Uma distopia, também chamada antiutopia (mais raramente, cacotopia) é toda narrativa em que se descreve uma sociedade hipotética largamente indesejável, opressiva ou decadente, quase sempre situada no futuro. Ao contrário da utopia, ocupada em representar sociedades ideais, a distopia retrata mundos marcados pela desgraça política, social, ambiental ou cultural. O professor Chris Baldick, da Universidade de Londres, a considera uma “forma significativa da ficção científica e da sátira moderna” (p. 74)1.
Entre as marcas típicas de uma distopia estão o autoritarismo político, a vigilância social constante, a manipulação da verdade (com possível alteração de registros históricos, como em 1984), a supressão de direitos, a alienação do povo, o uso perverso de ciência e tecnologia, desigualdade social extrema e ambientação decadente (entreguerras ou pós-guerra, superpopulação, ruínas urbanas). Para ser reconhecida como tal, uma distopia não precisa reunir todos esses elementos, e muitas enfatizam apenas dois ou três deles. Em todo caso, distopias costumam projetar no futuro extrapolações de problemas presentes ou teorias em voga, a fim de alertar sobre os rumos da humanidade.


Etimologia e primeiro uso
O termo distopia se formou pela adição do prefixo dys (indicativo de “mau”, “anormal”, “difícil”) ao substantivo topos (“lugar”), ambos do grego antigo, e, portanto, expressa literalmente a ideia de “lugar ruim”2. É difícil precisar quando foi cunhado; ao que tudo indica, a primeira pessoa a usá-lo em um texto de ampla circulação foi Lewis Henry Younge, clérigo nascido no Reino da Irlanda, no poema Utopia: or, Apollo’s golden days, de 17473. Na obra, o termo foi grafado dustopia, e claramente já se referia ao oposto de uma utopia. No ano seguinte, uma nova edição do poema corrigiu suas ocorrências para dystopia (no original inglês). Uma nota da revista que o publicou definia distopia como “uma terra infeliz”4.
Em um escrito de 1782, o inglês Baptist Noel Turner também fez alusão a uma possível “dys-topia”, notando o prefixo em caracteres gregos5. Um termo semelhante, cacotopia (a partir do grego kakós, “ruim”, “perverso”, no lugar do prefixo dys–), surgiria em 1818, na obra em que Jeremy Bentham condenava a Constituição e o sistema parlamentar britânicos6. O uso mais célebre das duas expressões no século XIX, porém, caberia a John Stuart Mill. Em discurso no Parlamento Britânico, em 1868, Mill considerou “distópica” ou “cacotópica”, “ruim demais para ser praticável”, a política então proposta para a Irlanda7:
“Permitam-me, como alguém que, ao lado de muitos outros melhores do que eu, foi acusado de ser utopista, congratular o Governo por se ter unido a uma companhia tão distinta. Talvez seja um elogio excessivo chamá-los de utopistas; deveriam antes ser chamados de dis-topistas, ou cacotopistas. O que comumente se chama de utópico é algo bom demais para ser praticável; mas aquilo que eles parecem aprovar é ruim demais para ser praticável.”
John Stuart Mill
Gerações depois das palavras de Younge e Mill, distopia consolidou-se na teoria literária e na cultura popular com um sentido mais restrito (agora, nichado) do que o pretendido por aqueles autores. Difundido sobretudo com o sucesso de romances como Admirável mundo novo e 1984, o uso do termo cresceu mais de 60 vezes entre o início e o fim do século XX8. Muitas expressões concorrentes surgiram nesse ínterim — segundo o professor M. Keith Booker, da Universidade do Arkansas, “utopia negativa, antiutopia, heterotopia e cacotopia” estão entre elas (p. 22). Superando suas rivais no teste do tempo, contudo, distopia tornou-se o termo de referência para designar mundos fictícios marcados pela opressão, desumanização, catástrofe ecológica ou decadência cultural9.
