovitch, amigo do falecido, é o único de seus colegas de trabalho a ir ao velório, mas movido, quando muito, por um mero senso de obrigação social. Desprezando a qualidade de suas vidas interiores, os personagens continuam a sustentar máscaras.
Doença, catalisadora da mudança de mentalidade
Consumido pelo trabalho e pelas diversões levianas, Ivan dificilmente teria refletido sobre a vida que levava se algo extremo não o surpreendesse. Temos boas razões para acreditar nisso: antes de seu adoecimento, sabemos, ele não pensa profundamente sobre nenhuma de suas decisões. Longe de avaliar valores pessoais, seus raciocínios geralmente chegam ao fim ao considerar como agiria um membro da alta sociedade.
Coincidentemente, a origem da doença é o tema de uma das primeiras constatações dolorosas do jurista: a não ser pela queda no salão de casa, sua saúde estaria intacta. “Nesta cortina”, ele pensa, “perdi minha vida”8.
Não sabemos se isso é verdadeiro. Embora alguns médicos tentem identificá-la, a doença de Ivan permanece um mistério do início ao fim da novela. Tolstói não parece interessado no diagnóstico, mas em fazer da enfermidade o motor da transformação interior de Ivan. Atribuir a doença a um “acidente de decoração” é o primeiro passo do desembargador para reconhecer que a leviandade e o comodismo arruinaram sua vida.
A partir daí, a introspecção de Ilitch aumentará à medida que seu estado de saúde se agrava9; apenas poucos dias antes de morrer, já sofrendo as dores mais terríveis, Ivan reconhece que “seu regime de vida, funções e interesses” pudessem estar errados. Já “não havia nada que defender”, pensa ele10. O papel de sua enfermidade está quase cumprido — ainda há um passo a dar.
É no último capítulo da novela que, didaticamente, Tolstói coincide o extremo físico e o despertar espiritual do protagonista. Embora Ilitch demore a fazer as pazes com a verdade, sua morte é precedida por uma breve redenção; quando falece, ele já tem, podemos dizer, o “espírito pacificado”.11 Terminada a reforma do burocrata, a dor, a doença e o medo podem finalmente deixá-lo ir para a luz.
Inevitabilidade da morte
Parte importante da mutação de Ilitch é o amadurecimento da sua postura em relação à morte. A princípio, o desembargador reconhece a doença como a coisa mais importante que já lhe aconteceu12, mas não está pronto para admitir que esteja morrendo. Na sua primeira reflexão sobre o que haveria depois da morte, ele recusa um destino tão terrível: “Não, não quero”, pensa13.
A atitude quase infantil de Ivan se deve ao fato de que ele nunca havia pensado na morte como aplicável a si, mas apenas aos outros. Daí em diante, só o tempo e o agravamento da doença conseguem trazê-lo à realidade — o que não significa que sua mudança seja linear nem virtuosa. Ilitch aceita a proximidade da morte com relutância, lançando olhares de esperança aos médicos mesmo depois de se tornar indiferente à passagem do tempo14. Não muito longe do fim da narrativa, ele ainda oscila entre a esperança de cura e uma resignação rabugenta15.
É nas suas últimas horas de vida que o vemos aceitar totalmente a própria condição. Nesse ponto, Ilitch já se arrependeu do passado e, dentro do possível, desculpou-se com a esposa e o filho. Como já discutimos, Tolstói só o permitiu perder o medo da morte e até mesmo aceitá-la com alegria depois de devidamente convertido. Em conformidade com o novo código moral de Tolstói, também convertido recentemente16, ao menos duas lições emergem da novela: é preciso estar preparado para a morte, sempre inevitável, e só um coração transformado pode recebê-la com dignidade.
