Como estudar: os segredos do aprendizado revelados pela ciência

Como estudar: os segredos do aprendizado revelados pela ciência

O que a ciência cognitiva aconselha se você quiser aprender por conta própria com eficiência e tornar sua jornada de estudos mais leve e bem-sucedida.
Neste artigo

Estudar pode ser uma tarefa menos ingrata se usarmos as ferramentas mentais mais poderosas à disposição. Nas últimas décadas, a pesquisa cognitiva deu passos largos, revelando como estudar de modo inteligente caso o objetivo seja elevar nosso desempenho acadêmico e nossa retenção de conhecimento a longo prazo. Apesar disso, muitos professores não transmitem aos alunos essas descobertas — muitas vezes por também ignorá-las —, e os currículos escolares dificilmente incluem instruções sobre como aprender. Em grande parte, continuamos recorrendo a técnicas de estudo discutíveis.

Os ventos parecem estar mudando, contudo. Embora lentamente, cada vez mais atenção tem sido dada ao protagonismo do aluno no processo de aprendizagem — e, por nossa própria conta, temos buscado mais do que nunca como aprender a aprender.

Ainda assim, conhecer técnicas de estudo eficazes pode não ser suficiente. Afinal, de onde extrair motivação para usá-las? Quando e em que contextos recorrer a elas? Ou, ainda, como medir o progresso que fizemos ao empregá-las? Neste artigo, não só listamos por ordem de eficácia as técnicas de estudo mais comuns — da menos à mais útil, segundo cientistas —, mas destacamos seu papel no plano maior e mais importante da aprendizagem autorregulada.

O que você precisa saber sobre aprendizagem autorregulada

Num regime de aprendizagem autorregulada (AAR), os próprios alunos tomam a iniciativa de gerir seus processos de aprendizagem — o que inclui definir metas, monitorar o próprio progresso e avaliar os resultados obtidos. Nos últimos tempos, o conceito se tornou incontornável na psicologia educacional, já que, uma vez gerenciando com sucesso nosso aprendizado, não só atingiremos notas mais altas1, mas também nos sentiremos mais motivados2 e satisfeitos em relação à vida de estudos3.

Aprender os fundamentos da aprendizagem autorregulada não é um luxo reservado aos que sonham com os últimos degraus da carreira acadêmica, mas uma necessidade de todos os que desejam evitar ou superar as dificuldades inerentes à instrução institucional ou autodidata. Queiramos ou não, somos, da escola à faculdade, responsabilizados por porções cada vez maiores de nosso aprendizado. Quanto antes aprendermos a ser bem-sucedidos na tarefa, melhor.

Lifelong learners também precisam continuar a regular seu próprio aprendizado, seja no contexto da educação de pós-graduação, no local de trabalho, no desenvolvimento de novos hobbies ou em atividades recreativas.”4

Se você se vê em algum dos tópicos abaixo, este é um sinal de que já está praticando os princípios da aprendizagem autorregulada, ainda que não saiba disso:

  • Definição de metas: Você define metas específicas e mensuráveis para um projeto de estudo, como “revisar o capítulo 3 da introdução à crítica literária antes da aula” ou “concluir a pesquisa para o trabalho de conclusão de curso até sexta-feira”.
  • Planejamento: Você cria cronogramas de estudo realistas, alocando tempo para diferentes disciplinas e priorizando as atividades realmente importantes.
  • Monitoramento: Você supervisiona o próprio progresso, verificando se está compreendendo o material e cumprindo o cronograma estabelecido.
  • Avaliação: Você reflete sobre o próprio desempenho, identificando pontos fortes e fracos e ajustando sua estratégia de aprendizagem às suas necessidades.
  • Busca de ajuda: Você reconhece quando precisa de ajuda e busca recursos complementares, como tutoria particular, videoaulas ou outros materiais de estudo on-line.
  • Gerenciamento do tempo: Você se esforça para priorizar tarefas corretamente, evitar distrações e, no geral, empregar o tempo de forma eficiente.
  • Motivação: Você desenvolve estratégias para manter os níveis de motivação, como recompensar a si mesmo(a) após um sucesso acadêmico ou um dia excepcionalmente produtivo de estudos.
  • Autoeficácia: Você acredita em sua capacidade de aprender e ter sucesso na vida intelectual, o que o(a) leva a se esforçar mais e perseverar diante dos desafios.

Como veremos, há muitas ferramentas à disposição caso você queira tomar as rédeas dos seus estudos — e, nas palavras de Maria Theobald5, aprendizes autorregulados “aplicam uma infinidade” delas “ao longo do processo de aprendizagem”6. De maneira geral, aquelas que você conhecerá neste artigo podem ser classificadas em estratégias cognitivas, metacognitivas e estratégias de gerenciamento de recursos.

Se você é um(a) estudante acadêmico(a) ou autodidata, há uma série de livros baseados em boa ciência cognitiva que podem ajudá-lo(a) a desenvolver suas estratégias de estudo. É o caso de Aprendendo a aprender, de Barbara Oakley, É assim que aprendemos, de Stanislas Dehaene, Otimize seu aprendizado, de Daniel T. Willingham, Ultra-aprendizado, de Scott H. Young, e Fixe o conhecimento, de Peter C. Brown e seus colegas Henry Roediger III e Mark McDaniel. Se você é um(a) professor(a) ou pedagogo(a), pode se interessar pelo bem-avaliado Aprendizagem autorregulada: como promovê-la no contexto educativo?, organizado pelas brasileiras Evely Boruchovitch e Maria Aparecida Mezzalira Gomes.

O mundo da cultura, na sua caixa de entrada

Novidades, reflexões e trechos de grandes obras da literatura, aprendizagem e escrita criativa, todos os meses, no seu e-mail.

Este site é protegido pelo Google reCAPTCHA; aplicam-se a Política de privacidade e os Termos de serviço do Google. Ao prosseguir, você também concorda com os Termos de uso e Política de privacidade do site.

Estratégias cognitivas de aprendizagem autorregulada: as técnicas de estudo

É às estratégias cognitivas que recorremos quando queremos processar informações mais facilmente. Em outras palavras, elas nada mais são do que as técnicas de estudo que estamos habituados a usar. Essas estratégias são cruciais para que, entre outros resultados, você adquira e organize o conhecimento desejado, aprendendo o mais rápida e corretamente possível e integrando as novas informações às estruturas de conhecimento que já havia construído. Embora haja outras formas de fazer isso, nós podemos distribuí-las em três grandes grupos: estratégias de repetição, elaboração e organização do material7.

A repetição (rehearsal, no original inglês que encontramos em artigos científicos), uma estratégia cognitiva básica, envolve o acesso repetido a informações com o fim de memorizá-las, como fazemos ao reler um texto ou relembrar repetidamente fatos ou fórmulas. A elaboração, um tanto mais complexa, consiste em conectar o que acabamos de aprender à nossa base de conhecimento prévio, criando, se preciso, analogias e metáforas; também a exercitamos ao fazer inferências sobre um assunto, o que nos exige processá-lo mais profundamente. A organização, por fim, ocorre quando estruturamos o material de aprendizagem da maneira mais coerente e significativa para nossos propósitos, criando mapas conceituais, resumos ou esquemas, por exemplo.