Distopias na literatura
| Obra | Autor | Tipo de distopia |
|---|---|---|
| Conto The new utopia (1891) | Jerome K. Jerome | Socioeconômica |
| Nós (1924) | Ievguêni Zamiátin | Totalitária, biopolítica |
| Metrópolis (1925) | Thea von Harbou | Socioeconômica |
| Admirável mundo novo (1932) | Aldous Huxley | Biopolítica |
| O zero e o infinito (1940) | Arthur Koestler | Totalitária, burocrática |
| 1984 (1949) | George Orwell | Totalitária |
| Fahrenheit 451 (1953) | Ray Bradbury | Midiática, de censura |
| O homem do castelo alto (1962) | Philip K. Dick | Totalitária |
| Laranja mecânica (1962) | Anthony Burgess | Carcerária |
| O fruto do vosso ventre (1976) | Herberto Sales | Biopolítica |
| Umbra (1977) | Plínio Cabral | Totalitária |
| Não verás país nenhum (1981) | Ignácio de Loyola Brandão | Ecológica |
| O concorrente (1982) | Stephen King | Midiática, socioeconômica |
| O conto da aia (1985) | Margaret Atwood | Teocrática, biopolítica |
| A parábola do semeador (1993) | Octavia E. Butler | Ecológica, socioeconômica |
| A polícia da memória (1994) | Yoko Ogawa | Totalitária |
| Battle Royale (1999) | Koushun Takami | Totalitária |
| Angosta (2003) | Héctor Abad Faciolince | Socioeconômica |
| Não me abandone jamais (2005) | Kazuo Ishiguro | Biopolítica |
| The cabinet (2006) | Kim Un-su | Burocrática, biopolítica |
| A fila (2013) | Basma Abdel Aziz | Burocrática, totalitária |
| La mucama de Omicunlé (2015) | Rita Indiana | Ecológica, biopolítica |
| Vanishing world (2015) | Sayaka Murata | Biopolítica |
| Saboroso cadáver (2017) | Agustina Bazterrica | Biopolítica |
| Gosma rosa (2020) | Fernanda Trías | Ecológica |
- O conto The new utopia (1891) apresenta provavelmente a primeira distopia da literatura, segundo as evidências disponíveis até então. O texto é o primeiro a descrever uma sociedade futura indesejável por meio da qual se criticam ou satirizam os costumes, instituições e filosofias do próprio tempo — todas marcas da distopia moderna.
- Nós (1924) é o primeiro romance distópico conhecido. Embora nenhuma declaração de Zamiátin confirme a especulação, estudiosos creem que The new utopia tenha influenciado o romance do escritor russo. A favor dessa hipótese, vale notar que certas obras de Jerome circulavam na Rússia já antes de 1917 e os dois textos guardam semelhanças incomumente específicas entre si, como os cidadãos identificados por números, as vestes padronizadas e a eliminação cirúrgica da imaginação.
- Metrópolis (1925) foi o material-fonte do filme homônimo de Fritz Lang (então marido da autora Thea von Harbou), a primeira (e grande) obra distópica do cinema e hoje tido como clássico do cinema mudo de ficção científica
- O fruto do vosso ventre (1976) e Umbra (1977), respectivamente uma distopia política e uma distopia ecológica, são exemplos importantes do gênero na literatura brasileira. Apesar do relativo sucesso crítico, O fruto… não ultrapassou a terceira edição (1984), enquanto Umbra, de circulação mais discreta, sequer chegou à segunda10. Ambos os romances estão há décadas fora de catálogo no Brasil.


Distopias no cinema
A seleção abaixo inclui apenas filmes com roteiros originais. Obras adaptadas da literatura, mesmo pioneiras influentes como Metrópolis (1927), de Fritz Lang, e High treason (1929), de Maurice Elvey, foram desconsideradas.
| Obra | Diretor(es) | Tipo de distopia |
|---|---|---|
| Fantasias de 1980 (1930) | Buddy G. DeSylva, Lew Brown e Ray Henderson | Burocrática |
| A pista (1962) | Chris Marker | Carcerária |
| Alphaville (1965) | Jean-Luc Godard | Totalitária |
| THX 1138 (1971) | George Lucas e Walter Murch | Totalitária, biopolítica |
| Fuga de Nova York (1981) | John Carpenter e Nick Castle | Carcerária |
| Brazil: o filme (1985) | Terry Gilliam, Tom Stoppard e Charles McKeown | Burocrática, totalitária |
| RoboCop: o policial do futuro (1987) | Edward Neumeier e Michael Miner | Corporativa, biopolítica |
| Gattaca: experiência genética (1997) | Andrew Niccol | Biopolítica |
| Matrix (1999) | Lana e Lilly Wachowski | Totalitária, tecnológica |
| Equilibrium (2002) | Kurt Wimmer | Totalitária, biopolítica |
| Código 46 (2003) | Michael Winterbottom | Biopolítica |
| Idiocracia (2006) | Mike Judge e Etan Cohen | Sociocultural, midiática |
- O curta-metragem A pista (1962), marco da Nouvelle Vague francesa, veio a inspirar muitos filmes sobre viagem no tempo e sociedades pós-apocalípticas, entre eles o bem-sucedido Os doze macacos (1995), de Terry Gilliam
- Alphaville (1965), fruto da combinação entre o noir e a ficção científica distópica, ajudou a estabelecer a distopia tecnológica moderna e antecipou o subgênero cyberpunk no cinema
- Brazil: o filme (1985), aclamado por críticos como uma das maiores distopias cinematográficas já produzidas, empregou pesadamente o humor negro para satirizar a burocracia e a tecnocracia reinantes em uma sociedade futurista
- Matrix (1999) revolucionou o cinema de ficção científica (assim como o de ação) e os efeitos visuais. Sua influência estética e filosófica é a mais penetrante da lista, e legou à cultura popular termos como “pílula vermelha” e “pílula azul” e o debate sobre uma possível “Matrix” (a hipótese distópica de que vivemos uma grande simulação).