Trechos marcantes da obra
- “Para além das considerações suscitadas em cada um deles [os colegas de tribunal de Ivan Ilitch] por aquela morte, acerca das transferências e possíveis mudanças no serviço que dela poderiam resultar, a própria morte de um conhecido próximo provocava, como sempre, um sentimento de alegria: quem morreu foi ele, e não eu.”17
- “Na Faculdade de Direito cometera alguns atos que a princípio lhe pareciam vis e lhe causavam repugnância por si mesmo no momento em que os cometia; mas depois, vendo que os mesmos atos eram cometidos e altamente considerados por pessoas de elevada posição, e que não eram por elas considerados maus, embora não passasse a considerá-los bons, esqueceu-os por completo, ou deixou de se afligir ao recordá-los.”18
- “[…] houve alguns favores ao seu chefe e até à mulher do chefe, mas tudo isso tinha um elevado tom de honestidade, que não podia ser designado por palavras feias: tudo podia ser inscrito na rubrica da expressão francesa: il faut que jeunesse se passe19. Tudo era feito de mãos limpas, camisa lavada, com palavras francesas e, principalmente, na mais alta sociedade, por conseguinte com a aprovação de pessoas de alta posição.”20
- “‘Quando eu não existir, o que existirá? Não existirá nada. Pois onde estarei eu quando não existir? Será isso morrer? Não, não quero.’ Levantou-se de um salto, quis acender a vela, procurou-a com as mãos trêmulas, derrubou a vela e o castiçal para o chão e deixou-se cair para trás, sobre a almofada. ‘Para quê? Tanto faz’ disse consigo, olhando a escuridão com os olhos muito abertos. ‘É a morte. Sim, a morte. E nenhum deles sabe, nem quer saber, e não têm pena. Estão a tocar. (Ouvia através da porta o som das vozes e das cantorias.) A eles tanto se lhes dá, mas também eles hão-de morrer. Loucos! Eu antes, eles depois; e também a eles acontecerá. Mas estão alegres. Animais!’”21
- “Aquele exemplo de silogismo que tinha aprendido na lógica de Kizevetter: Caio é homem, os homens são mortais, portanto Caio é mortal, pareceu-lhe em toda a sua vida justo apenas em relação a Caio, mas de modo algum em relação a si próprio. […] § Caio era de fato mortal e era justo que morresse, mas para mim, Vânia, Ivan Ilitch, com todos os meus sentimentos e emoções, para mim isso é outra coisa. E não é possível que eu tenha que morrer. Isso seria demasiado horrível.”22
- “[…] o que Ivan Ilitch mais queria, embora tivesse vergonha de o reconhecer, era que alguém tivesse pena dele como de uma criancinha doente. Queria que o acarinhassem, que o beijassem, chorassem por ele, como quem acaricia e consola as crianças. Sabia que era um funcionário importante, que tinha a barba grisalha e que portanto isso era impossível; mas mesmo assim ansiava por isso.”23
- “Ocorreu-lhe que aquilo que antes lhe parecia completamente impossível, que não tivesse vivido a sua vida como devia ser, que isso pudesse ser verdade. […] E as suas funções oficiais, e o seu regime de vida, e aqueles interesses sociais e oficiais — tudo isso pudesse estar errado. E de repente sentiu toda a fraqueza daquilo que defendia. E não havia nada que defender.”24
- “Quando de manhã viu o criado e depois a mulher, depois a filha, depois o médico — cada um dos movimentos deles, cada palavra, confirmava para ele a horrível verdade que se lhe revelara durante a noite. Neles via-se a si próprio, tudo aquilo para que tinha vivido e via claramente que tudo aquilo estava mal, tudo aquilo era um horrível e enorme engano que ocultava a vida e a morte.”25


Recepção da novela