Estudante grifa passagens de texto
Embora muito popular entre estudantes, a prática de grifar e sublinhar passagens de texto é pouco útil para gerar aprendizado a longo prazo — Foto: Reprodução de Kaboompics via Pexels

Cada um dos grupos acima engloba muitas técnicas de estudo, e, como você deve imaginar, algumas delas são mais poderosas do que outras. Felizmente, a eficácia daquelas que mais usamos no dia a dia não é novidade para neurocientistas. Em 2013, o professor da Kent State University John Dunlosky e seus colegas de pesquisa deram à luz um dos artigos mais populares de sua área: uma longa e minuciosa revisão das dez técnicas de estudo mais usadas por nós, alunos8. Cada uma das técnicas foi avaliada como sendo pouco, moderadamente ou muito útil em contextos de ensino. A seguir, você encontra um resumo dos resultados de Dunlosky e sua equipe:

A lista abaixo é apenas um breve apanhado das descobertas de Dunlosky e outros pesquisadores. Para muito mais sobre técnicas de estudo eficazes, leia este artigo.

  1. Grifar e sublinhar. Grifar ou sublinhar passagens de um texto é uma técnica da qual geralmente usamos e abusamos — mas que não parece favorecer significativamente a aprendizagem. Estudantes que apenas sublinham textos, sem empregar outras estratégias ativas de estudo, apresentaram desempenho inferior em testes posteriores. Além disso, a marcação excessiva pode prejudicar a compreensão: muitos alunos tendem a grifar partes irrelevantes do texto e confundir-se na hora da revisão. Como técnica de estudo, a prática de grifar e sublinhar é considerada de baixa utilidade.9
  2. Releitura. Estudos sugerem que a releitura pode nos familiarizar com o material, mas é menos eficaz do que técnicas mais exigentes. A releitura massiva — em que uma leitura segue imediatamente a outra — não promove ganhos significativos na retenção de longo prazo. Uma vez que cada nova leitura aumenta nossa familiaridade com o material e a fluidez com que o processamos, alunos que apostam todas as fichas na releitura costumam acreditar que dominaram o conteúdo; seu desempenho inferior em provas e outros exames, contudo, revela os malefícios desse excesso de confiança. A releitura repetitiva também não estimula a reflexão crítica sobre o material, um componente chave da autorregulação da aprendizagem. Por essas e outras razões, a releitura é tida como uma técnica de estudo de baixa utilidade.10
  3. Sumarização (criação de resumos). Ao criar resumos, identificamos e registramos os pontos principais de um texto a fim de captar sua essência. De fato, a estratégia nos ajuda a organizar o conteúdo e conectar ideias, mas sua eficácia varia conforme o modo como é aplicada e a habilidade dos estudantes que a executam. Muitos alunos, especialmente os menos experientes, precisam de treinamento intensivo para criar resumos de qualidade — o que reduz a viabilidade da estratégia em ambientes educacionais mais amplos. Além disso, os resultados sobre os benefícios da sumarização são mistos, não raro influenciados por fatores como o tipo e a extensão dos textos. Embora eficaz para alunos que já dominam a habilidade de resumir bem, a técnica é classificada como de baixa utilidade geral.11
  4. Mnemônicos de palavras-chave. Associar palavras-chave a imagens ou conceitos nos ajuda a mantê-los na memória, é verdade — mas, embora os mnemônicos favoreçam o aprendizado de listas e definições, sua aplicação a conteúdos complexos é limitada. Como alguns pesquisadores indicam, a técnica apresenta bons resultados em provas de memória, mas não beneficia a transferência do conhecimento para situações que exigem raciocínio profundo. Criar e usar mnemônicos de modo eficaz também pode ser complicado, o que torna sua aplicação inconsistente. Como técnica de estudo, portanto, o uso de mnemônicos de palavras-chave é de baixa utilidade.12
  5. Associação de imagens mentais a textos. Imaginar o conteúdo lido, criando representações mentais claras dos conceitos descritos, é uma forma de melhorar nossa compreensão e retenção de informações. A técnica — que não exige treinamento prévio mesmo quando aplicada a matérias complexas — é capaz de aumentar, e muito, o desempenho em testes de compreensão, especialmente quando precisamos fazer inferências a partir do texto13. Seus benefícios parecem estar ligados à melhor organização mental das informações e ao uso de nosso conhecimento prévio para formar imagens coerentes. Os efeitos positivos, porém, se limitam a materiais que favorecem esse tipo de representação e a testes que avaliam exclusivamente a memória — e não são atraentes em contextos mais amplos ou variados. Além disso, atividades paralelas à prática, como desenhar, podem restringir seus benefícios. Apesar de seu potencial, a estratégia é classificada como de baixa utilidade.14
  6. Elaboração interrogativa. Esta estratégia, que consiste em nos perguntarmos “por quê?” diante de cada novo fato ou conceito, melhora significativamente nossa retenção de informações — estudos demonstraram que os adeptos da elaboração se saem melhor em testes de compreensão de leitura e ciências, por exemplo. Ao fazer a si mesmo(a) perguntas sobre o conteúdo estudado, você é levado(a) a processar a informação de forma mais profunda e a estabelecer conexões marcantes entre conceitos. Apesar disso, a tarefa depende em grande medida de nosso conhecimento prévio, e tende a beneficiar os privilegiados com maior bagagem cultural. Para o grupo de Dunlosky, a elaboração interrogativa é uma técnica de utilidade moderada.15

“Dado que você está prestando atenção ao material de forma ativa e interessada, importa se você está ou não tentando aprendê-lo? De forma um tanto surpreendente, a resposta parece ser ‘Não’. […] O importante não é o desejo de lembrar, mas a maneira como você processa o material. Se você pensar sobre seu significado, relacioná-lo com o que você já sabe e considerar suas implicações mais amplas, você tem uma chance muito maior de aprender do que se simplesmente ler e anotar os pontos principais.”16

Aprenda

Leia, escreva e estude melhor. Sem sair de casa.

Aulas on-line, ao vivo e individuais ministradas pelo Felipe. Conheça os planos exclusivos da tutoria.
Galeria de capas de livros
  1. Autoexplicação. Com o perdão do trocadilho, a autoexplicação parece ser uma técnica de estudo autoexplicativa — mas há nuances a considerar. Ao aplicá-la, por exemplo, você pode não só explicar para si mesmo(a) o conteúdo-alvo, mas também como ele se relaciona à sua rede prévia de conhecimento. Entre outros fatores, é o suporte que ela confere à integração de novas informações o que a torna mais valiosa. Praticantes da estratégia tendem a obter resultados melhores em testes de raciocínio analítico e de solução de problemas complexos — mas a retenção de textos expositivos e até ficcionais não deixa de ser favorecida. A técnica também promove a metacognição: por meio dela, os alunos aprendem a monitorar a própria compreensão e identificar as lacunas em seu conhecimento. Como a elaboração interrogativa, a autoexplicação é considerada uma técnica de estudo de utilidade moderada.17
  2. Prática intercalada. Alternar diferentes tipos de problemas ou materiais durante o estudo pode fomentar nossa flexibilidade cognitiva. Como a pesquisa científica revela, essa técnica é especialmente eficaz em relação a matérias que exigem a aplicação variada de muitos conceitos ou fórmulas, como a Matemática — mas precisamos de outros trabalhos para verificar o quão útil ela será no estudo de disciplinas de outras naturezas. Na prática intercalada, de todo modo, a variação dos tipos de exercício reduz a memorização mecânica e nos estimula a adaptar o que sabemos a diferentes contextos. A atividade é uma técnica de estudo de utilidade moderada.18

Uma nota importante sobre a prática intercalada. Ao divulgar a estratégia, muitos artigos e vídeos on-line recomendam que, dentro de uma mesma sessão de estudos, revezemos disciplinas não relacionadas — como Língua Portuguesa, Física e Geografia. Essa, porém, é uma extrapolação indevida da prática intercalada tal como os cientistas a entendem. Originalmente, a técnica envolve o estudo de tópicos de uma mesma matéria ou competências de uma mesma habilidade.