- Idiocracia (2006) fracassou nos cinemas, mas, com o tempo, tornou-se um fenômeno cult. Desde os anos 2010, tem sido a distopia mais mencionada em debates sobre a “derrocada cultural” e o anti-intelectualismo, especialmente no contexto da cultura digital.
Distopias na TV e em streamings
A seleção abaixo inclui apenas séries com roteiros originais. Obras adaptadas da literatura ou do cinema, mesmo pioneiras influentes ou grandes sucessos de público como The 100 (2014–20) e Westworld (2016–22), foram desconsideradas.
| Obra | Criador(es) | Tipo de distopia |
|---|---|---|
| O prisioneiro (1967–68) | George Stone, Rocky Morton e Annabel Jankel | Carcerária |
| Max Headroom (1987–88) | Patrick McGoohan | Midiática, corporativa |
| Ima, soko ni iru boku (1999–2000) | Akitarô Daichi | Totalitária |
| Gangues da noite (2000–02) | James Cameron e Charles H. Eglee | Biopolítica |
| Dollhouse (2009–10) | Joss Whedon | Biopolítica |
| Black mirror (2011–) | Charlie Brooker | Tecnológica, sociocultural |
| Psycho-Pass (2012–19) | Gen Urobuchi | Totalitária, tecnológica |
| Utopia (2013–14) | Dennis Kelly | Biopolítica |
| 3% (2016–20) | Pedro Aguilera | Socioeconômica |
| Years and years (2019) | Russell T. Davies | Sociocultural, totalitária |
| Ruptura (2022–) | Dan Erickson | Corporativa, biopolítica |
- O prisioneiro (1967–68) foi a primeira série distópica de enredo contínuo (tendo o mesmo protagonista e ambientação do início ao fim) de grande impacto na TV, e combinou tropos da ficção científica aos do romance de espionagem
- Ima, soko ni iru boku (1999–2000), anime pouco popular mais tarde elevado ao status de obra cult do gênero, contrariou os padrões dos seriados isekai ao abordar de modo sinistro o autoritarismo, a exploração infantil e os traumas de guerra
- 3% (2016–20), primeira série original Netflix brasileira e a primeira em língua portuguesa produzida para distribuição global, incorporou à tradição da distopia temas sociais particularmente relevantes no Brasil (desigualdade, segregação espacial)
Perguntas frequentes sobre distopias
O que significa distopia?
Distopia é resultado da junção do prefixo dys– (“mau”, “anormal”, “difícil”) com o substantivo topos (“lugar”), ambos do grego antigo, e expressa a ideia de “lugar ruim”.
A distopia é um gênero literário?
Comercialmente, sim, embora também possa ser entendida como uma categoria da ficção especulativa. De definição relativamente elástica, a distopia muitas vezes se combina com a ficção científica, o romance político, a sátira, o cyberpunk e a ficção pós-apocalíptica.
Distopias são necessariamente ficção científica?
Não — a tecnologia avançada não é um pré-requisito para que uma obra seja distópica. Embora estudiosos divirjam sobre o assunto, distopia e ficção científica podem ser mais bem entendidas como categorias da ficção especulativa (veja o tópico acima). É comum vê-las combinadas (como em Nós e Metrópolis), mas grandes romances distópicos, como O conto da aia, não dependem de invenções técnicas ou científicas futuristas.
O que diferencia a utopia da distopia?
A distopia é, em termos gerais, o oposto da utopia. Enquanto utopias pintam sociedades ideais ou drasticamente melhores do que a atual, distopias apresentam mundos temíveis e moralmente repugnantes. Algumas distopias são introduzidas com elementos utópicos (harmonia social, bem-estar, abundância), que mais tarde se revelam obtidos por meios ou empregados com fins malignos (como em Admirável mundo novo). Tanto utopias quanto distopias costumam partir de inquietações do presente, seja mostrando-as superadas, seja extrapolando-as, no futuro.
Qual é a diferença entre distopia e pós-apocalipse?
Enquanto a distopia retrata sociedades organizadas de modo opressivo, o pós-apocalipse apresenta antes de tudo regiões (de cidades e países a todo o mundo) transformadas por uma catástrofe. As categorias podem se sobrepor, mas nem toda distopia sucede um apocalipse, nem é sempre a causa de um.
Toda narrativa cyberpunk é uma distopia?