Hoje mundialmente aclamada, A morte de Ivan Ilitch recebeu avaliações geralmente positivas da crítica quando de sua publicação26. O professor Gary Jahn, da Universidade de Minnesota, detalha o contexto em que os primeiros críticos se manifestaram sobre a novela:
A reação crítica que saudou o aparecimento de A morte de Ivan Ilitch, por estranho que pareça dado o título do romance, prestou pouca atenção ao tema da morte. Os críticos contemporâneos estavam mais preocupados com questões de estilo e ideologia. Assim, o crítico populista N. K. Mikhailovsky, embora notando que o romance era uma ‘bela história’, também declarou que ‘não era de primeira categoria em beleza artística, em força ou clareza de pensamento, ou, por fim, no realismo destemido da escrita’.27 A resposta de um certo Lisovsky foi mais positiva — ‘a história não tem paralelo na literatura russa e deve ser reconhecida como um triunfo do realismo e da verdade na poesia’ —, mas ainda confinada a generalidades.28
[…] Uma vez que a fama de Tolstói se espalhou pela Europa, estimulada pelos altos elogios concedidos à sua obra em Le roman russe (O romance russo) pelo Visconde Melchior de Vogue,29 encontram-se também lá respostas ocasionais à novela. Novamente, no entanto, estas tendem a avaliar generalidades. A história inicial da recepção da novela deixa bem claro, pelo menos, que os contemporâneos de Tolstói ficaram muito impressionados com a obra; em geral, ela foi lida como um comentário nada lisonjeiro sobre as deficiências morais do estilo de vida das classes privilegiadas, em vez de uma reflexão sobre a mortalidade comum de todas as pessoas.30
Para mais detalhes sobre a recepção crítica da novela, consulte a seção The reception of the novel do rigoroso artigo do professor Jahn.
Opiniões eruditas sobre a obra
- Andrew Kahn: “Amplamente reconhecido como uma das mais angustiantes e poderosas representações da mortalidade em toda a literatura mundial, A morte de Ivan Ilitch mostra o sujeito humano confrontando uma força avassaladora — uma doença que é tanto orgânica quanto interna, mas sentida como externa […]. O elo inescrutável entre causa e efeito passa para um plano existencial em A morte de Ivan Ilitch. A doença de Ivan Ilitch pode ser lida como um sintoma da mortalidade inescapável.”31
- António Lobo Antunes: “Tudo o que somos se acha em poucas páginas, escrito de uma forma magistral. Li-as, maravilhado, umas vinte ou trinta vezes, continuarei a lê-las, maravilhado, até ao fim dos meus dias. Maravilhado, exaltado, comovido, a perguntar-me como é que ele conseguiu. E conseguiu. Reparem no que Tolstói faz com as palavras e como nos retrata, de corpo inteiro, no mais íntimo de nós mesmos.”32
- Francine Prose: “A morte de Ivan Ilitch, de Tolstói, opera sua aterrorizante magia aproximando-nos cada vez mais de seu protagonista, atraindo-nos dos seguros degraus do tribunal em que a história começa para os confins abafados do quarto de doente de Ivan Ilitch. À medida que o mundo se afasta em estágios, como o faz para os moribundos, penetramos mais profundamente na psique do herói. De modo que, quando por fim ele se pergunta se teria conduzido toda a sua vida erradamente, o calafrio viscoso que sentimos ocorre em parte por sermos obrigados a nos imaginar em situação semelhante.”33
- Martin Heidegger: “Em seu conto A morte de Ivan Ilitch, L. N. Tolstói expôs o fenômeno do abalo e do colapso desse ‘morre-se impessoal’.”34
- Mary Beard: “É importante lembrar que quando Tolstói escreveu A morte de Ivan Ilitch e Confissão, preocupado com a morte como são ambas as obras, ele estava apenas na casa dos cinquenta; ainda viveria mais vinte e cinco anos. A mortalidade humana era para ele, em grande parte, um dilema filosófico. Ele também (como vemos em A morte de Ivan Ilitch) saboreou o desafio do escritor de explorar intimamente o processo de morrer — quando era algo que só poderia ter observado da perspectiva dos vivos.”35