Em um dos estudos mais populares sobre o tema, por exemplo, os participantes são apresentados a pinturas de diferentes artistas — uma tarefa relacionada apenas às Artes —19; em outro, são ensinados a calcular o volume de diferentes sólidos geométricos — um trabalho puramente matemático20. Por ora, não há evidências de que alternar disciplinas ou habilidades distantes entre si num curto período de tempo seja proveitoso para o aprendizado. Como salienta a professora Pooja Agarwal neste vídeo, misturar “Biologia, Cálculo, Química e Inglês” não promove os benefícios da prática intercalada — e seria “como pôr brócolis na salada de frutas”.

  1. Testes práticos. Responder a perguntas sobre o conteúdo estudado é uma das formas mais eficazes de fortalecer a memória. Abundantemente estudado, o efeito positivo dos testes práticos já foi demonstrado para muitas disciplinas: em todas elas, o aprendizado não foi só acelerado, mas fixado por mais tempo. Além de promoverem a organização do conhecimento que adquirimos21 e a habilidade de acessar a informação em momentos críticos — como nos exames finais que tanto tememos —22, os testes práticos nos permitem facilmente monitorar o progresso feito e identificar áreas de deficiência. Com base em uma multidão de pesquisas, o hábito de estudar por meio de testes é considerado de alta utilidade.23
  2. Prática distribuída. Em vez de batalhar contra infinitos slides e páginas de livros na véspera de uma prova, experimente distribuir o estudo em sessões breves, mas repetidas ao longo do tempo: a prática pode não só melhorar seu desempenho no exame, mas promover a retenção duradoura do conteúdo. Muitos experimentos já indicaram que “espaçar” nossos estudos resulta em memórias mais duradouras e maior consolidação do aprendizado — o que torna a estratégia útil sobretudo para disciplinas que exigem aprendizado contínuo. A prática distribuída, porém, exige planejamento e organização do tempo, habilidades sem as quais será difícil evitar a procrastinação e manter o foco. Largamente pesquisada, esta é uma estratégia cognitiva de alta utilidade.24

Embora não tenha a pretensão de ser uma obra científica, o manual Como ler livros, de Mortimer Adler e Charles Van Doren, contém dicas valiosas para aprimorar nossa habilidade de leitura e nos introduzir à vida intelectual. Saiba mais sobre o livro de Adler e Doren neste artigo.

Grupo de estudantes toma notas durante os estudos
Tomar notas durante uma aula nos ajuda a organizar mentalmente o conteúdo aprendido e aumenta a retenção de tópicos importantes25 — Foto: Reprodução de Andy Barbour via Pexels

Por que técnicas de estudo eficazes são tão impopulares?

Não estamos longe de um consenso sobre a “hierarquia” que há entre as técnicas acima. Ainda assim, um fenômeno intrigante persiste: muitos estudantes relutam em aplicar as mais poderosas delas. Por quê?

“Nós temos todas as diversas pesquisas que mostram que a maioria das pessoas prefere os métodos tradicionais e pouco eficientes de aprendizagem. Então, os alunos certamente não ficarão nada felizes se tiverem que estudar por métodos alternativos, mesmo que a longo prazo eles sejam melhores.”26

Muitos universitários preferem reler o material a enfrentar testes — trocando uma técnica de estudo muito útil por outra pouco útil —, crendo que a primeira tarefa seja a mais vantajosa27. Infelizmente, também preferimos concentrar nossos estudos em sessões intensivas a distribuí-los ao longo de dias ou semanas28. Não se espante se notar em si mesmo(a) essa “inclinação ao pecado”. As culpadas por isso não são nossa teimosia ou ignorância, mas nossa percepção de fluência e a economia mental com que nossas cacholas operam.

Termo da psicologia cognitiva, a fluência cognitiva corresponde à facilidade com que lidamos com uma informação. Quando revisamos passivamente um material (como ao reler muitas vezes um texto), a crescente familiaridade com o conteúdo nos faz processá-lo com facilidade — tornando-o cognitivamente fluente. Além disso, geralmente obedecemos ao princípio de economia cognitiva — nosso cérebro prefere os processos que requeiram menos energia. Técnicas de estudo passivas são intelectualmente menos exigentes e não provocam desconforto — um prazer para nossos miolos preguiçosos.

Ao aumentar nossa familiaridade com o material e reduzir o esforço com que o processamos, hábitos como a releitura e o estudo concentrado nos dão a impressão de que aprendemos mais ao usá-los — uma ilusão de competência29 da qual surge a fé cega em práticas duvidosas, mas queridas de longa data30. Como você deve imaginar, porém, acreditar em uma estratégia não a torna mais eficaz.

Ironicamente, as técnicas que mais nos fazem reter conhecimento para o longo prazo são as que, até certo ponto, mais nos desafiam — fenômeno a que o psicólogo Robert A. Bjork deu o nome de dificuldades desejáveis31. Os testes práticos e o estudo distribuído parecem ser as estrelas da lista de Dunlosky exatamente porque nos oferecem o nível adequado de desafio. Ao tentar responder a uma pergunta sem consultar o material, você está pondo a própria memória em xeque, pressionando-a a produzir um acerto. Ao espaçar duas sessões de estudo, está permitindo que alguma informação seja esquecida entre elas, o que tornará mais difícil recordá-la. Embora essa musculação mental não seja nada agradável — e, quando praticada, talvez até pareça contraproducente —, é o modo mais eficiente de deixar nosso cérebro em forma.

Estratégias metacognitivas de aprendizagem autorregulada

Estratégias metacognitivas são processos mentais de ordem superior que nos permitem avaliar e controlar nossa cognição. É por meio delas que refletimos sobre nossa esteira de pensamento, compreendemos nosso aprendizado e gerimos as estratégias cognitivas a praticar. Como um(a) estudante de sucesso, você deve aplicar estratégias metacognitivas em todas as fases de sua aprendizagem, desde quando se prepara para estudar até o momento em que avalia seus resultados32.

Na fase preparatória, as estratégias metacognitivas envolvem definir metas de estudo claras e realistas, planejar as etapas necessárias para atingi-las, ativar o conhecimento prévio relevante e selecionar as estratégias cognitivas — as técnicas de estudo que acabamos de conhecer — mais adequadas para a missão. Isso inclui:

  • Analisar e definir a tarefa de aprendizagem, detectando exatamente o que e por que estudaremos;
  • Identificar os requisitos de aprendizagem, como o nível de exigência da matéria que temos pela frente;
  • Estabelecer objetivos específicos, como a quantidade de tópicos a estudar;
  • Criar um cronograma de estudos factível, adaptado às necessidades da nossa rotina; e
  • Escolher as técnicas de estudo mais eficazes.

“A intenção de aprender não é essencial, mas é útil se levar à persistência e ao uso de boas estratégias de aprendizagem.”33

Durante a fase de desempenho, as estratégias metacognitivas se voltam para o monitoramento e o controle da aprendizagem em andamento. Esse é o período em que você deve exercitar a autoconsciência de seu nível de compreensão, identificando os tópicos mais intimidadores e adaptando as técnicas de estudo que conheceu conforme necessário. Para monitorar seu progresso, concentre-se em:

  • Verificar sua compreensão, perguntando-se o quão bem você tem processado o material e apreendido os conceitos da disciplina (não se esqueça de reconhecer as matérias mais difíceis e dar atenção especial a elas);
  • Identificar erros, investindo na resolução de questões ou praticando a recordação livre, sempre seguidas de feedback; e
  • Ajustar as estratégias cognitivas que escolheu, combinando as técnicas de estudo que perceber serem mais eficazes e abandonando aquelas que não trouxerem bons resultados.
Aprenda

Leia, escreva e estude melhor. Sem sair de casa.