Não necessariamente. O cyberpunk pode ser definido pela fórmula high tech, low life: no novo estado de coisas, a tecnologia de ponta divide espaço com a degradação social e a concentração de poder nas mãos de grandes corporações. Como a distopia, o gênero pode retratar sociedades opressivas ou desiguais, mas também incorpora (no seu caso, como centrais) elementos da ficção hard-boiled e do noir, sobretudo o protagonista anti-herói, a “amoralidade” e a decadência urbana. Assim, uma narrativa pode ser cyberpunk sem assumir o tom sombrio ou alarmista de muitas distopias — é o caso de Snow Crash (1992), o romance satírico de Neal Stephenson, por exemplo.
Qual foi a primeira distopia literária?
Embora o gênero tenha tido precursores discutíveis nos séculos XVIII e XIX, o conto The new utopia (1891), de Jerome K. Jerome, parece ser a primeira narrativa a conter os elementos da distopia moderna. Graças à circulação dos textos de Jerome na Rússia pré-revolucionária e às muitas semelhanças entre as duas obras, também é provável que The new utopia tenha influenciado Nós (1924), do russo Ievguêni Zamiátin, obra fundadora (até onde se sabe) da distopia no romance.
Notas
A tradução para o português é minha, assim como a dos demais textos em outros idiomas (salvo indicação em contrário). ↩︎
Os termos gregos (e, no restante do artigo, os de outras línguas escritas em alfabetos não latinos) foram transliterados para o alfabeto latino para facilitar a leitura. ↩︎
No original inglês: “Unhappy iſle! ſcarce known to Fame; ¶ DUSTOPIA was its ſlighted name.”, primeiros versos em que a nova palavra é empregada no poema. Leia o trecho na íntegra no Google Books. O poema foi publicado anonimamente e apenas mais tarde atribuído a Younge, segundo o catálogo da Folger Shakespeare Library, o registro da Biblioteca Nacional da Irlanda e o artigo de Budakov. ↩︎
“An unhappy country”, no original inglês. Veja Claeys, p. 273. ↩︎
Antes que as ocorrências de dystopia no poema de Younge fossem descobertas, acreditava-se que Turner havia sido o primeiro a usar a expressão. ↩︎
O texto de Bentham, que levou o longo título Plan of parliamentary reform, in the form of a catechism, with reasons for each article, with an introduction, shewing the necessity and inadequacy of moderate reform, foi originalmente publicado em 1817 e revisto em uma edição de 1818. A University College London cataloga o neologismo como cunhado em 1818. ↩︎
Leia a íntegra do discurso de Mill no registro oficial do debate da Câmara dos Comuns sobre a situação da Irlanda, ocorrido em 12 de março de 1868. ↩︎
Em textos de língua inglesa. Veja aqui o gráfico de progressão do uso do termo (Oxford English Dictionary). ↩︎
O próprio Booker reconhece que os termos “nem sempre [foram] empregados de modo intercambiável” ao longo do tempo (Booker, p. 22). Em The dystopian impulse in modern literature… (1994), o professor opta por distopia como “termo guarda-chuva” para evitar debates terminológicos menores. ↩︎
Nenhuma das fontes consultadas indica outra edição de Umbra que não a de 1977 (e primeira), pela editora Summus. ↩︎
Referências
- Abrams, M. H.; Harpham, Geoffrey Galt. A glossary of literary terms. 11. ed. Cengage Learning, 2014.
- Baldick, Chris. The concise Oxford dictionary of literary terms. 2. ed. Oxford University Press, 2001.
- Booker, M. Keith. The dystopian impulse in modern literature: fiction as social criticism. Greenwood Press, 1994.
- Budakov, Vesselin M. “Dystopia: an earlier eighteenth-century use”. Notes and Queries, Oxford, v. 57, n. 1, p. 86–88, mar. 2010.
- Claeys, Gregory. Dystopia: a natural history. Oxford University Press, 2017.
- Oliveira Neto, Pedro Fortunato de. A distopia na literatura brasileira do século XX. 2022. Tese (Doutorado em Linguística e Literatura) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2022.
- Reino Unido. Parlamento. Câmara dos Comuns. Adjourned debate. Hansard, 12 mar. 1868, v. 190, col. 1459–549.
- Sargent, Lyman Tower. “In defense of utopia”. Diogenes, v. 53, n. 1, p. 11–17, fev. 2006.
- Soares, Fernanda Pereira. Autoritarismo, tecnocracia e natureza: representações da pátria brasileira em O fruto do vosso ventre, de Herberto Sales (1976). 2013. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-Graduação em História, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.
- Stenbock-Fermor, Elizabeth. “A neglected source of Zamiatin’s novel ‘We’”. The Russian Review, v. 32, n. 2, p. 187–88, abr. 1973.
- Younge, Lewis Henry. Utopia: or, Apollo’s golden days. George Faulkner, 1747.