- Otto Maria Carpeaux: “[…] essa novela é uma das obras mais comoventes e mais pungentes da literatura universal, talvez a obra-prima de Tolstói, a única em que a arte combina, sem resto, com a ideia propagandística: é preciso mudar de rumo, integralmente.”36
- Paulo Rónai: “Muitos críticos consideram A morte de Ivan Ilitch como a novela mais perfeita da literatura mundial; a agonia de um burocrata insignificante serve de pretexto ao autor para nos contar uma história que diz respeito ao destino de cada um de nós e que é impossível ler sem um frêmito de angústia e de purificação.”37
- Rosamund Bartlett: “É enganosa a simplicidade da mensagem contida em sua última obra-prima, A morte de Ivan Ilitch, pois camufla o sofisticado modo com que a história é construída nos níveis narrativo e temático, e sua clareza — conquistada à custa de muito trabalho — exerceu tremendo impacto sobre escritores mais jovens como Tchekhov […].”38
- Vladimir Nabokov: “A fórmula tolstoiana é: Ivan viveu uma vida má, e como a vida má é simplesmente a morte da alma, então Ivan viveu a morte em vida; e, uma vez que mais além da morte está a luz viva de Deus, então Ivan morreu para entrar numa nova Vida — com letra maiúscula mesmo. […] esse conto é a realização mais artística, mais perfeita e mais sofisticada de Tolstói.”39
Adaptações e influência cultural
Filmes
Até então, nenhum longa-metragem teve a intenção de ser estritamente fiel ao enredo de A morte de Ivan Ilitch. Veja abaixo os filmes baseados, em maior ou menor medida, na novela de Tolstói:
- Ikiru (1952), de Akira Kurosawa
- A simple death [Prostaya smert] (1985), de Alexander Kaidanovsky, adaptação mais próxima do original
- ivans xtc. (2000), de Bernard Rose
- The last step (2012), de Ali Mosaffa
- Living (2022), de Oliver Hermanus
Peças
- The death of Ivan Ilyich, adaptada por Stephen Sharkey e dirigida por Leo Lion (Phoenix Theatre Ensemble), apresentada em Nyack (2018 e 2019) e Nova York (2020).
- The death of Ivan Ilyich, adaptada e dirigida por Konstantina Nikolaidis, apresentada pela primeira vez na Grécia, em 2018.
- The death of Ivan Ilyich, por David Weber-Krebs. Concebida sob encomenda do Wunder der Prärie: Festival Care City em Mannheim, Alemanha, a peça foi apresentada em outubro de 2021.
- The death of Ivan Ilych, por Donald Freed. Adaptada para um elenco de oito pessoas, a peça de Freed é comercializada pelo site da Broadway Play Publishing.
Ópera
- Death of Ivan Ilych: a full-length chamber opera in one act. Composta por John Young com libretto de Alan Olejniczak, a ópera estreou em 2021. A estreia é fruto de uma parceria entre a Opera Orlando e a Thompson Street Opera Company.
Quadrinhos
- A morte de Ivan Ilitch em quadrinhos (2014), da Editora Peirópolis, tem texto baseado na tradução de Boris Schnaiderman e ilustrações do premiado quadrinista Caeto.
Música
- The death of Ivan Ilyich (2012), do compositor erudito John Tavener, é um monodrama para baixo-barítono, violoncelo solo, dois trombones, percussão e cordas.
Livros
- A recusa do indivíduo em reconhecer sua própria mortalidade também foi extensamente tratada no aclamado A negação da morte (1973), de Ernest Becker, vencedor do prêmio Pulitzer.
- A novela de Tolstói é mencionada nos primeiros parágrafos de A obscena senhora D. (1982), de Hilda Hilst.
- Em Para ler como um escritor, de Francine Prose, A morte de Ivan Ilitch está entre os títulos sugeridos na lista Livros para ler imediatamente.