Aulas on-line, ao vivo e individuais ministradas pelo Felipe. Conheça os planos exclusivos da tutoria.
Galeria de capas de livros

Por fim, na fase de avaliação ou reflexão as estratégias metacognitivas se concentram em avaliar os resultados que obtivemos e refletir sobre o processo de aprendizagem como um todo. É chegada a hora de ponderar as estratégias que usamos, identificar os pontos de melhoria e planejar nossos próximos passos nos estudos. Nesta fase, procure:

  • Avaliar se você alcançou ou não as metas que havia definido na fase preparatória;
  • Analisar seus sucessos e fracassos em diferentes disciplinas ou nos diferentes tópicos de uma mesma disciplina;
  • Identificar as técnicas de estudo mais eficazes durante a empreitada; e
  • Generalizar e transpor as lições que você aprendeu sobre a própria aprendizagem para futuras oportunidades de aprendizado.

“[…] a tarefa de se tornar um aprendiz metacognitivamente sofisticado está longe de ser simples; requer ir contra certas intuições e práticas padronizadas, ter um modelo mental razoavelmente preciso de como a aprendizagem funciona e não ser enganado pelo desempenho de curto prazo e certos índices subjetivos.”34

Estilos de aprendizagem: verdade ou mito?

Você acredita aprender mais assistindo a videoaulas, lendo apostilas ou ouvindo a gravação que fez da aula de um professor? Se escolheu uma das opções sem pestanejar, é provável que já tenha se identificado com um dos populares estilos de aprendizagem — e esteja se mantendo fiel a ele. Boa parte dos estudantes acredita aprender melhor ao investir em um mesmo tipo de material, e é o que ainda fazem muitas universidades. Até 2009, a própria Yale chegou a recomendar que os instrutores da Yale Graduate School of Arts and Sciences determinassem sua ‘‘modalidade de aprendizagem’’, avaliassem os estilos de aprendizagem de seus alunos e ajustassem suas lições conforme as descobertas35. Hoje, contudo, a mesma integrante da ivy league discute o mito que há por trás de sua antiga sugestão36. Por quê?

Os estilos de aprendizagem não são uma novidade para a neurociência. A partir dos anos 1970, com a publicação dos primeiros trabalhos da dupla Rita e Kenneth Dunn a seu respeito37, a matéria entrou na pauta do ecossistema educacional. No mesmo período, o teórico David Kolb também apresentava ao mundo seu inventário de estilos38 — seguido, de 1990 em diante, pelos neozelandeses Neil Fleming e Colleen Mills39. Não exatamente jovens, os estilos de aprendizagem não parecem ter perdido toda a popularidade — apesar das crescentes críticas que enfrentam na academia.

O modelo de Kolb propõe um ciclo de aprendizagem baseado nas atitudes e sentimentos que demonstramos enquanto aprendemos, pontuado por quatro habilidades: a experiência concreta, a observação reflexiva, a conceituação abstrata e a experimentação ativa. A partir delas, Kolb sugeriu os seguintes estilos de aprendizagem:

  • Acomodador: aberto à experiência e sedento por desafios, mais influenciado pela experimentação ativa e pela experiência concreta. Acomodadores prosperam em atividades práticas como aulas de campo, projetos e jogos.
  • Convergente: busca aplicar diretamente seu conhecimento a fim de solucionar problemas e tomar decisões eficazes. Articulando a experiência concreta e a observação reflexiva, convergentes tendem a preferir simulações e experimentos controlados em laboratório.
  • Assimilador: pensador teórico, fortemente inclinado à organização lógica e à integração de informações. Através da observação reflexiva e da conceituação abstrata, assimiladores são inclinados a aprender por meio de leituras, palestras e análise de modelos conceituais.
  • Divergente: habilidoso ao gerar ideias, especular e abordar situações de múltiplos ângulos. Combinando a conceituação abstrata à experimentação ativa, divergentes se destacam em tarefas como modelos de construção e estudos de caso.
Um jovem estudante responde a um exame em sala de aula
Mesmo causando arrepios em muitos estudantes, o hábito de testar o conhecimento respondendo a questões ou apenas evocando as informações desejadas é uma das técnicas de estudo mais poderosas para produzir conhecimento duradouro — Foto: Reprodução de Jeswin Thomas via Pexels

Segundo o modelo Vark, criado pelo educador neozelandês Neil Fleming, a aprendizagem se dá por meio de cinco habilidades: visual, auditiva, cinestésica, leitura/escrita e, quando emprega duas ou mais delas, multimodal. O acrônimo Vark é formado pelas iniciais (em inglês) de cada uma das habilidades.

Hoje, o modelo de Fleming é provavelmente o mais reconhecido ao redor do mundo — você certamente já pegou a si mesmo(a) ou a algum colega dizendo ser um “aprendiz visual”. Prova de sua popularidade, o modelo Vark conta com um site dedicado a divulgá-lo, onde você encontrará descrições das modalidades de Fleming e até mesmo um questionário para descobrir seu estilo de aprendizagem.

  • Visual: Aprendizes visuais assimilam melhor o material por meio de recursos como diagramas, gráficos, vídeos, mapas e aulas expositivas que organizam e conectam ideias de forma graficamente atraente.
  • Auditivo (aural): Estudantes com preferência auditiva aprendem mais facilmente escutando. Palestras, seminários e discussões são os meios ideais para promover sua compreensão e memorização.
  • Leitura e escrita (read/write): Este estilo favorece os aficionados por textos. Para eles, artigos, manuais, relatórios e esquemas próprios são ferramentas-chave para organizar e reter o conhecimento.
  • Cinestésico (kinesthetic): Pessoas com estilo cinestésico aprendem melhor ao praticar. Atividades como experimentos em laboratório, dramatizações, práticas esportivas e demonstrações são eficazes por envolverem o corpo e a ação direta.

Apesar de ainda em voga entre muitos professores e alunos, a teoria dos estilos de aprendizagem tem sido amplamente desacreditada por cientistas. A extensa revisão conduzida por Harold Pashler, Mark McDaniel, Doug Rohrer e Robert A. Bjork, por exemplo, verificou que não há evidências confiáveis de que alinhar o ensino ao suposto estilo de aprendizagem de um aluno melhore sua performance. Os dados mostram, na verdade, que melhoramos nosso aprendizado ao associar a natureza do conteúdo e os meios e mídias em que o consumimos ou exercitamos. Em aulas de redação, por exemplo, será ótimo se nos cercarmos de livros e artigos — mas, durante lições de Química, seria melhor nos enfiarmos entre os tubos de ensaio de um laboratório. A solução, portanto, é reconhecer os estilos de apresentação predominantes em cada disciplina e intercalá-los a depender do que estudamos40.