Menção no Enem
Em 2020, a pequena obra-prima de Tolstói foi matéria de uma das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A questão, de número 60 no caderno azul do exame, equivalia às questões 52 do caderno vermelho, 90 do caderno amarelo e 84 do caderno cinza. Em todos os casos, a resposta correta seria a alternativa E.
Em A morte de Ivan IIitch, Tolstói descreve com detalhes repulsivos o terror de encarar a morte iminente. Ilitch adoece depois de um pequeno acidente e logo compreende que se encaminha para o fim de modo impossível de parar. “Nas profundezas de seu coração, ele sabia estar morrendo, mas em vez de se acostumar com a ideia, simplesmente não o fazia e não conseguia compreendê-la”.
KAZEZ, J. O peso das coisas: filosofia para o bem-viver. Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2004.
O texto descreve a experiência do personagem de Tolstói diante de um aspecto incontornável de nossas vidas. Esse aspecto foi um tema central na tradição filosófica
- marxista, no contexto do materialismo histórico.
- logicista, no propósito de entendimento dos fatos
- utilitarista, no sentido da racionalidade das ações.
- pós-modernista, na discussão da fluidez das relações.
- existencialista, na questão do reconhecimento de si.
Quem foi Liev Tolstói?
Liev Nikoláievitch Tolstói nasceu em 9 de setembro de 1828 (28 de agosto, conforme o calendário juliano), na propriedade familiar de Iásnaia Poliana, na Rússia. Órfão ainda na infância, o pequeno herdeiro da aristocracia recebeu uma educação esmerada e foi desde cedo inserido nos valores e costumes da nobreza. Apesar disso, a alma inquieta de Tolstói logo se mostraria incompatível com a rigidez da vida aristocrática.40
Em sua busca desenfreada por experiências, a juventude do conde Tolstói foi marcada por excessos, entre eles as muitas visitas a prostíbulos e a compulsão pelo jogo41. Em 1851, aos 23 anos, ingressou no exército e, mais tarde, participou da Guerra da Crimeia42. Além dos primeiros escritos Infância e Adolescência, já bem recebidos, seus Contos de Sebastopol, inspirados em suas experiências militares, cativaram a crítica e o público, tornando-o uma celebridade no meio literário russo43.


A partir da década de 1870, o escritor vivenciou uma profunda transformação espiritual. Atraído pelo cristianismo, mas cético quanto a seus dogmas, desenvolveu uma visão moral particular e rigorosa, pautada na simplicidade, na não violência, no vegetarianismo e na justiça social. Em defesa de sua doutrina, teceu duras críticas à Igreja Ortodoxa russa, que o excomungou anos depois. Sua postura radical também multiplicou os atritos entre o escritor e a esposa Sofia.44
Nos últimos anos de vida, Tolstói desenvolveu uma nova concepção moralista de arte, que o levou a rejeitar suas obras mais famosas, como Guerra e paz e Anna Kariênina, assim como grande parte da arte produzida pela cultura ocidental moderna.45 Em 1910, aos 82 anos, fugiu de casa durante a noite. Dias depois, morreu na estação de trem de Astapovo, acompanhado de seu médico pessoal, sua filha Sasha e de um grupo de discípulos tolstoístas, deixando um legado literário e filosófico que inspira e desafia leitores até os dias de hoje.46
Tolstói começou a escrever o que viria a ser A morte de Ivan Ilitch em 1881. Ele abandonou o texto em 1883, retomando-o apenas no próximo ano, para satisfação da esposa, Sônia. Habituada a trabalhar como copista do marido, ela esperava que Tolstói fizesse as pazes com a ficção para poder voltar a ajudá-lo.47
Perguntas frequentes sobre ‘A morte de Ivan Ilitch’
Quem escreveu A morte de Ivan Ilitch?
A novela A morte de Ivan Ilitch é de autoria do escritor russo Liev Nikoláievitch Tolstói, ou Liev Tolstói (1828–1910).