Em vez de categorizar seus alunos por estilos fixos, seria ideal que professores adotassem abordagens variadas de ensino. Isso se deve ao fato de que a aprendizagem envolve processos complexos, como a construção gradual de conceitos e a ativação de nossos conhecimentos anteriores. Estratégias como o uso de múltiplas modalidades (visuais, verbais e interativas) de apresentação, aprendizado ativo, trabalhos em grupo e métodos inclusivos de ensino atendem melhor às diferentes necessidades dos estudantes. Estudos mostram, por exemplo, que aprendemos mais profundamente ao combinar palavras e imagens do que ao usar apenas texto — uma vez que apresentações multimídia nos tornam cognitivamente mais ativos.41

Outra alternativa eficaz ao uso dos estilos de aprendizagem é justamente praticar a metacognição — constantemente refletir sobre como aprendemos. Mesmo atividades triviais como analisar como realizamos uma série de exercícios ou respondemos a um exame são capazes de melhorar nossos resultados. Ao permitir uma análise cuidadosa do nosso processo de pensamento, a metacognição nos ajuda a identificar falhas em nossos hábitos de estudo, avaliar corretamente as técnicas que escolhemos e, por fim, buscar melhores formas de construir conhecimento.42

Yale mudou de ideia em relação aos estilos, afinal, porque não fechou os olhos à crescente sofisticação dos debates na ciência cognitiva. Como se esperaria de uma instituição de ponta, a universidade aceitou humildemente as novas conclusões dos pesquisadores e repensou o modo de instruir seus professores (como você pode ver nesta página). Podemos apostar que seu exemplo é capaz de influenciar outras instituições de ensino e estudantes a se livrarem de mitos educacionais. Mais recentemente, até mesmo o youtuber canadense Derek Muller, frontman do canal Veritasium, demonstrou com uma série de entrevistas de rua o quão enganosa pode ser a crença nos estilos de aprendizagem.

Ecoando o conselho de seus pares estrangeiros, em seu best-seller Você não sabe estudar o professor José Mário Chaves assegura que “ninguém deve focar num estilo específico de aprendizagem”. No lugar disso, “o estudante deve utilizar todos eles para produzir um conhecimento sólido”43.

Aprenda

Leia, escreva e estude melhor. Sem sair de casa.

Aulas on-line, ao vivo e individuais ministradas pelo Felipe. Conheça os planos exclusivos da tutoria.
Galeria de capas de livros

Estratégias de gerenciamento de recursos de aprendizagem

O gerenciamento de recursos é outro componente indispensável da aprendizagem autorregulada. Sem alocar com justiça os recursos de que dispomos, nossos resultados nos estudos nunca progrediriam. Tenha em mente que devemos regular não apenas recursos externos, como o ambiente em que estudamos e a duração das sessões de estudo, mas os desafiadores recursos internos, como nossa atenção, esforço e motivação44. Estratégias de gerenciamento de recursos são úteis para iniciar e manter nosso processo de aprendizagem, durante o qual devemos evitar ao máximo as distrações e a procrastinação. Entre outras medidas, procure:

  • Organizar o ambiente de estudos, criando um espaço físico limpo, organizado e livre de distrações, em que você possa facilmente acessar seus materiais;
  • Buscar ajuda, identificando quando é necessário recorrer a professores, colegas ou outros recursos quando diante de dúvidas estudantis, bem como a psicólogos e outros profissionais da saúde mental em caso de problemas emocionais complexos;
  • Gerenciar o esforço durante o estudos, regulando a intensidade e a duração do esforço feito em cada atividade e investindo em técnicas para sustentar a motivação e a persistência diante de tarefas desafiadoras;
  • Gerenciar o tempo, planejando e executando o mais fielmente possível suas sessões de estudo.

A técnica Pomodoro e a gestão de tempo durante os estudos

Monitorar o esforço que fazemos ao estudar é uma tarefa traiçoeira. Dado que podemos nos distrair dezenas de vezes durante poucas horas de tarefa de casa45 — e que nós mesmos iniciamos metade das trocas de tarefa durante o trabalho46 —, sustentar o investimento de esforço em longas tarefas de aprendizagem pode parecer algo praticável apenas por um Hércules da metacognição. Mas não será preciso chegar a tanto se recorrermos às grandes aliadas da nossa força de vontade: as pausas.

Pontuar nosso estudo por pausas de curta duração revigora nossa energia mental e nos prepara para novas seções produtivas do estudo. Satisfeito por intervalos breves e sistemáticos, nosso apetite por distrações desaparece, ou algo próximo disso, durante os períodos de concentração. Outros dados, porém, oferecem uma visão diferente do assunto.

Hoje, sabe-se que, ironicamente, levamos mais tempo para concluir tarefas que interrompemos por conta própria (ao controlar as pausas durante nossos estudos, por exemplo) do que aquelas interrompidas por um colega ou pelo ambiente47. Além disso, ter de decidir o momento ideal para cada intervalo com base em nosso nível de fadiga adiciona carga cognitiva à tarefa de estudar, o que costuma nos fazer fugir para pausas mais longas ou mesmo abandonar por completo uma sessão de estudos48. Assim, os intervalos de que tanto precisamos nos prejudicam. Certo?

Não se usarmos o que a psicóloga educacional Felicitas Biwer e seus colegas de publicação chamam de pausas reguladas por sistema. A estratégia consiste em obedecer a um método de organização de tempo que nos diga quando interromper e quando retomar os estudos, sem que para isso tenhamos de monitorar nosso cansaço49. Poupada da tarefa de decidir, nossa memória de trabalho terá mais recursos para processar o que mais queremos, como uma apostila de Direito Administrativo particularmente ameaçadora.

A técnica Pomodoro, criada pelo designer de software Francesco Cirillo e popularizada por seu best-seller homônimo, é exatamente o que podemos chamar de sistema de regulação de pausas. Segundo Cirillo, as etapas da técnica são as seguintes:

  1. Escolher a tarefa a executar
  2. Ajustar o cronômetro para 25 minutos
  3. Trabalhar na tarefa até que o alarme toque
  4. Verificar se a tarefa foi concluída assim que o alarme tocar
  5. Fazer uma breve pausa (5 minutos)
  6. Após quatro blocos completos de 25 minutos de trabalho, fazer uma pausa longa (30 minutos)

Por fim, Cirillo sugere que nos concentremos ao máximo para concluir a tarefa no tempo estabelecido, durante o qual também devemos anotar as distrações que nos importunarem.

Em tese, a técnica Pomodoro parece atender a todas as nossas necessidades, mas a ciência cognitiva precisa de muito mais para endossá-la. O próprio trabalho de Biwer não testa os efeitos da técnica sobre os participantes, mas de um sistema marcado por períodos de concentração — de apenas 12 minutos — muito mais breves do que os propostos pelo autor. A pesquisa sobre a quantidade e o momento ideal dos intervalos regulados por sistema ainda está engatinhando, e o mesmo se pode dizer dos estudos sobre a aplicação da técnica Pomodoro. Embora alguns trabalhos já tenham investigado seu uso por times de programação ágil50 e até mesmo um dispositivo físico de gerenciamento de tarefas — a Time Machine — tenha sido criado com base na estratégia51, esses são trabalhos escassos que não parecem ter caído nas graças da comunidade científica.

Tudo considerado, porém, a técnica Pomodoro é uma possível grande aliada dos nossos esforços. Se, desincumbidos de monitorar nosso cansaço, realmente pudermos dar todo o gás durante os blocos de estudo, nosso progresso pode ver saltos incríveis. Como notamos, a solução para o gerenciamento de tempo não está nos exatos 25 minutos de concentração seguidos de descanso, mas na obediência a um sistema de intervalos sustentável. Na falta de parâmetros comprovados, não precisamos seguir à risca o modelo de Cirillo — ainda podemos encontrar a duração ideal de nossas pausas e blocos de estudo por meio do bom e velho processo de tentativa e erro. Não custa tentar.

Cronômetro de estilo vintage pousado sobre a mesa de estudos
Usar um cronômetro ou temporizador para monitorar a duração de nossos blocos de estudo (ao aplicar a técnica Pomodoro, por exemplo) é uma estratégia inteligente de gerenciamento de tempo — Foto: Reprodução de Pixabay via Pexels

O papel das emoções no aprendizado

A busca pelo sucesso tem seu lado sombrio — e não seria diferente em relação à luta pela realização acadêmica. Independentemente de quão motivado(a) você se sinta para deixar a concorrência para trás, lembre-se de que o aumento da performance em provas e outros exames não é o fim único da aprendizagem, e que seu desenvolvimento pessoal e bem-estar podem ser severamente prejudicados se você puser toda a atenção em conquistar as melhores notas.52

Compreendendo a educação como um processo holístico, o pedagogo neozelandês John Hattie e seu pupilo Gregory Donoghue conceberam um modelo de aprendizagem centrado em três competências: habilidade, vontade e emoção. Segundo a dupla, as três podem “se entrelaçar” durante a aprendizagem, da qual também são consideradas resultados importantes.

“O objetivo é aumentar a vontade (por exemplo, a disposição de reinvestir em mais e mais profundo aprendizado), a emoção (por exemplo, as emoções associadas ao aprendizado bem-sucedido, a curiosidade e a disposição de explorar o que não se sabe) e as habilidades (por exemplo, o conteúdo e a compreensão mais profunda).”53

Enquanto você conquista habilidades e fortalece sua vontade, é crucial cuidar para que emoções venenosas não ponham tudo a perder. O medo, a ansiedade e o estresse excessivo, por exemplo, têm sabidamente um cruel efeito direto sobre a memória, atuando como “inibidores” do aprendizado. Forçado(a) a enfrentar fontes de estresse que ultrapassam limites saudáveis — como tarefas muito além do seu nível de habilidade atual ou apostilas incompreensíveis —, o tiro sairá pela culatra e sua função cognitiva será dinamitada pelo medo. Antes de sentir que as coisas estão fugindo ao controle, procure adotar medidas para preservar sua saúde emocional:

  • Estabeleça uma rotina de sono regular e de qualidade. Dormir o bastante (entre 7 e 9 horas por noite para jovens e adultos, segundo a recomendação atualizada da National Sleep Foundation54) e manter horários consistentes de acordar e ir para a cama é fundamental para regular o humor, a concentração e a memória. A privação de sono pode levar à irritabilidade, dificuldade de aprendizado e aumento do estresse55. Priorize um ambiente de sono tranquilo e evite telas (como a do seu celular, computador ou tablet) antes de se deitar.
  • Pratique atividades físicas regularmente. A atividade física libera endorfinas, hormônios com efeitos positivos sobre o humor e que ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade56. Não é preciso treinar intensamente todos os dias; caminhadas, alongamentos, dança ou outras atividades de que você goste já são capazes de trazer grandes benefícios à saúde. Tente incorporar ao menos 30 minutos de atividade física na maioria dos dias da semana57.
  • Cultive momentos de lazer e relaxamento. Evite “apenas estudar”. É essencial reservar tempo para atividades de que você goste e que ajudem a relaxar e desconectar-se do estresse dos estudos — como retomar antigos hobbies, passar tempo com amigos e familiares, ler por prazer, ouvir música, meditar ou rezar.
  • Mantenha conexões sociais saudáveis. Um sistema de apoio social forte é um importante fator protetor da saúde mental de estudantes — especialmente se eles pertencerem a uma raça ou etnia minoritária, estudarem num país estrangeiro ou enfrentarem dificuldades econômicas58. Invista tempo em construir e manter relacionamentos positivos com familiares, amigos e colegas. Compartilhe preocupações e sentimentos com pessoas de sua confiança e não hesite em recorrer à ajuda profissional se preciso. Participar de grupos de estudo ou atividades extracurriculares também pode ajudar a fortalecer os laços sociais e reduzir a quase sempre inevitável sensação de isolamento de um estudante aplicado.

Tenha em mente que cuidar de sua saúde psicológica é um processo contínuo e que apenas você pode determinar as estratégias que mais elevam e preservam o seu bem-estar. Se sentir que precisa de ajuda profissional, não hesite em procurar o apoio de psicólogos ou outros profissionais de saúde mental disponíveis em sua instituição de ensino ou comunidade.

O melhor dos cenários, segundo os objetivos de Hattie e Donoghue, é que o aprendizado conduza a “habilidades, disposições, motivações e excitações aprimoradas” — que devemos reinvestir no próprio aprendizado para elevar nossos parâmetros de sucesso. Obviamente, essas conquistas devem ser obtidas enquanto respeitamos nosso ritmo de aprendizado e nos damos tempo suficiente para repor as energias antes de desafios maiores. Emocionalmente equilibrados e psicologicamente saudáveis, nossos próximos passos serão muito mais fáceis.

Aprenda

Leia, escreva e estude melhor. Sem sair de casa.

Aulas on-line, ao vivo e individuais ministradas pelo Felipe. Conheça os planos exclusivos da tutoria.
Galeria de capas de livros

Perguntas frequentes sobre como estudar e aprendizagem autorregulada

  • O que é a aprendizagem autorregulada? A aprendizagem autorregulada (AAR) é o processo pelo qual estudantes assumem a gestão da própria aprendizagem — desde a fase em que se preparam para aprender até aquela em que avaliam seus resultados. Quando bem-sucedidos, aprendizes autorregulados conquistam melhor desempenho em exames e outras tarefas educacionais, além de motivação e satisfação mais intensas em relação aos estudos.
  • O que são estratégias cognitivas de aprendizagem? Estratégias cognitivas são o que popularmente chamamos de técnicas de estudo: práticas que nos permitem processar informações mais facilmente — como os resumos, mapas mentais, mnemônicos e testes. As estratégias cognitivas de aprendizagem podem ser divididas em estratégias de repetição, elaboração e organização, embora haja muitas outras classificações disponíveis.
  • O que são estratégias metacognitivas de aprendizagem? Estratégias metacognitivas de aprendizagem são processos mentais de ordem superior pelos quais um estudante toma consciência da própria cognição e a controla. Elas envolvem definir metas claras e realistas, criar cronogramas de estudo, selecionar as melhores técnicas de aprendizagem e refletir sobre como se aprende e sobre quão bem se tem aproveitado o estudo.
  • O que são estratégias de gerenciamento de recursos de aprendizagem? Estratégias de gerenciamento de recursos de aprendizagem são aplicadas para iniciar e manter processos de aprendizagem, de modo que, durante eles, o estudante evite procrastinar e se distrair. Os recursos a regular podem ser internos, como a atenção, o esforço e a motivação do aluno, ou externos, como a qualidade do ambiente de aprendizagem e o tempo de estudo.
  • Quais são as técnicas de estudo mais eficazes, segundo a ciência? Suportadas por uma vasta literatura científica, as técnicas de estudo mais eficazes são os testes práticos (como a prática de recordação e a resolução de questões) e a prática distribuída (o ato de espaçar seções de estudo ao longo do tempo, em vez de concentrá-las).
  • Quais são as técnicas de estudo menos eficazes, segundo a ciência? Grifar e sublinhar, criar resumos, aplicar mnemônicos de palavras-chave, reler textos e associar imagens a conceitos são técnicas de estudo pouco úteis. Apesar de ainda não figurarem no topo do ranking, a elaboração interrogativa, a autoexplicação e a prática intercalada, técnicas de utilidade moderada, são preferíveis às primeiras por promoverem mais aprendizado.
  • Elaborar mapas mentais é uma técnica de estudo eficaz? Apesar da popularidade dos mapas mentais, evidências científicas da sua eficácia não são abundantes nem consistentes. Embora criá-los possa ajudar alunos a resolver problemas, melhorar suas habilidades de leitura e preparar apresentações — o que os tornaria ferramentas “atualizadas, criativas e úteis”, segundo alguns cientistas59 —, precisamos de mais pesquisas para atestar seu custo-benefício quando comparados a outras técnicas de estudo. Em todo caso, já se sabe que mapas conceituais, semelhantes aos mapas mentais, perdem com folga para técnicas como a prática de recordação (uma espécie de teste prático) quando se trata de gerar aprendizado e processamento profundo.
  • Programas de treinamento em aprendizagem autorregulada podem aumentar meu desempenho acadêmico? Sim, podem — mas há ressalvas. Uma cuidadosa meta-análise de 2021 — o trabalho avaliou 49 artigos publicados sobre a matéria60 — testou os efeitos de treinamentos de longa duração em aprendizagem autorregulada sobre o desempenho acadêmico, o uso de estratégias de aprendizagem autorregulada e a motivação de estudantes universitários. Surpreendentemente, cursos baseados em teoria metacognitiva promoveram mais melhorias no desempenho acadêmico do que aqueles concentrados em teorias cognitivas, indicando que aprender somente “técnicas de estudo poderosas” — sem se instruir sobre como e quando usá-las ou avaliá-las — pode não ser a bala de prata que muitos acreditam que seja. Além disso, alunos mais velhos e com menor desempenho acadêmico prévio foram especialmente beneficiados pelo treinamento em estratégias de gerenciamento de recursos. De todo modo, os programas analisados revelaram não só uma melhora substancial do desempenho, mas um aumento efetivo da motivação dos estudantes e do seu uso de estratégias de estudo eficazes.