Qual é o ano de publicação de A morte de Ivan Ilitch?
A morte de Ivan Ilitch foi originalmente publicada em 1886, em Moscou, Império Russo, como parte do 12º volume das obras completas de Tolstói.
Quantas páginas tem A morte de Ivan Ilitch?
A morte de Ivan Ilitch é uma narrativa breve. Algumas de suas edições brasileiras mais populares têm de 96 a 112 páginas, considerando textos complementares. Embora Vladimir Nabokov e Martin Heidegger a tenham chamado de conto, a história é normalmente tida como uma novela, gênero textual mais extenso do que o conto e mais breve do que o romance.
Qual é a melhor tradução brasileira de A morte de Ivan Ilitch?
Há muitas traduções brasileiras da novela em circulação. Entre elas, merecem destaque as de Boris Schnaiderman (Editora 34), Oleg Almeida (Martin Claret), Vera Karam (L&PM), vencedora do prêmio Açorianos de tradução, e, mais recentemente, Lucas Simone (Antofágica). Com exceção da de Karam, todas as traduções são diretas do russo48.
Conclusão
Há cerca de um século e meio, A morte de Ivan Ilitch tem sido um convite à introspecção e à busca por um sentido mais profundo para a vida. Na novela, a desgraça de um desembargador de meia-idade nos confronta com a finitude da existência e nos instiga a viver de modo mais consciente e significativo. Como sabemos, Tolstói foi hábil o bastante para, em poucas páginas, difundir um comovente apelo moral sem sacrificar a elegância de sua literatura.
A novela também se serve da dor particular de Ivan Ilitch para ilustrar dramas universais como o arrependimento e a recepção da morte. Se, por um lado, podemos ver nela uma crítica à hipocrisia e superficialidade da pequena-burguesia russa, também podemos considerá-la um retrato cru e tocante da fragilidade humana.
Uma de suas maiores conquistas é ter, apesar disso, evitado o didatismo. Efetivamente, a obra nos faz vislumbrar o quão enganoso o comodismo pode ser, mas cabe a nós imaginar estilos de vida mais elevados. Que outros rumos poderia Ilitch ter seguido? A história não dá respostas quanto a isso — e nem gostaríamos que desse. A obra de Tolstói não nos oferece um manual para a vida, mas, para nosso deleite, permanece um belo e pungente convite à reflexão contínua.
Referências
- Nas suas palavras, “não é possível que eu tenha de morrer” (ver Liev Tolstói, A morte de Ivan Ilitch. LeYa, 2008, cap. 6). ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ivan se refere ao filho como Vássia (diminutivo mais frequente de Vassíli), enquanto Praskóvia o chama de Volódia (diminutivo de Vladimir). Muitas vezes, é referido apenas como “o aluno do liceu”. ↩︎
- György Lukács, teórico literário húngaro, pertence ao segundo grupo. Ver António Lobo Antunes, Prefácio. In: Tolstói, op. cit. ↩︎
- Ibid., cap. 3. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid., cap. 6. ↩︎
- No nono capítulo da novela, é a primeira vez que o vemos debruçado sobre seu passado mais distante; ele examina a própria vida desde a infância até o tempo presente. No décimo capítulo, a pulga volta a mordê-lo atrás da orelha. ↩︎
- Tolstói, op. cit., cap. 11. ↩︎
- Os tormentos finais de Ilitch são narrados no décimo segundo e último capítulo da novela. ↩︎