Conclusão

Estudar de forma eficiente vai muito além de conhecer e aplicar técnicas de estudo divulgadas por cientistas. Ao articular estratégias cognitivas, metacognitivas e de gerenciamento de recursos para otimizar nosso aprendizado, a aprendizagem autorregulada não nos permite apenas compreender melhor e reter por mais tempo o que estudamos — levando à fartura de notas azuis com que sonhamos —, mas injeta doses generosas de autonomia e responsabilidade em nossa vida intelectual. Quando bem aplicadas, em conjunto, as estratégias que você conheceu neste artigo realmente promovem avanços notáveis.

Não podemos, contudo, negligenciar o papel que as emoções desempenham no processo de aprendizagem. Uma saúde psicológica bem calibrada é indispensável para enfrentar os altos e baixos do percurso, que normalmente envolve algum nível de estresse, ansiedade ou frustração. Ajustes sutis em nossos hábitos, como preservar uma rotina adequada de sono e vínculos sociais positivos, já são capazes de nos manter em forma para as horas a fio diante dos livros. Ao adotar uma abordagem de aprendizado holística, que combine autorreflexão, ciência de ponta e inteligência emocional, é possível apostar que ergueremos uma base sólida para o sucesso — acadêmico e pessoal.

Referências

  1. Michelle Richardson, Charles Abraham e Rod Bond, Psychological correlates of university students’ academic performance: a systematic review and meta-analysis. Psychological Bulletin (PB), v. 138, n. 2, p. 353–87, 2012. Veja também Michael Schneider e Francis Preckel, Variables associated with achievement in higher education: a systematic review of meta-analyses. PB, v. 143, n. 6, p. 565–600, 2017. ↩︎
  2. Houston Lowe e Anthony Cook, Mind the gap: are students prepared for higher education? Journal of Further and Higher Education, v. 27, n. 1, p. 53–76, fev. 2003. ↩︎
  3. Patrick Liborius, Henrik Bellhäuser e Bernhard Schmitz, What makes a good study day?: An intraindividual study on university students’ time investment by means of time-series analyses. Learning and Instruction (LI), v. 60, p. 310–21, abr. 2019. ↩︎
  4. John Dunlosky et al., Improving students’ learning with effective learning techniques: promising directions from Cognitive and Educational Psychology. Psychological Science in the Public Interest (PSPI), v. 14, n. 1, p. 5 [4–58], 8 jan. 2013. ↩︎
  5. Pesquisadora assistente no Leibniz Institute for Research and Information in Education, Alemanha. ↩︎
  6. Maria Theobald, Self-regulated learning training programs enhance university students’ academic performance, self-regulated learning strategies, and motivation: a meta-analysis. Contemporary Educational Psychology, v. 66, 101976, jul. 2021. ↩︎
  7. A divisão original, que compreende cinco e não três grupos (os autores também elencam estratégias de monitoramento da compreensão e estratégias afetivas), é de Claire E. Weinstein e Richard E. Mayer, em The teaching of learning strategies. In: Merlin C. Wittrock (ed.), Handbook of research on teaching. 3. ed. MacMillan, 1986, p. 315–27. ↩︎
  8. Dunlosky et al., op. cit. ↩︎
  9. Ibid., p. 18–21. ↩︎
  10. Ibid., p. 26–9. ↩︎
  11. Ibid., p. 14–8. ↩︎
  12. Ibid., p. 21–4. ↩︎
  13. Detlev Leutner, Claudia Leopold e Elke Sumfleth, Cognitive load and science text comprehension: effects of drawing and mentally imagining text content. Computers in Human Behavior (CHB), v. 25, n. 2, p. 284–9, mar. 2009. ↩︎
  14. Dunlosky et al., op. cit., p. 24–6. ↩︎
  15. Ibid., p. 8–11. ↩︎
  16. Alan Baddeley, Michael W. Eysenck e Michael C. Anderson, Memory. 2. ed. Psychology Press, 2015, p. 150. A tradução para o português é minha. ↩︎
  17. Dunlosky et al., op. cit., p. 11–4. ↩︎
  18. Ibid., p. 40–4. ↩︎
  19. Nate Kornell e Robert A. Bjork, Learning concepts and categories: is spacing the “enemy of induction”? Psychological Science, v. 19, n. 6, p. 585–92, 1 jun. 2008. ↩︎
  20. Doug Rohrer e Kelli Taylor, The shuffling of mathematics problems improves learning. Instructional Science, v. 35, n. 6, p. 481–98, 6 out. 2007. ↩︎
  21. Franklin M. Zaromb e Henry L. Roediger III, The testing effect in free recall is associated with enhanced organizational processes. Memory & Cognition (M&C), v. 38, n. 8, p. 995–1008, dez. 2010. ↩︎
  22. Pooja K. Agarwal et al., Classroom-based programs of retrieval practice reduce middle school and high school students’ test anxiety. Journal of Applied Research in Memory and Cognition, v. 3, n. 3, p. 131–9, set. 2014. ↩︎
  23. Dunlosky et al., op. cit., p. 29–35. ↩︎
  24. Ibid., p. 35–40. ↩︎
  25. Gilles O. Einstein, Joy Morris e Susan Smith, Note-taking, individual differences, and memory for lecture information. Journal of Educational Psychology, v. 77, n. 5, p. 522–32, out. 1985. ↩︎
  26. Bjork apud David Robson, Por que pessoas inteligentes cometem erros idiotas? O que a Nasa, Thomas Edison, Benjamin Franklin e Daniel Kahneman nos ensinam sobre como tomar boas decisões. Sextante, 2021, cap. 8. ↩︎
  27. Jeffrey D. Karpicke, Andrew C. Butler e Roediger III, Metacognitive strategies in student learning: do students practice retrieval when they study on their own? Memory, v. 17, n. 4, p. 473 [471–9], abr. 2009. ↩︎
  28. Jennifer McCabe, Metacognitive awareness of learning strategies in undergraduates. M&C, v. 39, n. 3, p. 462–76, 16 abr. 2011. ↩︎
  29. Uma introdução bastante acessível às ilusões de competência está disponível em Barbara Oakley, Aprendendo a aprender: como ter sucesso em Matemática, Ciências e qualquer outra matéria (mesmo se você foi reprovado em Álgebra). Infopress Nova Mídia, 2015, p. 66–89. ↩︎
  30. Kornell e Bjork, The promise and perils of self-regulated study. Psychonomic Bulletin & Review, v. 14, n. 2, p. 219–24, abr. 2007. Veja também Bjork, Dunlosky e Kornell, Self-regulated learning: beliefs, techniques, and illusions. Annual Review of Psychology, v. 64, n. 1, p. 424–7, 3 jan. 2013. ↩︎
  31. Bjork, Memory and metamemory: considerations in the training of human beings. In: In: J. Metcalfe e A. Shimamura (eds.). Metacognition: knowing about knowing. MIT Press, 1994, p. 185–205. ↩︎
  32. Theobald, op. cit. ↩︎
  33. Baddeley, Eysenck e Anderson, op. cit., p. 159. O grifo e a tradução para o português são meus. ↩︎
  34. Kornell e Bjork, op. cit., p. 223. A tradução para o português é minha. ↩︎
  35. Harold Pashler et al., Learning styles: concepts and evidence. PSPI, v. 9, n. 3, p. 106 [105–19], 1 dez. 2009. ↩︎
  36. Yale University, Learning styles as a myth. Yale Poorvu Center for Teaching and Learning. Acesso em: 5 abr. 2025. ↩︎
  37. Como, por exemplo, Learning style as a criterion for placement in alternative programs (The Phi Delta Kappan, v. 56, n. 4, p. 275–8, 1974), Learning styles, teaching styles (NASSP Bulletin, v. 59, n. 393, p. 37–49, 1 out. 1975) e Teaching students through their individual learning styles: a practical approach (Reston Publishing Company, 1978), todos de autoria do casal Rita e Kenneth Dunn. ↩︎
  38. David A. Kolb, Experiential learning. Prentice-Hall, 1984. Veja também Kolb, Learning style inventory. McBer, 1985. ↩︎
  39. Neil D. Fleming e Colleen Mills, Not another inventory, rather a catalyst for reflection. To Improve the Academy, v. 11, n. 1, p. 137–55, jun. 1992. ↩︎
  40. Pashler et al., op. cit. ↩︎
  41. Richard E. Mayer, The promise of multimedia learning: using the same instructional design methods across different media. LI, v. 13, n. 2, p. 125–39, abr. 2003. ↩︎
  42. Marsha C. Lovett et al., How learning works: eight research-based principles for smart teaching. 2. ed. Jossey-Bass, 2023. Veja também Matthew Kaplan et al. (eds.), Using reflection and metacognition to improve student learning. Routledge, 2023. ↩︎
  43. José Mário Chaves, Você não sabe estudar!: Guia completo para concurseiros, vestibulandos e estudantes em geral. Evolutio, 2022, cap. 5. ↩︎
  44. Paul R. Pintrich, The role of motivation in promoting and sustaining self-regulated learning. International Journal of Educational Research, v. 31, n. 6, p. 459–70, jan. 1999. ↩︎
  45. Charles Calderwood, Phillip L. Ackerman e Erin Marie Conklin, What else do college students “do” while studying? An investigation of multitasking. Computers & Education, v. 75, p. 19–29, jun. 2014. ↩︎
  46. Mary Czerwinski, Eric Horvitz e Susan Wilhite, A diary study of task switching and interruptions. Proceedings of the SIGCHI Conference on Human Factors in Computing Systems, p. 175–82, 25 abr. 2004. ↩︎
  47. Ioanna Katidioti et al., Interrupt me: external interruptions are less disruptive than self-interruptions. CHB, v. 63, p. 906–15, out. 2016. ↩︎
  48. Joy Yeonjoo Lee et al., Different effects of pausing on cognitive load in a medical simulation game. CHB, v. 110, 106385, set. 2020. ↩︎
  49. Felicitas Biwer et al., Understanding effort regulation: comparing ‘Pomodoro’ breaks and self‐regulated breaks. British Journal of Educational Psychology, v. 93, n. S2, p. 353–67, ago. 2023. ↩︎
  50. Federico Gobbo e Matteo Vaccari, The Pomodoro Technique for sustainable pace in Extreme Programming teams. In: P. Abrahamsson et al. (eds.), Agile processes in Software Engineering and Extreme Programming. XP 2008. Lecture Notes in Business Information Processing, v. 9. Springer, 2008, p. 180–4. Veja também Xiaofeng Wang, Federico Gobbo e Michael Lane, Turning time from enemy into an ally using the Pomodoro Technique. In: D. Šmite, N. Moe e P. Ågerfalk (eds.), Agility Across Time and Space. Springer, 2010, p. 149–66. ↩︎
  51. Ryan Ahmed et al., A tangible approach to time management. In: Proceedings of the 2014 ACM International Joint Conference on Pervasive and Ubiquitous Computing: Adjunct Publication (UbiComp ’14 Adjunct). Association for Computing Machinery, p. 207–10, 13 set. 2014. ↩︎
  52. Esta seção do artigo é inteiramente baseada na discussão do estudo de John A. C. Hattie e Gregory M. Donoghue, Learning strategies: a synthesis and conceptual model. npj Science of Learning, v. 1, n. 1, 16013, 10 ago. 2016. ↩︎
  53. Hattie e Donoghue, op. cit. ↩︎
  54. Max Hirshkowitz et al., National Sleep Foundation’s updated sleep duration recommendations: final report. Sleep Health, v. 1, n. 4, p. 233–43, dez. 2015. ↩︎
  55. Steven J. Frenda e Kimberly M. Fenn, Sleep less, think worse: the effect of sleep deprivation on working memory. Journal of Applied Research in Memory and Cognition, v. 5, n. 4, p. 463–9, dez. 2016. Veja também Marcus Harrington et al., Losing control: sleep deprivation impairs the suppression of unwanted thoughts. Clinical Psychological Science, v. 9, n. 1, p. 97–113, 15 jan. 2021. ↩︎
  56. Sobre a liberação de endorfinas pela prática de exercícios aeróbicos e anaeróbios, veja Allan H. Goldfarb e Athanasios Z. Jamurtas, β-endorphin response to exercise. Sports Medicine, v. 24, n. 1, p. 8–16, jul. 1997. ↩︎
  57. Physical Activity Guidelines Advisory Committee, Physical Activity Guidelines Advisory Committee report, 2008. Department of Health and Human Services, 2008. ↩︎
  58. Jennifer Hefner e Daniel Eisenberg, Social support and mental health among college students. American Journal of Orthopsychiatry, v. 79, n. 4, p. 491–9, out. 2009. ↩︎
  59. Anna Buran e Andrey Filyukov, Mind mapping technique in language learning. Procedia: Social and Behavioral Sciences, v. 206, p. 215–8, out. 2015. ↩︎
  60. Theobald, op. cit. ↩︎
Caricatura do escritor, professor e produtor de conteúdo digital Felipe Pardal

Felipe Pardal é um escritor de ficção, pesquisador, criador de conteúdo digital e tutor particular de Literatura e Escrita Criativa. Autor de Samuca (romance, agora em processo de reescrita), é pós-graduado lato sensu em Literatura, Artes e Filosofia (PUCRS, Brasil) e bacharel em Direito. Mais sobre o Felipe aqui.

Leia mais

Carteiro

Uma newsletter literária.

Um e-mail por mês para deixar você a par de tudo.
Este site é protegido pelo Google reCAPTCHA; aplicam-se a Política de privacidade e os Termos de serviço do Google. Ao prosseguir, você também concorda com os Termos de uso e Política de privacidade do site.

Compartilhe

Facebook
LinkedIn
X
Reddit
WhatsApp
Threads
Telegram
Imprimir

Link para este artigo