- Tolstói, op. cit., cap. 4. ↩︎
- Ibid., cap. 5. ↩︎
- Ibid., cap. 8. ↩︎
- Ibid., cap. 10. ↩︎
- Rosamund Bartlett, Tolstói: a biografia. Biblioteca Azul, 2013, cap. 11. ↩︎
- Tolstói, op. cit., cap. 1. ↩︎
- Ibid., cap. 2. ↩︎
- “A juventude deve passar”. ↩︎
- Tolstói, op. cit., cap. 2. ↩︎
- Ibid., cap. 5. ↩︎
- Ibid., cap. 6. ↩︎
- Ibid., cap. 7. ↩︎
- Ibid., cap. 11. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Bartlett, op. cit., cap. 11. ↩︎
- “N. K. Mikhailovsky, Sobranie sochinenii, vol. 6 (São Petersburgo, 1897), 382. Citado em L. D. Opul’skaia, Lev Nikolaevich Tolstoi: Materialy k biografii s 1886 po 1892 god (Moscou: Izdatel’stvo ‘Nauka’, 1979), 14, de agora em diante citado como Opul’skaia.” A nota, traduzida por mim assim como as próximas, pertence ao artigo do professor Jahn, referenciado abaixo. ↩︎
- “Os comentários de Lisovsky apareceram no jornal Russkoe bogatstvo, 1888, nº 1:182. Citado em Opul’skaia, 15.” A nota também é extraída do artigo de Jahn. ↩︎
- “Este livro, publicado na França em meados da década de 1880, foi um fator crucial na conscientização dos intelectuais europeus sobre a excelência da cultura literária russa.” Nota de Jahn. ↩︎
- Gary R. Jahn, The death of Ivan Ilich: an electronic study edition of the Russian text. University of Minnesota Libraries Publishing, 2020. A tradução do trecho para o português é minha. ↩︎
- Andrew Kahn, Introduction. In: Tolstói, The death of Ivan Ilyich and other stories. Oxford University Press, 2015. A tradução é minha. ↩︎
- Antunes, op. cit. ↩︎
- Francine Prose, Para ler como um escritor: um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los. Zahar, 2008, cap. 11. ↩︎
- A nota de Heidegger provavelmente se refere à crença inicial de Ilitch de que todos, exceto ele, podem morrer, e ao modo como a família de Ivan o trata, como se a doença não pudesse matá-lo. Ver Martin Heidegger, Ser e tempo. 13. ed. Vozes, 2005, pt. 2, cap. 1, § 51. ↩︎
- Mary Beard, Tolstoy and his translator [introdução]. In: Tolstói, The death of Ivan Ilyich and Confession. Liveright, 2013. A tradução para o português é minha. ↩︎
- Otto Maria Carpeaux, História da literatura ocidental. 3. ed. Senado Federal, Conselho Editorial, 2008, v. 3, p. 2010. ↩︎
- Paulo Rónai, Apêndice. In: Tolstói, A morte de Ivan Ilitch. 2. ed. Editora 34, 2009. ↩︎
- Bartlett, op. cit., cap. 12. ↩︎
- Vladimir Nabokov apud Irineu Franco Perpétuo, Como ler os russos. Todavia, 2021, cap. 3. ↩︎
- Bartlett, op. cit., cap. 2. ↩︎
- Em 1847, Tolstói deu entrada na clínica de doenças venéreas da Universidade de Kazan, onde buscou tratamento para gonorreia (Ibid., cap. 4). Em 1854, foi levado a vender a propriedade em que nasceu, em Iásnaia Poliana, para quitar suas dívidas de jogo (Ibid., cap. 2). ↩︎
- Ibid., cap. 5 ↩︎
- Ibid., cap. 6. ↩︎
- Ibid., cap. 10. ↩︎
- Ibid., cap. 12. ↩︎
- Ibid. ↩︎
- Ibid., cap. 11. ↩︎
- Não encontrei nenhuma indicação expressa de que a tradução de Karam seja indireta. A biografia da autora e as discrepâncias entre a sua tradução e as outras disponíveis em português, contudo, nos permitem concluir que ela dificilmente se baseou no texto russo. Para mais sobre Vera Karam, ler este artigo de homenagem à tradutora. ↩︎




